quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ATO DE CONTRIÇÃO.

       Eu não estava ali para me divertir, para descansar ou assassinar meu tempo. Eu estava ali para fugir das lembranças que tenho dela, da certeza da minha incompetência de não ter sabido  prendê-la ao meu lado, talvez até por um pouco de vaidade ou muita ignorância eu a tenha perdido.  No fundo, no fundo eu passei para mim mesmo um atestado de burro e o pior disso tudo é que ela não deve estar nem aí para os meus grilos e minhas paranoias.
   Faz tempo  eu venho lutando contra essas lembranças que não chegam a ser ruins até pelo contrário, são maravilhosas, mas vêm tirando de mim o desejo de sonhar, a vontade de sair com os amigos e até de trocar ideias com as garotas da minha turma com as quais eu me regulo  para evitar possíveis pecados  ou aceitar convites que acendam os meus desejos eu tenho evitado.  Nesta praça, no entanto, eu vim tentar fugir de mim, mas a minha sorte que vive aprontando comigo escolheu-me esta praça entre outras só para me ver cair na minha própria armadilha. E olha que eu pesquisei no Google, perguntei a quem soubesse e quando preparei minha rota de fuga, pá! Caio na esparrela que eu mesmo armei. O única vantagem que eu tive nisso tudo foi o sol me lamber a face em despedida. Também lambeu, mas de forma harmoniosa, a moça que chorosa se perdia entre as rosas de cujo estado de penúria pinta de vergonha a minha cara. Foi assim, como essa moça, que eu pensei estar a minha alma. Foi assim, triste a ponto de querer morrer que eu acreditei me encontrar e no entanto alguém, talvez menos forte ou mais apaixonada se entregou a própria sorte e mesmo não sendo forte, teve forças para chegar aonde eu vim. Os últimos raios azul-alaranjado escorrem por sobre a mata, jardins e coqueiral. Escoa por sobre as águas como a sombra segue seu dono para ir com ele, o sol, seu rei, dormir para acordar mais cedo. 
         Na penumbra eu estendi nos ombros dela o frágil braço de quem sofre o mesmo mal e antes que de mim eu discorresse o sofrimento a minha dor chorou primeiro e foi nos braços dela, junto ao peito dela que eu beijei os lábios da mulher que eu pensei, mas não perdi. 


15 comentários:

  1. Olá meu amigo!!
    Você é simplesmente...fantástico, romântico e verdadeiro!
    Em alguns trechos me identifiquei com sua escrita maravilhosa!!
    Boa noite e...que a sua quarta feira seja assim...repleta de inspiração!!
    Beijinhos da Coruja!!

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  2. Silvio, você possui a essência do amor na sua maior expressão,
    você possui a grandeza de alma suficiente para fazer de uma solidão uma enorme alegria reencontrada!
    Lindo!
    Beijinhos de Luz!
    Ana Maria

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  3. Olá, Silvio Afonso!

    Lindo texto! Do jeito que gosto! Primeiro aquela dor dilacerante da paixão não correspondida, ou melhor mal resolvida!Depois o deleite no
    nos braços ou abraços do sinonimo de "felicidade"!
    Beijos, Poeta!

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  4. Olá. Estive aqui dando uma olhada. Legal. Gostei. Apareça por la. Abraços.

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  5. ...homem verdadeiramente apaixonado e sensível... é lindo e raro... amo e amo (re)encontros inesperados e felizes...
    Beijo!

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  6. PARABÉNS! LINDO TEXTO. AS PAIXÕES SÃO ASSIM... SÓ SENTIDAS, SE AS VIVEMOS SÃO FOGO E POLVORA. SE SÓ SONHAMOS É CERTEZA DO VAZIO AO ACORADAR.

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  7. Oi Silvio

    A forma com que você descreve a trajetória pelos labirintos dos sentimentos é tão bonita.

    Perdoar é o verbo que me ocorre.

    Quando se trata de equívocos provocados pelo intenso sentir, me perdoo sempre, mesmo que a minha cara tenha se pintado de vergonha.

    Todo fim é começo.

    Obrigada pelo carinho em meu post.

    Beijos

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  8. Que lindo!
    Parece que você se entregou profundamente a essa escrita.

    =* beijos

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Belo texto como sempre.
    Bom dia de quinta.
    Bjs

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  11. Estou ja ha um tempo (alias tempo demais!!) nesse estado... ma ao contrário eu evito ficar sozinha, tenho saído direto ja pra não ficar em casa e ligar ou mandar mensagem ou cair em tentação mental e ficar remoendo momentos que sei pouco provável voltarão.

    Boa sorte.

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  12. ...um poeta pode tudo!

    ele consegue transformar
    a dor em alegria
    apenas com um toque
    de pena da caneta
    cativa de bons
    sentimentos...

    "...eu estive aqui ontem
    à tardinha, pensei ter
    deixado um comentário,
    mas acho que o
    blogger não editou..."

    de qqr forma, cá estou
    para deliciar-me
    com tua alma...

    bjokas, sempre!

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  13. Oi Poeta
    Seu conto é encantador, emocionante e cheio de amor.
    Hoje, estamos sensíveis, pois, eu também escrevi um conto.
    Beijos lunar
    Lua Singular

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  14. Hoje voce me deixou sem palavras...Me fugiram todas após te ler. Voce colocou em palavras a beleza e sinceridade de tua alma...Aplaudo seu conto poetico, mesmo não sabendo se real ou ficticio...LINDO!
    Abraços carinhosos

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  15. Olá, amigo!
    Vc é romântico, verdadeiro e fantástico!
    Lindo texto, amei....

    Abraços, amiga Araan.

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