domingo, 4 de novembro de 2012

NEM MENINO e NEM MENINA.

           Brigas constantes e a separação dos pais talvez influenciassem negativamente na formação da personalidade de um filho, mas nada colabora mais para a homossexualidade, se não for genética,  do que um pais omissos.  Aqueles que não conversam, orientam e até puxe a orelha quando necessário.  Indispensável, seria dizer, que o aplauso às pequenas vitórias, por menores que sejam não tem preço. A criança que tem traços ou se comporta como menina, necessariamente não será gay no decorrer de sua vida, mas sente que trilha caminhos estranhos. Não existe só uma causa  que determina a homossexualidade. A igreja, por exemplo, ao atribuir o fato ao demônio discrimina a criança e consequentemente aponta o dedo para os pais como se esses afrontassem a sociedade a vergonha. Eu posso afiançar que um bom punhado de gente não sabe ou não tem  observado que a criança pode transferir sua libido para o homem – seu   pai – ou à mulher – sua mãe.  É tênue o fio onde nossas crianças se equilibram. 
    Todo o cuidado no tocante ao modo de tratar com a futura mamãe e a maneira dela reagir com relação a todos os problemas durante a fecundação do óvulo, a gestação do feto e a criação do filho é pouco, mas ajuda sobremaneira.      
      - Nós, aqui em casa, temos alguns livros de Charles Darwin, outro tanto de Lacan, Jung, três de Piaget e 24  de Freud, e em um específico, Sigmund determina a postura de cada um de nós diante da vida. Pai ausente ou pouco afetivo, assim como, mães dominadoras e possessivas, costumam consolidar a figura do gay na sociedade.
    O menino com este perfil, tão logo atinge a adolescência é assombrado pela crise existencial e só a presença de um terapeuta, e daquele que tomou o lugar do  pai, que teria morrido, abandonado a mulher e o filho ou mesmo quando presente, mas não está nem aí para a família, poderão ajudá-lo a se entender e com menos sacrifício exercer no futuro as atividades que a vida impõe. Isso sem contar que  também faz parte de uma sociedade formada por pessoas maravilhosas, mas que tem na sua maioria pessoas preconceituosas,  machistas, hipócritas e homofóbicas.   
      Dos onze aos 18 anos é quando o jovem começa a se questionar.   Enquanto o amigo quer levá-lo para jogar bola  ele quer levar o amigo para a cama. No grupo de sua relação todos falam de meninas, mas ele, sem jeito, cala ou sofre por fingir ser o que não é. O conflito é grande e muitos se perguntam por que as garotas não os atraem, mas os meninos, sim? A tentativa de suicídio voa em torno das possibilidades da criança que não vê apoio nos pais, nos parentes e nos poucos amigos. Conversar com ele alguns até conversam, mas ouvi-lo, entendê-lo, aceitá-lo, poucos ou ninguém. Os pais deveriam fazer exame de consciência para descobrir o quanto colaboraram para esta situação. Deveriam lembrar-se das farpas trocadas, do silêncio na hora da fala e das ofensas na hora de calar. Não é só a genética que determina quem é gay ou deixa de ser.
       Eu, silvioafonso, fui criado da forma mais natural possível; fui levado pelos meus pais a alguns cinemas, vários passeios,  joguei  futebol enquanto meu pai babava do outro lado do alambrado e algumas vezes dei e levei porrada  dos moleques na minha infância. Eu, no entanto, tento mudar, não a linha da vida e muito menos o rumo dos rios, mas já que eu quero e posso, vou ajudar o meu filho com a minha presença sempre que ele olhar para o lado a procura de um amigo.  Quero participar da sua vida  com  o melhor dos meus sorrisos, com as mãos prontas para aplaudi-lo até nos  seus intentos mais bizarros, e os meus braços escancarados para o abraço verdadeiro e mais sincero. Tirarei dos armários todas as portas que possam ter, pois criá-lo dentro de um deles eu jamais  me permitiria e se a arte final não sair de acordo com o projeto, eu o amarei do mesmo jeito como eu sei que me amariam, caso eu não fosse o resultado positivo de um estudo tão audacioso.