segunda-feira, 13 de agosto de 2012

VIVENDO O PESADELO.


      Aquela era a terceira vez que o garçom cobrava o pedido a quem tinha os olhos e a atenção direcionados à segunda fileira de mesas aonde um casal chegava para jantar.
      Fez o pedido e tomou de um só gole,  o aperitivo.

      O casal em resposta não desgrudava o olhar. Era como se eles se conhecessem, mas não recordassem de onde. 
      Leonardo devolveu o sorriso e aceitou o convite para sentar com eles.
- Eu me chamo Guilherme e esta é Márcia, minha mulher. 
      Os três pediram vinho branco e lagosta à Belle Munier, para o jantar.    Na saída entenderam que esticar a noite seria a melhor pedida.  Márcia sugeria uma boate e Leonardo teve o voto vencido ao tentar dissuadi-los da ideia por estar desacompanhado.  Comeram e beberam, porém Leonardo, dos três foi o que mais bebeu.  Revezando entre os dois, Márcia dançou até alta madrugada. Leonardo sentiu o golpe da bebida e a doçura com que era tratado,  mas fingiu tão bem estar embriagado que foi levado para o apartamento dos novos amigos antes que agarrasse e beijasse novamente a mulher na frente do marido. Lá descansaria o necessário para voltar a sua casa de onde recordaria aquela noite ou curtiria outros programas em tão boa companhia. Foi colocado em um dos quartos, mas não sem antes ser levado ao chuveiro para uma ducha fria. Vestiu o short que lhe deram e se jogou na cama para dormir o sono dos pretensiosos.  
O casal revezava na vigília, mas no plantão da Márcia quase tudo aconteceu. Leonardo deixou que suas vergonhas fugissem perna do short afora ao se mexer enquanto “dormia”.  Na certeza de que a moça via o que acontecia ele se excitou a ponto de Márcia precisar cobri-lo com um lençol  de modo que o marido não visse o que a enfeitiçava.  Aquilo pulsava forte ondulando o lençol branco de seda pura enquanto a moça, em febre alta, deixou-se cair numa poltrona a sua frente.  Abriu a camisola  e num ritmo alucinado massageou a confluência das próprias coxas criando em cada movimento a sensação vertiginosa do desmaio. Levantou o lençol sem medo e viu de perto o causador de tanto desespero. Tocou-o levemente para, nervosa, envolvê-lo em sua boca acordando aquele que "dormia".  Por baixo do lençol tudo aconteceu, mas não antes de Guilherme abrir a porta  e ver o subjugado da mulher. Pálido e sem forças para brigar ou mesmo participar o marido entregou-se ao pranto.   Chorou e soluçou  tão alto que acordou Márcia, com o seu próprio pesadelo.   


                                                                                                                                 (Foto da Internet)

12 comentários:

  1. Bom acordar e antes de sair para a lida deixar que a imaginação flua
    através desse texto.
    Escrita de mestre,
    para leitores de mente
    festeis:"
    Aquilo pulsava forte ondulando o lençol branco de seda pura enquanto a moça,"

    Delícia de acordar.


    Linda semana pra nos todos e
    Bjins
    entre
    sonhos e delírios

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  2. Uauuuu, pura sensação! Narrativa instigante!

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  3. Bom dia Silvio, um texto que leva o leitor a viajar na imaginação, mas um pouco perigoso em se tratando de um Blog., onde voce narra historias linda de tua familia. Sou sincera e não moralista(pois seria pura falsidade minha), mas que tal criar um blog., onde voce possa criar, imaginar, viajar em teus posts? Poderia ter até o nome de teu livro, ja pensou? Divulgação! Sou sincera, adorei o texto, viajei mesmo, mas esse blog., é um espaço doce, sensivel como o dono Silvio Afonso, pai da linda Rebeca, esposo da Morena dos olhos cor da mata...Filho de Dna.Maria...Pense nisso! Abraços!

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  4. Passando para agradecer tua visita no rabiscos e desejar-te uma boa semana.
    Beijos.

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  5. Que delícia! Fiquei excitada de ler e fascinada com o final, afinal por mais 'gostoso' que seja uma aventura não compensa a traição.
    Bjoks

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  6. Que delicadeza sua passagem pelo meu blog!
    Adorei as palavras e venho aqui retribuir a visitinha!
    Tenha uma semana linda!
    Bjs
    RITA
    www.olharesedetalhes.blogspot.com

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  7. Ja o leio faz algum tempo e o
    que me fez parar por aqui um dia foi
    a forma como alterna os assuntos.
    Não separa o santo do profano.
    O feio do belo ou
    o íntimo sensual e provocativo do simples e ingênuo.
    Eu e o Rodrigo falávamos da sua escrita e concordamos que
    tem a genialidade dos grandes escritores,
    exatamente por essa multiplicidade que mantém á partir desse seu maravilhoso espaço.
    É bom para seu leitor vir aqui e simplesmente passear como eu faço constantemente desde o primeiro ao ultimo post, como aprendo!
    E é um ato de genialidade manter a familia, os amigos e os leitores:, juntos porém cada um no seu quadrado e o meu quadrado é e sempre será o de leitora confessa.

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  8. Un relato super interesante, un placer leerte.
    Abrazos miles, buen inicio de semana!

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  9. Que desgraça! Era um pesadelo...Que droga e eu já estava toda feliz pensando que ia rolar um mènage!
    Bem amigo, o que tu explicou no meu blog eu sei...hahahah! Tudo bem, quando vier te visitar eu encontro o caminha para cair aqui! Beijo!

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  10. Meu amigo; só podia ser pesadelo mesmo, porque levar um desconhecido para casa, sob qualquer pretexto, é um risco.
    Mas a narrativa foi empolgante e excitante...
    Super bacana! Beijos

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Esses textos são fascinantes
    pelo furor que causam.
    Confesso que adoro ler e escrever nessa linha,
    sou ainda aprendiz, mas um dia chego
    perto da sua contemporânea escrita
    que se encontra bem perto dos
    consagrados.
    A diferença é que eles já chegaram onde podiam
    enquanto você no futuro até eu mesma
    ainda chegaremos,
    isso se mantivermos nossa escrita 'livre'.http://reflexoemcoisasdemulher.blogspot.com.br/2012/08/etica-e-moral-sempre-mas-falso.html
    Catiaho Alcantara

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