quarta-feira, 1 de agosto de 2012

À FLOR DA PELE.

.

             Foi no momento que  Richard viu a encantadora Amy, que ele se  apaixonou.  Ele tinha 25 anos, ela não mais que 16.  Enquanto o rapaz evitava furtivos namoros,  ela, espevitada, namorava qualquer um.  A primeira oportunidade para Richard declarar o seu amor foi no elevador do prédio onde moravam.  Richard falou do que sentia  e a pediu em namoro, mas  Amy, escorregadia, mudou de assunto e sempre que possível fugia de suas investidas. Dizia-se muito jovem para tamanha responsabilidade e curtir a noite com amigos era o que a fascinava.  Enquanto o rapaz trabalhava e estudava, a moça se divertia com  rapazes. Vivia a maior parte do dia pendurada na Internet, quando não era no celular que passava as horas livres.  Muitas vezes Richard  chegava  da faculdade enquanto Amy saía para as noitadas das quais voltava, somente, na manhã do dia seguinte, sempre acompanhada por  um parente ou amigo, como dizia, mas o cabelo molhado denunciava  a sua ida ao motel. Essa certeza machucava Richard e quanto mais a moça aprontava, mais o jovem  se apaixonava. Amy era italiana da Sardenha. Filha de brasileira casada com cônsul italiano,  muito viajada. Amigas, teve poucas. Namorados, muitos. Tinha vez que Amy era vista saindo com vários homens na mesma noite o que transformava seu porte de menina num histórico de mulher vivida. Certa vez Richard a interpelou na garagem do condomínio. Falou do seu amor e sem que se desse conta uma lágrima escorreu-lhe na face comovendo a moça que não tendo como fugir desabou em confissão. Disse que não gostava do que fazia, mas não sabendo como frear os próprios desejos entregava-se ao primeiro que aparecia.  Tinha momento que o corpo dava sinal de fadiga, mas uma força estranha a conduzia  aos caprichos da carne. Tudo o que a cercava tinha cheiro de desejo e sexo, até nos sonhos o seu nome era pecado.  Tinha vez que a relação com vários homens a maltratava tanto que ao voltar à casa estava extenuada, machucada, mas não saciada.  Não existia nada que Richard pudesse fazer para impedi-la de se jogar nos braços dos amantes cujo número era cada vez maior. Antes de beijar a face de Richard e se despedir, Amy se deixou ficar abraçada enquanto chorando jurou seu amor por ele e em soluços garantiu que só fugia por achar que ele não merecia  tão pesada cruz.
    Aquela afirmação encheu  Richard de esperança e na primeira oportunidade se atirou de joelhos e a pediu em casamento. Disse a ela que não sairia do seu lado e isso tiraria dela o desejo por outros homens. A moça aceitou, mas nada mudou. Eles saíam juntos pela manhã. Ele para o trabalho e ela para o pecado costumeiro. Essa atitude matava as esperanças de felicidade do casal. Richard sabia que rapazes frequentavam a casa em sua ausência, mas nada podia fazer a não ser rezar ou perdê-la. Uma luz, porém, iluminou uma grande, talvez a única oportunidade. Um psicólogo! Isso. Um tratamento talvez fosse o melhor remédio para salvar aquela relação e ambos se dignaram consultar Armando, professor de psicologia da USP, com pós graduação, mestrado e doutorado na matéria. Nas primeiras consultas Armando se viu assediado e até perturbado com a beleza da paciente, mas respeitou a ética. Durante os primeiros meses foi difícil evitá-la, mas com o passar do tempo, tudo se resolveu. Num certo dia o consultório foi preparado com música ambiente enquanto flores silvestres se espalhavam por cada canto. Na chegada à terapia, Amy  percebeu que o ambiente estava fora dos costumes, principalmente na hora da despedida quando Armando lhe entregou uma rosa amarela e um convite para jantar, o que Amy, meio sem jeito, recusou. O profissional deu-lhe um beijo na face e através de um telefonema ficou sabendo que o comportamento da moça mudara nesses dois anos, principalmente nos últimos seis meses o que garantiu a sua alta e a certeza da felicidade futura, do casal.