quinta-feira, 28 de junho de 2012

O DIA DO MASCATE.

        
    Luiz Bolinha, como era conhecido, era mascate, um tipo de vendedor que saia de cidade em cidade oferecendo seus produtos. Era um tipo interessante, brincalhão, fascinante por assim dizer. - Um garotão -, como Zé Klein o definia. Bolinha não viajava sem antes preparar um plano de voo. Jamais deixou de programar o seu roteiro e quando dizia adeus a sua gente era sinal de que sabia para onde ir e o que fazer, em quais pensões faria as refeições e em que hotel descansaria o corpo. Luiz Bolinha tinha os Hotel reservados para os pernoites, mas esqueceu-se de um, por isso foi dormir de favor na casa de um velho aposentado que se prontificou tirá-lo daquele sufoco. Não fosse o agravamento da enfisema levar o velho ao posto de saúde e Luiz Bolinha teria dormido no banco da praça.  Isso se Bruno e Marrone não estivessem dormindo lá.
A casa do seu Neneu, velho que socorreu Luiz Bolinha, era bastante simples e o dono generoso por demais. O ambiente era humilde, mas limpo. O banheiro era digno de elogios. O lençol que recebeu para cobrir o colchonete cheirava a flor e a colcha tinha o perfume da bondade. Isso sem contar com o sorriso franco e generoso como jamais tinha visto. Depois de uma boa chuveirada o visitante se deitou ao longo do corredor sabendo que talvez atrapalhasse quem precisasse por ali passar, mas o cansaço cerrou seus olhos e dormiu. Dormiu até que os gemidos no quarto em frente o acordaram. Bolinha ficou sem saber o que fazer. Estava muito cansado, pingando de sono e mesmo não se esquecendo que estava de favor na casa de quem o tinha recebido como um parente, Luiz Bolinha se encheu de curiosidade. A cama no quarto ao lado fazia barulho e os gemidos eram de mulher. Uma dúvida, porém, baratinou Luiz; como aquele velho doente, como lhe pareceu, conseguia tal façanha? Que tipo de mulher seria aquela que transformava um velho asmático num garanhão? Bolinha cobriu a cabeça com o travesseiro, mas quando pensou que podia dormir, um grito agudo o pôs de pé. Luiz, esquecendo-se do sono e do cansaço, quis saber o que estava acontecendo. A voz que ouvia era de homem que pedia a mulher que o permitisse fazer com ela alguma coisa que o mascate não ouviu direito. Curioso, Luiz Bolinha tentou olhar através da fechadura, mas nada viu. Os gemidos e sussurros aumentaram até que um berro de prazer ou sofrimento antecipou o silêncio que se instalou nas redondezas. 

30 comentários:

  1. Olá meu caro,

    Seus textos sempre bons!
    Tudo começa no sussurro....
    E pode acabar em ronco.rsrsrs

    Que descanse em paz quem sussurrou!

    Grande abraço

    Leila

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  2. ...uma boa pegada,
    ou um bom amasso
    cura até enfisema, não?

    bjokas, moço querido!

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  3. Muito bom, seus textos faz respirar profundo e que delicia ler, beijinhos☻

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  4. Meu querido Palhaço Poeta !
    Sempre gratificante te ler...
    O texto de hoje me faz refletir diante da sua inteligência...
    Bjs de bom dia !

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  5. Tão leve e tão gostoso de ler.
    Textos que conseguem nos "prender" até o final.

    Volto p continua meu passeio entre tuas linhas.

    Bjs e bom dia!

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  6. Oi Silvio.
    Que texto bacana! Alguns sussurros para terminar em ronco. rsrsrs. Só sua cabecinha privilegiada para nos brindar com post belíssimo assim. Parabéns amigo! Um abraço carinhoso
    Gracita

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  7. SIEMPRE UN PLACER LEER SUS RELATOS. EXCELENTE.
    UN ABRAZO

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  8. Luiz Bolinha sonhou... e se não havia mulher na casa, podia ser a televisão? (rs*) Bom restinho de semana!!

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  9. Coitado do Bolinha, ficou na curiosidade!rs
    Dizem as boas línguas que o amor cura tudo!Quem sabe a amada nao curou o velho asmático rs?Tudo é possivel dentro de uma historia deliciosa como esta?

    Te acho um gênio na escrita!

    Beijos meus!

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  10. Excelente como suelen serlo tus relatos.
    Un abrazo

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  11. Olá..vim,te visitar , ver as novidades e te oferecer o selo- Sua Amizade é Essencial

    Deixo o meu Toque de Carinho e amizade

    san

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  12. Boa noite Silvio.
    Estou rindo, não sei se
    de pena do Mascate Bolinha
    que não conseguia dormir, antes
    com tais sussurros e depois com os
    roncos ou se de imaginar quem era
    a mulher ou o que os dois fizeram naquele quarto...Fez-me rir muito, estava precisando, obrigado.
    Abraços carinhosos!
    Vai ter continuação??

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  13. ah...mais um texto tão expressivo! Parabéns poeta!
    Bj

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  14. Parabéns pelos mil seguidores!!! Já postei o selo no meu blog My Gifts!
    Beijos e bom fim de semana!

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  15. Querido,com uma boazuda até um morto levanta.Ah! foi demais.Sagacidade e inteligência unidos fizeram do teu texto uma beleza.
    Meu amigo, gostaria de usar um comentário que fizestes no meu blog.Posso?
    Bjs Eloah
    E-mail: eloahn@yahoo.com.br

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  16. Ufa que texto profundo, mas adorei
    a gente le e fica imaginando como
    foi a bela noite de amor.
    Muito bom mesmo
    Abraços
    Rita!!!!

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  17. Amigo gostei da sua postagem
    rir sempre é muito bom.
    Agradeço o carinho da sua amizade desejo um feliz Domingo.
    Beijos,Evanir

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  18. Lindo texto... tenha um excelente domingo. abraços.

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  19. Olá Silvio, que texto bacana!
    O suspense que você criou prendeu a atenção, aguçou a curiosidade de quem te lê. Beleza!Você é um show de escritor Parabéns!!
    Beijos!

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  20. KKK...Meu caro, muito bom seu texto. É, de onde não se espera!...kkk...Bjs.

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  21. kkk... Muito bom! É, de onde não se espera...é que sai, diz o velho ditado popular...kkk...Bjs.

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  22. KKK...Meu caro, muito bom seu texto. É, de onde não se espera!...kkk...Bjs.

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  23. Pobre Luiz Bolinha...durma-se com esses gemidos!! Sempre lindos textos!!

    Tenha uma ótima noite!!
    Beijos de luz e paz!♥

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  24. Boa noite Silvio Afonso, adorei, ficou muito bom. Agora espero que voce clique nele de vez em quando.
    Abraços carinhosos!

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  25. Huahua... ta vendo?
    Ha quem durma
    e ha quem fique acordado a espreita
    enquanto o sono não chega!
    rsrs
    Me divertir lendo, adorei o nome do personagem.
    Bjins entre sonhos e delírios

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  26. Meu amigo me perdoe!
    Me diga onde está o seu selo que eu levo agora mesmo.
    Espero seu retorno.

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  27. Fantástico texto Silvio!!

    Bem hajam todos os sussurros...:)

    Beijo
    Sónia

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  28. Rsrsrs,adorei..

    Pobre viajante,cansado e com sono ainda ter que aguentar uns gemidos de prazer..rsrsrsr..morri!!!!

    Vc é o máximo..rsrsrs

    Vou ver como faço para ler teus contos..Tens muita imaginação e isto é uma virtude que eu gosto..imagina teus sonhos!!!

    Tua amiga que te gosta

    Rachel Omena

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