quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

EM NOME DE DEUS.

Olhou para trás, pediu desculpas pelo esbarrão que dera e, apressado como sempre, seguiu o seu caminho. Olha para onde anda, cara! Gritou para um jovem magricela que ao passar por ele, por pouco não derrubou as sacolas que carregava.Era nessa agitação, num corre-corre de tirar o fôlego que Zebedeu vivia a sua vida. Assim que saía para o trabalho era a cachacinha que dava ao jovem de meia-idade a disposição que muitos procuravam. Zebedeu mantinha um antigo hábito de chegar ao local de trabalho antes de qualquer outro funcionário e era com seriedade que ele, um cara brincalhão, educado, bom amigo e companheiro executava as tarefas a ele confiadas. Ele era o funcionário padrão daquela empresa e de todas por que passou. Sempre que as festas de final de ano acabam eu me lembro desse moço. Pessoa respeitada por todos que o conheciam. Lembro-me que foi numa destas datas que ele viu, gostou, ofereceu matrimônio que foi aceito e se casou com uma bonita e meiga moça da igreja. Foram dias felizes e ele que não sabia o que era tristeza acercou-se da felicidade verdadeira. Um filho no final do primeiro ano e outro no decorrer do terceiro deram à família maior respeito e mais amor. O pastor, porém, continuava sendo o assunto da mulher amada. Nas primeiras refeições e no jantar, assim como antes de dormir, ouvia as histórias da igreja e o nome do pastor com que ela martelava os seus ouvidos até que o sono o envolvesse. Era difícil saber dos lábios dela qualquer coisa que não lembrasse a igreja e a cada dia que passava, Zebedeu sentia o desânimo do quesito família apertar-lhe o peito. Amava a mulher, os filhos e a casa, mas sentia-se melhor no botequim onde falava do flamengo, time do seu coração, dos políticos ficha suja e da crise econômica do País. Para intercalar cada assunto, uma cachacinha caia bem, mas quando o assunto esgotava e a volta para casa se fazia necessária, a bebida o puxava para trás e era aos tropeços que deixava o bar. Assim chegava à casa onde a igreja e o pastor o aguardavam para punir o ser que ofendia a Deus com a bebida do Demônio. A bebida não era de Deus, mas foi Ele quem levou o cara mais feliz que os amigos conheceram. Todos sentiram sua falta e com ela o sorriso se afastou dos lábios daquela empresa, daquela rua, daquela gente. Dos filhos pouco fiquei sabendo, mas da viúva...
Bem, viúvo é quem morre porque ela se casou de novo e é feliz, feliz como estava ao tomar a vida do falecido em suas mãos e fazer dela o que foi feito; uma leve e boa lembrança.

11 comentários:

  1. Hun...
    delicia de post.
    Já estava com saudades
    dese enredo que enreda
    a gente, leitores seus, Palhaço Poeta.
    Bjins entre sonhos e delírios

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  2. Bom dia, muito triste ver que ele escolheu a bebida para nao ouvir falar de DEUS, acredito que DEUS salva, mas a bebida(em exagero)Mata! Deveria ter equilibrado, casa,bar, esposa e DEUS...com certeza estaria mais feliz e VIVO!
    Nada contra quem bebe, mas tudo em exagero faz mal...Dialogos, diversão, viajens, afinidades e ate amigos em comum, ajuda muito...Desculpe, mas disse! Abraços e adorei o texto!

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  3. Gosto de finais felizes, mas frente ao contexto apresentado não tinha como 'né'?...rs Na verdade ele deveria ter proibido a mulher de falar sobre o pastor...kkkkkkkk ;-)
    Retribuindo a visita. Tornando-me seguidora pq realmente o blog é uma delícia.
    Bjlhões Moço Poeta.

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  4. Olá grande poeta, te seguindo tb.

    Aquele abraço!

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  5. Hoje versava com um mestre
    e ele se referiu a você assim: “O seu amigo o escritor que lançou(...)”.
    Parei a aula que recebia generosamente e fiz o observação: “Ele não é escritor por ser meu amigo”.
    O mestre pediu desculpas e seguiu nos sábios conselhos.
    Peço licença a seus leitores todos, porque são muitos e não há como negar a eles meu respeito.
    Peço desculpas Á dona de seus pensamentos: a Moça dos Olhos da Cor da Mata;
    para dizer que lembro bem quando eu cavando espaço para dizer que sua escrita me agradava e recebi muitos e muitos nãos e uma observação "de que não seria amigo meu de forma alguma". Aceitei e me afastei seguindo a ler em silêncio ou comentar.
    Digo que lembro também de quantas vezes depois de bastante tempo que já o lia sem comentar e literariamente brigávamos
    e nos debatíamos,até porque éramos apenas dois blogueiros, eu lia você, mas você não me lia... eu ao passar a comentar, recebia rebater de tudo que eu falava. Mas buscava por publicações suas em papel, pois achava impossível que não houvesse lançado ainda com tamanha bagagem literária e desenvoltura na escrita.
    Confesso: seu blog primeiro me chamou pelo nome (meus filhos são palhaços profissionais e tem essa arte por ofício)
    Depois me assustou pela ousadia da exposição em palavras e fotos. Seguindo sua escrita me ganhou de vez e diante das negativas,
    me satisfazia em repostar artigos de seu espaço aqui, já que não se opunha.
    Quando pedi email, depois comecei a receber os sim, exultei, depois a demostração de confiança no meu trabalho. Coisa que muitos fazem questão de desprezar e de manterem-se afastados.
    Hoje me sinto realizada ao ter suas obras lançadas e outras a caminho. Pensava eu: Há tanta gente ruim escrevendo nessa blogosfera.
    Há tanta gente usando espaço e se dizendo literata e "ele"(você)
    que nada diz, apenas escreve e bem, porque não provocá-lo a lançar?
    Por isso digo que primeiro me encantei com sua escrita e sua leitora me fiz.
    Para só depois receber de vocês a acolhida e me fazerem sentir amiga sua e da sua família.
    Digo isso com muita honra porque agora somos mais que amigos; já que nossas famílias numa só tem se misturado.
    Pedi licença a Moça dos Olhos da Cor da Mata para dizer que depois dela, sou eu sua leitora mais assídua e incentivadora de sua escrita. saiba que quando escreve, me honra e muito ao ter a permissão de o ler.
    Por isso frisei bem que você silvioafonso, não é um amigo que lancei e sim o escritor que leio antes de lançar.
    Essa coisa de amizade veio depois... alias creio que ainda esta vindo.
    Bjins entre sonhos, delírios e confetes que confesso;adoro!

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  6. Boa noite, Silvio! Tudo bem?

    Zebedeu... Nome bastante sugestivo, hein? (rs)

    Não sou a favor da droga, justamente, porque serve como antibiótico momentâneo contra a infelicidade.

    No mais, muito obrigada por seguir o meu cantinho e deixar um comentário em um dos posts. Só hoje pude comparecer para retribuir o seu carinho. Estava sobrecarregada. Às vezes a vida pedi: “Acione o freio”. E querido, faz tempo que lhe sigo, ok?

    Bjuxxx e xerooo

    Juliana Carla
    brailledalma.blogspot.com

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  7. Muito bem alinhavada a história, uma delícia de ler. Infelizmente a vida tem desses desencontros,esses caminhos tortos. Bom estar por aqui..abraços..

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  8. Uau!
    Muito bom gosto o seu espaço.
    Coladinha em você.
    Beijos gulosos em você.

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  9. Olá Silvio.
    Grata pela sua visita.
    Gostei do teu texto,muito bem elaborado,com certeza virei aqui muitas vezes.

    Grande abraço
    se cuida

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  10. Olá Silvio,

    Agradecida pela visita em um dos meus recantos, onde devaneio pensamentos, notas em canto...
    Não sei se estiveste no palavras e poemas, a minha nascente, dá uma chegadinha por lá, és bem vindo...

    Aqui tem cheiro de poesia, reflexões e muita sensibilidade, razões de sonhos...
    Voltarei.

    Obrigado pela visita, volte sempre

    Abraços

    Livinha

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  11. Olá Silvio,

    Agradecida pela visita em um dos meus recantos, onde devaneio pensamentos, notas em canto...
    Não sei se estiveste no palavras e poemas, a minha nascente, dá uma chegadinha por lá, és bem vindo...

    Aqui tem cheiro de poesia, reflexões e muita sensibilidade, razões de sonhos...
    Voltarei.

    Obrigado pela visita, volte sempre

    Abraços

    Livinha

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