terça-feira, 27 de dezembro de 2011

NEM SOB TORTURA...

Eu não vou dissertar sobre a viagem que fiz, mesmo que peçam ou em vão tentem me comover. Chega de dizer da felicidade que senti e sinto, ainda. Basta de falar dessa gente que demonstrou respeito ao me conhecer. Pessoas estas que a Internet, mentirosa, me apresentou e nelas descobri mais beleza do que eu pudesse imaginar. Não tentem, portanto, nem perguntem porque não responderei. Talvez eu fale de Alcleir e Cátiaho. Posso até arriscar algumas palavras sobre a forma carinhosa com que essa gente me recebeu em sua casa, como a encantadora Ana Clara, e Júnior, um pai formado na escola de circo aonde o respeito, a disciplina e a perseverança são o alicerce da alma; Amanda, a dona da pensão entende o que eu digo. Eu poderia falar horas sobre essa gente, mas não vou. Não quero lembrar da dedicação, do carinho e do momento em que a chave de suas casa me foram dadas em forma de abraços e beijos. Não quero dizer das flores que não nascem do jardim, mas do coração que, segundo Maria, minha mãe, tem caminhos que ninguém anda.
Sinto muito desapontar aos que, curiosos, quiseram saber da viagem maravilhosa que eu fiz com a minha família durante uma semana. Sete dias de festa, de riso e gentilezas como eu nunca pensei que viveria.
Desculpem, se eu me reservo o direito de calar.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

VITÓRIA e VILA VELHA

Este foi o melhor passeio que eu poderia ter proporcionado a minha família este ano. Foram contatos importantes com pessoas irradiando sinceridade em cada palavra e em cada gesto. Foi gente desejando sucesso entre um abraço e um beijo. Foram homens e mulheres a sorrirem com respeito para estranhas pessoas que nós somos sem nada para lhes oferecer em troca. Mesmo sabendo que tudo era suficiente à nossa felicidade fizeram questão de nos levar a conhecer a beleza história da Igreja da Penha e dos pontos importantes da belíssima cidade de Vitória, sem esquecer, é claro, do estilo modernista de Vila Velha com suas luzes e a limpeza de suas ruas, da educação de sua gente, da gentileza daquele povo e da graça de suas praças, parques e jardins.
Catiaho e Alcleir, nem todo o dinheiro que eu pudesse conseguir na minha vida seria suficiente para quitar a conta que eu tenho com vocês.
Kelly, Rebecca e este seu escravo retornamos ao ponto de partida e por vocês voltamos a acreditar em Deus, no futuro que nos espera e no ser humano de todos os dias.
Podem mudar os tempos, o estilo de vida e a distância, mas o amor que vocês conseguiram da gente, não mudará, a não ser para melhor.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

PICANDO A MULA.

Eu devo admitir que a ansiedade toma conta do pessoal aqui de casa. Todos estamos contando os minutos para entupir o carro com o que achamos imprescindível e sair por aí com o nariz apontado para Vila Velha, no Espírito Santo, aonde os amigos nos aguardam, sem mesmo saberem que as malas não são a bagagem que levamos, mas nós três. Digo isso com plena certeza, porque a minha mulher diz que eu sou u'a mala. A minha filha, diga se de passagem, é uma nécessaire, a minha mulher é a sua mãe. Portanto, somos todos u'as malas, e nem marca nós temos pra valorizar. Já os nossos hospedeiros são fortes candidatos ao Nobel da paciência. Bem, nós só vamos viajar porque fizemos por merecer e entre essas coisas todas, destacamos a forte amizade com o pessoal carioca, ora capixaba. É claro que o tempo que essa turma está morando lá deve ter sido suficiente para saber a diferença da moqueca para peixada que eu degusto aqui no Rio. Em um dos almoços que teremos, eu vou me deliciar com o prato prometido.
Este texto está sendo escrito numa quarta-feira, 14 de dezembro, para postagem de sexta-feira, exatamente às 5h, quando sairemos para uma ótima e tranquila viagem, assim como aproveitaremos para descansar do dia a dia entre abraços, beijos, algumas verdades e muitas mentiras até que a segunda-feira se apresente e nós partamos de volta, com saudade sim, porém felizes e realizados...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

CHOVE NA MINHA ROÇA.

O dia amanheceu lindo. Depois das chuvas tudo é diferente. A terra enriquece a distribuição da vidas e propicia o verde que surge no broto de cada planta. Os rios revoltos na farra dos peixes escorregam suas águas barrentas leito abaixo a caminho do mar. No ramo do capim, no catar atrapalhado das sementes, o coleiro chilrea feliz. A criançada já brinca no quintal e os lençóis esticados na corda refletem os raios do sol. Na cozinha, ao pé do fogão à lenha, vovô amassa o fumo de corda na palma das mãos enquanto a palha nos lábios aguarda o momento certo para embalar o primeiro cigarro do dia.
A vida na roça tem dessas coisas. Se chove ninguém ou quase ninguém trabalha, mas se o sol racha, tudo é festa. Os homens charruam, semeiam e colhem, enquanto a comida abunda na lavoura. As crianças correm atrás da criação, caçam passarinho, jogam bola e até ir à escola elas vão. Vovó amarra entre as pernas, a saia, para, agachada, lavar sua roupa, as do marido e dos filhos na água da nascente, na bica lá embaixo. A enxada capa o mato acariciando a terra como a navalha, na hora que sangra, rapa o pelo do corpo do porco. O azul do céu é mais azul e o engraçado aqui na roça é que o infinito não é negro, mas azul. Se tem sol é azul, se não tem é branco de estrelas e tem vez, de luar. Eu acho que viver aonde os meus avós moram e eu passo as férias é bem melhor. Pelo menos faz bem para a pele, para os olhos e o cabelo. Melhora e respiração, os rins e até o fígado sorri com a pureza das pingas do lugar. É bom para quem tem filho homem, mas deve ser melhor se a filha é mulher, porque casa e vai dar trabalho e despesa a quem a quer, como eu.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

BANDEIRADA DE CHEGADA

O ano passa na velocidade da fórmula 1. Quando se fixa os olhos nas luzes vermelhas que aos poucos vão se apagando, bem antes da última perder a cor, já se ouve os aplausos e a bandeira quadriculada diante dos nossos olhos anunciando o vencedor. Foi assim com a minha infância, com a minha juventude e não seria novidade se os meus dias atuais e os últimos passassem pela minha vida como o corisco risca o céu. Tudo é passageiro de trem bala. Tudo é corrido e quando se leva alguns minutos em um banho demorado, lá vem a cobrança, como que tomar uma ducha ligeira freasse a marcha implacável do tempo. Eu não tenho o hábito, pelo menos que eu me lembre, de recordar o passado ou divulgar aqueles tempos, dos quais, talvez já nem me lembre, em que eu via minha mãe, uma linda mulher me puxando pela mão rumo ao colégio aonde, mais tarde, eu aprenderia a ler e a escrever. Não vejo ninguém mais forte e bem vestida, cabelo aparado e barba bem feita, perfumada, como meu pai. Talvez eu não quisesse me lembrar desse tempo porque hoje é bem melhor. Hoje eu tenho tudo o que sonhava quando criança. Eu sou o comandante da tropa de de elite dos soldados de chumbo. Sou aquele que manipula com gestos fortes os cordeis que dão direção aos bonecos de pano. Sou eu quem grita a última palavra e diz o que eu quero e o que não quero se a ligação é um engano. Sou eu quem ouve de volta as histórias que contei. Sou eu quem baba pelos meus filhos e diz pra todo mundo que já fui assim, bonito e inteligente. Jovem e educado como eles são e para evitar esta lágrima fujona, eu escrevo no rodapé deste texto o meu nome, antes que o tempo amarele esta folha e faça das minhas palavras, leves lembranças.