quarta-feira, 26 de outubro de 2011

SOL, CÉU E MAR.

Os primeiros raios de sol do verão que se anuncia bate forte na janela do meu quarto. Eu levanto e abro as cortinas dando boas-vindas ao astro-rei enquanto o quarto inteiro se acende permitindo à claridade despertar aqueles que dormiam. Uma ducha fria que acorda a gente, café sem leite, pão com manteiga engolido de repente e lá vamos nós. Barraca debaixo do braço, protetor solar, esteira e canga para não torrar a pele, forrar a areia e colorir os corpos torneados das meninas. Prancha, mais de uma, arrastada pelos relaxados que não as têm e por isso não sabem quanto custa. Ondas fortes quebrando na pedra espumando na areia. Criança correndo, gritaria de mulher. Um ramo de palma branca, oferta dos filhos de santo à Iemanjá, rainha do mar, que devolve a flor depois do beijo. Mate espumante, gelado, com ou sem limão. Sanduíche natural, misto ou de frango em papel prateado para proteção, apregoa o ambulante vendedor. As ondas regurgitam da prancha o seu navegador que sem tirar os olhos dela rema ao seu encontro.
Louras e morenas de pele bronzeada, perfumada, de corpo torneado como obra de escultor. Muito seio em pouco peito. Pouca polpa em muita bunda. Muitos olhos secando a flor que estufa a peça estreita logo abaixo do umbigo.
De fevereiro a janeiro, de dezembro a novembro é sol o dia inteiro. Este é o verão do Rio, quando o pobre com o rico se confunde e aonde quem trabalha vira turista.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

LUIZ GONZAGA.

Na feira nordestina de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, é onde todos os Estados brasileiros se encontram. Em qualquer parte do país se ouve falar das iguarias do nordeste, assim como da música e da cachaça, mas só no Pavilhão Luiz Gonzaga tudo tem bom preço aos que ali chegam. Vendedores e garções vestidos à caráter dão cor e graça ao trabalho. Lampião e Maria Bonita são figuras da Feira e Luiz Gonzaga uma lembrança para ser guardada. Baião-de-dois, Bobó de Camarão, Buchada de bode, Galinha à Cabidela, Bolo de pé-de-moleque, cuscuz e outros pratos são indispensáveis nos restaurantes e barracas. A limpeza é imperial, como a graça e o bom atendimento fazem parte do cardápio do lugar. Uma vez por mês ou de quinze em quinze dias eu e a família vamos almoçar nos braços da cabocla amorenado de sol e arretada como cabra no cio. Ali sempre é dia de festa principalmente quando uma dupla sertaneja ou cantador de embolada dão as caras no lugar.
Sábado passado nós levamos uma amiga para almoçar conosco e entre a pimenta dedo-de-moça, a manteiga de garrafa e o queijo coalho do baião-de-dois que comemos, um chope para acompanhar.
Vale a pena os sete reais pagos para estacionar o carro e os dois para ingressar ao pavilhão. O resto é só curtir. Curtir para relaxar da semana trabalhosa que se tem.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

PAULA, OBRIGADO.

Da tua história poucos têm conhecimento. Das tuas alegrias quase ninguém sorriu contigo, mas das tuas tristezas, muitos compartilharam. Eu já tive o privilégio de te ver sorrir. Tive a ventura de contigo escolher um prato, uma sobremesa. Já voei por entre nuvens ao teu lado, como escudeiro, como irmão. Eu segui teus pés descalços entre pedras e espinhos, mas calçado, não feri meus pés. Contigo eu reconheci a nobreza da resignação e entendi o quão forte e capaz uma mulher consegue ser. Foram tão poucos os momentos de felicidade que eu vi estampado no teu rosto e tão poucas vezes no castanho claro dos teus olhos eu vislumbrei a paz em tua alma. Foram tão poucas as reverências que o tempo a ti prestou que eu fico envergonhado de ser feliz. Quisera eu ter o poder de mudar as coisas, fazer passar ou voltar o tempo e eu colocaria em tua boca o sorriso da alegria. Pintaria nos teus olhos a luz da esperança e em tua alma a certeza de Maria.
Ah, como eu queria ter a força dos ventos, o poder dos vendavais para lavar varrendo os teus caminhos colorindo de arco-íris no final. Eu queria o frescor das brisas em tuas noites quentes de verão. Queria a bondade da tua voz em minha fala para te pedir perdão, e sem querer ser pretensioso, ser teu filho quando beijo a tua mão.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

UM SIMPLES DESEJO.


Eu queria pintar a minha vida com as cores vivas, atrevidas. Queria perfumá-la com o cheiro da fruta madura, da rosa orvalhada, amarela. Eu queria muito vestir a minha vida com as roupas dos palhaços. Queria provocar risos com os guizos dos meus passos. Queria para o BBB ser pelo Bial entrevistado. Queria acordar com o dobrar dos sinos como em dia de domingo. Eu queria uma festa de arromba aonde tudo me fosse pouco sem que a minha alma nada me cobrasse. Eu queria o sol a meia-noite. Queria as flores noturnas ao meio-dia se abrindo. Eu queria envelhecer dormindo e receber presentes com sorriso de menino.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

CACHORRO QUE REJEITA OSSO, PAU NELE.

Eu já fui assediado por homens e mulheres, por jovens e idosos de ambos os sexos, cor e credo. Em alguns momentos eu cedi aos rogos femininos, mas sem querer melindrar ou ser indelicado, da classe masculina consegui me esquivar. Tinha ocasião que a mulher parecia ter a idade da minha mãe, mas até com jeito de avó comigo tiveram vez. Minhas irmãs diziam que eu era limpa-trilhos e que qualquer mulher, branca ou negra, nova ou de meia idade, para mim era princesa. Acontece que, assim como eu vivia desejando as misses da cidade, essas moças da terceira idade viam em mim o príncipe que eu não era e por isso o interesse delas. Diz a lei que o direito do homem é o mesmo da mulher, portanto, nada de endurecer o jogo no tocante a idade do seu par.
Eu não tenho preconceito com o envolvimento entre pessoas do mesmo sexo e até dou força se necessário for, mas ser o noivo ou a mulher dessa relação eu não gostaria e nem quero experimentar, mesmo tendo amigos íntimos que vivem "casados" há anos e felizes.
E como diziam aqueles que não conheceram as drogas e qualquer outro tipo de violência; ser feliz é o que interessa.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

UM LIVRO E NADA MAIS

Hoje eu fui ao Rio e aproveitei para dar um beijo em minha mãe. Maria tem muita vontade que eu escreva os meus pensamentos em papeis encadernados por uma editora e hoje não poderia ter sido diferente. Exaltou as qualidades que eu, sinceramente, desconheço ter. Falou das minhas ideias e da beleza da escrita. Todos sabem que mãe é assim mesmo, se o filho tem cara de sapo, jeito de sapo e coaxa ao invés de falar, mesmo assim ela o ama e o acha lindo. Mas não é só ela, tem mais pessoas me empurrando à escrever um livro. Talvez eu ceda à vontade de Maria e dos amigos e acabe escrevendo, não um, mas três dos muitos que sei que posso. Dois romances eu tenho prontos a disposição da editora e o outro, como todos já devem ter adivinhado, será um espelho fiel das minhas publicações no blog aonde eu digo, de maneira destorcida, o que sinto quando o meu coração aperta. Talvez esta seja uma péssima maneira de escrever sobre o próprio sentimento, já que dou aos meus uma roupagem nova. Troco inclusive o sujeito da oração. Quando eu me refiro a Antônio, digo que é João, e se quero falar da mulher que amo eu cito outro nome me referindo a quem nada tem a ver com isso. Só assim o sujeito permanece oculto. Faço portanto, qualquer coisa para falar de amor só não minto, mas se alguém duvidar eu posso até jurar que falo sério. Tem vez que eu omito a verdade, mas como afirmá-la se um amigo gordo me pergunta se emagreceu? O melhor mesmo é continuar falando bem dos meus amigos, do amor que nutro pelos meus filhos, por minha mulher e a devoção que eu tenho por Maria, minha mãe. Aliás, eu não vou matar ou vou morrer por causa de uma simples mentira ou uma verdade cassapante, mas se eu não morrer por causa disso, pelo menos não perco a vida.