sábado, 27 de agosto de 2011

MÉNAGE À TROIS

Os sussurros vinham do quarto ao lado. Aquela seria a primeira noite naquela casa, cujos donos, um jovem casal sem filhos, alugava aos turistas que vinham conhecer o Rio. Eram duas da madrugada e entre os barulhos de copos e garrafas o estalar dos beijos era mais alto e aguçava a minha curiosidade. Das três suítes, a maior era ocupada pelo proprietário e as duas outras alugadas, uma para mim e outra para um grupo que chegaria depois do almoço no dia seguinte. O barulho da porta da geladeira deu-me a certeza da presença deles na cozinha. Um cheiro conhecido tomou o corredor e adentrou o meu quarto confundindo o meu nariz. Era um cheiro conhecido que eu, particularmente gostava, embora nunca o tivesse apertado entre os meus dedos. Apaguei a luz e entreabri a porta; ambos estavam nus. Ela segurava um copo de uísque e ele o cigarro que acabara de acender. Deitou a bebida sobre a mesa e puxou a mão do marido até a boca dando uma tragada tão profunda que a brasa clareou a penumbra da cozinha. Para a boca do marido transferiu a fumaça que puxara enquanto ele a segurava pela cintura forçando o seu corpo contra o dela. A moça deu um sorriu nervoso curvando o corpo para trás como um arco pronto ao disparo das flechas. Num golpe ligeiro todo que estava sobre a pia foi afastado e a moça atirada de costas para entre as suas pernas se meter. Beijou a nuca, desceu aos seios e mordiscou cada bico dos mamilos. Lambeu os seios e riscou com a língua ávida de tesão o corpo até se embrenhar por entre as coxas e ali ficar por um longo tempo ao sabor dos gritinhos da parceira.Tive ímpeto de surgir de entre aquela fumaceira fingindo ser o gênio da garrafa. Das garrafas de cerveja que tomavam. Mas nada fiz, a não ser fechar a porta que eu deixei escancarada atrás de mim. Numa infelicidade atroz ela fez barulho ao ser fechada. Paulo perguntou quem estava ali e eu me apresentei fingindo não notar que ambos estavam nus, mesmo sabendo que disso nem eles mesmos se lembravam. Sua mulher perguntou se eu já tinha tomado banho e que se a resposta fosse negativa, o chuveiro dela estava à minha disposição. Sem demonstrar pasmação da parte do seu marido, aceitei e lá fiquei até que eles se dignassem voltar ao quarto onde deitaram pra dormir, comigo entre os dois.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

EU NÃO SOU, EU ESTOU FOFOQUEIRO.

Eu tenho comentado o blog dos meus amigos, conhecidos e ultimamente também dos desconhecidos. Basta o assunto ser instigante para a minha assinatura ser colocada no rodapé do texto. Se o comentário é aceito ou não eu não sei, mas o meu papel eu fiz. Tenho visitado blogs que têm mais de cem seguidores e nem por isso eu vejo comentários no post do proprietário. Eu tenho tido muita sorte, ou será que a minha catraca é seletiva? Basta um texto meu ser publicado e lá vem o comentário de incentivo das pessoas simples como eu, participativas como eu e maravilhosas como ninguém. Isso dá ânimo a quem tem pouco. Dá coragem aos que não acreditam na própria competência e nos motiva à nossa caminhada. Hoje, pela manhã, eu comentei o post de um amigo e o fiz com tantas letras que esse comentário foi escolhido pelo dono da página como artigo principal. Lá eu falei do trabalho criado por um grupo aonde um não participa, positiva ou negativamente do trabalho do outro. Quem não gosta do que o colega escreve, deve dizer isso a ele ou aos que com ele criaram a página em questão, haja vista que não é o aplauso que muda o que não está bom, mas a vaia. O aplauso é o resultado de um grande feito, mas a vaia é reconstrutora. O comentário que lá deixei seria lido por cinco ou até dez pessoas, mas ao ser promovido a post, é claro que ele se tornará alvo.
Como poucos ou quase ninguém ali me conhece, eu dou as costas aos dardos que certamente serão arremessados por quem não é do meio e acertar na mosca não será tão fácil...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A SEMENTE DA ROSA.

Praticamente todos os dias eu faço um arranjo com as minhas letras. Um buquê com as palavras e com as frases uma coroa de pensamentos. Tenho semeado através de vários blogs a semente da concórdia e da condescendência. Nem sempre no campo escolhidos os meus grãos têm germinado, mas nem por isso eu, como o lavrador, desisto do plantio. Até o tempo vem conspirando o fracasso da colheita. Na última primavera uma braçada de rosas desabrochou no meu jardim dando cores a esperança, perfumando a minha vida. Foi pouco, diriam os perdedores invejosos, mas para quem planta, a flor tem tanta beleza quando o fruto tem seu gosto, e se o poeta não vocifera não ver rima nos seus versos, não serei eu quem vai reclamar se o sereno chega tarde e parte cedo.