segunda-feira, 30 de maio de 2011

SEXTA-FEIRA É DIA DE ESBÓRNIA...

Todas as sextas-feiras nós saímos para algumas cervejas e um bom petisco num barzinho por aí. Não há necessidade de que seja um bar caro e de gente bem vestida, mas um barzinho aonde eu possa olhar às pessoas e delas receber um olá em troca do meu sorriso. Gosto de aconchego, de gente educada que respeita os outros, mesmo que beba e ria alto ou fale no mesmo tom, eu gosto. Sou cúmplice da alegria despretensiosa. Sou parceiro do beijo na boca, do olhar terno e do bom humor.
Gosto de cerveja gelada e do tira gosto pegando fogo. Gosto da alegria que contagia, do abraço sincero que não busca nada em troca e da divisão das despesas na hora da conta. Gosto dos rostos maquiados na hora da entrada e das caras rosadas na hora da saída. Gosto do preço da conta, de dar gorjeta pelo bom atendimento e de dizer boa-noite no momento de ir embora.
Nesta sexta-feira não foi diferente. O chope era Brahma na temperatura exata, muita pressão e pouco colarinho, preço razoável e os maravilhosos amigos de toda vez.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

DOCE, POR FAVOR...

Ela chegou como chega a primavera, festiva e colorida. Seu sorriso, como pétalas, caía sobre aqueles que a viam. Até o meu coração, sempre que a tinha por perto, pulsava como o andar dos passarinhos; ligeiro e descompassado. Tudo nela me dava a certeza de que Deus existe. Não fosse o pipoqueiro das minhas angústias passageiras perguntando se doce ou salgada e eu jurava estar no paraíso. Sentei-me a grama das minhas recordações e pousei a vista em sua imagem. Cada riso, cada gesto era de uma suavidade e elegância que deixava as garças verdes de vergonha. Perdi a razão do tempo ao me deixar por horas, meses e anos olhando a graça e a beleza da natureza depositadas em uma só mulher.
Bati a grama seca presa em minha roupa, sequei a baba que da minha boca desprendia e, de um sobressalto acordei. Puxei o lençol cobrindo o corpo dela, beijei-lhe a testa e fui embora trabalhar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

DA MESMA COR...

.............................Foto by Internet
Existem crianças pirracentas, introspectivas e elétricas. Tem criança inteligente e até bobinha, mas que não deixa de ser criança e em sendo, encontra a felicidade em tudo o que faz. Quando são filhos de pessoas abastadas são felizes com as roupas, os calçados de marca e seus brinquedos, ponta de linha. Quando são filhos de operário, daqueles que lutam com dificuldades para sustentar a família, tudo, a nossos olhos é mais complicado; mas não para a criança que, como o filho do abastado, deseja ter o que o pai pode comprar, só que precisa esperar por uma data que justifique o atendimento do pedido. A criança pobre também sonha com um par de patins, uma bicicleta que certamente não terá enquanto não crescer e trabalhar para isso. Eu, com a minha pouca informação, estou querendo dizer que a vida da criança é bela, é feliz. Isso visto com os olhos dela, pois com os dos pais, é penosa e sofrida. Muitas crianças, mesmo não tendo um lar que mereçam, têm em suas casas o carinho e a educação que recebem dos pais, tão necessários a formação do cidadão. Homens importantes foram filhos pobre e nem por isso deixaram de escrever seus nomes na história, assim como outros que tiveram menos dificuldades na vida, conseguiram fazer.
Um skaite, uma prancha de surf ou uma viagem à Disney é tão importante para o menino rico como é para o menino pobres cortar a linha de outra pipa, fazer um gol na pelada da escola ou brincar com a garotada da favela onde mora. Crianças se tratam sem distinção, é tudo igual. Parece que todos têm o mesmo padrão de vida, a mesma religião e a mesma cor de pele.
Quisera eu ter a inocência das criança que você, ele e todos nós tivemos um dia.

domingo, 15 de maio de 2011

DE PAI PRA FILHO...

Toninho foi o meu primeiro amigo de infância e de escola. Brincamos, estudamos e trabalhamos na mesma ocasião, cada um no que queria. Ele foi bancário desde os 16 anos e eu aos quinze já fazia parte do jornal, do luxjornal, que era dessa classe o principal órgão em nossa cidade. Graças a sua preocupação com os estudos eu fui, do nosso grupo, um dos primeiros alunos. No meu trabalho eu não fui condecorado, mas fui por muitos lembrado como criativo, responsável. Eu gostava e gosto tanto desse amigo que quando ele trocou de mulher e de estado, eu assumi seu filho Marcelo como amigo. Eu fui e acho que sou com ele o que seu pai foi comigo; fiel e verdadeiro.
Em todas as relações existem altos e baixos, mas felizmente com Marcelo, o filho, os baixos não foram tantos quanto os altos, quanto as boas surpresas que a cada instante ele me traz.
Há dias ele esteve em minha casa com a mulher. Fizemos uma festa já que essa foi a primeira vez que ela o acompanhou à minha casa. Ficaram de voltar no dia das mães, porém, mesmo tendo prometido não puderam comparecer. Trocaram a data e eis que neste domingo virão almoçar conosco. Tenho certeza que será uma data inesquecível, um dia em que falaremos verdades e mentiras. Certamente nos preocuparemos com as verdades, mas das mentiras, com certeza, morreremos de rir.

Sejam bem-vindos, amigos. Desde a sua última visita eu estou esperando por sua volta.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

VERDADEIRO AMIGO.

Ele foi amigo de muitos amigos. Ousou nos saltos de paraquedas, acampou em praias desertas e três vezes se casou. Morou com quatro mulheres, cada uma no seu tempo e quatro filhos concebeu. O seu temperamento de justiça fez dele uma pessoa difícil, mas amiga e verdadeira.
Por trazer em suas células a obrigação da espécie perpetuada ele sofreu, vergou, quase quebrou em certas ocasiões quando amigos confiaram sua casa e sua cama para que dormisse entre o casal na mais pura confiança e amizade. Desesperou-se, blasfemou, mas conseguiu manter-se, mesmo que muito próximo ao pecado, longe do fato consumar.
Bebeu, festejou com eles e suas esposas. Foi fiel ao seu trabalho e patrões. Virou às costas ao tempo que sem freio atropelou o medo e abriu as portas da paixão. Buscou longe dos olhos o amor de quem tinha muito por fazer; uma vida em formação, uma filha para criar, mãe e irmão exigentes cobradores. Ao descobrir que seu amor era correspondido por quem fechou os olhos ao preconceito, largou tudo e entregou-se de corpo e alma ao desafio. Para ela uma lição a mais na escola da vida, mas para ele um tiro de misericórdia.
Hoje a sua vida tem mais valor. Apostou no estudo e na ciência e no alto da montanha, quase aos pés do criador, escolheu sua morada. Tem junto de si a mulher que ama. Uma "filha" que o respeita e admira e um casal de amigos para quem seria capaz de dar um braço por suas vidas.
Cara arretado de sangue na venta, que come peixe e não engasga com a espinha. Que não come pimenta mas cospe fogo e que chora de saudade dos amigos que uma vez quase os perdeu e que hoje prometem visitá-lo no domingo que se arrasta, mas não chega...

terça-feira, 10 de maio de 2011

ERA DIA DE MARIA.

..........................(Foto by Internet)
O domingo foi de festa. Todos beberam, comeram e num grande abraço lembraram teu nome, mas eu me vi sozinho mesmo estando agarrado a tua filha, a quem tanto amo.
Aqui, nesta reunião de amigos todos estavam felizes e brindavam a cada instante, mas os sorrisos não tinham o sabor do teu. Todos os abraços não tinham a segurança e o calor que o teu proporcionava.
O domingo, portanto, foi dia de festa. Festa das mães, dos amigos e de todos que tiveram junto de si as pessoas que escolheram para gostar ou delas são filhos, como eu gosto e choro essa falta danada que a minha avó me faz.
Imigrante de um mundo em guerra aonde a morte imperava nos campos de concentração essa mulher chegou ao Brasil para construir a família que escreve meu nome. Mesmo tu tendo partido de junto de mim e dos que te amavam e queriam pedindo para que nos resignássemos, eu não me conformo. Hoje, portanto, abraçado a minha mãe querida, tua filha, eu me lembro de tua presença, como que junto a nós, tu estivesses sorrindo, comemorando este lindo dia de Maria.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

CHEIRO DE COLO

Por um motivo forte, mas que não justificava aquele gesto, eu me afastei da casa aonde fui criado. Pela minha pouca idade eu não fiz juízo do mal que causava a minha mãe e a mim mesmo. Com o passar dos anos fui descobrindo que aquela ausência era o mesmo que perder as articulações das pernas e dos braços e até o meu coração mudava de compasso; eu estava paralisado de saudade. Mutilado com a sua ausência como se a minha alma tivesse ido embora do meu corpo. Nas festas e reuniões, por mais amigos que acercassem de mim, eu me via só. Larguei os compromissos assumidos, das minhas obrigações eu esqueci e fui ao encontro dela. Em qual dia do mês eu não me lembro e de que maneira eu cheguei até onde ela estava eu também não me recordo, mas sabia que era ali, no lugar de sempre; na mesma cidade e bairro, na mesma rua e número aonde eu cresci menino e me formei rapaz, ela me esperava. Nada dissemos um para o outro, só nos olhamos para nos entregar a um abraço demorado e tão intenso que até agora sinto o seu cheiro e o calor do seu colo, como se o seu bebê eu fosse, ainda.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

SÓ SEI AMAR VOCÊ...

Tem momento que eu questiono certo tipo de amor entre o homem e a mulher.
Eu duvido que alguém sem consciência ou até em consciência plena possa amar a ponto de abrir mão da sua sorte para que o outro possa ser feliz se os dois já não se entendem. Não importa se é o homem abrindo mão da mulher ou ela abrindo mão dele. O amor une, portanto, como amar em separado? É preciso que a relação seja discutida e que cada um ceda o suficiente para que tudo se acerte ou viverão tristes e separados mesmo se gostando.
Eu não acredito que alguém tenha certeza do amor que tem por outra pessoa se o aconselha a seguir caminho diferente do seu, procurar nova companhia, alguém que o faça feliz por você mesma entender que não tem as qualidades necessárais para merecê-lo. Isto diz respeito a ele e a ela..
Eu acho e disso tenho consciência, que o amor é possessivo. Ninguém quer que outra pessoa olhe para o seu homem com olhos interesseiros. Ninguém quer dividir a sua mulher com quem chora a ausência da sua.
Eu não sei se o amor de Deus por nós é igual ao que eu tenho. Para eu provar a grandeza do meu sentimento eu precisei suar o corpo e a alma mesmo não sendo o meu sentimento tão grande como os que eu descrevo em textos. Mas eu sei que ele tem o tamanho necessário. Por ele eu curvei meu corpo e chorei meu pranto. Deixei e deixo de viver a minha vida para viver com ela, mas se a sua felicidade depender que eu vá embora ou a liberte a passeios duvidosos, com certeza ela será infeliz, mesmo que juntos morramos de chorar...