quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

MAIS UM DIA DE MARIA




Estava pronto pra sair para o seu trabalho quando a mãe telefonou pedindo urgente que ele fosse ter com ela. Pelo embargo da voz o filho presumiu a gravidade do problema.
Deixou de lado a obrigação que tinha com a empresa que o contratara e seguiu em direção à oitava casa daquela rua de onde viera o pedido de socorro.  Felizmente ou infelizmente chegou a tempo de tomar no  colo o corpo ainda quente do pai que falecera.
- Ele me deu um beijo no rosto, como fazia todas as noites quando ia se deitar, virou  para o canto da cama e com o sorriso com o qual me conquistou dormiu o último e derradeiro dos seus sonos, disse-me a viúva enxugando os sofridos e chorosos olhos que de tão azuis faziam doer os meus. 
O filho abraçou o velho em sua cama e o tomou no colo como era feito com ele nos tempos de  criança para abrir o peito e gritar até perder a voz;  - pai, acorda! Acorda meu pai, fala comigo! E desabou na convulsão do pranto.
Depois de alguns anos do acontecido o mesmo  jovem que seca no rosto uma lágrima atrevidadeita ao chão o olhar e jura que dos detalhes já não se lembra, mas a mesma memória que congelou na sua retina as melhores imagens do pai também congelou o seu coração que jamais perdoou a morte, por tê-lo matado. O seu pai era, como são todos os outros, um herói. Não um herói de capa, escudo e espada, mas um herói de caráter e vergonha, de honra e companheirismo. Ele era jovem quando conheceu a moça alta e loira, de olhos claros e muito bonita, quer nos dotes físicos e nos seus   princípios, e que vinha de um  casamento mal resolvido do qual trouxera três meninas e um garoto espevitado. O pai, agora morto,  encantara, como fora encantado pelo olhar  meigo da mulher nos quais vejo bondade em forma de pessoa e por conta disso escrevo a história que  conto agora.  Casou-se com ela  em poucos meses, para torná-la e também ser feliz anos a fio, mas precisou lutar com muitos leões em sua arena e vencê-los todos.  Como pedreiro construiu casas e prédios, pontes e calçadas para sustentar a mulher e os filhos que considerava seus. Deixou de comprar os bilhetes de cinema, do maracanã e do teatro que só os conheceu com a presença dela. Usou os domingos para trabalhar como biscateiro, mas à faculdade a todos os filhos ele levou. Formou doutor e professores. Formou homem e mulheres. Hoje, no aniversário da moça que foi um dia, ela conta a forma carinhosa como Deus levou o seu companheiro para o lado dele. Levou um exemplo que ele, Deus, nos deu como filho. O verdadeiro filho do Homem.
Parabéns Maria, pelo seu aniversário e pelo amor único que tu deste ao homem que de tão digno, de filho me chamava.
[A você, mulher dos olhos de todas as cores onde o verde predomina e que ao meu lado ouviu, entre lágrimas, o conto que eu conto, o meu beijo de companheirismo e de amor].
silvioafonso.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

ELA, EU E VOCÊ...

Tantos anos se passaram e ele ainda pensa que o dia em que olhou no verde dos olhos dela a lágrima do adeus foi ontem.
Às vezes eu acho que ele é só saudade quando para espantar os seus fantasmas viaja à uma cidade distante e em uma praça sob as folhas secas que a árvore abandona se põe introspectivo. Eu, como que sentado ao seu lado o vejo como o vi na primeira vez; sem rusgas, mas também sem paciência para conversas vazias e sem por quês. Eu não gosto, aliás, nisso nós somos iguais, nunca aceitamos as pessoas que se fazem de vítima, porém no seu caso ele era a própria vítima de sua ausência, já que foi privado do amor e da amizade daquela a quem o seu coração ele entregou. Privado daquele ombro que já foi seu bem mais do que dela tinha sido. Dos papos que tinham na cama depois do banho e dos programas de televisão. Papos sobre gente e sobre o futuro que não tardou...
Tem momento que ele e até eu mesmo, se vê calmo e descontraído chegando a pensar que já não é o mesmo e que aos outros se mostra o que na verdade ele não é, pois o seu coração o obriga a isso e as pessoas acabam ficando sem entender o que a sua cara e o seu corpo mostram. Elas não entendem como ele mesmo não pode acreditar que a saudade e a tristeza criam em certas ocasiões essa distância entre o seu mundo e o dos outros. Eu sei como ele sabe das suas pretensões, porque foi criado para ter perto de si as melhores pessoas mundo. Nós dois somos meio fechados e por isso não abre a qualquer um a sua vida ou expõe a ele os seus sentimentos. Isso, definitivamente, não é nada fácil. Ele, em certos momentos se cansa quando nos outros tenta se reconhecer, mesmo sabendo que logo irá desistir já que todos se vão embora um dia, como ela, dele se foi deixando no seu peito uma ferida aberta que não sara. Ele já não sonha com mais nada e nem tão cedo almejará ter alguma coisa. Assim como não deu à mim e a ninguém a chance de sabermos se está feliz ou não, mas se insistíssemos ele diria que sim, que estava e é feliz, já que as palavras não valem nada, não comprovam nada, por serem leves como a pluma que o vento leva. De qualquer maneira eu poderia até jurar pela sua felicidade, porque ele dá valor a qualquer tipo de riso mesmo que seja de uma felicidade falsa ou passageira. É duro olhar para qualquer lado e não encontrar o verde dos olhos da mulher amada sorrindo pra você um minuto que fosse, já que essa felicidade valeria, como sabemos, por uma vida inteira. Só em pensar no que ele disse, até eu perco a vontade de sorrir, mas chorar ele também não chora e isto já é um progresso mesmo que a ele não traga nenhum orgulho. Tem momento que o tempo com ele se confunde e é nesse momento que ele até pensa ser a cor bonita de um domingo de setembro ou a tristeza de um dia de finados. Sempre que ele começa alguma coisa cria a necessidade de encontrar um final plausível para o que ele começou. Por isso antes que a semana santa o torne introspectivo para sempre ou termine como as flores da primavera no cair da tarde, ele precisa acreditar que não a perdeu como acredita o seu coração, mas que ele a tem a qualquer tempo em que esse mesmo coração chorar por ela, assim como você teria uma vida regrada e balanceada com muito amor e felicidade tal e qual o seu futuro jurou que seria seu.
silvioafonso

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

RETRATAÇÃO

Eu tenho visitado diversos blogs, mas só dou pitaco se a página me disser alguma coisa. Tem blog com lindas fotos da família, outros com belas paisagens e alguns poucos são verdadeiras maravilhas por trazerem conselhos úteis, sonhos utópicos, esperança colorida e até falar de amor eles se atrevem.
Na maioria das vezes eu escrevo bobagens, reconheço, mas a educação das pessoas que respondem aos meus comentários é de deixar o queixo cair. Fico sem jeito quando leio tais respostas, mas fico muito mais contente em saber que ainda existe este tipo de gente e mesmo sentindo vergonha de querer, como quero, continuar escrevendo eu me desculpo para fazer tudo de novo. Eu juro que tenho tentado melhorar, mas sei que cada um, por mais estudo e educação que tenha, é como é, ou o mundo não teria graça. De qualquer maneira, desculpem este pobre diabo que de pobre tem tudo a ver, mas de diabo não é capaz.
silvioafonso

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PAULINHO MOSKA

Certa vez eu e a minha mulher fomos convidados pelo artista para um dos seus shows no Teatro Veneza, em Botafogo no Rio. Seria mais um dos muitos que assistimos naquele espaço.
Aquela noite foi muito especial; o show, o restaurante, a praia durante a noite e o carro voltando à casa em pleno romper do dia, não têm preço...
silvioafonso.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

MARCO ZERO

Ah, minha Nova Friburgo. Bendigo o dia em que te conheci, pois aqui se convive com as hortênsias e com as flores que no Rio eu nunca ouvi falar. Neste município eu conheci motoristas de ônibus que só dão a partida ao veículo depois de ter certeza que o idoso, a senhora e a criança estão seguros e acomodados.
– Bom – dia, senhor!
– Obrigado senhora.
- Por gentileza, faça o favor...
São estas coisas tão simples aos olhos dos que aqui residem e tão especiais para o turista que ressalta, entre outras coisas, a hospitalidade e a educação do povo que o recebe.
- Ah! Eu quero mudar pra cá. Aqui eu vou seguir com a minha vida, criar meus filhos e namorar a minha mulher. Vou arregaçar as mangas e somar a pouca força que eu tenho à dessa gente forte, incansável que tenta esquecer a má sorte reconstruindo o que a natureza destruiu. Vamos todos, partindo do zero, refazer esta cidade que será mais forte, mais bonita e acolhedora, que comova, que se plante e cultive para colher e criar vidas, sem esquecer as que se foram...
silvioafonso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

MENTIRA!

Estou entre fogo cruzado, talvez fogo amigo, já que estou ao lado do alvo para onde aponta a artilharia. Quanto ao resultado, todos já sabíamos, pois quando o gatilho da mentira foi acionado muitos sonhos morreram deixando em seu lugar a dor da destruição. As balas, que não são de cereja ou caramelo e os dardos com suas pontas banhadas em mel foram as palavras que magoaram as pessoas só pelo prazer de se mostrarem mais bonitas ou mais inteligentes. São estas atitudes as que matam a esperança ou fere de morte a alma. Quantos ídolos tiveram o seu trabalho rejeitado e a sua presença indesejada por causa de palavras invejosas e mentirosas que humilham, para só depois de um longo e demorado tempo deixarem galgar o lugar mais alto do pódio? Fatos como esses destruíram a vidas de muitos artistas, pois quando ele é reconhecido e o aplauso o espera, já não têm pernas que o levem aos braços do público que antes o preteria. Muitos não tiveram a sorte de sobreviver para sentir o gosto do reconhecimento.
Estou comentando o que o vento cúmplice me contou. Falou-me, entre outras coisas, da mentira de cada beijo e dos abraços preconceituosos que recebeu...
silvioafonso