quarta-feira, 23 de novembro de 2011

PALAVRAS VAZIAS.

Tem vez que ele é comparado ao Faustão. Fala quando é a sua vez e na dos outros, também. Esta é a óptica da sua mulher que tem o dom do mediador. Pior para ele que foi alertado tarde demais e agora, com as interrupções feitas ao longo dos anos em cada uma das conversas que teve, não há mais como corrigir. Portanto, se você quiser falar alguma coisa, procure outra pessoa para conversar, mas se o que você tem para dizer for caso de vida ou morte, tente a sorte, já que o monólogo, com ou sem você, acontecerá. Eu também não fico longe disso. Na euforia sou até capaz de falar mais alto para que a minha fala prevaleça. Dificilmente alguém fica olhando, atento ao que foi dito sem que reste alguma dúvida. Muitos fazem cara de que tudo ficou claro e que dúvida alguma restou para confundir ou lhes tirar o sono.
Quando eu saí da casa dos meus pais e fui morar sozinho, notei que o respeito deles por mim cresceu a tal proporção que eu custei a acreditar. Eu ficava horas falando e eles, babando, olhando à cria sem saber o que falar ou certamente, não queriam interromper a minha prosa para não perder uma que fosse das minhas palavras. Em uma das visitas que fiz a eles, minha mãe me perguntou o que eu achava se ela mandasse cortar três árvores que margeavam o corredor do seu quintal. Eu não acreditando no que ela se propunha, fui contra, depois de argumentar sobre o benefício que uma jaqueira, mesmo que nova, uma caramboleira e um pé de mangas com suas sombras e frutos trazem para os que ali vivem. Minha mãe, emocionada, trocou as minhas palavras por um carinhoso abraço. Três dias depois as árvores foram cortadas por ordem sua. Isso me garante que nem sempre aquele que fica olhando as palavras sairem de sua boca tem o respeito pelo que você diz. É claro que minha mãe admira e gosta do que eu digo, mas quando a minha resposta não tem o sabor que ela quer, logo arranja um jeito de temperá-la a seu bel prazer.
Assim é a vida.
Assim são as pessoas.

3 comentários:

  1. Oi Silvio..
    Pois e..

    Nem sempre somos ouvidos..

    As vezes as situacoes como esta se deparam em nossas vidas para ensinar alguma coisa.
    Pode ser a paciencia, pode ser a tolerancia...
    Sempre que acontece algo que nao agrada eu me faco esta pergunta: O que isso veio pra me ensinar?
    A resposta sempre vem!!

    bj

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  2. Doce e terna recordação da árvores cortadas sem seu aval, mas tbém cômica, uma pitada de senso de humor mesmoque não fosse esta a intenção...rs.
    Querido amigo, cheguei aqui pelas mão da Guida uma amiga do coração, te li, re li, e te sigo, e quando eu tiver tempo te persigo...rsss.
    Gostei muito do bate papo, ao menos me sentia assim numa conversa, pq seu espaço abraça aconchega e nos sentimos em sua sala.Quero agradecer os momentos que aqui passei tomando meu chá e proseando com vc.
    Um grande abração de urso.
    com carinho
    Hana

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  3. às vezes pedimos palpite sobre alguma coisa..
    mas no final, sempre prevalece a nossa vontade..

    bjs.Sol

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