sexta-feira, 9 de setembro de 2011

EU NÃO DISSE ADEUS.

Foram estas despedidas que abriram no meu peito esse vazio, pois dali vazaram alguns dos meus melhores sentimentos. Algumas lembranças felizes e a imagem imaculada das minhas intenções não resistiram, bateram asas e com eles foram embora. Talvez houvesse em contraponto com os não da minha infância uma razão para o fraquejar das minhas pernas. Quem sabe não ficou no fundo do meu coração algo que a despedida não tenha corrompido para que eu pudesse, quem sabe um dia, voltar a sonhar em ser feliz? Muitos adeuses recebi e muitas lágrimas eu verti em troca. Muitas outras despedidas aconteceram em minha vida com o silêncio da morte, com a partida de um amigo ou a viagem só de ida de um parente a quem eu muito quis.
Os meus primeiros mestres muito cedo me disseram adeus. Os mocinhos do cinema galoparam tela adentro para fugir de mim, mas deixaram nos meus sonhos as suas aventuras. O Tarzan, a Jane e a Chita. O meu avô, a minha avó, o Antônio da Bianca, o Bahiano do bar, o Marrom, meu compadre e o meu pai tão querido e invejado. Todos se foram, sendo que alguns me permitiram vê-los, mas despedir de mim, só a sua ausência foi capaz. Hoje eu tenho medo do tempo que apressado vai deixando em nossas vidas o registro de cada época. Algumas pessoas têm boas ou más lembranças e outras de nada ou quase nada se recordam. Todas, porém, estão curvadas, de uma forma ou de outra, pelo cansaço, e a cada dia que passa vão, enfraquecidas, ficando para trás.
A ordem natural das coisas me afiança que é preciso que haja uma boa reserva de lágrimas porque idosa, bem velhinha, mesmo que lúcida e aparentando felicidade em cada riso, gestos e beijos, a hora da minha mãe dizer adeus está chegando. Eu adoraria não deixá-la partir, mas se ela se for antes de mim e eu chorar por mais tempo do que a minha vida inteira permitir, eu juro que será a última vez que eu vou falar do tempo. Da vida. E da morte.

18 comentários:

  1. nunca deixe escapar o mel de suas palavras..
    saudade daqui..

    bjs.Sol

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  2. Já pensei assim...
    Hoje as decepções são mais cruéis que a morte ou o medo da perda de seres que amo.
    Pelo menos a morte não trai, nem engana; ela vem e leva.
    Foi assim com tia Dudu aos meus 16 anos, fiquei orfã da unica pessoa que me amou sem interesse e sem menosprezar que eu era ...
    Depois meu pai...
    depois brutalmente e sem explicação foi minha mãe... ai vejo a cena eu na ponta da caixão cuidando para não lhe desarrumarem os cabelos que arrumei para cobrir os pontos do traumatismo craniano...
    depois do meu mestre que também estive a cabeceira cuidando para que sua a aparência estivesse perfeita para a despedida...ele já não estava ali depois do acidente que lhe levou a vida, mas a missão de cuidar de sua aparência a mim foi dada... cumpri até aqui.
    Hoje a morte não me levará mais do que os seres ditos humanos, me levam com as decepções que em causam...
    porque quem morre um pouco a cada dia sou eu.
    Sabe Poeta, curta sua mãe, se morar longe va ve-la o mais de vezes que puder.
    Beije sua face muito e muito.
    Afague seus cabelos.
    Não diga nada alem de muitos : Eu te amo.
    Ou nada diga em palavras, somente em atos e afagos e com o olhar que diz tanto...
    O dia que ela for,
    como eu
    terá pelo menos o consolo de ter sido presente em tempo.
    A morte não me assusta, nem por me levar ou por levar os que supostamente amo.
    Ela é senhora e não pede permissão.
    Deixo aqui a sugestão para você, sua familia,seus amigos e amigas e seus leitores e leitoras, nem sei se gostam de ler, mas leiam por favor o livro:
    ATRAVÉS DO ESPELHO do Jostein Gaarder.
    Garanto que tem a ver com seu post de hoje.

    Linda sexta.

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  3. As lagrimas...liquido em essencia vertendo por nossos olhos, limpando,lavando e extirpando, momentos de intensa dor, sofrimento ou simplesmente...Felicidade!
    Haja tempo em que outrora choravamos á toa, mas os anos vão se passando, as lagrimas vao secando e a cada novo dia, nossas emoções se afloram de maneira mais branda, onde presenciamos nossa evolução...Pessoas amadas, queridas, são como vertentes de amor em nossas vidas...Almas gemeas separadas pelo destino de acordo com o tempo...Tempo certo para viver, amar e tambem sofrer, afinal, estamos vivos! O coração se abala e sem conseguir controlar, caem as lagrimas, doces, amargas, mas sempre com novas essencias de vida, paixão! Familia é um bem tão precioso que devia ser guardado para a vida eterna, mas se fosse assim, iriamos eternizar as nossas lagrimas tambem! Abraços!

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  4. ...Não, Tempo, não zombarás de minhas mudanças!
    As pirâmides que novamente construíste
    Não me parecem novas, nem estranhas;
    Apenas as mesmas com novas vestimentas...
    O doce e amargo céu de recordar o que foi; as trevas das lágrimas que secaram... O passado sou eu, de volta vestida de roupa nova...


    Obrigada por estar com a gente em nosso mundo dos sonhos.
    Beijos,
    Adriana,
    Clube dos novos autores

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  5. Gostei de reler você poeta...
    conheci na uol...e reencontro suas poesias aqui...

    gostei muito...

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  6. Ah,querido poeta...Meus olhos se encheram de lágrimas.
    Porque amor para mim é isso.É um querer bem ao ponto de entender os caminhos da vida,é sentir de verdade o prazer dos momentos-todos-,é guardar com carinho na memória parte de nós mesmos que um dia compuseram parte daquele a quem amamos.
    Por isso ,o amor que tu disseste nesse texto é assim tão forte.
    E é esse mesmo amor que nunca deixará de existir mesmo quando não houver mais presença.
    Beijo no teu lindo coração.

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  7. Olá Poeta,
    que linda sua renda de palavras...
    emocionante!!!
    Ah, o tempo...como nos escapa...
    Um abraço amigo.

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  8. Devemos estar preparados, Sílvio, para as coisas que nos acontecem nesse mar revolto da vida. Seu texto está perfeito, lindo, muito bem escrito. Beijo!

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  9. Oh Silvio agradeço a visita ao meu blog. Eu também já sigo seu espaço a tempos..rs Tens tantos seguidores que acho que fiquei lá para atrás. hehehe Bjão, sucesso sempre!

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  10. E o que dizer das belas e delicadas palavras desse meu poeta?!
    Nada!
    Apenas que elas me iluminam em meio a escuridão muitas vezes, me trazendo a tona o sorriso de te ter como escritor e a chance de "ler você" sempre.
    Obrigado querido.

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  11. haha Fica a vontade Silvio. Abração!
    Me coloquei na frente dos teus seguidores novamente.. ^^

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  12. Querido, a dor o tempo purifica.Restam as lembranças.Se forem boas, guarda com carinho, se forem más tranque bem no fundo para não deixá-la escapar e vir a tona.Despreze-a.A vida continua o seu curso apesar das perdas e das nossas dores.Tenha uma semana doce, suave e plena.Bjs Eloah

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  13. Oi Silvio

    Vim agradecer tua visita e teu lindo comentário no meu blog.
    Adorei o teu também...
    Vou ficar por aqui também. Espero poder ler coisas lindas como esse post por aqui sempre.

    Beijos
    Ani

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  14. adoro ler esses discursos intimos que não tem um outro jeito de ser, a não ser aquele que nos envolve de forma a nos prender pelas pernas com as palavras indo rumo ao recôndito do ser; assim me sinto diante de teu texto.
    Obrigada por sua visita!
    Continue conosco, e visite nossas obras: http://drisph.blogspot.com/p/resenhas-divinas.html

    Adriana
    Clube dos novos autores

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  15. que belo texto, sobre viver, suas descobertas e lamentações...é muito gostoso seu espaço Silvio e voltarei por qui...adorei seu comentário gentil em meu blog! abraços

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  16. Amigo, eu também compartilho esses sentimentos... também choro cada vez que a vida joga em minha cara, as pessoas que já perdi, os amores que não deram certo, o tempo que já escorreu entre meus dedos... o tempo, senhor de todo entendimento... O tempo também me dobrou. E me ensinou a humildade que somente os observadores de pura alma conseguem enxergar. Por mais que esse tempo passe, por mais que eu aprenda a conviver com a perda que o tempo traz, ainda não consigo achar normal a saudade que carrego no peito. Mas resigno-me a continuar tentando... estou tentando todos os dias... mas é difícil...

    Beijos
    Andreia Sieczko

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