sexta-feira, 29 de julho de 2011

A OVELHA E O AMIGO.


    Quando a ovelha se perde do rebanho o pastor sai à sua busca  para resgatá-la. Dificilmente outras seguem o seu caminho a não ser que o rebanho estoure.  Normalmente uma voz de comando os mantém juntos às vistas do líder.  Ficam agrupados a espera daquele que os conquista a cada dia e que possa guiá-los. Das arredias  o pastor reconhece os detalhes, como o tamanho das unhas,  falha no pelo e o tipo de lã que produzem. Foi pensando no manejo com esses bichos que eu me lembrei de um acontecimento, não muito recente, mas que perdura até hoje. Lembrei-me de um amigo querido muitas vezes mencionado nesta página e por quem chorei por sua dor.     Esse jovem amigo era usuário de drogas e como esta desgraça não tem cura eu afirmo que ele continua dependente.  Sua luta é grande para manter-se longe do perigo,  talvez por ter aceitado o meu conselho de se internar numa clínica especializada onde se desintoxicou,  graças aos seus amigos e alguns familiares que concorreram para tal.  Antes, quando eu buscava por suas notícias a família e os que o conheciam falavam horrores a seu respeito. Os sogros brigavam com a filha que não o deixava  entregue à própria sorte. Seus amigos o desprezavam enquanto os demais o discriminavam e a ele acrescentavam alcunha de drogado, fraco, vagabundo. Em tempo algum eu deixei de acreditar na sua recuperação. Em nenhum momento eu deixei de pedir a todos que reconhecesse naquele amigo a doença que flagela o mundo e que o enxergassem com os olhos do pastor quando vê uma ovelha desgarrar do bando. Pedi aos seus sogros, a sua mãe e a seus outros amigos, inclusive a sua esposa e filho que tivessem dó de sua dor. Pedi que o ajudassem de alguma forma, pois fazer o que se pode não seria suficiente.  Divino é fazer o que ninguém acredita que é  possível. O tempo passou sem que eu me desse conta. Não fosse o alarme de um carro disparando e eu ainda estaria pensando nas ovelhas e no meu amigo, antes, desgarrados.