sexta-feira, 1 de abril de 2011

UMA LÁGRIMA, UM SORRISO.

Voltou correndo à casa aonde o filho ardia em febre. Devido a sua importância o local se transformara em um moderno ambulatório aonde médico e equipe não faziam outra coisa senão olhar o paciente depois de medicá-lo. Ninguém teve a coragem de dizer a mãe daquele jovem que o seu mal era de amor. Um toco, diria o velho Palhaço, um fora, diria eu. Nada havia de mais importante para aquele rapaz senão a certeza de suas conquistas, e aquele adeus não foi auspicioso à sua vaidade, ao seu amor próprio e aos que a ele queriam bem. Ela foi, enfim, tranquilizada por um senhor grisalho que nos hospitais levava o sorriso aos que só das lágrimas compartilhavam. Um braço sobre o ombro aproximou os dois. Ele, gentil, falou de coisas das quais ela nem se apercebia. Dizia do cheiro da rosa no final da tarde, do som dos passarinhos que em bando revoavam no cair da noite e da alegria das crianças pobres que mesmo sabendo que o papai Noel não conhecia o seu endereço, torcem pela chegada do natal. Ela baixou a guarda e por terra viu cair sua defesa. O cheiro do homem que fazia rir era contundente. Um misto de força misturado com suor e bondade. Um riso como cobertor de um corpo que tremia no frio de todos os desejos. Uma vontade louca de cair nos braços dele, não como uma pessoa frágil como se mostrava, mas como a mulher vibrante que em sua alma adormecia... A voz era calma e doce. Certeira como as flechas de Guilherme Tell e mornas como a chegada da primavera. Ela mal entreabriu os olhos e do homem ao seu lado sentiu o hálito confundindo o seu. Num gesto de loucura ofereceu-lhe os lábios e um meigo beijo viu ser depositado em sua boca. Ela pirou de vez. Esqueceu o motivo de sua indignação, de sua ida ao local aonde o riso se mostrava e se abriu em leque, em curvas e retas e se deu, não aos caprichos de quem ama, mas à vida que lhe era apresentada como o perfume de flor em manhã chuvosa e doçura de festa de criança. Um momento como nem os contos que escrevia faziam jus ou os versos rimavam parecidos.
..................................................................[foto da Internet]

17 comentários:

  1. Texto digno de tanta coisa que é melhor ler e deixar que ele flua na gente...
    leitores do Palhaço Poeta
    que com sua poetica nos berça e embala a alma e o coração
    "Um riso como cobertor de um corpo que tremia no frio de todos os desejos"

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  2. Perdi as palavras entre os lábios apaixonados...

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  3. Silvio Afonso,

    mais uma vez você me emociona (como se isso fosse alguma novidade).
    Você descreve lindamente o amor, e não há mal que o amor não cure...

    Esqueceu o motivo de sua indignação, de sua ida ao local aonde o riso se mostrava e se abriu em leque, em curvas e retas e se deu, não aos caprichos de quem ama, mas à vida que lhe era apresentada como o perfume de flor em manhã chuvosa e doçura de festa de criança (Silvio Afonso)

    Olha aí a prova: amor, fogo da paixão, há de ser vivivida em toda sua plenitude..

    beijo pra você e pra dona dos olhos.

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  4. Assim são as nuanças da vida, hora temos que sorrir quando desejamos chorar e horas temos que entender o resguardar disso...

    Lindíssimo post.

    ótimo final de semana

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  5. Querido o tempo de celebrar chegou!
    Ponho minha roupa de festa
    e me preparo para a celebração.
    Vestida de vermelho, tenho
    o simbolo da paz no arranjo dos cabelos que soltos
    darão o tom do momento.
    Sou grata por haver no mundo seres da sua natureza, talvez por isso o mundo seja mundo
    e por isso valha apena sermos poetas.
    Um brinde ao que pra tras fica!
    Volto oficialmente aqui nesse espaço lindo e com esse comentário a ser a simples poeta ,mas a poeta que nasceu para viver entre sonhos e delírios

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  6. Essas coisas humanas, cotidianas traduzidas em palavras tão docemente poéticas é que me animam a ainda vir na net ler textos. Que crônica gostosa de ler, meu Bom!!!!!
    E olha que eu costumo achar coisas parecidas com a realidade muito chatas hehehehehe...mas seu texto é excelente

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  7. Adorei o blog. Interessante!

    Já estou seguindo!

    Dê uma passadinha no meu blog também!

    beijoss

    www.aylabee.blogspot.com

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  8. alguns cheiros, reais ou imaginários, são irresístíveis. mesclam-se aos sentimentos e criam novas histórias.
    sua prosa é sempre poesia! gostosa de desgustar!

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  9. Olá Silvio vim retribuir sua visita lá no blog e dizer que amei o seu, tem muita coisa boa aqui, bem cultural, por isso já estou te seguindo. Parabéns pelo blog.
    bjs
    ursulinodecor.blogspot.com

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  10. "Um riso como cobertor de um corpo que tremia no frio de todos os desejos"

    Belo texto...amei!!
    Bjos
    Duh franzen

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  11. Olá...
    Seja bem vindo ao meu blog..
    Gostei bastante do seu..
    Já estou te seguindo!!

    Abraços, Jéh!

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  12. Um encontro inusitado. Uma bela mensagem, poeta.

    Beijos e ótima noite!

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  13. Silvio, muita gentileza sua deixar um recadinho em meu blog... Vim aqui visitar o seu também, e adorei...poesia é linda!
    Bjs da mel pra vc

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  14. Adorei seu blog! Posso navegar com você? Estou seguindo-o, ok? Grande abraço!

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  15. Olá meu querido amigo poeta..
    Uma postagem emocionante demorei mais voltei ..sempre volto muitas vezes demoro mais esquecer dos blogs por onde já passei e sigo ñ esqueço jamais.
    Um lindo Domingo beijos e beijos,Evanir.
    www.aviagem1.blogspot.com

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  16. Ei Sr Palhaço, adorei ter encontrado seu blog, de verdade, eu adoro este estilo de escrita que tens (pelo menos nas poucas que li) espero poder voltar... Bj bem alegre pra ti

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