sexta-feira, 15 de abril de 2011

PRESUNÇOSA

       Andava com os olhos no chão quando um grito de mulher a roubou dos pensamentos. Uma garota de presumidos 19 anos puxava um velho para dentro de um casebre a beira de um caminho ermo, quase deserto. Martha, curiosa como é a maioria das mulheres, escondeu-se atrás de um arvoredo na esperança de saber o por quê da garota falar com o velho daquele jeito se nem força ele parecia ter para fugir. E os gritos da garota não paravam: - porra, cara! Tu é homem ou não é? – Essas foram as últimas palavras que Martha ouviu até que o silêncio tomasse conta do lugar. Nem o zumbido das asas de um mosquito se podia ouvir. A tarde afinava os últimos acordes do dia quando Martha resolveu espiar pela janela. Do lugar em que se encontrava, Martha, ouviu alguns gemidos. Na ponta dos pés a enxerida viu o velho, aquele que antes era humilhado, transando com a garota num sofá. A jovem parecia ter um adestrador de xucro sobre si, tal a esperteza dos movimentos dele. Agora era o velho quem dava as ordens – então, não era isso o que tu querias? Então, tome! – Dizia o velho sem demonstrar qualquer cansaço enquanto ela se mexia, gemia, xingava e sorria ao mesmo tempo. Martha descuidara-se do tempo, da honra e da vida. Nervosa com o que via já não se reconhecia. Agora era ela quem tinha o corpo ardendo de desejos, não pelo velho, mas pelo que via ao vivo e a cores. – Meu Deus - pensava ela, como pude invadir a privacidade de alguém, mesmo que a minha intenção fosse de ajudar? – Antes que Martha se desse conta um mulato alto e forte apareceu não se sabe de onde. – O que você está vendo é o que vem acontecendo com esses dois, ultimamente. – Disse o recém-chegado junto ao ouvido dela. Na mesma hora a parceira do coroa pediu ao mulato, a quem chamou pelo nome, que levasse a namorada para eles conhecerem. Martha, pelo visto, não teria escapatória se conhecesse ou fosse reconhecida por alguém, o que não era o caso, por isso decidiu por entrar no jogo e dependendo do que rolasse, talvez pudesse tirar algum proveito. A calcinha era a última peça que ela tinha no corpo quando enxergou a grandeza daquele homem. Era uma coisa que a garota só via nos seus sonhos e principalmente nos seus pesadelos. Martha mal comia, mal dormia, pensando num sujeito assim, para companheiro. E foi sem pensar no que pudesse acontecer que se atirou de joelhos na frente daquele deus a quem suplicou que exorcizasse os desejos que tinha no corpo. Martha não queria saber o que o outro casal fazia, se a exultava ou se dela ria e sem tirar da boca o pecado que cometia, olhou para o mulato com olhos de santa e sobre a vaidade do rapaz ela sentou a sua enorme fé.