terça-feira, 27 de dezembro de 2011

NEM SOB TORTURA...

Eu não vou dissertar sobre a viagem que fiz, mesmo que peçam ou em vão tentem me comover. Chega de dizer da felicidade que senti e sinto, ainda. Basta de falar dessa gente que demonstrou respeito ao me conhecer. Pessoas estas que a Internet, mentirosa, me apresentou e nelas descobri mais beleza do que eu pudesse imaginar. Não tentem, portanto, nem perguntem porque não responderei. Talvez eu fale de Alcleir e Cátiaho. Posso até arriscar algumas palavras sobre a forma carinhosa com que essa gente me recebeu em sua casa, como a encantadora Ana Clara, e Júnior, um pai formado na escola de circo aonde o respeito, a disciplina e a perseverança são o alicerce da alma; Amanda, a dona da pensão entende o que eu digo. Eu poderia falar horas sobre essa gente, mas não vou. Não quero lembrar da dedicação, do carinho e do momento em que a chave de suas casa me foram dadas em forma de abraços e beijos. Não quero dizer das flores que não nascem do jardim, mas do coração que, segundo Maria, minha mãe, tem caminhos que ninguém anda.
Sinto muito desapontar aos que, curiosos, quiseram saber da viagem maravilhosa que eu fiz com a minha família durante uma semana. Sete dias de festa, de riso e gentilezas como eu nunca pensei que viveria.
Desculpem, se eu me reservo o direito de calar.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

VITÓRIA e VILA VELHA

Este foi o melhor passeio que eu poderia ter proporcionado a minha família este ano. Foram contatos importantes com pessoas irradiando sinceridade em cada palavra e em cada gesto. Foi gente desejando sucesso entre um abraço e um beijo. Foram homens e mulheres a sorrirem com respeito para estranhas pessoas que nós somos sem nada para lhes oferecer em troca. Mesmo sabendo que tudo era suficiente à nossa felicidade fizeram questão de nos levar a conhecer a beleza história da Igreja da Penha e dos pontos importantes da belíssima cidade de Vitória, sem esquecer, é claro, do estilo modernista de Vila Velha com suas luzes e a limpeza de suas ruas, da educação de sua gente, da gentileza daquele povo e da graça de suas praças, parques e jardins.
Catiaho e Alcleir, nem todo o dinheiro que eu pudesse conseguir na minha vida seria suficiente para quitar a conta que eu tenho com vocês.
Kelly, Rebecca e este seu escravo retornamos ao ponto de partida e por vocês voltamos a acreditar em Deus, no futuro que nos espera e no ser humano de todos os dias.
Podem mudar os tempos, o estilo de vida e a distância, mas o amor que vocês conseguiram da gente, não mudará, a não ser para melhor.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

PICANDO A MULA.

Eu devo admitir que a ansiedade toma conta do pessoal aqui de casa. Todos estamos contando os minutos para entupir o carro com o que achamos imprescindível e sair por aí com o nariz apontado para Vila Velha, no Espírito Santo, aonde os amigos nos aguardam, sem mesmo saberem que as malas não são a bagagem que levamos, mas nós três. Digo isso com plena certeza, porque a minha mulher diz que eu sou u'a mala. A minha filha, diga se de passagem, é uma nécessaire, a minha mulher é a sua mãe. Portanto, somos todos u'as malas, e nem marca nós temos pra valorizar. Já os nossos hospedeiros são fortes candidatos ao Nobel da paciência. Bem, nós só vamos viajar porque fizemos por merecer e entre essas coisas todas, destacamos a forte amizade com o pessoal carioca, ora capixaba. É claro que o tempo que essa turma está morando lá deve ter sido suficiente para saber a diferença da moqueca para peixada que eu degusto aqui no Rio. Em um dos almoços que teremos, eu vou me deliciar com o prato prometido.
Este texto está sendo escrito numa quarta-feira, 14 de dezembro, para postagem de sexta-feira, exatamente às 5h, quando sairemos para uma ótima e tranquila viagem, assim como aproveitaremos para descansar do dia a dia entre abraços, beijos, algumas verdades e muitas mentiras até que a segunda-feira se apresente e nós partamos de volta, com saudade sim, porém felizes e realizados...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

CHOVE NA MINHA ROÇA.

O dia amanheceu lindo. Depois das chuvas tudo é diferente. A terra enriquece a distribuição da vidas e propicia o verde que surge no broto de cada planta. Os rios revoltos na farra dos peixes escorregam suas águas barrentas leito abaixo a caminho do mar. No ramo do capim, no catar atrapalhado das sementes, o coleiro chilrea feliz. A criançada já brinca no quintal e os lençóis esticados na corda refletem os raios do sol. Na cozinha, ao pé do fogão à lenha, vovô amassa o fumo de corda na palma das mãos enquanto a palha nos lábios aguarda o momento certo para embalar o primeiro cigarro do dia.
A vida na roça tem dessas coisas. Se chove ninguém ou quase ninguém trabalha, mas se o sol racha, tudo é festa. Os homens charruam, semeiam e colhem, enquanto a comida abunda na lavoura. As crianças correm atrás da criação, caçam passarinho, jogam bola e até ir à escola elas vão. Vovó amarra entre as pernas, a saia, para, agachada, lavar sua roupa, as do marido e dos filhos na água da nascente, na bica lá embaixo. A enxada capa o mato acariciando a terra como a navalha, na hora que sangra, rapa o pelo do corpo do porco. O azul do céu é mais azul e o engraçado aqui na roça é que o infinito não é negro, mas azul. Se tem sol é azul, se não tem é branco de estrelas e tem vez, de luar. Eu acho que viver aonde os meus avós moram e eu passo as férias é bem melhor. Pelo menos faz bem para a pele, para os olhos e o cabelo. Melhora e respiração, os rins e até o fígado sorri com a pureza das pingas do lugar. É bom para quem tem filho homem, mas deve ser melhor se a filha é mulher, porque casa e vai dar trabalho e despesa a quem a quer, como eu.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

BANDEIRADA DE CHEGADA

O ano passa na velocidade da fórmula 1. Quando se fixa os olhos nas luzes vermelhas que aos poucos vão se apagando, bem antes da última perder a cor, já se ouve os aplausos e a bandeira quadriculada diante dos nossos olhos anunciando o vencedor. Foi assim com a minha infância, com a minha juventude e não seria novidade se os meus dias atuais e os últimos passassem pela minha vida como o corisco risca o céu. Tudo é passageiro de trem bala. Tudo é corrido e quando se leva alguns minutos em um banho demorado, lá vem a cobrança, como que tomar uma ducha ligeira freasse a marcha implacável do tempo. Eu não tenho o hábito, pelo menos que eu me lembre, de recordar o passado ou divulgar aqueles tempos, dos quais, talvez já nem me lembre, em que eu via minha mãe, uma linda mulher me puxando pela mão rumo ao colégio aonde, mais tarde, eu aprenderia a ler e a escrever. Não vejo ninguém mais forte e bem vestida, cabelo aparado e barba bem feita, perfumada, como meu pai. Talvez eu não quisesse me lembrar desse tempo porque hoje é bem melhor. Hoje eu tenho tudo o que sonhava quando criança. Eu sou o comandante da tropa de de elite dos soldados de chumbo. Sou aquele que manipula com gestos fortes os cordeis que dão direção aos bonecos de pano. Sou eu quem grita a última palavra e diz o que eu quero e o que não quero se a ligação é um engano. Sou eu quem ouve de volta as histórias que contei. Sou eu quem baba pelos meus filhos e diz pra todo mundo que já fui assim, bonito e inteligente. Jovem e educado como eles são e para evitar esta lágrima fujona, eu escrevo no rodapé deste texto o meu nome, antes que o tempo amarele esta folha e faça das minhas palavras, leves lembranças.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DIA ESTRELADO

Vou fazer uma viagem de trás pra frente. Vou ao sol lançar um livro e comigo lá estarão a razão de tudo isso, o futuro e o presente, todos irmanados em um só movimento e quando a noite se fizer no sul do astro rei eu parto em direção à lua e de lá eu olharei através de todas as janelas, entre tantas, certamente eu descobrirei a tua e sem chance de errar te jogarei um beijo. Com a ausência da gravidade não deverá ser cansativo passar um final de tarde ou a noite, que seja, num barzinho de esquina da avenida quarto minguante com crescente. Caso a noite de natal seja a data escolhida eu quero festejar e um brinde levantar à boa viagem que fizemos, ao sucesso do livro e ao nascimento do pequeno grande rei, não sem antes caminhar, como quem não quer nada, por entre os astros, distraído, a procura de um souvenir, uma lembrança do lugar de onde a ti, na janela, eu pude ver a espera da banda do Chico passar. Também quero trazer, entre outras coisas a poeira de um cometa que ficou em minhas botas, um anel, quem sabe de saturno, que eu achei entre umas rochas e se tu não te importares, sentaremos ao pé da nossa porta, apreciaremos a lua mudar de quarto e depois pro nosso iremos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

TEMPO CURTO, MAS TEMPO BOM

Pouca, mas muito pouca gente faz ideia da exiguidade do meu tempo. Às cinco e meia da manhã eu já estou de pé para um banho, fazer a barba e o café. Café reforçado que levo ao quarto para compartilhar com a luz dos meus olhos, nossa primeira refeição. As sete saímos, eu e ela e na metade do caminho uma parte de mim é deixada para trás, já que os olhos que de verde pintam a minha vida desce para trabalhar. Volto vazio de tudo e cheio de mim. No escritório devoro os jornais em busca do assunto que mexa com a opinião pública para, num espaço previamente estabelecido, sintetizar e publicar o meu trabalho como cumprimento do acordo preestabelecido. Assim eu tenho passado boa parte dos meus dias e diferente só os fins de semana quando eu reúno as minhas mulheres e viajo para lugares possíveis e prazerosos. Neste final de ano muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo. A filha que o meu coração pariu se vê às portas da puberdade. Muita coisa está saltando do seu corpo para os olhos curiosos e o processo nos faz atentos. Sua mãe, a senhora de todas as montanhas, faz da família e principalmente da psicologia a razão de sua vida. Veste-se, alimenta-se e respira os métodos que a formarão, ainda este ano, doutora na matéria. As provas estão sobre a cátedra e tirar nota inferior a nove ela não cogita e isso nos faz babar de felicidades. Livros e malas desarrumadas com roupas dentro e fora são o que vemos pela casa. Tudo é nada quando chega a nossa vez e o alvo para os nossos dardos nos é apresentado. Agora, para a menina de quem sou pai e a senhora dos olhos da cor da mata, só me resta dar um jeito na casa de forma que andar, pensar e viver por aqui nos seja possível já que o resto depende do tempo. O mesmo tempo que massacra e que um dia nos permitirá sonhar...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

FESTA DE LANÇAMENTO

Fotos de Márcio Oliveira
Fotos do Márcio Oliveira
Fotos de Márcio Oliveira


Fotos de Márcio Oliveira.




Obrigado a editora Catiaho pela chance do lançamento e a festa compartilhada.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

PALAVRAS VAZIAS.

Tem vez que ele é comparado ao Faustão. Fala quando é a sua vez e na dos outros, também. Esta é a óptica da sua mulher que tem o dom do mediador. Pior para ele que foi alertado tarde demais e agora, com as interrupções feitas ao longo dos anos em cada uma das conversas que teve, não há mais como corrigir. Portanto, se você quiser falar alguma coisa, procure outra pessoa para conversar, mas se o que você tem para dizer for caso de vida ou morte, tente a sorte, já que o monólogo, com ou sem você, acontecerá. Eu também não fico longe disso. Na euforia sou até capaz de falar mais alto para que a minha fala prevaleça. Dificilmente alguém fica olhando, atento ao que foi dito sem que reste alguma dúvida. Muitos fazem cara de que tudo ficou claro e que dúvida alguma restou para confundir ou lhes tirar o sono.
Quando eu saí da casa dos meus pais e fui morar sozinho, notei que o respeito deles por mim cresceu a tal proporção que eu custei a acreditar. Eu ficava horas falando e eles, babando, olhando à cria sem saber o que falar ou certamente, não queriam interromper a minha prosa para não perder uma que fosse das minhas palavras. Em uma das visitas que fiz a eles, minha mãe me perguntou o que eu achava se ela mandasse cortar três árvores que margeavam o corredor do seu quintal. Eu não acreditando no que ela se propunha, fui contra, depois de argumentar sobre o benefício que uma jaqueira, mesmo que nova, uma caramboleira e um pé de mangas com suas sombras e frutos trazem para os que ali vivem. Minha mãe, emocionada, trocou as minhas palavras por um carinhoso abraço. Três dias depois as árvores foram cortadas por ordem sua. Isso me garante que nem sempre aquele que fica olhando as palavras sairem de sua boca tem o respeito pelo que você diz. É claro que minha mãe admira e gosta do que eu digo, mas quando a minha resposta não tem o sabor que ela quer, logo arranja um jeito de temperá-la a seu bel prazer.
Assim é a vida.
Assim são as pessoas.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

JÁ É NATAL...



As lâmpadas, pequeninas luzes, como que distantes estivessem, piscam tal qual vagalume em noites quentes de festa. O peru vai do freezer ao forno e com ele o pernil e o chester. As castanhas, as nozes e avelãs, confundem-se na mesa contornando as taças de champanhe. O bacalhau, a rabanada, o vinho tinto, seco ou doce. Branco, verde ou rosé, para qualquer gosto ou prazer. Sapato na janela, hinos e sinos na capela. E as velas, preces e pedidos em torno delas que simulam o presépio de Deus. Licor com folhas de hortelã, Uísque com gelo, Martíni afogando cerejas de manhã no bar para os mais afoitos. Na sala, vovó de olhos lavados, molhados de choro, bonita, feliz e que tivesse chorado você nem diz. No quarto os presentes, cada um com o seu por que, envolto em papel marchê, fantasia com o nome de quem os merece saber. Bolas vermelhas, laços de fita na mesma cor adornando a pirâmide verde com galhos salpicados de neve tão breve dos países frios em nome da paz e do amor. Risos e guizos. Beijos e desejos a todo pano. Ledo engano pensar que em uma festa de fim de ano não se vive o suficiente para eternizar os desejos e dar a alma a sensação de infinito.

domingo, 13 de novembro de 2011

FIOS DA ALEGRIA

Em uma página, cuja hospedagem eu não me lembro, eu dizia de um par de fios, negativo e positivo, soltos dentro da gente e que, ao se tocarem, acendiam a lâmpada da alegria. Claridade essa que iluminava a alma e divulgava o corpo, criava sorriso para os lábios e brilho colorido no olhar. Coisas que a ciência não quer ou não pode explicar. No espaço em questão eu dizia do meu quarto aonde dormem as minhas alegrias e as minhas frustrações, o meu cansaço e os meus pensamentos. Foi naquele lugar, no encostar dos fios que eu senti a tristeza bater suas asas e janela afora voar com a tristeza e o pranto rumo à escuridão das trevas. Essa história de estar macambúzio agora e irradiante de felicidade daqui a pouco é coisa da eletricidade ou milagre de Deus. Seja lá o que for, o importante é que eles se esbarrem sempre já que uni-los em definitivo é coisa que a vida não cogita.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

PACIÊNCIA/AMOR.

Tem dias que a gente acorda sem saco para certas coisas ou ele logo se enche por falta de cuidado com o manejo de certas pessoas com as palavras.
Eu sou meio que vacinado contra estas coisas. Para mim o tempo está sempre bom, nada me tira do sério. Coisa alguma me aborrece. Ontem um e-mail de uma pessoa, amiga, invadiu a minha casa, sem mesmo ter batido e voou-me no pescoço como um vampiro sedento de sangue. Agarrou-me pelos ombros e sem mais nem menos foi dizendo coisas que eu até já tinha ouvido de outra pessoa para uma terceira, mas felizmente não foi comigo que falava. Desta vez, no entanto, a coisa ficou pior porque o alvo daquelas flechas era eu. Tão logo me refiz do ataque, mostrei a agressividade com que fui ferido à minha amiga, mulher e companheira que, para desespero meu, ficou do lado de quem em mim batia forte. Ouvi, calado, o que as duas tinham para dizer. Calado eu estava, calado eu fiquei até que uma foi para o quarto enquanto o e-mail mal educado que invadiu a minha paz e fez a diferença entre mim e a mulher que amo, ainda assim sorriu na hora de ir embora quando para um sombrio túnel de onde veio alçou seu voo e se escondeu.
-É, depois dessa, só um banho de mar para descarregar...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

OLHAR DE MARIA.

Ela cuidava quando precisava ser cuidada. Era caprichosa quando o capricho deveria partir de quem com ela dividia a vida e se entregava de alma levando consigo o corpo a fazer vontades, cumprir desejos, questionáveis obrigações. Sentimentos mal distribuídos, pensamentos mal compreendidos e essa maneira de achar que o homem nunca vai deixar de ser criança. Mulher com espírito de menina. Senhora que se esquece de suas vontades, suas vaidades e suas angústias, que se conserva mãe a vida inteira, mesmo que seja de um senhor maduro, se ele for o seu marido. Senhora com olhar de santa. Mulher com os olhos de Maria.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

OBRA DE ARTE.

Eu sei bem como são essas coisas. A gente pinta um quadro e quando ele vai a uma vernissage ficamos meio que aflitos a espera do primeiro interessado. Fica-se encantado com os elogios e apreensivo quanto aos conselhos, mas o que interessa, de fato, é a presença crítica do primeiro comprador que reconhece na sua obra o seu talento, o seu valor. Com o escritor não é diferente. Tão logo o lançamento é feito, forma-se o burburinho para, só então, surgir a fila dos possíveis compradores. Enquanto isso não acontece, as horas se arrastam, o tempo não passa, mas deixa envelhecer o sonho que talvez tenha sonhado para rejuvenescer no esgotamento da primeira edição. Todas as artes, em todos os tempos, têm história parecida. Como não sentir o frio na barriga no momento do sim que antecede o bater do martelo e a afirmativa de, vendido? Como responder perguntas se a obra é fictícia, mas se parece com a história de vida do leitor? Talvez isto seja tudo, mas se não for alguma coisa, pelo menos será uma letra a mais em uma página que compõe o livro da pessoa.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

SOL, CÉU E MAR.

Os primeiros raios de sol do verão que se anuncia bate forte na janela do meu quarto. Eu levanto e abro as cortinas dando boas-vindas ao astro-rei enquanto o quarto inteiro se acende permitindo à claridade despertar aqueles que dormiam. Uma ducha fria que acorda a gente, café sem leite, pão com manteiga engolido de repente e lá vamos nós. Barraca debaixo do braço, protetor solar, esteira e canga para não torrar a pele, forrar a areia e colorir os corpos torneados das meninas. Prancha, mais de uma, arrastada pelos relaxados que não as têm e por isso não sabem quanto custa. Ondas fortes quebrando na pedra espumando na areia. Criança correndo, gritaria de mulher. Um ramo de palma branca, oferta dos filhos de santo à Iemanjá, rainha do mar, que devolve a flor depois do beijo. Mate espumante, gelado, com ou sem limão. Sanduíche natural, misto ou de frango em papel prateado para proteção, apregoa o ambulante vendedor. As ondas regurgitam da prancha o seu navegador que sem tirar os olhos dela rema ao seu encontro.
Louras e morenas de pele bronzeada, perfumada, de corpo torneado como obra de escultor. Muito seio em pouco peito. Pouca polpa em muita bunda. Muitos olhos secando a flor que estufa a peça estreita logo abaixo do umbigo.
De fevereiro a janeiro, de dezembro a novembro é sol o dia inteiro. Este é o verão do Rio, quando o pobre com o rico se confunde e aonde quem trabalha vira turista.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

LUIZ GONZAGA.

Na feira nordestina de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, é onde todos os Estados brasileiros se encontram. Em qualquer parte do país se ouve falar das iguarias do nordeste, assim como da música e da cachaça, mas só no Pavilhão Luiz Gonzaga tudo tem bom preço aos que ali chegam. Vendedores e garções vestidos à caráter dão cor e graça ao trabalho. Lampião e Maria Bonita são figuras da Feira e Luiz Gonzaga uma lembrança para ser guardada. Baião-de-dois, Bobó de Camarão, Buchada de bode, Galinha à Cabidela, Bolo de pé-de-moleque, cuscuz e outros pratos são indispensáveis nos restaurantes e barracas. A limpeza é imperial, como a graça e o bom atendimento fazem parte do cardápio do lugar. Uma vez por mês ou de quinze em quinze dias eu e a família vamos almoçar nos braços da cabocla amorenado de sol e arretada como cabra no cio. Ali sempre é dia de festa principalmente quando uma dupla sertaneja ou cantador de embolada dão as caras no lugar.
Sábado passado nós levamos uma amiga para almoçar conosco e entre a pimenta dedo-de-moça, a manteiga de garrafa e o queijo coalho do baião-de-dois que comemos, um chope para acompanhar.
Vale a pena os sete reais pagos para estacionar o carro e os dois para ingressar ao pavilhão. O resto é só curtir. Curtir para relaxar da semana trabalhosa que se tem.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

PAULA, OBRIGADO.

Da tua história poucos têm conhecimento. Das tuas alegrias quase ninguém sorriu contigo, mas das tuas tristezas, muitos compartilharam. Eu já tive o privilégio de te ver sorrir. Tive a ventura de contigo escolher um prato, uma sobremesa. Já voei por entre nuvens ao teu lado, como escudeiro, como irmão. Eu segui teus pés descalços entre pedras e espinhos, mas calçado, não feri meus pés. Contigo eu reconheci a nobreza da resignação e entendi o quão forte e capaz uma mulher consegue ser. Foram tão poucos os momentos de felicidade que eu vi estampado no teu rosto e tão poucas vezes no castanho claro dos teus olhos eu vislumbrei a paz em tua alma. Foram tão poucas as reverências que o tempo a ti prestou que eu fico envergonhado de ser feliz. Quisera eu ter o poder de mudar as coisas, fazer passar ou voltar o tempo e eu colocaria em tua boca o sorriso da alegria. Pintaria nos teus olhos a luz da esperança e em tua alma a certeza de Maria.
Ah, como eu queria ter a força dos ventos, o poder dos vendavais para lavar varrendo os teus caminhos colorindo de arco-íris no final. Eu queria o frescor das brisas em tuas noites quentes de verão. Queria a bondade da tua voz em minha fala para te pedir perdão, e sem querer ser pretensioso, ser teu filho quando beijo a tua mão.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

UM SIMPLES DESEJO.


Eu queria pintar a minha vida com as cores vivas, atrevidas. Queria perfumá-la com o cheiro da fruta madura, da rosa orvalhada, amarela. Eu queria muito vestir a minha vida com as roupas dos palhaços. Queria provocar risos com os guizos dos meus passos. Queria para o BBB ser pelo Bial entrevistado. Queria acordar com o dobrar dos sinos como em dia de domingo. Eu queria uma festa de arromba aonde tudo me fosse pouco sem que a minha alma nada me cobrasse. Eu queria o sol a meia-noite. Queria as flores noturnas ao meio-dia se abrindo. Eu queria envelhecer dormindo e receber presentes com sorriso de menino.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

CACHORRO QUE REJEITA OSSO, PAU NELE.

Eu já fui assediado por homens e mulheres, por jovens e idosos de ambos os sexos, cor e credo. Em alguns momentos eu cedi aos rogos femininos, mas sem querer melindrar ou ser indelicado, da classe masculina consegui me esquivar. Tinha ocasião que a mulher parecia ter a idade da minha mãe, mas até com jeito de avó comigo tiveram vez. Minhas irmãs diziam que eu era limpa-trilhos e que qualquer mulher, branca ou negra, nova ou de meia idade, para mim era princesa. Acontece que, assim como eu vivia desejando as misses da cidade, essas moças da terceira idade viam em mim o príncipe que eu não era e por isso o interesse delas. Diz a lei que o direito do homem é o mesmo da mulher, portanto, nada de endurecer o jogo no tocante a idade do seu par.
Eu não tenho preconceito com o envolvimento entre pessoas do mesmo sexo e até dou força se necessário for, mas ser o noivo ou a mulher dessa relação eu não gostaria e nem quero experimentar, mesmo tendo amigos íntimos que vivem "casados" há anos e felizes.
E como diziam aqueles que não conheceram as drogas e qualquer outro tipo de violência; ser feliz é o que interessa.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

UM LIVRO E NADA MAIS

Hoje eu fui ao Rio e aproveitei para dar um beijo em minha mãe. Maria tem muita vontade que eu escreva os meus pensamentos em papeis encadernados por uma editora e hoje não poderia ter sido diferente. Exaltou as qualidades que eu, sinceramente, desconheço ter. Falou das minhas ideias e da beleza da escrita. Todos sabem que mãe é assim mesmo, se o filho tem cara de sapo, jeito de sapo e coaxa ao invés de falar, mesmo assim ela o ama e o acha lindo. Mas não é só ela, tem mais pessoas me empurrando à escrever um livro. Talvez eu ceda à vontade de Maria e dos amigos e acabe escrevendo, não um, mas três dos muitos que sei que posso. Dois romances eu tenho prontos a disposição da editora e o outro, como todos já devem ter adivinhado, será um espelho fiel das minhas publicações no blog aonde eu digo, de maneira destorcida, o que sinto quando o meu coração aperta. Talvez esta seja uma péssima maneira de escrever sobre o próprio sentimento, já que dou aos meus uma roupagem nova. Troco inclusive o sujeito da oração. Quando eu me refiro a Antônio, digo que é João, e se quero falar da mulher que amo eu cito outro nome me referindo a quem nada tem a ver com isso. Só assim o sujeito permanece oculto. Faço portanto, qualquer coisa para falar de amor só não minto, mas se alguém duvidar eu posso até jurar que falo sério. Tem vez que eu omito a verdade, mas como afirmá-la se um amigo gordo me pergunta se emagreceu? O melhor mesmo é continuar falando bem dos meus amigos, do amor que nutro pelos meus filhos, por minha mulher e a devoção que eu tenho por Maria, minha mãe. Aliás, eu não vou matar ou vou morrer por causa de uma simples mentira ou uma verdade cassapante, mas se eu não morrer por causa disso, pelo menos não perco a vida.