quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

BALANÇO GERAL

Hoje deve ser o último dia deste ano, e se não é, foi ontem ou será amanhã. Um ano como todos os outros, com altos e baixos, muitas lágrimas e pouco riso. Lágrimas, às vezes de alegria, mas o choro, ah, quantas vezes escondido no banheiro ou embaixo do edredom eu solucei... Havia momento que eu exultava de felicidade e quando o dia terminava, logo, outro eu desejava que surgisse. Fui a muitas festas, conversei com quem eu queria e com quem desejava me conhecer. Fui bondoso em certos momentos e amargo em momentos errados. Enfim, o ano está por terminar e o outro, ali na frente, já pedindo passagem. Até ouço ao longe, o espocar dos fogos, a farra de cada criatura que no seu interior traz a alegria que consegue. Hoje, ontem ou amanhã fez ou fará mais um ano. Um ano a mais na história que, com a minha ajuda, o destino escreveu. Sou menino, quando penso nos meus pais e sou idoso se dos meus filhos eu não esqueço. Não quero, para evitar constrangimento, fazer um balanço de tudo o que eu fiz ou deixei para fazer, mas se eu não me importasse com o que chamam de detalhe, talvez eu concluísse que não fiz nada para merecer a felicidade que eu acho que cada um merece, mesmo não tendo feito nada para isso.
silvioafonso

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

PRESTAÇÃO DE CONTAS

Hoje, final de ano, eu quero prestar contas, falar da minha vida antes mascarada ou mal entendida. Vou falar sem orgulho, mas também sem humildade, confessar que dormi com senhoras distintas, com artistas e também com prostitutas. Eu comi da suas comidas, bebi do que bebiam e no meu ombro deixei que chorassem as suas amarguras. Para elas eu nada fui senão um jovem sedento de sexo e companhia. Eu não fui o forte que socorre, mas também não era o covarde que se omitia. Se o meu cansaço num final de semana me prostrasse, mesmo assim eu não me incomodava de dar a mão e ajudar só para ver sorrir os lábios que antes choravam à própria morte. Passei momentos bons com pessoas tão boas e tão más, como eu, mas fui e fiz feliz enquanto os momentos eram nossos. Isto não é a despedida da vida que eu vivi, mas a mortalha de um tempo que passou e que certamente não voltará, a não ser que seja com alguém muito especial e mesmo que o passado me procure ou que eu o encontre, por aí, esteja ele melhor e menos sofrido eu não virarei às costas à sua verdade, mas o considerarei uma tatuagem colorida no lado esquerdo da minha alma.
silvioafonso.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

UM AMOR DE FESTA

Hoje é antevéspera de Natal e a cidade está que é um alvoroço, só. Retardatários buscam por frutas, castanhas e nozes, vinhos, carnes e o tradicional bacalhau pra ceia. Os presentes da criançada serão comprados, não de acordo com os pedidos, mas dentro do que for encontrado, os mais em conta. Ao pé da árvore de natal estão os pacotes do amigo oculto trazidos pelos que aceitaram trocar presentes. Forma econômica de dar e receber o que foi pedido; nenhum convidado sai sem, pelo menos, uma lembrança da festa. Agora só falta a decoração da mesa onde todos terão direito a palavra, a diversos abraços e alguns beijos. Novas promessas serão feitas e as que não foram cumpridas, serão, certamente, perdoadas. Risos, lágrimas, desculpas e agradecimentos serão a tônica desta data. Enfim, é uma festa e como tal não poderia faltar a música, o champanhe e o desejo de felicidade para cada um dos que acreditam no aniversariante e no amor que ele nos dá.
silvioafonso

sábado, 18 de dezembro de 2010

JÁ É NATAL...

Eu estudei o suficiente para saber lidar com o pouco dinheiro que eu tenho e viver, como vivo, uma vida simples e sem excessos, sem sede e sem fome e tendo o que vestir. Tenho uma cama que é minha, só minha, pois este era o meu desejo criança. Tenho um quintal grande onde eu quando menino jogava bola e sonhava que um dia fosse meu. Hoje ainda me arrepio quando penso que emergi de entre os escravos dos profetas e oradores para, adolescente ainda, por as minhas mãos, mesmo frágeis, nos livros e no trabalho. Semana que vem será Natal e todos, de qualquer raça e todos os credos estarão rindo, comendo e bebendo como se fossem da mesma família. Alguns beberão e comerão mais do que outros, mas não se sentirão mais importantes por isso em meio a grandeza dessa festa. Com tantos fogos, beijos e abraços, será que o aniversariante entenderá a comemoração como pecado ou vergonha e, quem sabe, não queria Ele mesmo soprar as velinhas do bolo de sua festa? Eu, como humilde que sou não creio, mesmo sabendo que é por não acreditar, que os céticos dormem de luz acesa.
silvioafonso

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

CUSTO & MALEFÍCIO...

Li recentemente no Blog de um amigo, que o crack, de todas, seria a droga mais barata. Tive vontade de expressar ali a minha opinião, mas achei por bem que fosse em outra ocasião, e o momento é agora.
O crack é de todas as drogas a mais cara, e não a mais barata. Ele tem um baixo custo à sua aquisição, mas tão logo o fogo acende a pedra o gatilho da destruição é acionado. O crack assim que é aceso queima as esperanças e vicia, torna cinza os sonhos e deixa como restos de fogueira o caráter e a família. Nenhum outro tratamento é tão difícil e demorado, portanto muito mais caro para quem busca a cura dos males da pedra, isto quando o óbito não acontece. Eu não sou a favor de nenhum tipo de droga, mas confesso que gosto e tomo um chopinho nos finais de semana com a moça dos olhos da cor do mar, e alguns amigos.
silvioafonso

.....................................................(Foto by Internet).

Olá blogueiro,
Salvar vidas por meio da palavra. Isso é possível. Obrigado por seu apoio na luta contra o crack e outras drogas. O consumo aumentou e é preciso união de todos. O crack traz malefícios ao usuário, família e sociedade e atinge a todos independentemente do sexo, cor e classe social.
Divulgue mais informações sobre a droga: http://bit.ly/bDGqGz
Conheça os CAPS que estão espalhados em vários lugares do país para prestar auxílio aos dependentes: http://migre.me/2qkFl
Siga-nos no Twitter: www.twitter.com/minsaude
Mais informações: comunicacao@saude.gov.br
Obrigado,
Ministério da Saúde

(Sempre que um BLOG alude às drogas o Ministério da Saúde se pronuncia)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

UM CAMPEÃO ENTRE TANTOS VENCEDORES.

Depois da marinha, do exército, da polícia civil e militar prenderem os marginais e espantarem os moradores, eis que a cidade do Rio de Janeiro se veste de branco, verde e vermelho para reagir e conquistar o título brasileiro de futebol. Eu que fui parido por São Paulo e adotado por esta cidade, não poderia deixar de abraçar os tricolores das laranjeiras que agora, tricolores brasileiros, recebem das mãos do Flamengo, outro carioca, o título de melhor do País. Parabéns aos coadjuvantes de primeira linha como Corinthians e Cruzeiro que muito fizeram para a valorização do campeonato e o brilho do Fluminense, clube tantas vezes campeão.
silvioafonso

sábado, 4 de dezembro de 2010

E A MINHA MULHER CHOROU...

Desatou o nó dos meus braços, afastou o seu corpo do meu e aplaudiu o cerramento das cortinas. Era o último ato do amigo que descia à sepultura.
– Obrigada, resmungava ela, muito obrigada pelo tempo, mesmo que pouco, em que viveu comigo. Obrigada por sua alegria, seu jeito irreverente e o tradicional; TÔ BOA NÃO, HEIN! Com que nos brindava quando vinha a minha casa.
Entre uma lágrima e outra sussurrava junto ao meu peito como que com ele, em alma, conversasse. Era um choro miúdo, um choro raro de verdade, de amor.
Você, minha criança, a ela eu digo agora, foi a mais sincera das que tiveram o privilégio de ser amada e respeitada por alguém que pintava de mulher a cara, vestia de cores o corpo, mas amava até que mudasse o mundo ou que perdesse a vida.
silvioafonso

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ENTRE A VIDA E O AMOR.

No final deste mês de novembro eu fiquei sabendo que o mais recente dos amigos que eu conquistei por estas bandas, está infectado com o HIV. Vírus adquirido de uma relação mal combinada, já que vivia com uma pessoa que doente, não sabia. Foi um choque vê-lo emagrecendo, fugindo dos médicos e dos tratamentos. Este amigo perdeu a fome, o sono e a vontade de lutar, em contrapartida às feridas, coceiras, cabelos que caem e o corpo a cada dia mais debilitado, sem viço, sem cor. Eu não acredito na cura através da oração, mas que ela dá força, dá. Não a oração de uma pessoa ou de um grupo para o doente, mas a introspecção do enfermo em nome de Deus, pois a fé cria anticorpos, fortalece o desejo da cura, assim como a coragem de lutar e a vontade de viver.
Agora internado contra a sua vontade ele mal vê, mal fala e mal ouve aos que acreditam na sorte e no milagre.
Espero que a ciência, através dos médicos na sua cabeceira, rompa a fita de chegada antes que a morte atinja a retafinal.
silvioafonso

FATO CONSUMADO.

Às duas horas da madrugada desta
quinta-feira, 02 de dezembro, ele
partiu...
Talvez até torcesse por isso, pois a
sua vaidade o aprisionava na
doença de maneira que só não
pediu socorro aos médicos e
amigos, porque a sua cidade é
pequena onde todos se conhecem.
Todos os que, com ele mantiveram
contato sexual, certamente
encontram-se em polvorosa e isso
ele não queria.
Mentiu, escondeu-se de todos e só
aceitou ajuda quando forças já não
tinha.
- Descanse em paz, meu amigo.
A saudade que você deixa é grande
e é toda minha.

silvioafonso




............................................. (Foto da Internet para ilustração).

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

NOSTALGIA.

Eu quero falar um pouco de nostalgia, mas esta palavra talvez não fosse adequada; saudade cai melhor.
Quero e vou falar da saudade que eu tenho do meu pai, que um dia mentiu pra mim. Eu custei muito para entender e aceitar esse deslize, já que ele, quando eu tinha uns três anos, garantiu-me ser o Super-homem e que só a criptonita poderia destruí-lo e, como aqui na terra não "existia" esse mineral, ficava evidente que ele seria "imorrível” e que viveria eternamente ao meu lado, pensava eu.
Um dia meu pai adoeceu e morreu. Fiquei frustrado, transtornado com o acontecido, já que esse mineral tiraria as forças dele, mas não o mataria, mesmo assim a doença chegou ceifando-lhe a vida.
O meu velho guardava algumas revistas que foram compradas na época de sua infância. As figuras e seus textos me encantavam. Eu delirava com a leitura. Também me lembro de quando ele cantava os "jingles" do sabonete Eucalol, do bactericida Auris sedina para o ouvido do neném, da pomada minâncora, dos produtos da Bozzano e do talco Ross.
O tempo, porém, senhor de todas as decisões, calou meu pai e suas histórias, só não emudeceu o moleque e suas doces lembranças com os quais eu vivo entristecido, até agora.

silvioafonso