sexta-feira, 26 de novembro de 2010

DESCALÇO NO DESERTO.

Eu não tenho o hábito de falar da minha vida e não vai ser hoje que eu vou confidenciar as minhas intimidades, mesmo atravessando, como estou, o maior oásis da minha vida, que aparentemente, não tem graça, mas tem sombra e água fresca, tem piso firme e macio para os meus pés e um teto de estrelas sobre mim. Tenho aonde amarrar a rede e carne de coco para matar a fome. Tudo orgânico.
Talvez eu tenha deixado que se fosse da minha vida, alguém com quem eu gostaria de compartilhar esta aventura. Caminho de areia e calor, com um sol para queimar os pés, e a pele pintar de ouro durante o dia e frio ao anoitecer.
O resto é lembrar os tempos de menino quando fazer tudo eu podia em troca dos estudos e da obediência. Não me lembro mais de nada além do que falei. Não me cobrem a presença dos meus filhos, pois, o direito da escolha é pertinente ao cidadão. Foi assim que eu os criei. A mulher que eu amo não se foi porque nunca “se” veio; ela nasceu e vive em mim. É um apêndice do meu coração, um puxadinho arquitetônico do meu peito e o resto é o mormaço que reflete na areia o vai e vem das ondas do mar revolto.
silvioafonso

terça-feira, 23 de novembro de 2010

UM, SEMPRE GOSTA MAIS...

Antes de sair, às 6h30m eu telefonei para o meu filho e de antemão fiquei sabendo que ele não subiria à serra comigo. Não foi uma frustração já que esta não era a primeira tentativa sem êxito para trazê-lo. Triste, porém feliz por ter tentado, fomos ter com a minha mãe que mora no mesmo quarteirão. Neguei que tivesse ido com outra intenção senão a de visitá-la já que por ele eu não perguntei. Como estava e o que sentia, dele eu já sabia graças aos telefonemas que eu fiz à sua casa durante todo o período em que estivemos separados o que confirmou o amor que ele tem por mim e que por acaso é quase igual ao que eu tenho por ele e pelos outros filhos.
Enfim, tudo será como será e nada neste mundo mudará o que tiver de ser, se Deus quiser.

silvioafonso.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ESPERE POR MIM...

Hoje à noite eu fecho as minhas malas aonde guardo a esperança de trazer do Rio o filho que há muito não compartilha dos meus carinhos e das minhas aflições. Parto cedo, antes de o sol lavar a cara eu deixo para trás a ansiedade do chegar. Comigo eu levo a navegadora de todas as decisões, pois sem ela, eu estagno, eu “empoço” como água depois da chuva já que com ela eu divido todos os meus sonhos e as minhas vontades. É ela quem pinta com o verde dos seus olhos as matas, o mar e a esperança, permitindo que tudo fique mais fácil e mais bonito. Vamos direto ao duvidoso, pois a surpresa não é agradável a qualquer um. Eu quero acreditar que a minha chegada e a proposta de que meu filho passe uns dias no alto da serra em minha companhia seja um bom presente. Quero juntos, relembrar os bons momentos em que com ele, os seus irmãos e as respectivas mães, navegávamos por águas calmas e serenas, sem os enjoos naturais e as evidentes preocupações.
Espere por mim, meu filho, porque estou contando os minutos para a retomada dos abraços e reviver em ti a juventude que na memória eu guardei.

silvioafonso

terça-feira, 16 de novembro de 2010

DE VOLTA AO TRAMPO.

Eu acho que foram boas, porém ruim eu tenho certeza que não foram, as férias das quais saí para gozar. Passeei muito, conheci lugares e pessoas. Ri com os hábitos e os costumes de cada lugar por onde andei e assim cansei meus pés, mas os neurônios, o corpo e os pulmões ficaram assim, oh! Cheios de pureza e tranquilidades, melhor rapidez de raciocínio e reflexo para recomeçar.
Cheguei de viagem e encontrei tudo como eu deixei. A cadeira longe do computador, algumas gavetas abertas ou mal fechadas e as que eu fechei, nelas nada estava no lugar. Quando eu saí fiz pausa para o café com os colegas, mas não sem antes pontuar o último parágrafo do texto que terminara, com a Dra. Dilma já eleita e a CPMF cogitada para voltar com novo nome. Quem era da direita e do centro bandearam-se para a esquerda e o que foi dito, desdisseram na maior cara-de-pau.
O País, portanto, continua o mesmo. Os políticos mais bem pagos do mundo, são os mesmos, só o meu dinheiro é que encolhe a cada vez que dele eu preciso.
Estou, como disse, de volta ao meu trabalho e sempre que sobrar, se é que sobra, um tempo, eu venho ver os que dividem comigo o prazer da leitura.
silvioafonso.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

CONVULSÃO.

Naquela noite ela não dormiu. Os momentos tinham sido lindos, inesquecíveis, únicos. Aquelas palavras não eram as que conhecia pois soavam como melodia em seus olhos, seus ouvidos. Eram diferentes de um texto, uma crônica ou poesia. Aquelas palavras foram escritas para ela, só para ela e por isso não admitia a hipótese do seu texto ser do conhecimento de mais alguém. Sonhava com o escritor, não via a hora de acessar a Internet para ver as mensagens que chegavam e que eram como convites à felicidade, ao amor. Uma tempestade, porém, desabou sobre o seu mundo quando soube que outras mulheres se encantavam com o que ele dizia e que a única diferença entre um e outro era a forma de compor as frases. O encanto, porém, era o mesmo. O alvo também era o mesmo e na ponta do dardo, o mesmo veneno. Chorou muito e novamente não dormiu naquela noite e em outras mais. Jurou apagar de sua vida essas lembranças. Prometeu ao seu amor próprio a dignidade do esquecimento. Tudo em vão. Outras mensagens vieram e com elas a certeza de que tudo mudara e que as novas poesias seriam dela, só dela. Isto fez com que desabrochassem as flores, cantar os passarinhos e a brisa fresca na anunciação da chuva lamber-lhe o rosto. Esta certeza clareou o seu sorriso, encantou-lhe o semblante, e o coração acelerado batucou forte no peito esperançoso. Falaram-se por via imediata e a emoção se fez em toda a sua plenitude. Ela despiu-se de suas roupas que cobriam a vergonha e o pudor de sua criação. Fez-se em pelo e cerrou os olhos. Movimentava pelo seu corpo as mãos longas e macias num carinho solitário. Murmurava o nome dele entre um e outro movimento feito por seus dedos que passeavam por entre as curvas do seu corpo em lugares que nem ela se lembrava possuir. Reclamou no transe os beijos que não tinha e o calor do corpo que não jazia ao lado dela. Mordiscava os lábios resmungando, às vezes ria alto, tremia numa incontida convulsão para explodir no gozo que sofria.
Postado ao longe, como que sentado ao gargarejo de um drama teatral em cuja trama saciava-lhe o gemido que esvaia um orgasmo paralelo aquele que ele via, que ele sabia porque era responsável pelo bem e pelo mal que ele fazia.

silvioafonso

terça-feira, 9 de novembro de 2010

LEANDRO GASETA

Há um ano, neste mesmo espaço, eu escrevia sobre a primavera que chegava com suas flores e seus colibris, seus perfumes e as borboletas que invadiam à casa num sutil abrir de janela. Esse dia vaticina o aniversário do LEANDRO que com meus filhos cresceu e se fez amigo entre tantos outros, sem por quês ou restrição.
Eu não ficarei triste por não ser lembrado na entrega do primeiro pedaço de bolo, mas de tê-lo entre as pessoas de quem eu gosto e por quem eu torço, disso eu faço questão.

silvioafonso

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

DE VOLTA PRA CASA.

Fato consumado:
A eleição acabou, porém tudo seguirá como vinha antes; sem novidade, sem melhora.
Da viagem que eu fiz, voltei com os que comigo foram. Passeamos as ideias e as vistas, seguindo, não o caminho das águas, mas os caminhos que o meu coração traçou. Chegar à casa foi como se eu acordasse, entre flores, de um lindo sonho. O resto das férias eu concluirei entre os amigos de todas as horas. Estes mesmos que riram nas minhas alegrias e entristeceram quando eu chorei. Amigos de poucos favores e muita gratidão. Amigos professores para os meus erros e filósofos para as minhas incertezas. Médicos para as minhas dores e versos para as minhas poesias.
Presidente aquecendo para um mandato novo, nervoso e eu, povo, torcendo para o seu sucesso com os meus projetos e sonhos.
Agora é só esperar para os perus de fim de ano. Papai noel trazendo esperança para as nossas utopias e champanhe espocando rolhas e borbulhando estrelas.
silvioafonso