domingo, 31 de outubro de 2010

MINEIRO, UAI!...

     Hoje é dia 28 e a vontade de dizer adeus a Belo Horizonte, não apareceu. Talvez neste sábado, ou no começo da próxima semana eu ligue os motores e voltemos à base. A minha turma é composta de três pessoas com direito a voto preferencial, por isso basta que um vote com o redator e a sorte está lançada. O empate não existe; faz-se alguma coisa ou não se faz. Dúvida não tem vez entre a gente.
No hotel, o café da manhã é um verdadeiro festival gastronômico, com frutas maduras e sucos naturais, café puro ou com leite, bolo de fubá, roscas de polvilho e biscoitos amanteigados, e no primeiro almoço; leitoa com tutu e torresmo. Pinga direta do alambique, à vontade. Gente agradável com voz que deveria vir com tarja preta, tal a doçura da voz, à nossa volta e uma brisa fresca nos acompanhou às margens da Lagoa da Pampulha, Cartão postal da cidade.
Eu não quero voltar a este lugar. Eu quero é morar aqui aonde o leite não tem cor de leite, mas de manteiga. Aonde o povo fala como falam os cantadores de viola, com pureza, bondade e beleza. Infelizmente os nossos, meus e da minha família, compromissos não podem esperar, caso contrário eu não entraria terra adentro, mas seria mais um mineiro, sim senhor.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

PÉ NA ESTRADA...

     Peguei a minha tralha e a família, acomodei no carro e vazei com destino ignorado e não sabido. Dias depois babávamos ao ver o sol se banhar nas águas da lagoa da Pampulha. O casamento do astro com a lagoa causou-nos espécie. Obra de Deus, diziam todos e o meu coração. Passado o milagre, rumamos para o hotel do dia claro, quer dizer; sem estrelas e mesmo que tivesse alguma, alguém ou alguma coisa ficaria de fora tal o seu tamanho. A estrada era perigosa para alguém como eu que só sabe de livros e letras e ainda por cima combinando direção, cerveja, risos e afins. Talvez por isso eu tivesse o volante tão preso às minhas mãos. O ar de Belo Horizonte, entretanto, é muito interessante; por mais que eu enchesse os pulmões ele continuava como fica na minha cidade, do mesmo jeito. Poluição não vi e se vi, não senti. Aliás eu acho que a poluição somos nós, mesmos. Por mais que busquemos o mar, o campo ou as montanhas, lá está ela como a nossa sombra, agarrada ao nosso pé. Foi, portanto, maravilhosa a viagem para cá e o passeio, no entanto, está sendo como a vinda, encantadora. Agora, no dia 29, na sexta-feira, pego a tralha, a mesma de quando eu vim e com ela, a família, as lembrancinhas e a saudade da minha casa e voltamos com a mesma fé que de lá partimos.

domingo, 24 de outubro de 2010

PINTADO DE SOL.

O sol, por de trás dos coqueirais, recolhia o alaranjado de suas cores quando ela chegou a casa. Na transparência de suas roupas eu percebi o dourado e perfumado de sua pele contornando longas pernas. Sobrepondo um abdome sem barriga, um par de seios que mal cabia dentro do que o guardava.
Olhar sombrio de pura beleza que não escondia com o riso da ironia a vontade louca de se mostrar para os desejos e anseios dos que a pretendiam. Eu, entre outros, sofria quando ela me olhava e se olhava certamente não me via. O que fosse necessário para estar por perto eu faria mesmo que fosse para varrer o chão onde ela pisasse, eu queria. Passaram-se os dias e por entre os coqueirais, novos raios alaranjados de sol vazaram puxados pelo astro de luz e da alegria, o sol.
Fui feliz no fim de cada dia. Fui imortal a cada instante em que ela me cobria com o verde do seu olhar, mesmo que sem querer, mas o fazia.
Era tão evidente o amor que por ela eu nutria que até hoje eu sou o mesmo mendigo que era antes, carente do olhar ardente de cujo escaldo eu não fugia.

silvioafonso

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

VIAJANDO EM OUTROS VERSOS.

No labirinto das minhas alucinações eu caminhei por entre grandes nomes da história. Com eles discuti suas obras para tecer comentários sobre aqueles renomados que deixaram suas vidas em detrimento da literatura e da ciência. Voltei à terra de "Ulisses" de Homero com a sua "Guerra de Tróia" e de "Eneida", de Virgílio. Na Itália foi que eu repousei entre os trabalhos de Petrarca. Em Portugal terminei por envolver-me na vida de Camões, mas foi du Bocage quem levou-me à Inglaterra onde namorei sob os sonetos shakespearianos. Foi uma viagem de conhecimento e de loucura, mas nada se comparou a minha chegada à Pátria onde eu nasci. Cheguei cansado para me jogar nos braços de Bilac, e nos de Cecília eu versei Chico e cantei Caymmi. Reli Machado, Augusto dos Anjos, Vinícius e com os versos de Drummond, sem querer, adormeci.
silvioafonso

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

AMOR & PAIXÃO.

Tem vez que eu desando a falar de Einstein, Freud, Marx, Nietzsche, Gandhi e por aí afora. Porém o jogo de sedução que predomina em minha escrita prevalece, principalmente quando falo que o amor que mora em mim, mora em vocês, avizinha-se dos homens e das mulheres. Poucas pessoas têm coragem de atirar-se, de joelhos, aos pés deste sentimento. Isto é privilégio de poucos. Alguns desdenham por não tê-lo pulsando o peito. Comentam como uma fraqueza, uma bobagem e tudo isso por não terem sentido, ainda, a grandeza do amor. Quando são por ele envolvidos, amam como quem se perde, mas só depois de sofrerem com a solidão.
silvioafonso

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Beleza de Flor, Luz de Lua

Talvez eu não fosse digno de me deixar cobrir por sua sombra e saber da sua alma, quem sabe, eu não devesse. Eu me penitencio por não me fazer presente quando você mais precisou de um amigo e eu, desatento, não estava ao seu redor quando você chorou a morte do seu pai e eu também não estava lá para segurar a sua mão, beijar a sua testa e falar as palavras que a conquistariam. Desculpe meu amor, se eu não previ que a sua sorte estava em minhas mãos e que só eu teria o privilégio de comparar a sua inteligência à dos sábios, a sua beleza à das flores e a sua luz com as estrelas.
silvioafonso

COMO OS GATOS

Com sete vidas, como os gatos, eu juro não ter nascido, mas três eu garanto ter, sendo uma longa para as minhas tristes amarguras, outra média para a minha imaginação e a última, a mais breve, para a minha felicidade. Na última vida eu tenho o amor e mesmo que ele desespere, ele é imprescindível, mesmo que eu demore para reconhecê-lo, porque a imaginação nem sempre se materializa, mas ele está em mim. Sonhar me faz fantástico e ainda que a vida a mim seja efêmera, tenha fim, o pouco que se tenha vivido já teria valido a pena por causa do mistério da certeza, da afirmação. Qualquer lugar deixa a impressão de ser melhor do que esse ja que se busca ser feliz, mas qualquer um outro é possível se eu estou comigo e assim a menor de todas as vidas compensa as outras, maiores.
silvioafonso

sábado, 9 de outubro de 2010

AGORA VAI...

Foi ampliado para nove anos e agora para quatorze a começar no princípio de 2016 o ensino fundamental e muitas escolas já se organizaram à nova modalidade ou estão em plena fase de mudança. A novidade deixou os pais confusos, mas felizmente a mudança foi bem entendida por nós, responsáveis pelo filho de seis anos, fruto do primeiro casamento de minha mulher. Na mudança, muitas escolas não conseguiram explicar a nova decisão aos pais e assim alguns deles concluíram que seu filho pulará um ano e com isso, ficará prejudicado. Alguns acreditaram que o currículo do ensino fundamental descerá um ano e que seu filho começará a aprender tudo mais cedo, mas não é isso; o período antes chamado pré-escolar passa a ser primeiro ano ou primeira série. No ano anterior a primeira série, as crianças eram induzidas à leitura e a escrita por meio de brinquedos e jogos e o brincar ainda eram a atividade mais importante. Os professores têm dado matérias em demasia para os iniciantes do ensino fundamental. O que interessa, no entanto, é que, seja lá o que for ensinado, seja apresentado em todas as combinações possíveis para que os alunos entendam o complexo do conhecimento. É muito importante que, nessa fase, seja ensinado o ato de aprender com a ajuda dos colegas e outros meios. A minha mulher fundamenta este propósito na faculdade onde estuda psicologia.
silvioafonso

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

POETA, EU?

É fácil ser poeta.
Até eu se quisesse poderia.
Para ser poeta não precisa muita coisa, basta que se tenha à mão o céu com todas as estrelas, o mar e as florestas, todos os serpenteantes rios ao norte, no centro os que cantarolassem enquanto corressem e no sul os que, lentos, choramingassem em direção ao mar. Também é necessário que se tenha um grande coração e que pelo seu tamanho mal coubesse no próprio peito. É preciso, mas não muito importante, que se tenha uma cisterna cheia pra chorar, uma vida inteira pra sonhar e ter alguém ou mesmo que não tenha, para recordar enquanto só.
Não é, pois, tão difícil ser poeta. Eu mesmo se quisesse, até seria.
silvioafonso.