domingo, 30 de maio de 2010

XIXI NO TAPETE

Tem vez que o tiro é certeiro, mas as vezes ele nos sai pela culatra e em outras ocasiões acertamos o próprio pé.
Tem momentos que acertamos o cravo e em outros instantes sofre a ferradura. Pois foi isso o que aconteceu comigo, tanto eu mexi e remexi, que terminei por confundir o blog, o meu blog ou melhor, o nosso blog. Muro das minhas lamentações e em certos momentos da lamentação dos meus amigos, como você que compartilha das minhas emoções e comigo divide as suas.
Na tentativa de uma correção eu, por engano, deletei dois dos meus textos e com eles foram as suas atenciosas declarações para as quais eu me envergonho e agora me desculpo. Acredito que isto não acontecerá de novo, mas se eu estiver errado, volto, e de joelhos, pedirei perdão.

silvioafonso

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A TUA LUZ INCENDEIA A MINHA...

Chegou cansada, banhou o corpo e nem percebeu que eu chegara de viagem; caminhou para o quarto e se deitou. Uma camisola fina sobre a pele, por saber-se só, não cobria as relevâncias. Tive ímpetos de atirar-me sobre ela, mas a tempo travei os desejos e de pé, contemplei o vulto que jazia. Namorei, lambi com os olhos e derrapei em cada curva do seu corpo. Resisti enquanto pude, mas o relevo que as suas coxas não cobriam deu-me todos os motivos para que eu me atirasse naquele lago, nadasse nos meus desejos e afogasse cada minuto que passei sem ela. Delirei no primeiro toque, fiz curvas perigosas subindo e descendo morros, escorreguei quando tudo umedeceu. Botei a boca aonde os olhos não cabiam, detalhei seu rosto, desci pelo pescoço, deixei ali um beijo. Manobrei nos ombros para estacionar nos seios. Seios que pulsavam quentes como febre, macios como seda, eu os engoli. Lambi um a um enquanto os meus carinhos buscavam as evidências que as coxas espremiam, a minha boca, ali eu descansei. Fiquei horas na confluência desta estrada cujas pernas separei. Ela parecia não se dar conta da direção perigosa que eu fazia. não chamou um guarda ou um reboque, nada. Então eu dei um show de pilotagem; desgarrei as coxas e entre elas degustei o mel. O fogo que queimava a minha boca alastrou-se para onde eu lambia. Esfreguei nela as minhas loucuras enquanto as dela mordisquei no botão da sensibilidade entre as pétalas abertas no meu rosto. Não resistiu e serpenteou gemendo, abortou o sono. Mordi as coxas, me perdi nos labirintos dos seus pêlos. Fiz nascer e vi crescer a fêmea do cio que não morre. Seus gemidos, palavras sem ordem me faziam ir fundo nesta areia movediça. Sem proposta, manual ou guia eu andei em círculo, passava pelos pontos de partida e de chegada. Suavam os corpos, e o meu rijo atrevimento, com tristeza, faleceu dentro, no cemitério da alma dela...
silvioafonso

terça-feira, 11 de maio de 2010

HIPÓCRITA DE MIM.

Eu não quero e não preciso me iludir porque eu não sou assim, alpinista de seres humanos que escala na sociedade um lugar melhor para curtir o sol. Deixo, portanto, a companhia de meus amigos e retorno ao simples da minha vida. Não penso como Chaplin, Nietzsche, Gandhi, Maquiavel ou Jung. Eu tenho sonhos diferentes e a filosofia, a política, a ciência das artes, a economia, a religião e a psicanálise, assim como outros segmentos do conhecimento humano não mais importam para mim. Como eu disse, eu quero retornar ao simples. Preciso expiar as minhas faltas e fugir do egoísmo para desenvolver o amadurecimento de minha alma. Penso em cada amigo e não quero como eles ser o máximo em coisa alguma.Eu quero ser nada em todas as coisas, simultaneamente. Eu os amo e os entendo, mas não tenho a pretensão de melhorar em uma determinada situação, mas em ser razoável em cada um dos passos que já dei. Quero sair, conversar, falar de cada coisa sem pretender dar aula de nada. Sem ter comigo a última palavra, mas ser compreendido, receber um sorriso e ter a minha ausência reclamada. Enfim eu quero ser eu mesmo, com os defeitos de sempre, os desejos costumeiros e melhorando em cada causa, mas sem pressa, paulatinamente, como devagar vai o meu tempo de mim.
silvioafonso

sexta-feira, 7 de maio de 2010

MARIA, TEU NOME PRINCIPIA...

Menina, moça, mulher, MÃE.
Não é fácil para o homem falar desta pessoa que somada a coragem, determinação e abdicação à própria vida torna-se o símbolo da ternura em forma de gente. Toda mulher tem o princípio dos anjos e vida de monge. Nós, os que não podemos e talvez se pudéssemos, não gostaríamos de ser uma delas não deixamos de reconhecer a raridade do material com que são feitas. Não desmerecemos o sofrimento da concepção e a formação da vida e do caráter que dão às suas crias.Ser mãe não é sofrer no paraíso, mas refletir como marinheiro em cada vendaval. Ser mãe e ser alguém muito especial, é ser Maria, cujas entranhas eu fui gerado.
silvioafonso.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

POESIA ÀS AVESSAS

Não sou um misto de nada com coisa alguma. Não sou melhor e nem pior do que aqueles que fizeram de suas vidas, passarela do amor. Não beijei a sua boca, eu a engoli. Não sonhei determinados sonhos, pois dormi na sua alma. Não levei alguém a passear comigo, alguém seria o passeio que me encantaria, seria o filme que me faz sorrir e a história que mareja os meus olhos.
Não sou o bom moço e muito menos o cafajeste, não nasci pra não morrer e não vivo para deixá-la viver as possíveis vidas que pudesse ter. Não sou assim e muito menos assado, não tenho futuro, não tenho passado, e não tendo e sendo nada, tudo o que não sou, nada do que eu não fui mexeu com a natureza, porém eu fiz do mundo um outro mundo, fiz dela a mulher amada de um cara que não existe e só por sua causa eu sou fora de ética e do normal. Sou dela, não por acaso, sou todo dela de propósito.
Quisera não ser tão diferente, mas para isto eu precisaria ter, como os gatos, tantas vidas para dá-las incondicionalmente para tê-la.

silvioafonso

segunda-feira, 3 de maio de 2010

NARIZ DE CERA

Esta febre que me queima o corpo, cozinha os pensamentos. Calor que sufoca, maltrata ou mata. Angústia de ter feito certo, mas que deu errado. Sentimento de derrota, fracassado. Guerreiro arrependido de ter morto, quando queria ter morrido e agora roga a morte em detrimento desta vida acovardada. Matar a saudade, a sede de um abraço, de um beijo. Matar a fome, matar o nome, mas por que matar o homem? Ninguém quer morrer só por não ter razão, mas se não quer viver o ideal dos outros, por que matá-lo então? Eu não sou centurião de minha própria companhia, mas, pra que seguir vivendo se até o sol morre em todo entardecer para despertar bonito, sem culpa em cada novo dia? Não, eu não serei o meu próprio carcereiro, assim como não quero ser o réu deste pesadelo, do delírio dos seus loucos devaneios...
Parto, enfim, mas parto livre. Sem remorso, lucro ou prejuízo. Parto de braço aberto, nariz a pino rumo ao sol e que ele não derreta a cera destas asas que o meu amor próprio esvoaça.
silvioafonso