quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

TAL PAI, TAL FILHO...

Depois de ofender aquele que foi o seu primeiro
amigo e fiel companheiro. O homem desceu do

carro e foi embora. Neste ínterim um menino
franzino, cabelo bem cortado, bem vestido,
atravessou na frente do automóvel que pretendia
sair em disparada fazendo-o parar e, com
lágrimas nos olhos dirigiu-se ao motorista:
- Sr. Não dê às costas aquele homem porque ele
não sabe o que diz. Até bem pouco tempo
ele ele dizia maravilhas do senhor, assim como
dos seus atos. Dê-lhe, eu lhe peço, mais uma
chance para que ele reveja as suas próprias
palavras, retire o que não deveria ter dito e
o abrace com o sorriso da sinceridade como fazia
antes.
Peço-lhe isso, continuou o menino, porque foi
com ele que eu aprendi a gostar do senhor, e a
pessoa que saiu deste carro e para quem eu peço
que uma nova chance seja dada;
é meu pai.

silvioafonso.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

DESCALÇO DA VIDA...

Há muito eu perdi o meu caminho. Sigo a luz da tua imagem. Cascateio nas corredeiras da tua beleza e no sabor dos teus beijos eu sou capaz de me afogar. Até saio antes que o sol se mostre para não chegar enquanto ele passa e despertar em ti os sentimentos que desconheço.
Talvez por isso eu não sinta o cansaço curvar meu corpo. Por ti eu descalço os pés e peregrino rumo ao infinito enquanto os meus olhos não entristecerem com a poeira dos meus pés. Sigo assim, vivo assim, porque enquanto o tempo mói o corpo a esperança e o amor, os mesmos que colorem o sorriso dos meus lábios, fortalecem a minha alma. Faço qualquer coisa se qualquer coisa me levar ao teu sorriso, a sonhar contigo. Qualquer coisa que desanuvie os meus olhos e que me mostre colorida, ou que seja em sombras a beleza da tua presença. Imagem de bondade e meiguice, bondade dourada como o alvorecer de qualquer dia. Aurora que transcende às minhas vontades pra morar em minha alma. Qualquer movimento é razão para te buscar, quer no desabrochar das flores ou no canto apaixonado dos passarinhos. Sinto a tua presença no bailado trôpego das borboletas, no planar dos beija-flores e na alvorada que em fogo resplandece.
Tu és o meu despertar, a minha primeira refeição e o legado que eu tenho pra cumprir.

silvioafonso

sábado, 13 de fevereiro de 2010

COISA DE DOIDO...

Quando a minha maluquice me roubar a beleza do amanhecer eu quero, como sempre, despertar nas madrugadas aninhado nos seus braços.
Enlouquecida talvez seja a felicidade que eu sinto na presença doce de sua companhia.
O milagre do seu sorriso cria o incrível entendimento das manhãs, das tardes e do anoitecer na confusão dos meus pensamentos. E, quando a lágrima foge ao meu controle, e nas estações frias eu fico nu, assim como cubro e escondo o corpo nas mais altas temperaturas você não se furta aos cuidados e quebra com o seu sorriso o silêncio do meu vazio. Sinto o manto verde-mar do seu olhar por sobre mim e a claridade desta luz me abre as portas da alma. De paz ela varre todos os meus medos, embala o siso, o meu juízo e nos seus braços acabo adormecendo,
outra vez.
silvioafonso

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

SONHO DE UM PALHAÇO.

É na calada da noite que se ergue o mastro, prende a lona, acorrenta na estaca o elefante e de serragem forra-se o picadeiro.
Cobre-se com nuvens coloridas, o céu. Estrelas cintilante do infinito.
O palhaço faz o resto; na cara da criança pinta o melhor do seu sorriso e na dos mais vividos a peraltice dos moleques que insiste vivo em cada um.
Toca a retreta, entra o palhaço em cambalhota enquanto no arame dança a equilibrista, e eu desperto, porque amanhã tem aula e eu preciso catar as pipocas doce do meu quarto.
silvioafonso

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

MORANDO NO JARDIM…

Talvez você voe para outra flor,
pois que voe, que transmute. Que
viva como as borboletas, com fase,
mas, sem rumo e sem rota.
Sai de casa, Caramujo! Venha
atender à porta. Mostre-me como é
a tua vida, reta, quase certa ou torta.
Não te esqueças de deixar um pouco
deste mel para o meu deleite, mas da
cera, que faças bom proveito, seu
zangão que lambe a rainha para
no tesão da tua fêmea morrer em
agonia.
Versos sem graça, de criança
inocente, de palhaço de rua.
Mesmo que não tenhas bom senso,
não rias à toa, pois quem sente dor
chora em qualquer tom. Nos acordes,
nas rimas ou no canto, refrão.
Eu já não tenho prazer em rir
ou em chorar. Grito prosa, silencio
verso, pois sou um vagabundo que
picha muros e grafita almas.
Tranco-me na lembrança de todos
para viver no sonho de cada um.
silvioafonso

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O UNOBTAINIUM OU PETRÓLEO?

No teatro a plateia aplaudia o derradeiro ato para ver morrer no nascedouro a peça que todos aplaudiram e eu, moço, ainda, deixei
escorregar para a cintura as mãos vermelhas que entre tantas aplaudiram o que não gostei. Por que reverenciar aquilo que não se gosta? Seria por educação ou maluquice? Desde esse dia eu me ponho de pé e enfatuo as minhas mãos, enxugo o marejar dos meus olhos por uma grandes obras ou pelo trabalho simples, mas que se dê ao respeito. Hoje, só para causas especiais eu me rendo ao aplauso. Agora, por exemplo, eu me curvo ao filme “AVATAR” e acho que o Óscar é dele.
Que essas imagens fiquem cravadas na lembrança dos americanos que buscam, sem medir consequência, o Unobtainium, digo, o Petróleo que não é seu custe dinheiro ou vidas, custe o que custar.
Os inimigos do filme não são exatamente o exército americano, mas mercenários pagos para o serviço degradante.
Mesmo eu sabendo que pela arte eu ando pouco, proíbo-me pensar que neste filme exista algo que pudesse ser melhorado. Ninguém corrige o que está certo e eu daria dez a todos os quesitos, com louvor.

silvioafonso