domingo, 24 de outubro de 2010

PINTADO DE SOL.

O sol, por de trás dos coqueirais, recolhia o alaranjado de suas cores quando ela chegou a casa. Na transparência de suas roupas eu percebi o dourado e perfumado de sua pele contornando longas pernas. Sobrepondo um abdome sem barriga, um par de seios que mal cabia dentro do que o guardava.
Olhar sombrio de pura beleza que não escondia com o riso da ironia a vontade louca de se mostrar para os desejos e anseios dos que a pretendiam. Eu, entre outros, sofria quando ela me olhava e se olhava certamente não me via. O que fosse necessário para estar por perto eu faria mesmo que fosse para varrer o chão onde ela pisasse, eu queria. Passaram-se os dias e por entre os coqueirais, novos raios alaranjados de sol vazaram puxados pelo astro de luz e da alegria, o sol.
Fui feliz no fim de cada dia. Fui imortal a cada instante em que ela me cobria com o verde do seu olhar, mesmo que sem querer, mas o fazia.
Era tão evidente o amor que por ela eu nutria que até hoje eu sou o mesmo mendigo que era antes, carente do olhar ardente de cujo escaldo eu não fugia.

silvioafonso

5 comentários:

  1. que lindo, el sol es lo mas hermoso.
    saludos y un beso

    ResponderExcluir
  2. Muito lindo.
    Intenso e de uma profundidade que dá até para sentir em cada palavra.
    Bom domingo.
    Beijos

    ResponderExcluir
  3. Delícia de texto...
    para uma segunda feira...
    em uma terra sem mar,
    hoje sme sol;
    mas repleto de esperança.
    Bjins entre sonhos e delírios

    ResponderExcluir
  4. Bela imagem!
    Sempre fui apaixonada pelo por do sol.

    =)
    abç, poeta!

    ResponderExcluir


Diga o que quiser do jeito que você souber.




.