quarta-feira, 27 de outubro de 2010

PÉ NA ESTRADA...

     Peguei a minha tralha e a família, acomodei no carro e vazei com destino ignorado e não sabido. Dias depois babávamos ao ver o sol se banhar nas águas da lagoa da Pampulha. O casamento do astro com a lagoa causou-nos espécie. Obra de Deus, diziam todos e o meu coração. Passado o milagre, rumamos para o hotel do dia claro, quer dizer; sem estrelas e mesmo que tivesse alguma, alguém ou alguma coisa ficaria de fora tal o seu tamanho. A estrada era perigosa para alguém como eu que só sabe de livros e letras e ainda por cima combinando direção, cerveja, risos e afins. Talvez por isso eu tivesse o volante tão preso às minhas mãos. O ar de Belo Horizonte, entretanto, é muito interessante; por mais que eu enchesse os pulmões ele continuava como fica na minha cidade, do mesmo jeito. Poluição não vi e se vi, não senti. Aliás eu acho que a poluição somos nós, mesmos. Por mais que busquemos o mar, o campo ou as montanhas, lá está ela como a nossa sombra, agarrada ao nosso pé. Foi, portanto, maravilhosa a viagem para cá e o passeio, no entanto, está sendo como a vinda, encantadora. Agora, no dia 29, na sexta-feira, pego a tralha, a mesma de quando eu vim e com ela, a família, as lembrancinhas e a saudade da minha casa e voltamos com a mesma fé que de lá partimos.