segunda-feira, 9 de agosto de 2010

SÓ POR AMOR..

Pediu baixinho com cara de choro, fingiu tristeza e fez beicinho, até chorou, mas nada a demoveu da ideia. Voltou ao assunto com novas promessas, novos sorrisos, flores, vestidos, bolsas, sapatos e até ameaçar de ir embora ele tentou, mas nada. O que ele queria não acontecia. Brigaram, fingiu não estar bem e por isso não foram ao cinema. Cancelou o passeio à Conservatória e do recital de flauta e violão eles esqueceram. O tempo passou e o assunto se esgotou, foi guardado na última gaveta do arquivo morto das suas exigências. Esqueceu mas não perdeu o desejo e a esperança. Em todas as mulheres ele via o que de melhor na sua existia e só de olhar o das outras, entristecia. Enxugava a baba que caia e voltava à casa para olhar de perto aquilo que lhe pertencia, mas que não estava à sua mercê.
Num fim de semana, pela manhã, como faz sempre , ela o beijou na boca. Beijou com mais ardor, mais carinho, mais amor. Falou sobre vários assuntos e entre eles o que apimentava o casamento. Adiantou que o deles era lindo não fosse a sua teimosia em querer o que ela tinha medo e por isso não cedia. Confessou que tinha curiosidade, porém receava gostar e gostando se acharia promíscua, vulgar. Isto tirava dela a vontade de tocar no assunto.
Imbuída de coragem resolveu dar um basta em tudo aquilo e salvar o casamento que, segundo ela, achava ameaçado.
Escolheram o local, mas foram antes ao teatro. Riram muito com a peça, porém a ansiedade tirou, mais dele do que dela, toda a concentração. Saíram do espetáculo e foram jantar. Já na madrugada entraram na suíte presidencial, que não era tudo o que ela merecia, mas o que tinham para o momento, e lá, ela deu as cartas. Namoraram quase sem roupa como fazem todos os dias. Beijaram-se como sempre, trocaram juras, como ele troca, ainda, e depois do segundo drinque ela cedeu ao nu e às fantasias. Tirou de dentro dele o que já o incomodava e o beijou. Trouxe para junto dos seus olhos e demoradamente o acariciou enquanto procurava nele a sua curvatura, os relevos no corpo que em suas mãos pulsava quente, inquieto. Olhava para ele sem pressa como da primeira vez, com desejos de estudante e conhecimento de mestrado. Só pararam quando ouviram os aplausos da cidade que, inteira, aplaudia o atrevimento de um casal que não mediu consequências, dores e sacrifícios. Que trancou todos os medos e demoliu tabus. Beijou-se profundamente, riu da vida, bateu a porta e voltou pra casa.

10 comentários:

  1. O verdadeiro amor nunca se esgota,quanto mais se dá,mais se tem.
    O amor é energia que se da vida
    HÁ lágrimas que se corre pela face e outras que rolam pelo coração.

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  2. obrigada por seguir meu novo blog,,ja sou sua seguidora faz tempo...bjs doces GUI

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  3. Que maestria esse texto poeta.
    Amei!
    O amor é uma estação bonita até mesmo no outono,mas a certeza é que ele sempre floresce.
    *
    Obrigada pela honra de outra visita.
    Para ti.

    Teu vôo bonito me encanta.
    É linda essa leveza.
    Um dia...
    Quero voar à tua altura.
    Apreciar esse infinito com brilho nos olhos.
    Afagar cada pétala de flor,
    Correr entre os campos,
    Enquanto o sol me guia os caminhos.
    E quando eu também ganhar asas,
    Quero voar bem alto.
    Porque quando isso acontecer,
    Não irei cair,
    Já estarei firmada.

    Abraço.
    Fernanda.

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  4. Me emocionou Poeta. Gostaria eu que os casais náufragos se debatessem e arrancassem forças e dialogassem sem vergonha de expor a tudo, antes de se exporem a esse mundo hipocrita, vazio em que vagueiam descasais em turma, perdidos, sem chão, ansiando ancorar em algum porto, mas sendo levados pelo vendaval de desesperança e atual falta de amor, presente e atuante em nossas vidas. Estou completamente só........Bj no coraçao.

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  5. Magnifico o voo a que nos levastes, caro poeta!

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  6. bom dia, O teu blog faz-me sentir muito bem. Cada post é como uma flecha, bem fundo. Para além da poesia, a forma como seleccionas cada ilustração / imagem demonstra um profundo amor por aquilo que fazes, para além de uma sensibilidade à flor da pele.
    Amo cada detalhe desse blog.
    com carinho e bjos.

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  7. Lindo dia de quarta Poeta!
    Depois passa aqui no nosso espaço pra prestigiar o post do Carlos, sobre direção.
    Até la.

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  8. Que lindo!!! Reinventar o relacionamento e a si mesmo, reinventa-se a própria vida!

    Que experiência mágica! Adorei! Quero me surpreender assim comigo mesma...

    Beijo!!!

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  9. UM BEIJO,gosto do k escreve.vou passando.

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  10. Poeta...Te descobri lá na Obsoleta.Não pude deixar de ler teu texto!Amo muito o amor e tudo que dele vem.Praticamente me senti presente junto ao seu casal.Gosto disso!!!
    Beijo no coração.

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