segunda-feira, 3 de maio de 2010

NARIZ DE CERA

Esta febre que me queima o corpo, cozinha os pensamentos. Calor que sufoca, maltrata ou mata. Angústia de ter feito certo, mas que deu errado. Sentimento de derrota, fracassado. Guerreiro arrependido de ter morto, quando queria ter morrido e agora roga a morte em detrimento desta vida acovardada. Matar a saudade, a sede de um abraço, de um beijo. Matar a fome, matar o nome, mas por que matar o homem? Ninguém quer morrer só por não ter razão, mas se não quer viver o ideal dos outros, por que matá-lo então? Eu não sou centurião de minha própria companhia, mas, pra que seguir vivendo se até o sol morre em todo entardecer para despertar bonito, sem culpa em cada novo dia? Não, eu não serei o meu próprio carcereiro, assim como não quero ser o réu deste pesadelo, do delírio dos seus loucos devaneios...
Parto, enfim, mas parto livre. Sem remorso, lucro ou prejuízo. Parto de braço aberto, nariz a pino rumo ao sol e que ele não derreta a cera destas asas que o meu amor próprio esvoaça.
silvioafonso

5 comentários:

  1. Silvio, meu amigo, eu sempre fico encantada com esses seus poemas.
    São tão belos!
    Um grande abraço a esse meu amigo poeta, com desejos de que tenhas uma semana bem bonita!!!

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  2. Se teu estado fosse constantemente FEBRIL, que seria dos demais poetas?
    A minha, a tua não chegará, nem nesta vida , nem depois dela... Tua morte será vida para muitos e muito MAIS...
    BJS

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  3. .

    Ah Poeta!...
    Feito o sol c/ sua maestria, deixa rastros de vida plena por onde passa e traz a lua em poemas.

    =)
    abç

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  4. Que o sol não derreta as asas desses voos que lhe fazem assim...POETA

    carinho

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  5. "Angústia de ter feito certo, mas que deu errado."
    Lindo!
    Uma pena quando dá errado. O pior é que a febre vai e volta, não acaba nunca.

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