quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

BALANÇO GERAL

Hoje deve ser o último dia deste ano, e se não é, foi ontem ou será amanhã. Um ano como todos os outros, com altos e baixos, muitas lágrimas e pouco riso. Lágrimas, às vezes de alegria, mas o choro, ah, quantas vezes escondido no banheiro ou embaixo do edredom eu solucei... Havia momento que eu exultava de felicidade e quando o dia terminava, logo, outro eu desejava que surgisse. Fui a muitas festas, conversei com quem eu queria e com quem desejava me conhecer. Fui bondoso em certos momentos e amargo em momentos errados. Enfim, o ano está por terminar e o outro, ali na frente, já pedindo passagem. Até ouço ao longe, o espocar dos fogos, a farra de cada criatura que no seu interior traz a alegria que consegue. Hoje, ontem ou amanhã fez ou fará mais um ano. Um ano a mais na história que, com a minha ajuda, o destino escreveu. Sou menino, quando penso nos meus pais e sou idoso se dos meus filhos eu não esqueço. Não quero, para evitar constrangimento, fazer um balanço de tudo o que eu fiz ou deixei para fazer, mas se eu não me importasse com o que chamam de detalhe, talvez eu concluísse que não fiz nada para merecer a felicidade que eu acho que cada um merece, mesmo não tendo feito nada para isso.
silvioafonso

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

PRESTAÇÃO DE CONTAS

Hoje, final de ano, eu quero prestar contas, falar da minha vida antes mascarada ou mal entendida. Vou falar sem orgulho, mas também sem humildade, confessar que dormi com senhoras distintas, com artistas e também com prostitutas. Eu comi da suas comidas, bebi do que bebiam e no meu ombro deixei que chorassem as suas amarguras. Para elas eu nada fui senão um jovem sedento de sexo e companhia. Eu não fui o forte que socorre, mas também não era o covarde que se omitia. Se o meu cansaço num final de semana me prostrasse, mesmo assim eu não me incomodava de dar a mão e ajudar só para ver sorrir os lábios que antes choravam à própria morte. Passei momentos bons com pessoas tão boas e tão más, como eu, mas fui e fiz feliz enquanto os momentos eram nossos. Isto não é a despedida da vida que eu vivi, mas a mortalha de um tempo que passou e que certamente não voltará, a não ser que seja com alguém muito especial e mesmo que o passado me procure ou que eu o encontre, por aí, esteja ele melhor e menos sofrido eu não virarei às costas à sua verdade, mas o considerarei uma tatuagem colorida no lado esquerdo da minha alma.
silvioafonso.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

UM AMOR DE FESTA

Hoje é antevéspera de Natal e a cidade está que é um alvoroço, só. Retardatários buscam por frutas, castanhas e nozes, vinhos, carnes e o tradicional bacalhau pra ceia. Os presentes da criançada serão comprados, não de acordo com os pedidos, mas dentro do que for encontrado, os mais em conta. Ao pé da árvore de natal estão os pacotes do amigo oculto trazidos pelos que aceitaram trocar presentes. Forma econômica de dar e receber o que foi pedido; nenhum convidado sai sem, pelo menos, uma lembrança da festa. Agora só falta a decoração da mesa onde todos terão direito a palavra, a diversos abraços e alguns beijos. Novas promessas serão feitas e as que não foram cumpridas, serão, certamente, perdoadas. Risos, lágrimas, desculpas e agradecimentos serão a tônica desta data. Enfim, é uma festa e como tal não poderia faltar a música, o champanhe e o desejo de felicidade para cada um dos que acreditam no aniversariante e no amor que ele nos dá.
silvioafonso

sábado, 18 de dezembro de 2010

JÁ É NATAL...

Eu estudei o suficiente para saber lidar com o pouco dinheiro que eu tenho e viver, como vivo, uma vida simples e sem excessos, sem sede e sem fome e tendo o que vestir. Tenho uma cama que é minha, só minha, pois este era o meu desejo criança. Tenho um quintal grande onde eu quando menino jogava bola e sonhava que um dia fosse meu. Hoje ainda me arrepio quando penso que emergi de entre os escravos dos profetas e oradores para, adolescente ainda, por as minhas mãos, mesmo frágeis, nos livros e no trabalho. Semana que vem será Natal e todos, de qualquer raça e todos os credos estarão rindo, comendo e bebendo como se fossem da mesma família. Alguns beberão e comerão mais do que outros, mas não se sentirão mais importantes por isso em meio a grandeza dessa festa. Com tantos fogos, beijos e abraços, será que o aniversariante entenderá a comemoração como pecado ou vergonha e, quem sabe, não queria Ele mesmo soprar as velinhas do bolo de sua festa? Eu, como humilde que sou não creio, mesmo sabendo que é por não acreditar, que os céticos dormem de luz acesa.
silvioafonso

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

CUSTO & MALEFÍCIO...

Li recentemente no Blog de um amigo, que o crack, de todas, seria a droga mais barata. Tive vontade de expressar ali a minha opinião, mas achei por bem que fosse em outra ocasião, e o momento é agora.
O crack é de todas as drogas a mais cara, e não a mais barata. Ele tem um baixo custo à sua aquisição, mas tão logo o fogo acende a pedra o gatilho da destruição é acionado. O crack assim que é aceso queima as esperanças e vicia, torna cinza os sonhos e deixa como restos de fogueira o caráter e a família. Nenhum outro tratamento é tão difícil e demorado, portanto muito mais caro para quem busca a cura dos males da pedra, isto quando o óbito não acontece. Eu não sou a favor de nenhum tipo de droga, mas confesso que gosto e tomo um chopinho nos finais de semana com a moça dos olhos da cor do mar, e alguns amigos.
silvioafonso

.....................................................(Foto by Internet).

Olá blogueiro,
Salvar vidas por meio da palavra. Isso é possível. Obrigado por seu apoio na luta contra o crack e outras drogas. O consumo aumentou e é preciso união de todos. O crack traz malefícios ao usuário, família e sociedade e atinge a todos independentemente do sexo, cor e classe social.
Divulgue mais informações sobre a droga: http://bit.ly/bDGqGz
Conheça os CAPS que estão espalhados em vários lugares do país para prestar auxílio aos dependentes: http://migre.me/2qkFl
Siga-nos no Twitter: www.twitter.com/minsaude
Mais informações: comunicacao@saude.gov.br
Obrigado,
Ministério da Saúde

(Sempre que um BLOG alude às drogas o Ministério da Saúde se pronuncia)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

UM CAMPEÃO ENTRE TANTOS VENCEDORES.

Depois da marinha, do exército, da polícia civil e militar prenderem os marginais e espantarem os moradores, eis que a cidade do Rio de Janeiro se veste de branco, verde e vermelho para reagir e conquistar o título brasileiro de futebol. Eu que fui parido por São Paulo e adotado por esta cidade, não poderia deixar de abraçar os tricolores das laranjeiras que agora, tricolores brasileiros, recebem das mãos do Flamengo, outro carioca, o título de melhor do País. Parabéns aos coadjuvantes de primeira linha como Corinthians e Cruzeiro que muito fizeram para a valorização do campeonato e o brilho do Fluminense, clube tantas vezes campeão.
silvioafonso

sábado, 4 de dezembro de 2010

E A MINHA MULHER CHOROU...

Desatou o nó dos meus braços, afastou o seu corpo do meu e aplaudiu o cerramento das cortinas. Era o último ato do amigo que descia à sepultura.
– Obrigada, resmungava ela, muito obrigada pelo tempo, mesmo que pouco, em que viveu comigo. Obrigada por sua alegria, seu jeito irreverente e o tradicional; TÔ BOA NÃO, HEIN! Com que nos brindava quando vinha a minha casa.
Entre uma lágrima e outra sussurrava junto ao meu peito como que com ele, em alma, conversasse. Era um choro miúdo, um choro raro de verdade, de amor.
Você, minha criança, a ela eu digo agora, foi a mais sincera das que tiveram o privilégio de ser amada e respeitada por alguém que pintava de mulher a cara, vestia de cores o corpo, mas amava até que mudasse o mundo ou que perdesse a vida.
silvioafonso

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ENTRE A VIDA E O AMOR.

No final deste mês de novembro eu fiquei sabendo que o mais recente dos amigos que eu conquistei por estas bandas, está infectado com o HIV. Vírus adquirido de uma relação mal combinada, já que vivia com uma pessoa que doente, não sabia. Foi um choque vê-lo emagrecendo, fugindo dos médicos e dos tratamentos. Este amigo perdeu a fome, o sono e a vontade de lutar, em contrapartida às feridas, coceiras, cabelos que caem e o corpo a cada dia mais debilitado, sem viço, sem cor. Eu não acredito na cura através da oração, mas que ela dá força, dá. Não a oração de uma pessoa ou de um grupo para o doente, mas a introspecção do enfermo em nome de Deus, pois a fé cria anticorpos, fortalece o desejo da cura, assim como a coragem de lutar e a vontade de viver.
Agora internado contra a sua vontade ele mal vê, mal fala e mal ouve aos que acreditam na sorte e no milagre.
Espero que a ciência, através dos médicos na sua cabeceira, rompa a fita de chegada antes que a morte atinja a retafinal.
silvioafonso

FATO CONSUMADO.

Às duas horas da madrugada desta
quinta-feira, 02 de dezembro, ele
partiu...
Talvez até torcesse por isso, pois a
sua vaidade o aprisionava na
doença de maneira que só não
pediu socorro aos médicos e
amigos, porque a sua cidade é
pequena onde todos se conhecem.
Todos os que, com ele mantiveram
contato sexual, certamente
encontram-se em polvorosa e isso
ele não queria.
Mentiu, escondeu-se de todos e só
aceitou ajuda quando forças já não
tinha.
- Descanse em paz, meu amigo.
A saudade que você deixa é grande
e é toda minha.

silvioafonso




............................................. (Foto da Internet para ilustração).

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

NOSTALGIA.

Eu quero falar um pouco de nostalgia, mas esta palavra talvez não fosse adequada; saudade cai melhor.
Quero e vou falar da saudade que eu tenho do meu pai, que um dia mentiu pra mim. Eu custei muito para entender e aceitar esse deslize, já que ele, quando eu tinha uns três anos, garantiu-me ser o Super-homem e que só a criptonita poderia destruí-lo e, como aqui na terra não "existia" esse mineral, ficava evidente que ele seria "imorrível” e que viveria eternamente ao meu lado, pensava eu.
Um dia meu pai adoeceu e morreu. Fiquei frustrado, transtornado com o acontecido, já que esse mineral tiraria as forças dele, mas não o mataria, mesmo assim a doença chegou ceifando-lhe a vida.
O meu velho guardava algumas revistas que foram compradas na época de sua infância. As figuras e seus textos me encantavam. Eu delirava com a leitura. Também me lembro de quando ele cantava os "jingles" do sabonete Eucalol, do bactericida Auris sedina para o ouvido do neném, da pomada minâncora, dos produtos da Bozzano e do talco Ross.
O tempo, porém, senhor de todas as decisões, calou meu pai e suas histórias, só não emudeceu o moleque e suas doces lembranças com os quais eu vivo entristecido, até agora.

silvioafonso

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

DESCALÇO NO DESERTO.

Eu não tenho o hábito de falar da minha vida e não vai ser hoje que eu vou confidenciar as minhas intimidades, mesmo atravessando, como estou, o maior oásis da minha vida, que aparentemente, não tem graça, mas tem sombra e água fresca, tem piso firme e macio para os meus pés e um teto de estrelas sobre mim. Tenho aonde amarrar a rede e carne de coco para matar a fome. Tudo orgânico.
Talvez eu tenha deixado que se fosse da minha vida, alguém com quem eu gostaria de compartilhar esta aventura. Caminho de areia e calor, com um sol para queimar os pés, e a pele pintar de ouro durante o dia e frio ao anoitecer.
O resto é lembrar os tempos de menino quando fazer tudo eu podia em troca dos estudos e da obediência. Não me lembro mais de nada além do que falei. Não me cobrem a presença dos meus filhos, pois, o direito da escolha é pertinente ao cidadão. Foi assim que eu os criei. A mulher que eu amo não se foi porque nunca “se” veio; ela nasceu e vive em mim. É um apêndice do meu coração, um puxadinho arquitetônico do meu peito e o resto é o mormaço que reflete na areia o vai e vem das ondas do mar revolto.
silvioafonso

terça-feira, 23 de novembro de 2010

UM, SEMPRE GOSTA MAIS...

Antes de sair, às 6h30m eu telefonei para o meu filho e de antemão fiquei sabendo que ele não subiria à serra comigo. Não foi uma frustração já que esta não era a primeira tentativa sem êxito para trazê-lo. Triste, porém feliz por ter tentado, fomos ter com a minha mãe que mora no mesmo quarteirão. Neguei que tivesse ido com outra intenção senão a de visitá-la já que por ele eu não perguntei. Como estava e o que sentia, dele eu já sabia graças aos telefonemas que eu fiz à sua casa durante todo o período em que estivemos separados o que confirmou o amor que ele tem por mim e que por acaso é quase igual ao que eu tenho por ele e pelos outros filhos.
Enfim, tudo será como será e nada neste mundo mudará o que tiver de ser, se Deus quiser.

silvioafonso.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ESPERE POR MIM...

Hoje à noite eu fecho as minhas malas aonde guardo a esperança de trazer do Rio o filho que há muito não compartilha dos meus carinhos e das minhas aflições. Parto cedo, antes de o sol lavar a cara eu deixo para trás a ansiedade do chegar. Comigo eu levo a navegadora de todas as decisões, pois sem ela, eu estagno, eu “empoço” como água depois da chuva já que com ela eu divido todos os meus sonhos e as minhas vontades. É ela quem pinta com o verde dos seus olhos as matas, o mar e a esperança, permitindo que tudo fique mais fácil e mais bonito. Vamos direto ao duvidoso, pois a surpresa não é agradável a qualquer um. Eu quero acreditar que a minha chegada e a proposta de que meu filho passe uns dias no alto da serra em minha companhia seja um bom presente. Quero juntos, relembrar os bons momentos em que com ele, os seus irmãos e as respectivas mães, navegávamos por águas calmas e serenas, sem os enjoos naturais e as evidentes preocupações.
Espere por mim, meu filho, porque estou contando os minutos para a retomada dos abraços e reviver em ti a juventude que na memória eu guardei.

silvioafonso

terça-feira, 16 de novembro de 2010

DE VOLTA AO TRAMPO.

Eu acho que foram boas, porém ruim eu tenho certeza que não foram, as férias das quais saí para gozar. Passeei muito, conheci lugares e pessoas. Ri com os hábitos e os costumes de cada lugar por onde andei e assim cansei meus pés, mas os neurônios, o corpo e os pulmões ficaram assim, oh! Cheios de pureza e tranquilidades, melhor rapidez de raciocínio e reflexo para recomeçar.
Cheguei de viagem e encontrei tudo como eu deixei. A cadeira longe do computador, algumas gavetas abertas ou mal fechadas e as que eu fechei, nelas nada estava no lugar. Quando eu saí fiz pausa para o café com os colegas, mas não sem antes pontuar o último parágrafo do texto que terminara, com a Dra. Dilma já eleita e a CPMF cogitada para voltar com novo nome. Quem era da direita e do centro bandearam-se para a esquerda e o que foi dito, desdisseram na maior cara-de-pau.
O País, portanto, continua o mesmo. Os políticos mais bem pagos do mundo, são os mesmos, só o meu dinheiro é que encolhe a cada vez que dele eu preciso.
Estou, como disse, de volta ao meu trabalho e sempre que sobrar, se é que sobra, um tempo, eu venho ver os que dividem comigo o prazer da leitura.
silvioafonso.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

CONVULSÃO.

Naquela noite ela não dormiu. Os momentos tinham sido lindos, inesquecíveis, únicos. Aquelas palavras não eram as que conhecia pois soavam como melodia em seus olhos, seus ouvidos. Eram diferentes de um texto, uma crônica ou poesia. Aquelas palavras foram escritas para ela, só para ela e por isso não admitia a hipótese do seu texto ser do conhecimento de mais alguém. Sonhava com o escritor, não via a hora de acessar a Internet para ver as mensagens que chegavam e que eram como convites à felicidade, ao amor. Uma tempestade, porém, desabou sobre o seu mundo quando soube que outras mulheres se encantavam com o que ele dizia e que a única diferença entre um e outro era a forma de compor as frases. O encanto, porém, era o mesmo. O alvo também era o mesmo e na ponta do dardo, o mesmo veneno. Chorou muito e novamente não dormiu naquela noite e em outras mais. Jurou apagar de sua vida essas lembranças. Prometeu ao seu amor próprio a dignidade do esquecimento. Tudo em vão. Outras mensagens vieram e com elas a certeza de que tudo mudara e que as novas poesias seriam dela, só dela. Isto fez com que desabrochassem as flores, cantar os passarinhos e a brisa fresca na anunciação da chuva lamber-lhe o rosto. Esta certeza clareou o seu sorriso, encantou-lhe o semblante, e o coração acelerado batucou forte no peito esperançoso. Falaram-se por via imediata e a emoção se fez em toda a sua plenitude. Ela despiu-se de suas roupas que cobriam a vergonha e o pudor de sua criação. Fez-se em pelo e cerrou os olhos. Movimentava pelo seu corpo as mãos longas e macias num carinho solitário. Murmurava o nome dele entre um e outro movimento feito por seus dedos que passeavam por entre as curvas do seu corpo em lugares que nem ela se lembrava possuir. Reclamou no transe os beijos que não tinha e o calor do corpo que não jazia ao lado dela. Mordiscava os lábios resmungando, às vezes ria alto, tremia numa incontida convulsão para explodir no gozo que sofria.
Postado ao longe, como que sentado ao gargarejo de um drama teatral em cuja trama saciava-lhe o gemido que esvaia um orgasmo paralelo aquele que ele via, que ele sabia porque era responsável pelo bem e pelo mal que ele fazia.

silvioafonso

terça-feira, 9 de novembro de 2010

LEANDRO GASETA

Há um ano, neste mesmo espaço, eu escrevia sobre a primavera que chegava com suas flores e seus colibris, seus perfumes e as borboletas que invadiam à casa num sutil abrir de janela. Esse dia vaticina o aniversário do LEANDRO que com meus filhos cresceu e se fez amigo entre tantos outros, sem por quês ou restrição.
Eu não ficarei triste por não ser lembrado na entrega do primeiro pedaço de bolo, mas de tê-lo entre as pessoas de quem eu gosto e por quem eu torço, disso eu faço questão.

silvioafonso

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

DE VOLTA PRA CASA.

Fato consumado:
A eleição acabou, porém tudo seguirá como vinha antes; sem novidade, sem melhora.
Da viagem que eu fiz, voltei com os que comigo foram. Passeamos as ideias e as vistas, seguindo, não o caminho das águas, mas os caminhos que o meu coração traçou. Chegar à casa foi como se eu acordasse, entre flores, de um lindo sonho. O resto das férias eu concluirei entre os amigos de todas as horas. Estes mesmos que riram nas minhas alegrias e entristeceram quando eu chorei. Amigos de poucos favores e muita gratidão. Amigos professores para os meus erros e filósofos para as minhas incertezas. Médicos para as minhas dores e versos para as minhas poesias.
Presidente aquecendo para um mandato novo, nervoso e eu, povo, torcendo para o seu sucesso com os meus projetos e sonhos.
Agora é só esperar para os perus de fim de ano. Papai noel trazendo esperança para as nossas utopias e champanhe espocando rolhas e borbulhando estrelas.
silvioafonso

domingo, 31 de outubro de 2010

MINEIRO, UAI!...

     Hoje é dia 28 e a vontade de dizer adeus a Belo Horizonte, não apareceu. Talvez neste sábado, ou no começo da próxima semana eu ligue os motores e voltemos à base. A minha turma é composta de três pessoas com direito a voto preferencial, por isso basta que um vote com o redator e a sorte está lançada. O empate não existe; faz-se alguma coisa ou não se faz. Dúvida não tem vez entre a gente.
No hotel, o café da manhã é um verdadeiro festival gastronômico, com frutas maduras e sucos naturais, café puro ou com leite, bolo de fubá, roscas de polvilho e biscoitos amanteigados, e no primeiro almoço; leitoa com tutu e torresmo. Pinga direta do alambique, à vontade. Gente agradável com voz que deveria vir com tarja preta, tal a doçura da voz, à nossa volta e uma brisa fresca nos acompanhou às margens da Lagoa da Pampulha, Cartão postal da cidade.
Eu não quero voltar a este lugar. Eu quero é morar aqui aonde o leite não tem cor de leite, mas de manteiga. Aonde o povo fala como falam os cantadores de viola, com pureza, bondade e beleza. Infelizmente os nossos, meus e da minha família, compromissos não podem esperar, caso contrário eu não entraria terra adentro, mas seria mais um mineiro, sim senhor.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

PÉ NA ESTRADA...

     Peguei a minha tralha e a família, acomodei no carro e vazei com destino ignorado e não sabido. Dias depois babávamos ao ver o sol se banhar nas águas da lagoa da Pampulha. O casamento do astro com a lagoa causou-nos espécie. Obra de Deus, diziam todos e o meu coração. Passado o milagre, rumamos para o hotel do dia claro, quer dizer; sem estrelas e mesmo que tivesse alguma, alguém ou alguma coisa ficaria de fora tal o seu tamanho. A estrada era perigosa para alguém como eu que só sabe de livros e letras e ainda por cima combinando direção, cerveja, risos e afins. Talvez por isso eu tivesse o volante tão preso às minhas mãos. O ar de Belo Horizonte, entretanto, é muito interessante; por mais que eu enchesse os pulmões ele continuava como fica na minha cidade, do mesmo jeito. Poluição não vi e se vi, não senti. Aliás eu acho que a poluição somos nós, mesmos. Por mais que busquemos o mar, o campo ou as montanhas, lá está ela como a nossa sombra, agarrada ao nosso pé. Foi, portanto, maravilhosa a viagem para cá e o passeio, no entanto, está sendo como a vinda, encantadora. Agora, no dia 29, na sexta-feira, pego a tralha, a mesma de quando eu vim e com ela, a família, as lembrancinhas e a saudade da minha casa e voltamos com a mesma fé que de lá partimos.

domingo, 24 de outubro de 2010

PINTADO DE SOL.

O sol, por de trás dos coqueirais, recolhia o alaranjado de suas cores quando ela chegou a casa. Na transparência de suas roupas eu percebi o dourado e perfumado de sua pele contornando longas pernas. Sobrepondo um abdome sem barriga, um par de seios que mal cabia dentro do que o guardava.
Olhar sombrio de pura beleza que não escondia com o riso da ironia a vontade louca de se mostrar para os desejos e anseios dos que a pretendiam. Eu, entre outros, sofria quando ela me olhava e se olhava certamente não me via. O que fosse necessário para estar por perto eu faria mesmo que fosse para varrer o chão onde ela pisasse, eu queria. Passaram-se os dias e por entre os coqueirais, novos raios alaranjados de sol vazaram puxados pelo astro de luz e da alegria, o sol.
Fui feliz no fim de cada dia. Fui imortal a cada instante em que ela me cobria com o verde do seu olhar, mesmo que sem querer, mas o fazia.
Era tão evidente o amor que por ela eu nutria que até hoje eu sou o mesmo mendigo que era antes, carente do olhar ardente de cujo escaldo eu não fugia.

silvioafonso

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

VIAJANDO EM OUTROS VERSOS.

No labirinto das minhas alucinações eu caminhei por entre grandes nomes da história. Com eles discuti suas obras para tecer comentários sobre aqueles renomados que deixaram suas vidas em detrimento da literatura e da ciência. Voltei à terra de "Ulisses" de Homero com a sua "Guerra de Tróia" e de "Eneida", de Virgílio. Na Itália foi que eu repousei entre os trabalhos de Petrarca. Em Portugal terminei por envolver-me na vida de Camões, mas foi du Bocage quem levou-me à Inglaterra onde namorei sob os sonetos shakespearianos. Foi uma viagem de conhecimento e de loucura, mas nada se comparou a minha chegada à Pátria onde eu nasci. Cheguei cansado para me jogar nos braços de Bilac, e nos de Cecília eu versei Chico e cantei Caymmi. Reli Machado, Augusto dos Anjos, Vinícius e com os versos de Drummond, sem querer, adormeci.
silvioafonso

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

AMOR & PAIXÃO.

Tem vez que eu desando a falar de Einstein, Freud, Marx, Nietzsche, Gandhi e por aí afora. Porém o jogo de sedução que predomina em minha escrita prevalece, principalmente quando falo que o amor que mora em mim, mora em vocês, avizinha-se dos homens e das mulheres. Poucas pessoas têm coragem de atirar-se, de joelhos, aos pés deste sentimento. Isto é privilégio de poucos. Alguns desdenham por não tê-lo pulsando o peito. Comentam como uma fraqueza, uma bobagem e tudo isso por não terem sentido, ainda, a grandeza do amor. Quando são por ele envolvidos, amam como quem se perde, mas só depois de sofrerem com a solidão.
silvioafonso

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Beleza de Flor, Luz de Lua

Talvez eu não fosse digno de me deixar cobrir por sua sombra e saber da sua alma, quem sabe, eu não devesse. Eu me penitencio por não me fazer presente quando você mais precisou de um amigo e eu, desatento, não estava ao seu redor quando você chorou a morte do seu pai e eu também não estava lá para segurar a sua mão, beijar a sua testa e falar as palavras que a conquistariam. Desculpe meu amor, se eu não previ que a sua sorte estava em minhas mãos e que só eu teria o privilégio de comparar a sua inteligência à dos sábios, a sua beleza à das flores e a sua luz com as estrelas.
silvioafonso

COMO OS GATOS

Com sete vidas, como os gatos, eu juro não ter nascido, mas três eu garanto ter, sendo uma longa para as minhas tristes amarguras, outra média para a minha imaginação e a última, a mais breve, para a minha felicidade. Na última vida eu tenho o amor e mesmo que ele desespere, ele é imprescindível, mesmo que eu demore para reconhecê-lo, porque a imaginação nem sempre se materializa, mas ele está em mim. Sonhar me faz fantástico e ainda que a vida a mim seja efêmera, tenha fim, o pouco que se tenha vivido já teria valido a pena por causa do mistério da certeza, da afirmação. Qualquer lugar deixa a impressão de ser melhor do que esse ja que se busca ser feliz, mas qualquer um outro é possível se eu estou comigo e assim a menor de todas as vidas compensa as outras, maiores.
silvioafonso

sábado, 9 de outubro de 2010

AGORA VAI...

Foi ampliado para nove anos e agora para quatorze a começar no princípio de 2016 o ensino fundamental e muitas escolas já se organizaram à nova modalidade ou estão em plena fase de mudança. A novidade deixou os pais confusos, mas felizmente a mudança foi bem entendida por nós, responsáveis pelo filho de seis anos, fruto do primeiro casamento de minha mulher. Na mudança, muitas escolas não conseguiram explicar a nova decisão aos pais e assim alguns deles concluíram que seu filho pulará um ano e com isso, ficará prejudicado. Alguns acreditaram que o currículo do ensino fundamental descerá um ano e que seu filho começará a aprender tudo mais cedo, mas não é isso; o período antes chamado pré-escolar passa a ser primeiro ano ou primeira série. No ano anterior a primeira série, as crianças eram induzidas à leitura e a escrita por meio de brinquedos e jogos e o brincar ainda eram a atividade mais importante. Os professores têm dado matérias em demasia para os iniciantes do ensino fundamental. O que interessa, no entanto, é que, seja lá o que for ensinado, seja apresentado em todas as combinações possíveis para que os alunos entendam o complexo do conhecimento. É muito importante que, nessa fase, seja ensinado o ato de aprender com a ajuda dos colegas e outros meios. A minha mulher fundamenta este propósito na faculdade onde estuda psicologia.
silvioafonso

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

POETA, EU?

É fácil ser poeta.
Até eu se quisesse poderia.
Para ser poeta não precisa muita coisa, basta que se tenha à mão o céu com todas as estrelas, o mar e as florestas, todos os serpenteantes rios ao norte, no centro os que cantarolassem enquanto corressem e no sul os que, lentos, choramingassem em direção ao mar. Também é necessário que se tenha um grande coração e que pelo seu tamanho mal coubesse no próprio peito. É preciso, mas não muito importante, que se tenha uma cisterna cheia pra chorar, uma vida inteira pra sonhar e ter alguém ou mesmo que não tenha, para recordar enquanto só.
Não é, pois, tão difícil ser poeta. Eu mesmo se quisesse, até seria.
silvioafonso.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

EM ORAÇÃO...

Perdão, senhor, se eu não creio em nada, mesmo acreditando em tudo. Perdão por eu não ir à sua igreja, mesmo sabendo que eu cumpro com as minhas obrigações pagando a quem eu devo e respeitando os meus amigos, filhos, parentes, assim como eu respeito a pátria que eu tanto amo. Perdão por eu não dar esmolas quando a minha humildade não se faz presente. Por eu não ajudar a quem precisa só por não ter como socorrê-la. Perdão por eu não ser o super-homem que os meus filhos acreditam e por isso não salvar a minha cidade da violência à ela cometida. Perdoe-me por, tão tarde, eu descobrir os meus medos e os meus defeitos, por eu voltar cansado à casa depois de um longo dia de trabalho e me prostrar na rede para fugir de novos compromissos.
Enfim, perdoa-me por eu ser assim, tão frágil e igual a todo mundo.

silvioafonso

terça-feira, 28 de setembro de 2010

É PRIMAVEEEERA...

Às seis horas do primeiro sábado da primavera, ele, a moça dos olhos da cor da mata e a criança de todas as perguntas, deixaram a sua cidade e, serra abaixo partiram buscando à cidade que, para cada praia existe um sol para cada um. Buscavam pela vista que muitos não vivem ser ter. Observavam a maneira agradável com que os cariocas, de sotaque cantado e corpo gingado, recebiam os que ali chegavam, assim como se encantavam com as moças de pele da cor do bronze que, seminuas, saiam do mar. A gentileza e a simpatia com que eram olhados marcavam na vida de cada um dos que ali chegavam como o primeiro dia de muitos que pintaria a felicidade na vida de cada pessoa que migrava à cidade do mar e das montanhas, da água de coco e da cerveja gelada ao longo das salgadas marolas a beira mar. Rio de Janeiro, cidade maravilhosa onde eu nasci moleque, cresci rebelde e cidadão me formei para fugir à serra em busca do colo da mulher que eu tenho, amo e quero como parte do que mereço.



silvioafonso.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

POR QUE, EXCELÊNCIA?

Eu não sei se vocês já perceberam, mas a oposição ao governo não tem dado às caras e nem mesmo nesta eleição ela se faz presente. Eu acho temerosa a democracia onde todos os políticos dizem amém ao “grande chefe”. Muitas promessas foram feitas na eleição passada e o pessoal que tomou posse não cumpriu com o que disse, não quero saber se em parte ou no seu todo, mas não cumpriu. Por que a “oposição” não lança mão deste gancho para cobrar ou mesmo para tomar como sua as ideias que não saíram do papel? Tem muita coisa no País que não foi feita, muita que ficou para fazer, fora as mentiras que foram ditas e que nós acreditamos. Não estou apontando o presidente, os senadores, deputados e vereados, mas todos. Todos são responsáveis pelo que o governo faz de produtivo e pelo que fez de mal, já que em todos, com o seu voto, a maioria acreditou.
silvioafonso

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PARABÉNS PRA VOCÊ...

Amanhã, último dia do inverno, o tempo estará claro com períodos parcialmente nublados. Parecia até que o tempo já sabia o que estava reservado para mim, pois este é o primeiro sinal de que o inverno cumpriu com o seu papel e passará, no dia 23 de setembro, a vez à primavera. Para a maioria das pessoas a primavera normalmente é chamada “de estação das flores”. Existe uma outra forma de se ver a primavera: ela é uma estação de transição entre o inverno frio e seco e o verão chuvoso e quente. E esta transição não é normal. Uma hora, chove como no verão e, de repente, a chuva para e vem um frio intenso. Portanto, nada mais natural que a primavera apresente características de todas as estações num período curto, muitas vezes no mesmo dia, parecendo que o clima está maluco. Talvez por isso eu tenha escolhido este momento para nascer, para vir ao mundo e entendê-lo assim, confuso. Tem hora que o ar cheira a flor e em outros momentos o mato molhado ou surrado com o calor do sol desprenda o perfume característico da roça, do cigarro de palha e do café torrado, moído e passado em coador de pano como faziam as nossas avós. Foi, portanto, na primavera que eu chorei pela primeira vez. Chorei por inocência, sem saber por que chorava. Talvez fosse uma idiotice, uma maldade, chorar no momento mais feliz da vida dos meus pais. Mamãe sorria, esquecida de suas dores, por me ver nu, pendurado de cabeça para baixo nas mãos do nosso médico e papai, tão conservador, sorria ao distribuir os charutos cubanos aos amigos sem se dar conta das pernas de mamãe que expunham as suas vergonhas. Nasci e comemoro no dia 2 de outubro, o dia do começo de tudo. Neste dia a natureza armou-se de pá e enxada para construir a minha estrada. Plantou em cada lado uma espécie de cada flor. Perfumou o ar para aqueles que comigo andassem e ao meu lado não sentissem as agrura dos espinhos, das pedras soltas para os pés dos que acreditam em mim. No dia dos santos anjos da guarda eu ouvirei os risos do meu pai e constatarei, na face já envelhecida de mamãe as mesmas expressões do dia do meu nascimento, quando eu chorei, pela primeira vez.


silvioafonso.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A SUA FELICIDADE É A MINHA ALEGRIA

Debruçada sobre a cria, ela não viu passar as horas, ela não viu passar os dias. Cuidava da claridade, da temperatura e do vento. Corria com o que fosse de beber, e pra comer arrumava um jeito. Apelava pra Nossa Senhora, para todas as crenças, fazia promessas. Educava como quem adestra, dava conselhos, dividia o pão. Viu os primeiros passos, os primeiros livros, o gosto pelas roupas novas, a evolução. Viu o diploma recebido, o primeiro emprego, o casamento e os filhos que surgiam. Viu o primeiro choro, o primeiro riso, enfim, o primeiro adeus. Doou a sua vida para viver a do filho que nascia. Enclausurou os seus sonhos para fazer sonhar aquele a quem deu o seu sangue, o seu nome e a sua alma. Deu-lhe a beleza das palavras, a esperança da fé e a inspiração. Tinha a idade das jovens quando esse botão de flor deu sinal de vida. Era moça para tanta responsabilidade, mas ela não fugiu à luta. A flor desabrochou e agora, mulher formada, deixa um sorriso feliz, um beijo terno em sua face, dá adeus e vai embora. Vai numa viagem sem tempo para voltar, e se voltar, deixando para trás alguém, já sem o viço da pele, a estatura da mulher bonita e o brilho que parecia eterno nos olhos pra recomeçar.
Ela gira em torno de si e sem pressa, olha o chão e volta à casa para viver sozinha os dias que lhe sobraram.
silvioafonso.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

”PRA NÃO DIZER QUE EU ME ACOVARDEI”

Por favor, não me falem que o meu país é mal colocado em diversos rankings mundiais de competitividade. Não me digam que ele, mesmo tendo sido detectados avanços na capacidade gerencial das empresas, como na macroeconomia e no mercado financeiro, mesmo assim caiu duas posições em relação ao ano passado. Não me conte que o meu país, entre 139 outros liderados pela Suíça, caiu para o 58º lugar ficando, inclusive, abaixo da Índia e do Chile, da Itália e da China nós já sabíamos.
Não falem porque eu não vou ouvir, pois o momento de se discutir este assunto é agora. Não me contem que os candidatos estão empenhados em desmerecer as intenções e a boa fé dos seus adversários ao invés de discutirem o que eu não quero que insinuem, já que eles acham maravilhoso o crescimento nestes últimos anos, esquecendo-se que o peso do Brasil não aumentou com a produção mundial, pelo contrário, caiu nos últimos quatro anos, segundo informações abalizadas.
Estou pedindo, por favor, calem-se, porque eu não gostaria de ouvir que a eficiência do mercado de trabalho passou de 80º para 96º lugar; e em saúde e educação primária, de 79º para 87º lugar, ficando mais próximo de Chade, País do norte da África.
Parem, porque eu vou embora, não quero ouvir mais nada. Vou à praia e depois tomar chope com os amigos para contar-lhes da moça de olhos verdes que nasceu e mora no alto das montanhas, e da Rebeca, criança com jeito de moça e entendimento de ancião.
Quero dormir em concha com quem acha que sonhar não custa tanto, e viver feliz como o sol que todos os dias acorda a paz que nasceu, cresceu e ainda mora em nossa terra.


silvioafonso

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

UMA NO CRAVO, DUAS NA FERRADURA

Quantas vezes entre tantas me peguei sonhando? Tantas moças quanto eu dava conta, nem contei. Contam, as três, que, de quando em vezeu temia pelo desempenho pois duas para cada uma perfazem um total de seis. Sol na porta, luz no quarto cheio de perfume. Cheiro de vela apagada, de beijo lambido, rasgado, moleza no corpo, trabalho forçado, satisfação da alma, corpo cansado, largado, saciado.
silvioafonso

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

VIVENDO OS MEUS SONHOS...

Pensei que ardesse em febre, que crepitasse como as labaredas que viram e reviram o verso e o anverso queimando as suas roupas e colorindo de alegria o cinza dos seus desejos. Por isso eu pensei que já fosse noite no seu dia, que padecesse de alegria e que o nervo exposto lhe tirasse o ar e intumescesse o seio, que o gosto pelo amargo pusesse água em sua boca e que de tesão varasse o gelo adentro e se pusesse efervescendo às margens de um despenhadeiro. Que isso fosse a vida e não o sonho que de suor molhou a minha roupa e me deixou assim, ereto de emoção.
silvioafonso.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A FRUTA DA FÉ.

A filosofia tem briga acirrada com a psicologia como a religião tem com a ciência. Portanto se no topo da macieira, como afirma o poeta, é aonde moram as melhores maçãs, poucos lá se atrevem e muitas delas, por estarem fora do alcance das mãos, amadurecem e apodrecem sem terem tido o privilégio da primeira mordida. Pode-se dizer, também, que as máquinas fazem a seleção no ato da colheita e as do "topo", serão as primeiras a entrarem nas caixas com destino ao mercado e as últimas a serem "comidas". Filosofia sim, mas entre a dúvida da fé e a certeza da ciência eu fico com a segunda opção.

silvioafonso

terça-feira, 31 de agosto de 2010

BOTÃO DE FLOR

Brancas, amarelas, vermelhas, perfumadas. Nasceram na primavera, mas não desanimaram no final da estação. Um dia elas partiram, foram-se ainda belas, foram embora com você.
Foram, mas, quem sabe, não quisessem.
Foram por companhia e sem olhar para trás não perceberam que nos meus olhos despetalavam todas as flores e no meu peito sangravam todas as rosas.

silvioafonso

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

POR ELA...

Pela Internet nos falávamos compartilhando sonhos e pensamentos. Ela escrevia e sempre que podia lia o que eu publicava e por ela os textos saiam, sem falsa modéstia, melhores e mais bonitos. Nas entrelinhas havia um pedido de socorro, de colo, de abraços e de perdão.
Lia, mas não entendia e se entendia, fazia que não sentia. Os dias não passaram, o tempo passou por eles, e aqui estou; escrevendo como faço há anos e nas entrelinhas um agradecimento pelos momentos lindos, pela preocupação para com aquele que escreve e a parceria constante em todos os momentos.
Aparentemente, deve pensar ela, nada mudou, tudo continua tal como era antes, mas eu sei que mudou. Mudou o jeito de olhar, o sorriso e a expressão do rosto quando eu digo que já é tarde e eu preciso ir. Mudou o tamanho da saudade e do amor que já têm a dimensão do infinito. Mudou o jeito de vestir, de tratar com terceiros. Mudou a responsabilidade e a esperança, mas do resto, nada mudou; a beleza tem o colorido das borboletas. O cheiro tem o aroma das rosas. A pureza lembra as águas do lago azul e a meiguice, a santa triste do altar.
Nada eu faria de novo, pois nada está errado para que fosse corrigido. Nada eu deixaria de fazer agora, porque a minha vida não é feita de nada, mas sim de todas as coisas, como todos os meus momentos, todos os meus pensamentos, toda a minha vida e o meu amor são por ela.

silvioafonso

terça-feira, 24 de agosto de 2010

EU NÃO SOU...


    Tu podes até dizer que  não sou teu conhecido, teu colega ou amigo, mas no fundo, no fundo, sou eu quem sabe o que verdadeiramente sou para ti. E se queres que eu te lembre não faças cerimônia pois eu ainda sou o vento que espalha a tua chama. A lágrima do teu pranto quando rola. O gol que te fez vibrar e a picada por onde a floresta dos teus desejos escapou. Eu não sou o sim ou o não, mas o talvez de todas as tuas incertezas. Eu sou as mãos que as tuas afagaram, a prece de quem não tem remédio, a extrema-unção da tua tristeza e a alegria que te mata.
Eu sou, enfim, o que tu quiseres e o que não quiseres que eu seja.





segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A MINHA VIDA, SEUS CAMINHOS E VIÉS.

À vida, nem todas, talvez só a minha, tem sido um verdadeiro carrossel. Tem vez que se mostra perigosa como a roleta-russa e tem instante de apreensão como o primeiro ato de uma peça de teatro. Tem momentos de euforia, amargura, fantasia e tem aquele em que a paz nos estende a toalha xadrez do piquenique de domingo. Todos os momentos, sendo nossos, são de certa forma valiosos. Quando tristes, o tempo não passa, mas se alegres, dificilmente são, na hora, percebidos. A tristeza faz sofrer o corpo e macera a alma. A alegria purifica o espírito mas é passageira como a chuva de verão. Eu sei que ambas têm o seu próprio peso, a sua intensidade. A tristeza só é real se perdurar, já a felicidade, efêmera, vale para uma vida inteira.
A minha vida tem sido assim; levo vários dias preocupado com a festa para ser feliz nas poucas horas de uma noite.

silvioafonso

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

COMO SE FOSSE MINHA.

O vento que fere a minha boca derrama por sobre o meu rosto os cabelos negros de suas lembranças.
Era madrugada quando a vi deixando a festa. Correu para o meu táxi, esticou-me a mão com um endereço escrito, adentrou ao carro e adormeceu. Vestia um curto vestido preto. Uma bolsa vermelha despencava do seu ombro e abraçando junto aos seios as sandálias da mesma cor que descalçaram os seus pés que mal a sustentaram, deitou quando devia se sentar.
Meia hora depois de vê-la entrar chegamos ao destino. Acendi a luz interior e lhe abri a porta. Nem um movimento. Só o forte cheiro de álcool que tomou todo o ambiente a deixou inerte, à mercê da própria sorte. Chamei por ela, sem tocá-la. Voltei a chamar e num velado sorriso virou de lado, ajeitou a roupa e ficou como que o seu quarto fosse ali. Tomei a sua mão e de perto pude ver, nela, u'a menina vestida de mulher. Nada tinha que não fosse de boneca. Os lábios vermelhos, a pele branca, o rosto corado e um cheiro de colo, de não fiz nada, de perdão. Deslumbrei nela a minha filha e, de volta, porta afora vi os batedores num clarão alaranjado anunciarem o sol que não tardara, era dia. Sentei-me ao volante e sem dar por mim esqueci todas as mazelas, não a vi deixar o carro, preocupado adormeci.

silvioafonso

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CRIANÇA COMO ANTES...

Depois que a mulher, envergonhada, chamou a sua atenção na frente de todos naquela sala por estar falando alto o então formando em filosofia baixou a cabeça e confessou aos pés de sua amada, que entristecida, pediu desculpas: - Ah, que nada, meu bem... Não tem que se desculpar, até porque eu não acho que você se envergonha de mim, mas que fica envergonhada, fica. E continuou o estudante: - Todas as pessoas olham e as vezes acham estranho, fora do normal um cara grande, de boa aparência e conhecimentos diferenciado, visitando ou morando na mesma cidade que eles, estar ali, pertinho ao alcance dos seus olhos e de suas mãos. Amor, continuou ele; eu convivi com isso a minha vida toda e até já tinha me esquecido desses momentos, mas o puxão de orelhas é que me assusta. Ninguém, depois da minha mãe e suas porradas, se atreveu a tocar nesta ferida que arde e não sara. Você fez isso uma vez e eu fiquei sem dormir por algumas noites, mas fiquei na minha. Descobri que você tomou os ares da minha mãe e por isso doeu tanto a porrada que o tom de sua voz causou em mim. Hoje minha mãe não tem mais forças para nada, a não ser para sentir saudades do seu tempo, de suas coisas e de sua gente. Eu sei que sou motivo de estudos, mas não quero a minha vaidade exposta para análise e por isso eu me curvo, me guardo onde, com muito custo, fugi para o mundo, para avida. E concluiu: - Eu não quero que a tristeza nos atrapalhe a vida, mas por favor, respeite a minha.

silvioafonso.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

RISO, SABOR SAL.

Quantas lágrimas e suspiros...
Quantas pessoas riram desse amor tão choramingado de criança? Riram as flores, as estrelas, até o rei sol, seu companheiro, virou a cara pra rir dela.
Risos da vida que em breve será passado. Passado a ferro e a sofrimento. Passado que não sara e se sarasse não seria sério. Lembrança amargurada da menina que molha de lágrimas os bilhetes escritos a toda hora com saudade do menino que é hoje, o seu príncipe, eternamente, encantado.
Amanhã, com certeza, ele terá todas as formas, porém nenhuma forma mudará o homem, ainda menino, que foi dela, seja do jeito que for, e ela, a mulher que se tornar.

silvioafonso.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

SÓ POR AMOR..

Pediu baixinho com cara de choro, fingiu tristeza e fez beicinho, até chorou, mas nada a demoveu da ideia. Voltou ao assunto com novas promessas, novos sorrisos, flores, vestidos, bolsas, sapatos e até ameaçar de ir embora ele tentou, mas nada. O que ele queria não acontecia. Brigaram, fingiu não estar bem e por isso não foram ao cinema. Cancelou o passeio à Conservatória e do recital de flauta e violão eles esqueceram. O tempo passou e o assunto se esgotou, foi guardado na última gaveta do arquivo morto das suas exigências. Esqueceu mas não perdeu o desejo e a esperança. Em todas as mulheres ele via o que de melhor na sua existia e só de olhar o das outras, entristecia. Enxugava a baba que caia e voltava à casa para olhar de perto aquilo que lhe pertencia, mas que não estava à sua mercê.
Num fim de semana, pela manhã, como faz sempre , ela o beijou na boca. Beijou com mais ardor, mais carinho, mais amor. Falou sobre vários assuntos e entre eles o que apimentava o casamento. Adiantou que o deles era lindo não fosse a sua teimosia em querer o que ela tinha medo e por isso não cedia. Confessou que tinha curiosidade, porém receava gostar e gostando se acharia promíscua, vulgar. Isto tirava dela a vontade de tocar no assunto.
Imbuída de coragem resolveu dar um basta em tudo aquilo e salvar o casamento que, segundo ela, achava ameaçado.
Escolheram o local, mas foram antes ao teatro. Riram muito com a peça, porém a ansiedade tirou, mais dele do que dela, toda a concentração. Saíram do espetáculo e foram jantar. Já na madrugada entraram na suíte presidencial, que não era tudo o que ela merecia, mas o que tinham para o momento, e lá, ela deu as cartas. Namoraram quase sem roupa como fazem todos os dias. Beijaram-se como sempre, trocaram juras, como ele troca, ainda, e depois do segundo drinque ela cedeu ao nu e às fantasias. Tirou de dentro dele o que já o incomodava e o beijou. Trouxe para junto dos seus olhos e demoradamente o acariciou enquanto procurava nele a sua curvatura, os relevos no corpo que em suas mãos pulsava quente, inquieto. Olhava para ele sem pressa como da primeira vez, com desejos de estudante e conhecimento de mestrado. Só pararam quando ouviram os aplausos da cidade que, inteira, aplaudia o atrevimento de um casal que não mediu consequências, dores e sacrifícios. Que trancou todos os medos e demoliu tabus. Beijou-se profundamente, riu da vida, bateu a porta e voltou pra casa.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

PAI? QUEM SOU EU...

Há séculos, antes do descobrimento do Brasil, nasceu o meu primeiro filho. Com o tempo o País cresceu, ficou mais bonito e os meus outros filhos, dividindo o amor sem tamanho que eu tinha para lhes dar, fizeram de mim o pai coruja e responsável que eu sou com a sua vinda.
Ser mãe é obra divina, eu sei. Mas, pai? Talvez o criador não tivesse com o quê adjetivar o dele e por isso criou, amor. Foi amor o que eu tive pelo meu pai, e este é o mesmo sentimento que aperta o meu peito a cada vez que eu olho um, ou todos os meus filhos. Só eles tiram de mim o que eu mesmo não sabia que podia e se não faço mais é para não confundir o seu caráter e os cidadãos que eles são.
Arrepiam no meu corpo os pelos sempre que eu lembro do meu pai. Mastigo, mas não engulo o gosto adocicado de cada beijo recebido. Retempero para, do meu jeito, a minha moda, beijar os filhos que eu criei e que de felicidade me completam a cada dia.

silvioafonso

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ASSIM NASCE O AMOR...

O amigo de minha filha, um moreninho jeitoso, tomou todas as suas coisas, colocou em um caminhão baú deu um aceno e foi embora. Mudou-se para um bairro distante de nossa rua e desde o dia em que partiu o tempo se fez sem cor. O sol não brilhou com a mesma intensidade assim como os passarinhos deixaram de sair em revoada e a cascata calou seu canto e se trancou num canto pra chorar. O jovem jeitoso deixou no peito dela um vazio imenso, do tamanho do vazio entre as águas do mar vermelho, separadas por Moisés. Amor de criança, amor de esperança.
Quando a menina chora a ausência do amigo que também sente o vazio de sua presença cria no peito deste anjo de oito anos uma ferida que dói e não sara. Cicatriz que carregará por toda a existência e quando adulta, a melhor de todas as lembranças.
Lágrimas de saudade, recordação do primeiro amor, do verdadeiro e puro amor de uma criança.
silvioafonso

sábado, 31 de julho de 2010

O VERDE DA MATA SOB O VERDE DOS SEUS OLHOS

Para um casamento de fidelidade permanecer sério e duradouro é necessário honra e respeito do casal. Cada um do par precisa ser forte diante das cantadas do seu admirador.
Quando no trabalho, no supermercado ou até mesmo na faculdade um colega bem apessoado, solteiro e discreto faz a primeira investida, o sentimento de autoestima e vaidade começam a corroer a distância que assegura a integridade da árvore frente ao lenhador.
Caso um dos dois; marido ou mulher, não dê um basta antes que outras oportunidades apareçam, certamente novos golpes com o machado serão dados no frondoso jequitibá, antes, senhor de toda a floresta.
Novas investidas farão com que tombe para o lado perdendo a majestade, centenária, tornando-a comum entre as outras.
Um golpe, dois, até seriam possíveis, mas deixar que novas oportunidades fragilizem a base e a faça refém do vento, isto não deve ser cogitado, até porque, ela, depois de derrubada, será cortada em partes, nem sempre iguais. Removida do meio das de sua espécie. Guardada em local não sabido e por fim vendida para quem não soube de sua vida e da história não tomou conhecimento.

silvioafonso.
..............................................................................................Imagem by arvoresnacidade.blogspot.com

sexta-feira, 30 de julho de 2010

MENINA DOS OLHOS TRISTES

Ainda na adolescência rabiscava os seus primeiros versos. Rimava palavras e pensamentos e entre sonhos e delírios, escreveu o primeiro livro. Vivenciou o amor com o primeiro namorado e entre pontos e vírgulas, formou sua família, criou seus filhos. Os versos cresceram embasando novos paraísos, forjando vida e morte criando tramas na ficção e romance na realidade. Seus proventos advieram da literatura que antes era um passatempo, uma forma de expressar os sentimentos da menina que amava o vento, as flores e agora se entrega ao mar, às águas que lhe banham os pés toda vez que o procura para as suas queixas ou novas inspirações. Mar de amargura, onde chora as suas tristezas e de alegria ao partilhar as suas aventuras.
Entre aspas, parênteses, sonhos e delírios. Entre as flores, as dores, entre as pessoas, mesmo que pra ficar sozinha. Entre e bate a porta, entre as rochas, entretanto, entremente, na vida da gente.
Passam as horas, e o tempo passa. Arrasta os versos, as poesias, os contos de todos os dias. Suas lágrimas empoeiradas, secas de tempos atrás, não choram mais. Olhos arregalados no futuro, livros rascunhados, um, dois, as vezes mais, embaixo do braço para editar com grossas capas, personagem com outros nomes, outras histórias, pois as suas ficaram estampadas na alma, cujo corpo luta para manter-se ativo, belo, vivo, como antes vivia a menina dos versos rimados, que ficou pra trás.
silvioafonso

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O BEIJO DAS MENINAS

Foi no auge do meu sofrimento. No momento maior da dor que eu vi a sua mão perdida no meu rosto. Você calou gota a gota o meu pranto e quando a vida que se resumia num fio, os meus lábios, de leve, você beijou. Alvoroço na alma da mulher, que então morria. Fogos, retreta, gritos de euforia, festa de regresso à vida, feita por você. Foi a sua presença, o aconchego do seu corpo ao meu, dos seus seios espremidos contra os meus, de suas pernas às minhas entrelaçadas e dos beijos, quantos teria você deixado em minha boca, sem a minha presença? Você abriu as portas à minha vida e agora, sentida, beija a minha face, toma pra si, de volta a vida que era minha, bate atrás de si a porta, engole o choro e vai embora.
silvioafonso.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

ENTRE PALAVRAS E PENSAMENTOS.

Ter alguém entre as palavras deve ser bem melhor que entre pensamentos mesmo sabendo que os dois são frutos do desejo. Eu falo o que tu queres que eu fale e o pensamento é resultado de uma estória com meados entrelaçados de princípio e fim à nossa mercê. Os sussurros, que são palavras sem vogais não nos levam a nenhum lugar interessante, mas nos conservam aonde estamos mais picante, apimentado. É gostoso o hálito quente lambendo o lóbulo da orelha e o que ele sopra não importa, importa sim o bafo morno, gostoso, arrepiando a pele, eriçando os desejos.
Quando os meus olhos escorregam dos teus para morrer no teu decote, meu Deus, quanta vontade de morrer com eles, esmagado por esta anatomia e sepultado entre as tuas pernas em lugar aonde os deuses moram e a minha virilidade faz sentido!
silvioafonso.

terça-feira, 20 de julho de 2010

MENINOS E MENINA.

Um amigo do meu blog comentou que eu era uma pessoa triste e que, com certeza, esta tristeza é fruto da escolha de vida que eu fiz. Também falou que a dor que eu sentia por ter filhos homens e entre tantos nem uma menina para refrear os ânimos e mudar o rumo das brincadeiras justificava este triste sentimento, e que tudo isso estava explícito nos meus textos, nas minhas fotos e nas dos que me acercam.
Talvez eu tenha sido alvo de análise, já que o direito de acertar no tabuleiro e não na mosca jamais será roubado do atirador de dardos, haja vista que a felicidade a que se refere o querido amigo não é outra senão a do prêmio da mega sena, a ida ao céu para ver Jesus sem a obrigatoriedade da morte e a vida eterna dos nossos entes mais queridos. Em suma; o estoque das pequenas flechas é grande, mas o desperdício é incalculável. O jogador tem o direito de chutar a bola e errar o gol, mas botar a culpa na jabulani é sacanagem...
Todos temos o privilégio de deixar fluir a própria vida ou viver a que mais gostarmos, assim como espirrar ou tossir na hora da missa em sua igreja ou rezar, baixinho, no momento de intensa gritaria.

Talvez isto explique os meus textos e as minhas fotos sem a necessidade de culpar os homens da minha casa onde existe mel, sem a necessidade dos zangões.
silvioafonso.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

DORMI NO CAMINHO...

Tão logo cheguei à casa escorri na poltrona a roupa que você, pretensiosa, abriu com o seu atrevimento, amarrotou com o embaraço das colegiais para molhá-la com a vergonha da primeira vez.
Vazei para o chuveiro onde me deixei por horas pensando nesse despropositado encontro. Duas pessoas desconhecidas que se olham, trocam sorrisos e casualmente ocupam a mesma poltronas em um ônibus de carreira intermunicipal. Um outro olhar, desta vez provocativo, cerrou-nos os olhos e nos calou a boca num demorado beijo. Demorado como a lembrança que prostra, agora, o maior de todos os sentimentos depois de um princípio natural, carícias desaconselháveis para o lugar com uma conclusão louca, irresponsável.
Fim da linha. Um sai da vida de quem fica. Sai sem nome sem telefone. Fica sem o par, mas leva consigo a grandeza de ter feito amor quando a ordem do dia era matar, mesmo que fosse o sono.


silvioafonso.

terça-feira, 13 de julho de 2010

VERDE MENINA.

Vejo água no verde dos teus olhos, talvez por tu saberes que o tempo de criança foi embora numa revoada de borboleta e passarinho.
Tu és menina de todas as histórias, infância que o tempo não apaga, não acorda, não desperta. Tu és a mais linda adormecida das crianças, da carruagem em forma de Ferrari, dos castelos de argamassa e azulejo colorido, dos cavaleiros medievais guerreando entre as estrelas e das bonecas de todas as vestes, de trapos de seda aos tecidos indiano de moleque.
Deixes, sem vergonha, que o verde destas lágrimas seja levado pela brisa que sorri por entre os fios negros dos teus cabelos para longe de ti, para longe da possibilidade da perda, mas que deixe nos meus braços a criança que tu, jamais deixaste que os meus olhos não vissem.

silvioafonso.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

OS HOMENS DA MINHA VIDA...

Eu sou apaixonado pelos meus homens, confesso. Pelo menos tive mais felicidade com eles do que com as mulheres. No princípio foi o meu pai. Um misto de Homem-Aranha, gênio e palhaço na mesma história. Depois vieram os filhos e mesmo que eu tenha levado à risca a ideia de que, colocando a sementinha no fundo, bem no fundo do jardim entre as flores nasceria uma menina, não deu certo; deu menino para reforçar a defesa do nosso time. Tentei mais vezes e nas três outras, mais meninos. Os meus patrões também são homens e os professores, homens na sua maioria. Os deuses quiseram filhos homens, mas eu quero menina, e por fim os vultos da filosofia que formaram o meu caráter, seriam machos, sim senhor.
Continuarei tentando, mesmo a contragosto da família vou plantando as minhas esperanças no solo abençoado e fértil da minha mulher.
No próximo dia 27 a minha mais nova edição, melhorada, apagará mais uma vela no bolo de sua vida. Aproveito para agradecer a Deus por eu tê-lo vivo e saudável entre nós, e que dê a ele a minha parte de felicidade que talvez eu tenha pra sentir. São estas, pois, as pessoas que formam o amor que eu tenho. Homens de honra, pobres sim, porém honestos vivendo nesta imensa selva de interesse e vaidade.

silvioafonso

segunda-feira, 5 de julho de 2010

TRIBUTO A CATIAHO

Depois de tomar conhecimento que uma linda escritora atuante do seu Blog resolveu protagonizar o longa-metragem que conta a história do seu sucesso eu respiro, tomo o tempo que comprovadamente é pouco, armo-me de cavalete, pincéis e poucas tintas e pinto o quadro da minha vida. Sou filho de um casal que se dividia entre as artes; minha mãe amava o belo e o meu pai a perfeição, por anos dividiram entre eles um amor de fantasia, de contos de fada com herói, mas sem covarde, com mocinha sem bandido. Dois anos mais tarde bate o gongo e eles saem para o primeiro round de uma luta pelo primeiro filho. Deu menina na primeira de muitas tentativas. Outros rounds antecederam o meu sendo que para cada um novo outra menina rompia a fita de chegada. Meu pai quis desistir do embate, jogar a toalha, porém a minha mãe que não ganhava a luta, mas perdê-la não sabia, tratou de inspirar o cavalheiro de todos os gestos e de todas as palavras. Reanimou nele o músculo da vaidade que ora fraquejava para dar, ela mesma, o golpe de misericórdia e num nocaute fulminante eu nasci e acabei com o adorável sofrimento. Choro forte, riso farto, beijos e abraços com sangue pintando a cena. Entre os dois o amor, o amor que sangrava o sangue de cada um. O sangue de todos nós, possível vencido e possíveis vencedores. Cinco pares de peitos, cinco duplas de pernas femininas. Um homem ditando amor e u'a mulher com o nome de Maria. Tratamento igual para menino e meninaS. Estudar para andar com os próprios pés sem a necessidade de olhar por onde anda era a ordem para depois serem, como foram, professores do primeiro grau, do segundo e depois, da Pós, do mestrado, professores da universidade onde estudaram. Família respeitada por quem a conhecia, mas o tempo, aquele tempo, lembra? Pois é. Covarde como é levou o meu pai. O pai nosso, o pai de todos e nós, voando como voam as andorinhas vimos o pai voar de uma vida de pouco tempo para outras de eterna melancolia. Em cada palavra que dizemos o meu pai está presente. Em cada gesto, em cada riso o riso gesticulado de um cara que amou a mesma mulher como que fosse ela a única, a Eva do paraíso, e ela, novamente virgem depois que ele partiu.
Eu tenho orgulho quando lembro do amor dos meus velhos. Ele era lindo e a beleza desse amor fazia feliz o casal que não abria mão do pagamento de suas dívidas, de desculpar-se pelo atraso de algumas promessas e do meu pai esquecendo-se de algumas datas que muito me fazia rir. Tenho vergonha, como dizia, de não ser, depois de tentar sem esmorecer, a metade de tudo que o meu pai foi com a doçura de sua presença. Infelizmente a morte burra levou quem não devia, mesmo tendo deixado a mulher, mãe de todos nós, como consolo eu não desculpo o ciclo da vida.
Enfim, como só morre quem é esquecido, o meu pai vive comigo, aqui, no lado esquerdo do meu peito e nos meus pensamentos onde o seu nome pulsa forte, como as cores desta tela.

silvioafonso

quinta-feira, 1 de julho de 2010

CALAR, NEM PENSAR

Feche os olhos e deixa fluir a verve. Fale como quem fala com os seus próprios botões. Botões rosas da gérbera, botão roxo avermelhado do maracujá, branco do crisântemo, com o botão verde azulado da flor de lótus ou o vermelho brilhante da lis. Fale sem medo de errar, quer na verdade duvidosa, quer na norma culta da língua. Fale dos seus medos, de suas dores. Fale dos seus sorrisos, dos seus desamores. Fale de você, de sua primeira vez, de como foi e como fez. Fale, pois o tempo é curto, assim como a vida não é longa. Descreva o tempo, o seu momento de sozinha, de solteira, de solidão. Fale dos seus atrevimentos, se é que se atreveu pelo menos uma vez. Fale de quando você disse não, quando pretendia dizer sim. E quando você disse o que não devia, sofreu por isso ou foi o melhor momento que você viveu?
Fale portanto e não gagueje. Livre-se dos tabus e dos arrependimentos. Fale como se fosse uma prece ou a sua última vez, mas não se cale para sempre.
silvioafonso