quarta-feira, 30 de setembro de 2009

UM CÉU PARA VOCÊ...

Com um dos cinco filhos, cinco reais, foi o que ela gastou na formação do mais queridos e menos desejado. Pequeno investimento para uma grande responsabilidade. Dinheiro dividido para multiplicar o homem que aos 20 anos, já formado, atreveu-se pelos jornais e ousou na administração de um dos maiores bancos do País. Casou-se e viu nascer o primeiro filho. Separado teve com outras namoradas os filhos que faltavam. Estudou teologia, mas a ciência subjugou o milagre e fez surgir a fé. Quis educar os mestres e pelos caminhos da psicologia ele caminhou. Estudava para fazer mestrado, mas um amor maior que o de sua própria vida tomou para si o seu destino; não se drogou, não se prostituiu assim como não se frustrou quando jogou a ciência que estuda os fenômenos mentais para o alto e subiu a serra. Subiu o mais alto que podia e foi morar junto as estrelas...
silvioafonso.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O VERDE NOS OLHOS DELA...

Entre todos os meus desejos residia o de ser eternamente apaixonado, não por uma deusa ou princesa e que por mim se arrastasse ou aplaudisse a cada palavra ou gesto que eu fizesse, mas por um ser de alma transparente, singular. Uma pessoa inteligente que soubesse distinguir o choro do pranto e o sorriso, do gracejo. Uma pessoa que discernisse entre o rico de coisas e o pobre de espírito. Que entendesse a misericórdia divina e a misericórdia do golpe. Uma pessoa que não andasse por sobre as águas, mas pelos labirintos da minha alma como andam os mineiros na escuridão dos túneis de carvão aonde vivem e morrem.
Eu queria amar como amam os passarinhos; em bando, cantando para morrer sem saber que a hora lhes é chegada. Eu tenho, entre tantos, o desejo de viver uma vida como esta; esverdeada, como verde é a cor dos olhos dela.

silvioafonso

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

EU, ELE E A SUA SORTE...

Ele sentia, com o acelerar do seu coração, que era chegada a hora. Ele entendia que a felicidade não seria pesada para os seus, já curvados, ombros, desacostumados do amor, mas ao abri a janela do seu quarto, certa feita, viu que fugia da sua vida a felicidade que lhe honrou por pouco tempo, mas o tempo suficiente para faze-lo eternamente feliz.
Tudo começou com o fogo da paixão que lhe queimava todo o corpo.
Foi poeta, vagabundo, cavalheiro e cafajeste. Deu na cara do orgasmo da mulher que ele mais amou e recebeu na própria alma o troco do seu atrevimento. Depois partiu por caminhos desconhecidos e não sabidos, mas não sem antes deixar com ela, num último beijo, mesmo que chorado, o homem feliz que ele foi um dia, para levar consigo o que de si sobrou da guerra que participou, mas que perdeu.
silvioafonso

terça-feira, 8 de setembro de 2009

FICO ASSIM, SEM VOCÊ...

Eriçaram o meu espanto e a minha agonia.
Meus pêlos que, de todo dia, buscam de pé por teu momento de libido, de tesão, ficam em ponto de quebradura tal a rigidez da envergadura.
Dói de duro o meu desejo. Tua boca vermelha, molhada do gozo reprimido se oferta trêmula, viva, como um cordeiro oferecido aos deuses que despencam do Olímpio agarrados às sedas que abastam de Freya, deusa-mãe da dinastia, as pernas, abertas, como um leque de pavão.
Não insista, não belisca, pois se durmo não sinto a vida e se não vivo, não pretendo a lápide fria, mas o teu colo quente com cheiro de gozo ardente onde me esvaí em sumo branco, quente que procria.
silvioafonso

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

VOCÊ EM MIM...

Mais uma vez ela fraquejou das pernas e se deixou cair de costas, subjugou-se ao homem que a comprimia contra a cama e que num selinho apressado acarinhou seus lábios cujo trajeto ela já adivinhava; dos lábios para, pescoço abaixo se deixar perder por entre os seios num demorado e molhado beijo. Mão na mão, no corpo, no rosto e num desmanchar de cabelos o ato se consumaria para num apressado gesto, vestir as roupas e ir embora. Seria bingo se todas as histórias não tivessem desfechos diferentes, tristes ou felizes.A boca que selou num beijo o silêncio dos seus lábios era a mesma com que ela sonhara. Era doce no beijar e no dizer do seu nome. Suave quando sorria e bonita quando deixava transparecer a simetria dos seus dentes. Olhos, de cuja cor já não se esquece, olhavam por entre os seus e, alma à dentro varriam os cantos reprimidos, sofridos e queridos da mulher que sorria, vivia como todas as outras, mas que sofria diferente das que conhecia. Mal, ou bem de amor, não sei. Mas sei que o corpo que prendia o seu naquele instante, não prendia por sexo, paixão ou vaidade, mas por um amor de conto de fadas, de sapo, príncipe encantado, escravo, súdito e senhor. Prendia por um amor maduro que cheira à vida, à saúde, à beleza e à sinceridade. Cheira a outono e a todas as estações do ano, porque só o amor sabe pintar com as cores que pede o coração.

silvioafonso.