terça-feira, 26 de maio de 2009

O TEU SONHO É A MINHA REALIDADE...

Abraçada aos livros como a um filho ela passava linda,
sensual. Tinha no chão os olhos e sobre si os mais
curiosos, desejosos dos que paravam para vê-la
caminhar. Entre tantos os meus acompanhavam o
seu andar; sério e bonito, vagaroso, definido me
lembrando das manhãs na mesma cama em que
dormimos e em que dividimos os nossos sonhos e
pesadelos eu me recordava do seu rosto de beleza
perenal sobre o travesseiro, certamente esvoaçando
como as borboletas por sobre as flores da vida que
eu plantei. Corri pra ela, assustada abriu-se em risos

que morram num beijo demorado e no melhor dos
meus abraços eu senti o cheiro da mulher bonita,
fruta madura, terra carpida, cheiro de chuva em terra
quente, ressequida, forte como quem chega da morte
e nela eu me perdi. Seus olhos fechados e o seu
hálito quente no meu pescoço me fizeram acreditar
que eu a tenho como nos meus sonhos, que ela é
minha como eu acho e que a nossa vida é pequena
para o tamanho do meu sentimento.
silvioafonso

quinta-feira, 21 de maio de 2009

CARA DE PALHAÇO, PINTA DE PALHAÇO...

Quando eu nasci o meu sofrido pai vestiu-me de grandes
colarinhos, um nariz vermelho arredondado e um par de
sapatinhos coloridos como a vida que ele queria para mim.
Hoje, se Ele fosse vivo, choraria com o riso que eu provoco
quando volto tarde do trabalho, macacão velho e surrado
sem trazer na cara as cores da alegria, mas os primeiros
traços do cansaço e da coragem que insiste e permanece
viva me empurrando para a frente enquanto pinta nesta
cara de palhaço a mesma lágrima que curvou o corpo do
meu pai.
Sem pão e sem a esperança de ver as coisas melhorarem

eu esqueço da minha tristeza e rezo por ele...
Saudades de ti, meu pai; que dava os seus carpados duplos,
sem rede e sem pintar a cara. A bonita cara que tão poucas
vezes eu beijei.


silvioafonso


terça-feira, 12 de maio de 2009

O CHEIRO DO AMOR...

Sinto que te deixo calada, cansada e na cama
jogada como um boxer nocauteado.
Parto, como parte o grito nosso em cada noite

acordando a cidade nervosa que se acende como
acesa estavas tu quando eu cheguei e te apossaste
de mim como um faminto no self-service da
paixão.
Antes de fechar atrás de mim, a porta, por sobre

o ombro eu vejo os lençóis de linho em desalinho
perdidos entre a tosca luz e as tuas pernas que
não se deixaram cobrir. Paira, eu sinto, no ar,
ainda o cheiro acre do encontro suado dos
corpos de nós dois.
Arrasto o casaco para as minhas costas e esqueço

perdido na tua lembrança o encontro dos desejos
pelos quais chorei até que o gozo me calasse e em
tua face jazesse este sorriso debochado que
lamberá a tua cara por todo o dia até que eu volte
como volta o sol para morrer no anoitecer.
silvioafonso




quinta-feira, 7 de maio de 2009

ELA FOI EMBORA E, EU CHOREI...

... E ela partiu, foi embora da minha vida sem
dizer nada e olha que vivíamos felizes, sem
brigas, sem cobranças e se um saía o outro
ganhava um beijo e a rota dos seus passos.
Eu vivia criando motivos para presenteá-la com

flores já que as mais cheirosas e as mais belas
eram as suas preferidas. Ela não se importava
se não fossem rosas, mas eu escolhia as maiores
e bem vermelhas. Eu fazia questão de mandar,
com as flores, um cartão com o seu nome
desenhado, assim como desenhada ela foi na tela
da minha vida. Como eu gostava dela... Gostava
e gosto. Todos na minha casa sentiram muito com
a perda e eu não me conformo. Partiu sem deixar
pista, uma palavra com duplo sentido, um bilhete
falando do gato que subiu no telhado ou um
recado que o vizinho mais próximo pudesse me
dar, mas, nada. Ela foi embora da mesma
maneira que chegou; sem dizer uma palavra,
mas me causando risos e agora lágrimas. Eu
não queria fazer público do vazio que me corroi
o corpo e congela a minha alma, mas não tenho
e não sei como calar e é desta forma eu me
despeço dela, com todo o meu carinho e a
grandeza do meu amor. Eu sou, como VOCÊ dizia,
o melhor e o mais fiel de todos os seus NETOS e
por isso a perda ficou desse tamanho.
silvioafonso
(Foto da Internet)

terça-feira, 5 de maio de 2009

UMA GRANDE “PALHAÇADA”.

Na quinta feira passada eu fui ao teatro. Fui para ver o trabalho
dirigido por DANIELA CARMONA, quanto ao nome da peça,
"Clownssicos", não fazia para mim a menor diferença, DANIELA
era a certeza do sucesso.
Busquei a companhia mais exigente e às 18h30m nós já comíamos
pipoca na porta do Nélson Rodrigues, próximo da Lapa, no Rio de
Janeiro.
Frustração...
Fiquei pasmo com o deboche apelativo e descarado dos atores, em
cena.
Não entendo como um grupo que foi capaz de grandes
apresentações chegar às raias do ridículo.
Juro que pagaria para ouvir explicações da diretora.
silvioafonso