terça-feira, 10 de novembro de 2009

AVE DE RAPINA

Rompeu a casca e deu as caras. Diferente das outras aves não sabia sua própria identidade. De corpo amarelo emplumado cresceu pensando que fosse um pinto. Foi levado pela vida e só deu por si quando do alto de u’a montanha foi, por ela, atirado no despenhadeiro num vazio que não tinha fim.
O hoje já é passado e quase tudo acabou ali. A sua história não foi melhor que a de uma galinha, mas teve princípio, não teve meio e fim. Seria, mas felizmente não foi o fim de sua vida.
- Bata as asas! Dizia uma voz no seu interior.
- Isso! Bata com mais força, quem sabe você não voa e, quem afirma que chegou a sua hora, o seu fim?
Antes a ave andava com os olhos pregados no chão em busca do que comer, do que fazer, como todas as outras, do galinheiro onde vivia.
Vivia assim, mas só isto não lhe bastava, ela queria algo mais, queria ser qualquer coisa além de uma galinha pura e simplesmente porque sabia que algumas portas se abrem para quem é audacioso.
Em cada canto tem uma vaga para quem ousa e para este tipo sempre existe alguma coisa a ser feita e para isto a menor recompensa é melhor que nada.
O corpo cai pesado cheio de pensamentos e de sonhos, mas suas asas batem medrosas, mas com ritmo, no espaço o seu corpo toma outra posição e a queda é atenuada.
Esperançosa esvoaça para o alto e corajosa vê que é hora de pousar. Entre tantos alvos o seu objetivo é buscar a “mosca”, o centro negro que poucos se atrevem, mas dos que acertam, poucos recebem mais do que entende a psicologia. Não se voa alto para um pagamento injusto, uma coisa qualquer por qualquer coisa. Agora é diferente porque a águia que se achava pinto vê do alto o que os outros não enxergam de perto e isso vale um salário maior, tão grande como o tamanho de suas asas. Todas as convenções foram deixadas de lado para que pudesse seguir os seus próprios pés, suas asas.
Parabéns aos que tentaram, aos que buscaram na incerteza a sua origem em detrimento do medo e do; deixa prá lá, que a inveja e a indiferença lhes obrigam.
Pinto são todos os covardes. Um filhote de águia criado no galinheiro, necessariamente, não tem que viver catando minhoca e dormindo no poleiro, basta que troque uma parte do seu sono pelos estudos, pela chance de estar com o seu filho e seu marido e tão logo se forme na faculdade voe para o mais alto que puder para, nas montanhas, fazer o seu ninho e viver com os que a amam e admiram.
SILVIOAFONSO

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