quinta-feira, 23 de julho de 2009

MEDO DA PRÓPRIA VIDA...

Hoje eu quero descansar na inocência, quero ficar, mesmo
que por pouco tempo, em um ninho de passarinhos. Quero
me deixar levar pelo suave balanço das águas de um riacho
que serpenteia por entre casas de chão batido e telhado de
sapê. Eu quero me perder por entre as flores para, mesmo
sem esperança, reencontrar no meu corpo o perfume da
criança alimentada, educada e sem tristeza. Eu não tenho
e não quero a grandezas da indiferença, pois se eu pudesse
com as minhas palavras abalar o mundo, hoje eu não diria
um ai que fizesse os monges calarem a sua prece ou
baixassem do céu o seu olhar. Palavras que tirassem o
fôlego ou fizessem falar os mudos, eu não diria, se pudesse.

Eu não invejo, pelo menos não me vejo assim, a riqueza dos
ambiciosos e de lugares incomuns eu não me permito cobiçar,
da gramática exata da norma culta eu não aspiraria
demonstrar conhecimento, mas não resisto à tortura que
não me deixa dormir nas madrugadas frias e só por isto eu
grito, cobrindo a voz com a vergonha que é a minha
companheira, neste desfiladeiro onde agora, hoje ou, quem
sabe um dia em u’a manhã qualquer de primavera eu imite
os colibris e as borboletas e saia colhendo o mel de cada flor
que viça na mais linda "vista verde" que os meus olhos já
tiveram e assim, somente assim eu vença o medo de viver
a vida que eu tenho.

silvioafonso




12 comentários:

  1. ...tens na verve o tonus
    da poesia,
    onde não cabem medos.

    muahhhhhhhh

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  2. Daria para escrever um longo comentário, mas não é necessário.
    Pois sua alma já disse tudo, simplesmente lindo.
    Abraços

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  3. Meu amigo,
    Teu blog está cada dia mais show, fiquei maravilhada navegando por aqui.
    Parabéns pelos textos , fotos, por tudo , está lindo.
    Abraço carinhoso
    Mary

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  4. O que faríamos se voltássemos no tempo sabendo tudo o que sabemos hoje?
    Abração!

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  5. Você sim, sabe usar a bailarina com perfeição...

    Suas frases me fazem flutuar de tão belas...

    Xerooooooo

    Inha

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  6. Sim, às vezes o recolhimento faz bem a alma, revigora e retornamos com mais vontade de viver. Um passarinho que sai do ninho!!

    Medo de viver! Não pode!!

    Beijus

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  7. Gosto dessa profundidade de mto pouco querer e tanto dizer!...=)
    Lindo!

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  8. VÍVIAN:
    Morro de vergonha quando me vêem com um cravo, vermelho, na "lapela", um lenço de seda colorido caindo de sobre o bolso do paletó de risco de giz no alto esquerdo do peito. Chapéu de lado, na cabeça. Sapatos brancos e nos olhos a imagem da mulher que me seduziu, mas foi embora.

    CODINOME BEIJA-FLOR.
    Que pena que você não fez o comentário. Muita coisa que diz a minha alma é feito com um jeito diferente.

    MARY MAURA,
    Tenho honra em tê-la nesta página.

    TOM.
    Você é um professor, sabe tudo. Mas na busca do melhor para crescer, cala a sua voz.

    LENINHA,
    Temos nos esbarrado pelos corredores dos nossos blogs. Folgo com esta amizade.

    LUMA,
    Continuo o mesmo menino. Cresceram os meus sonhos, a minha admiração por suas palavras, mas continuo acreditando em Papai Noel, Contos de Fada e em ser feliz para sempre com a princesa que eu libertarei da torre mais alta do castelo.

    LIZA LEAL.
    É harmonioso o teu jeito, a tua coragem e o teu público.

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  9. Suas palavras demonstram o lado mias bonito e importante da vida, o lado humano...Um abraço na alma...parabéns pelo blog e por seus escritos...bom fim de semana

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  10. Felicidade e simplicidade, não representam só rimam, são irmãs gêmeas...
    É um belo texto, apesar da sua quase amargura. É preciso um pouco de primavera no coração e todos os dias há um momento mágico, que permite desfazer-se de tudo que nos faz infelizes, basta reconhecer este momento!
    Muito obrigado pela visita e comentário!
    abraços

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  11. .

    Elcio Tuiribepi,
    Ter você por perto é bom sinal.

    Sonia Schmorantz,
    A sua presença é sinal de que a planta viça. Obrigado pela amizade.

    silvioafonso.



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  12. Quanto mais nos enveredamos nas paisagens e no chão de nossa mãe terra, mais nos sentimos mais humanos. O tom da poesia domina seus escritos.

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