quinta-feira, 21 de maio de 2009

CARA DE PALHAÇO, PINTA DE PALHAÇO...

Quando eu nasci o meu sofrido pai vestiu-me de grandes
colarinhos, um nariz vermelho arredondado e um par de
sapatinhos coloridos como a vida que ele queria para mim.
Hoje, se Ele fosse vivo, choraria com o riso que eu provoco
quando volto tarde do trabalho, macacão velho e surrado
sem trazer na cara as cores da alegria, mas os primeiros
traços do cansaço e da coragem que insiste e permanece
viva me empurrando para a frente enquanto pinta nesta
cara de palhaço a mesma lágrima que curvou o corpo do
meu pai.
Sem pão e sem a esperança de ver as coisas melhorarem

eu esqueço da minha tristeza e rezo por ele...
Saudades de ti, meu pai; que dava os seus carpados duplos,
sem rede e sem pintar a cara. A bonita cara que tão poucas
vezes eu beijei.


silvioafonso


8 comentários:

  1. Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

    A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

    A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

    Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

    Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

    Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

    Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

    Autor: Paulo Santana

    Um lindo final de semana!
    Abraço

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  2. Pai tem mesmo esse poder, de ver na gente alegria, de nos "enfeitar" para a vida, de colocar em nossa alma tanta fantasia.
    Mas a gente vai crescendo e nessa vida de gente grande; vamos tantas vezes perdendo pelo caminho, os sapatinhos coloridos, o nosso nariz vermelhinho some quando vemos em outras "caras" enormes "narizes de Pinóquio".
    Mas ainda temos a felicidade de retornarmos ao nosso "circo", temos lá nosso picadeiro, e nesse momento podemos ser o que somos, sem artifícios que escondemos sob a "fantasia".

    ** Dou em meu Pai todos os beijos que não dei na fase das nossas divergências, ainda bem que cheguei à tempo de ver o início desse grande espetáculo.

    Abraços

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  3. Quase sempre ri aquele que tem uma canção triste. Bonito o teu blogue, nada palhaço o seu autor.

    Obrigado pela visita ao blogue e generosidade da adição! Boa continuação.

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  4. Tbm o meu... poucas vzs beijei! =)

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  5. Gostei muito do teu Blog...Este último post está muito bom...fala de saudade...


    Beijo e abraço!

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  6. SONIA SCHMORANTZ:
    Paulo Santana talvez fosse, como eu, admirador e seguidor de Vinícius de Moraes. Digas com quem andas e eu te direi quem és e nós, eu e ele, pretensiosos, somos o poeta.

    CODINOME BEIJA-FLOR:
    Felizmente os nossos pais nos cativaram nas cadeiras para o grande espetáculo; valeu o ingresso...

    BLOGADINHA:
    Simples de nome e complexa no entendimento dos sentimentos e das palavras. Foi bom mexer com você.

    LIZA LEAL:
    Pouco com Deus é suficiente. Felizmente o seu teve no rosto, como o meu, o carinho dos seus lábios e a pequena quantidade não os sufocou...

    CARMEM:
    Fala de saudade e de amor, não é mesmo?

    silvioafonso.

    .

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  7. ...aqui,
    como sempre,
    poesia.
    de noite
    e de
    dia!

    saudades, querido!

    bjbj

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  8. Bonitas palavras, a saudade e o amor estão implícitos em cada linha!
    Só compreendemos a dimensão do amor que nossos pais depositam em nós qdo sentimos na pele, qdo nós tb depositamos esse amor em nossos filhos, essa expectativa de querer vê-los sempre bem, saudáveis, cheios de vida...felizes; nesse momento bate uma nostalgia, aquele desejo imenso que o tempo retroceda e que nós possamos dar todos os beijos, todos os carinhos possíveis àqueles que nos amam tanto...

    Boa semana pra vc! Seu blog é muito bom...parabéns!

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