quinta-feira, 19 de março de 2009

PONTO DE CRUZ.

CLODOVIL conseguiu, à sua maneira, trazer ao conhecimento
do público brasileiro um jovem cantor americano de voz suave,
aveludada. Fez isso agitando o telespectador no seu programa
"A CASA É SUA" e, quando afirmou que no filme,
"CINEMA PARADISO" o cantor emocionava a qualquer um, fez
o público correr para comprar o CD, que não constava do catálogo
de qualquer loja, assim como espichou as filas nos cinemas.
JOSH GROBAN que eu já ouvia para sonhar teve mais espaço na
minha admiração quando eu comecei a entender o amor. O Josh
que hoje ouvimos com o coração é um trabalho do apresentador.
Clodovil antes dos sessenta anos não havia falado, abertamente,
sobre a sua homossexualidade. Ninguém tinha dúvidas, claro,
inclusive ele seria, na época, o porta-bandeira da militância.
Homem de vida pública, com passaporte à mídia a qualquer tempo,
poderia ter sido um grito em defesa do diálogo aberto com a
sociedade sobre os direitos da “classe”. Não o fez talvez por causa
dos seus fantasmas que arrastavam correntes no assoalho
barulhento de sua alma ou talvez não o tenha feito por vontade
própria, mas por medo da contestação do seu público ou da sua
ignorância, nesta área.
Hoje as revistas e jornais fazem homenagem póstuma ao
apresentador, artista da costura e político que deixa o seu lugar
para outros, mas comigo fica, tão somente, a lembrança do
irreverente mágico da costura.
Descanse em paz, costureiro da fama, apresentador da gama,
político da passarela.

silvioafonso