segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

M E D O...

Escorreu as costas na parede e se prostrou por sobre
os calcanhares quando ele virou-lhe as costas e foi
embora. Depois de alguns dias ao tocar o telefone,
ela corria, mas não o atendia. Ela queria, mas
achava que não podia, não devia. Talvez fosse
qualquer pessoa e ela se frustraria, mas, e se fosse
a pessoa que ela esperava, aí seria a maior
felicidade de sua vida. Ela temia pelo que pudesse
ouvir na ligação; um olá, tudo bem? Ou quem sabe,
um adeus definitivo? Ela já tinha ouvido essa
despedida na última vez em que se viram. É claro
que a culpa era dela, sempre o culpado foi esse
amor possesso que a sufoca e mata. Ela quis ter
todo o seu amor, só para si. Dividi-lo com quem
quer que fosse, nem pensar, porque ninguém
saberia amar se não fosse dependente das
palavras do amor, ditas, mesmo que sem sentido,
no ponto “G” do seu ouvido, como ela que é escrava,
sim, de u’a mão longa e macia por entre os seus
cabelos e dela fechasse os olhos e a levasse aos
sonhos. Sonhos onde habita o seu amado e com ele,
de mãos dadas, correr pisando a grama por entre
as flores espantando os passarinhos. Mas, e se não
for ele quem está ao telefone, que estava ao
telefone, porque com a sua indecisão a ligação caiu
e agora não consegue se erguer do prostrado de
onde está. Precisava trabalhar, ler um livro, fazer
o que não fez só por viver nessa agonia de temer
ouvir um não e por isso não saber do sim.

silvioafonso

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22 comentários:

  1. Eu não permiti que contasse a minha vida...

    Mas valeu, vc foi fiel.

    Marc...

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  2. Nossa!
    Lindo demais seu post.
    Acho que todos nós de certo modo já vivemos esse medo.
    Mas a gente aprende que ninguém é propriedade da gente.
    Muito obrigada pelo comentário, já vou pedindo sua permissão para publicar seu comentário como post.
    Abraços

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  3. Anônimo,

    Este texto tem a ver comigo, contigo ou qualquer um. Para cada par apaixonado existe uma história com este princípio e meio, mas com final distinto para cada caso.

    Um grande abraço.

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  4. Codinome Beija-Flor

    Você me honra com a visita e agora com o presente. Sou fã do seu blog e seu amigo, também.

    Um abraço grande.

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  5. ...quantos mágicos momentos
    deixamos de viver,
    movidos pelo MEDO?

    quantas 'amarras' poderíamos
    soltar, se conhecessemos de
    fato o outro, e o amor
    que ele nos presenteia?

    quais os caminhos da tal
    confiança nos sinais que
    o amor oferece?

    enquanto marionetes do medo,
    seguimos abraçados à Dona Solidão.

    muahhhhhh

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  6. oi...adorei...parabéns pelo blog...
    um grande abraço

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  7. Vivian,

    Você entende mais do amor do que possam imaginar os poetas trovadores.

    Um abraço,

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  8. ...AMORE...

    Só uma flor sabe o perfume.
    Só um astro entende as estrelas
    e só uma doce criatura sabe os medos da felicidade e do amor.

    Obrigado por ter vindo.

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  9. Pelo medo do não, podemos não ouvir um sim.
    Belo e Alcione, tem uma musica (nao tem saida) que diz assim: Aprendi,é vc ou nada.Tive o mundo em minhas mãos e joguei tudo fora...por nada.Hoje eu sei que não tem saida,Tô pedindo pra você voltar.Tô pedindo pra você ficar em minha vida..." Depois de 3 meses sem contato com meu amor, num ímpeto de coragem, loucura,paixão, ou os três juntos eu enviei uma mensagem com este trecho a ele. Felizemnte, eu não tive medo de atender o telefone, era ele voltando pra mim. Vivemos uma história linda.

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  10. Karmem,

    Tudo ficou como deveria ser. Ainda hoje eu comentei com o “verde das florestas” sobre a história que cada um vê a sua vida escrever. Basta, disse-lhe eu, que um passo seja dado para que desencadeie uma série de reações. Não adianta ousar ou fugir, porque o show terá que continuar e é a vida quem escreve o programa.

    Obrigado por ter ousado, você tentou e a usina da vida não parou.

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  11. Gabriela menezes.:)

    Você escolheu o melhor dia de sua vida para ler os meus textos, por isso deve ter gostado tanto.

    Obrigado por falar aqui, no meu ouvido.

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  12. Talvez fosse melhor atender e receber um não que viver nesta agonia...Afinal a vida tem muita coisa a oferecer,se não der mais certo ficar com este alguém,paciência...

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  13. Ane,

    O gostoso do amor é o suspense, o tempo da espera. O beijo roubado aos lábios inocentes da donzela. Uma escada de madeira colocada, fortuitamente, na sacada e a fuga pelo jardim em altas madrugadas. Tranças atiradas ao príncipe que achamos encantado e os pais aflitos na fuga sem adeus e com perdão. Isso sim, é o prenúncio do amor, é a essência e a estrada que dão para a vida sem a pretensão da volta.

    Um abraço e obrigado pela surpresa
    da visita.


    .

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  14. Olá!
    Shakespeare, sabiamente, deixou o seguinte registro: "Não é digno de saborear o mel,aquele que se afasta da colméia, com medo da picada das abelhas", com o que eu concordo plenamente. Poesia, metáforas, reflexões, sempre me atraem. Gostei das suas postagens e, pode ficar certo, serei visitante cativa.
    Um abraço,
    Lygia Prudente

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  15. Cara... seu blog tá cada vez mais bonito visualmente... As postagens é qeu são "papos muito cabeça" pra mim.. mas tenho qeu lhe dizer qeu tá muito bem feito! muito chique! sério.
    Parabéns pelo seu blog e obrigado pelas visitas lá no seqvme!
    Valeu cara! Falar nisso.. tu largou o blog vptr?

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  16. Igor Otávio,

    Que nada meu amigo. A minha página não é melhor e nem a pior, apenas mais uma, entre tantas.

    Um abraço.


    .

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  17. mas olha que essa ângustia é muito dolorosa.
    eu como sempre fui ou tudo ou nada, mesmo partindo o coração, tinha atendido o malvado do telefonema.

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  18. Lygia Prudente,

    Depois de ter dormido com os versos Shakespearianos eu acordei com a discussão entre Yung e Adler, mas o que me deixou pasmo foi ver Marx, o materialista ateu, dizendo que a religião era o ópio do povo, enquanto Freud, o homem que liquidou com a idéia da alma eterna, batia palmas e vibrava com o "amigo" de conversa.

    Estas coisas a história não conta e não serei eu quem vai fazê-lo.

    Um abraço e obrigado por ter vindo.


    .

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  19. .


    claras manhãs,

    Eu também atenderia, mesmo sabendo que aquele gesto acabaria com o encanto.

    Um abraço.


    .

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  20. 'agonia de temer ouvir um não e por isso não saber do sim'

    Então isso é tão comum. E há uma certa crueldade em sentir-se feliz por saber que não se sente isso solitariamente?

    (...)

    Beijos doces

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  21. Maria...

    O amor tem muitas peças para pregar.
    Mas vale o preço e eu aconselho, nestes casos, deixar o troco para quem cobra a conta.

    Obrigado por interagir...



    .

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