quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ela era uma linda mulher...

Ele voltou no tempo e colorido sentiu-se o homem mais bonito. Trazia na pele o bronze dos atletas e nos olhos o brilho do alvorecer. Seu coração batia forte como batem, na tribo, os tambores de mensagem. Todos os dias eram de festa e todas as noites não tinham fim. Sorria muito, talvez mais do que devesse, mas sorria até que lhe doesse a boca e o rosto ardesse em fogo. Era feliz, ele era muito feliz. A mão que segurava a sua desde a infância e lhe guiava os passos desprendeu-se da sua e ele se viu sozinho, titubeante. Retrocedeu no tempo, voltou no pensamento e chorou pensando nela. Por ela ele se fazia e se via forte, por ela ele vivia a vida e sabia o seu destino. Agora, sem ela, ele já nem se vê como pessoa, não se enxerga. Sente-se
perdido, sem futuro e sem destino, mesmo sabendo que precisa seguir o seu caminho ele se nega ao sentir uma lágrima embaçar-lhe a vista e lhe queimar no peito. Ergue o queixo e vê o sol. Bate a poeira das botas com o chapéu, fecha atrás de si a porta, abre os braços e segue,
lento, pisando a grama verde, o caminho do vento.
silvioafonso

6 comentários:

  1. Se era lágrimas que você queria de nós leitores de plantão.
    Pronto! Já teve.
    Cada palavra aqui tem união perfeita.
    Me fez (me faz) recordar de uma frase que ouvi nos tempos de aula da doutrina espírita, é algo assim: "Quem a si só se basta, ou é deus ou é louco".
    Precisamos sim dessa sensação de mão que acolhe, que acompanha, seja ela mão de um grande amor, dos pais, dos filhos, dos amigos.
    Pois seria triste demais viver em plena solidão.
    Abraços

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  2. Lembrei muito, muito da minha avó. Ela foi embora, mas está tão inserida em meu cotidiano, que é como se estivesse comigo todos os dias. Mas, faltam suas mãos magras e incrivelmente macias, e aquelas veias que eu gostava tanto de apertar.
    Em Algum Lugar do Tempo.

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  3. Codinome Beija-Flor...
    Você dá sentido as palavras e não deixa motivos para mal entendimento. É fácil saber o que você diz. É bom ser seu amigo.

    Coral...
    Talvez a minha avó tenha partido, sem se despedir, antes da sua. Quanto a saudade...
    Ainda dói, quando me lembro. Ela, suiça, casou-se aos 14 anos de idade com um lindo alemão de 16. Contribuiram para esta explosão demográfica que povoou o Brasil das grandes capitais às lavouras das fazendas com rapazes bonitos e moças encantadoras e como a semente não cai longe do pau...

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  4. Colho o inefável entre as mãos do vento
    como quem colhe rosa em pensamento;

    cresço no Tempo e o colorido lento
    do vento apaga minha realidade;

    pássaro livre nos jardins cifrados,
    vôo em violino, em minhas mãos me invento.

    Colombo de Souza

    Um abraço

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  5. Silvio , este seu texto esta lindo e fez-me muito lembrar o meu Pai. Ja partiu ha muitos anos mas deixou-nos uma heranca imensa de amor,de sabedoria, de cultura que nos todos (9 filhos dos quais eu sou a mais nova)> Embora eu sempre fosse muito independente o meu Pai guiava-me com a sua infinita docura e disponibilidade. Tb com a sua sapiencia. Era costume agarrar no telefone quando tinha duvidas acerca fosse do que fosse e perguntar-lhe: Pai sabes o que e isto? Ou onde posso procurar isto ou aquilo? E, invariavelmente tinha a resposta. Fosse a proposito de Fisica quantica , teologia, Filosofia, Historia ou flores e plantinhas.
    Querido amigo Silvio, obrigado por este texto que me relemrou o meu Pai uma vez mais.
    Um abracao
    Zica

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  6. Belíssimo,Silvio!

    Um poema delicado e ao mesmo tempo real,verdadeiro,que emociona.

    Obrigada por fazer parte de meu grupo.

    Amo poesia e tenho as minhas no blog na categoria "Meus Textos e Poemas".

    E seu blog é um achado para quem gosta do belo.


    Um fim de semana maravilhoso.


    Bjs


    Donetzka

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