sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

AMOR QUE NÃO SE MEDE.

A minha intuição vibrava como um alarme de incêndio e eu corri como ninguém. Viajei três horas sem descanso e quando lá cheguei tirei logo a camisa, os sapatos eu os joguei longe e tropecei nas calças.Esqueci das meias e corri paro o quarto. Ela estava ali deitada, nua por saber-se só, parecia dormir. Tive ímpetos de me atirar por sobre aquele corpo lindo, mas a tempo travei o meu desejo e me perdi no que via...
Deslumbrei... Lambi com os meus olhos aquelas sinuosas curvas, mas eu não resisti ao volume que as suas coxas não deixavam esconder. Delirando eu me sentei ao lado dela e sem perder nenhum detalhe acariciei seu rosto, desci pelo pescoço e deixei ali um beijo. Corri a mão pelos seus ombros e estacionei no seio.
Seio liso e quente, aveludado como a pele de um anjo, macio como os lábios da cabocla e eu, sem pensar o engoli. Lambi um a um enquanto os meus carinhos buscavam pelos relevos que as suas coxas espremiam. Ali eu descansei a minha boca. Permaneci na confluência das duas pernas que eu separei, na altura da virilha. Nem um gesto, um movimento ela fez, sequer. Desgarrei uma, da outra coxa e entre elas depositei meus lábios. Tive febre e ardia em chamas a minha boca. Fogo que eu passei para o lugar que eu lambia. Esfregava nela devagar os meus loucos desejos. Abri o seu pecado e mordisquei o botão dos sonhos dela, que não resistiu. Abriu-se em duas, arreganhou a sua vida para dar à luz ao impossível e não abortar o sonho. Mordi as suas coxas para me perder no labirinto do amor maior onde nasceu, germinou e cresceu o conhecimento e as Vontades de um corpo que não vê fronteiras, não tem parâmetros e nem limites. Urros, berros, palavras sem ordem e eu me perdia. Não sabia meu nome e nem se eu era o homem ou a mulher. Se eu era um pássaro ou um selvagem animal eu não sabia. Andei em círculo, voltava aos pontos de partida e de chegada.
Mamei seu sexo e esqueci meus sonhos, deitei entre os seus seios e dormi nas coxas dela para despertar em tempo de saber o meu apêndice abocanhado por uma serpente. Passei a guarda e cravei o que trazia na metade do meu corpo; um fardo grande e grosso do meu vigor na sua alma...
Num grito me libertou rijo como a rocha em busca da gruta onde se abrigou, fugiu daquela boca quente e gulosa e entrou, sem bater. Entrou sem saber se o espaço estava livre e num supremo esforço fez-se maior para se dividir entre os
anseios e os desejos. Deixei na mulher amada, puta adorada que eu bati na cara,
um riso amarelado, e no sexo um tom rosado sem medidas, sem perdão. Fechou-se em concha, cravou as unhas na palma das próprias mãos, crispou o cenho e num grito de vitória e agonia, quase dor, sentiu o orgasmo explodindo no seu corpo e nele permanecendo por toda a noite. Só ao amanhencer ela despertou do sonho enquanto eu, sorrindo, virava para o outro lado e novamente adormecia.
silvioafonso


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7 comentários:

  1. ...nada como dar vazão
    aos gritos da carne,
    esta manipuladora de desejos
    mais íntimos e desobedientes
    até às raias da loucura.

    bjs, poeta

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  2. ...Seria injusto não falar da menina vestida de céu e de seus temporais.
    Pelo caminho de laranjeiras floridas percorre sem pressa alguma a estrada que à leva ao cenário intempestivo de
    uma cidade de luzes.
    Clarões se abrem em câmera lenta, fotografando o mundo, fazendo com que ela abra os braços, teimando em abraçar a terra, e resgatar indiferente a melancolia da alma.
    Folhas de outras estações
    rodopiam ao vento,
    caindo ao chão feito promessas
    de beijos semeados em terra profunda, encurtando a distância entre o azul escuro bordado de luzes e as raízes que a prendem
    na terra.
    A menina do fim da estrada, não fechou as janelas, nem trancou
    as portas, apenas esperou docemente..."que espetáculo dos deuses não tivesse fim."
    E sentou-se no anfiteatro do céu, querendo ser carregada na torrente de vento porque era atraída por ela, como se uma força invisível a impelisse a caminhar sobre seus medos, e ir ao encontro do destino das aves que migram buscando verões..
    A menina feito temporal e ventania
    continuou a tecer um fio de luz, no sorriso sincero de quem espera ser feliz...

    ..você me encanta e comove,
    a cada vez que visita meu chão.

    muahhhhh, poeta

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  3. ...entre a menina e a mulher,
    liberto a segunda para que venha
    despida de pudores deixando-se
    embalar nas asas da imaginação
    que plaina seu corpo macio por
    entre vales e montanhas onde
    a terra faz brotar o cio
    da sedução.

    muahhhh

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  4. querido, obrigada por sua visita, volte sempre que quiser :o)

    muito bem escrito seu texto.... na ficção e na vida, esses trechos sempre valem a pena

    beijos e feliz ano novo

    MM.

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  5. gostei bastante. é bom ler isso na aurora do ano.
    vou te deixar meu blog. gostaria muito da tua visita: www.poesiaimoral.zip.net

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  6. Parabéns por este seu belo espaço e obrigado pelo seu comentário a tão belo texto da Claras Manhãs escreveu para uma das minhas fotos, ela tem imenso talento sem duvida.
    Bom ano de 2009 paa sí e todos os seus.
    Cumprimentos,
    Nuno de Sousa

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  7. Lindo demais, há tantos que não sabem o que é ato de amor.
    Parabéns.
    Abraço

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