quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

EM PEQUENOS FRASCOS, GOTAS DE AMOR...

Foi lindo.
O pai marcou, não veio. Briguei com os meus pares sem mesmo saber que o mediador desta contenda seria a pequenina Gabi; relaxei, me rendi.
Ela chegou trazendo na bagagem a mãe, o pai e sua avó a tira colo, ou bota colo, como queiram. Pequenina de tamanho e idade, porém grande Gabi no amor de cada um.
Todos os reis e marechais, princesas e herois tiveram o tamanho que tem a Gabi. Todos foram Gabi um dia e tiveram o privilégio de por sobre o seu sorriso, sorrisos maiores e mais bonitos o sobrepuseram. Sorriso largo e sincero de parentes, amigos e amores. É muito fácil tomá-la ao colo para dizer-lhe palavras que nem mesmo quem a tem nos braços entende. Gabi sorri. O mundo sorri para Gabi e o futuro se esmerando na preparação de uma vida linda, cheia de graça e de flores, que, certamente cobrirão seus passos, onde quer que possa ir.
Louvado seja Deus no céu e Gabi aqui na terra, entre nós.

silvioafonso.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

CHEIRO DE AMOR...

Seduz como seduz a cruz, o alho, o olhar diferente da serpente que cobiça, atrai e mata.
Mata a fome o desejo. Mata a vergonha ou morre de sede dentro d’água, sobre o leito, do rio, do cio.
Perde a vaidade, estimula a fome, morde doído o peito desse homem que mata a sua sede para não ver agonizar a dor da carne machucada no pontal do seu arpoador.
Apagam-se as luzes, um grito entre dentes é ouvido no silêncio da cidade.
Ele parte no surgir do dia. Sob um véu, jaz a moça, virgem de tristeza destemida, preconceito, própria vida.

silvioafonso.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

NA HORA AGÁ...

DESNUDA era a página onde eu repousava toda a minha atenção quando a net saiu do ar. Li com calma, sem pressa. Sonhei nos devaneios da poeta. Bebi dessa leitura pra perder o senso e o siso, perdi o endereço do juízo e num corajoso voyeur, eu me tornei. Vi, ali, a paz se dissipar. Vi o fogo se alastrar queimando nela os seus pecados. Com a língua em chama os seios foram lambidos como o resto do seu corpo. Senti o cheiro do desejo, destemido jazi despido e a parte mais sensível do meu corpo, com as próprias mãos eu agredi. Sem noção ou razão eu lia o que foi dito. A invasão do meu corpo era um atrito e a fricção jorrou no ar o sumo de um homem que tem o nome agregado ao sobrenome e com o retorno da Internet eu despertei.
silvioafonso.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

MORRENDO DE SEDE, DENTRO D’ÁGUA...

Quanto mais eu gosto e entendo, mais eu tenho me calado com a política praticada em nossa terra.
Somos o seleiro do mundo, ou um dos três maiores deste planeta. Mesmo assim entramos em uma pororoca avassaladora, como todos os países entraram. Uns chegaram às raias do afogamento e outros simplesmente se molharam. O governo brasileiro se gaba de ter feito surf nas águas que desempregaram chefes de família, fecharam fábricas e comércios, ficando o seu crescimento em menos 3% no último trimestre do ano anterior e 1% no primeiro deste ano. Eu não sou economista, mas leio os jornais, acesso a internet e converso com quem sabe, portanto, eu não sou um alienado e mais; o Brasil não foi o primeiro a sair da crise, como disseram os governistas, foi sim, eu acho, o quarto ou quinto país emergente, já que a China avançou 6% na comparação com igual trimestre de 2008.A Índia apresentou recuo no ritmo de crescimento com alta de 7% do Produto Interno Bruto. A Coreia do Sul que caíra 5% do PIB no último trimestre de 2008, não só recuperou o prejuízo como cresceu 0,1% no seguinte.
Recessão nestes países, nem pensar.
O resto todo mundo já sabe; muita lero, lero e pouca ação.
E tenho dito.

silvioafonso

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

NUNCA MAIS EM COISA ALGUMA...

Você não é da esquerda, centro ou direita. Não vota, mas não reclama do governo que rege a sua vida. Torce pela seleção do seu país, mas não tem um clube que mereça o seu ódio ou o seu amor. Você não tem nome de homem ou de mulher porque qualquer um cairia bem para uma personalidade indiferente e indecisa como a sua.
Enfim, qualquer coisa que você fosse não interessaria nem mesmo a você ou a um ser inteligente, normal qualquer. Portanto, meu amigo, mesmo que eu saiba que você acenderá uma vela para o diabo eu recomendo que faça o mesmo para Deus, porque só ele entenderá a sua incerteza e poderá indicar o caminho para os seus pés.
silvioafonso.

NEM MAIS UM INSTANTE...


Como ficará a minha cara quando o tempo que passa por sobre mim pisar com pés de ferro os meus desejos, libido e levar consigo a percepção que eu tenho do cio da mulher que eu tanto quero?
Sofrido, cabisbaixo, sem riso, com siso e saudoso certamente eu vou chorar o passado recente que faz da gente o ser humano que todos somos.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

A SAUDADE AINDA PULSA...

Eu me lembro tão bem...
Parece que vejo, ainda, o meu pai deitado escondendo os olhos com o braço que cobria metade do seu rosto.
Corri para o quarto e me joguei em cima do meu herói. Fiquei meio que sem jeito e vi a minha cara enrubescer. Eu não sabia o que fazer com a certeza que eu tinha de que cisco algum havia caído nos seus olhos para deixá-los tão úmidos, avermelhados. Foram estas as suas desculpas ditas ao pé do meu ouvido enquanto abraçava e beijava o filho que eu era. Hoje eu sei o quanto é difícil esconder o pranto que não cessa. Como é difícil não chorar e ter que explicar as lágrimas que incham e entristecem os olhos. E o meu pai chorou. Chorou por não ter o mínimo necessário para nos manter a mim e as minhas irmãs naquela época, para que fôssemos como as crianças que frequentavam a nossa casa.
Hoje eu choro por coisas que eu não sabia existirem no meu peito, e que me sufocam e quase matam.
Ah, meu pai...
Que saudade eu tenho de você. Como é difícil bancar o super herói com palavras exatas e atitudes coerentes, como você era comigo. Estou fazendo tudo para ser igual a você e isso tem pesado em minhas decisões. A cada dia eu me vejo mais distante dos seus passos e, não fosse o homem honrado que você fez de mim e eu pensaria, até, em parar de caminhar.
silvioafonso

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

APLAUSO DE ENSURDECER.

Foi em festa que você chegou e mesmo que nem todos torcessem por sua vinda, hoje o amam e respeitam.
Você que parecia ter as mãos vazias, trazia no semblante a feição dos anjos, no corpo o porte dos atletas e no coração a meiguice dos monges. Seu sorriso era o prenúncio da primavera e a inteligência digna dos sábios.
Quanto tempo mais eu terei de vida para deslumbrar a mais bela metamorfose? Quanto tempo o destino terá guardado para mim e seria ele o suficiente para ver o meu filho encaminhado, a minha neta formada e educada naquilo que ela pretende?
Pai e filha. Vocês são o melhor que eu recebi de Deus. Em vocês eu não aposto tudo, mas serei àquela pessoa na arquibancada da vida a aplaudir, de pé, o grande espetáculo que vocês têm para mostrar.

Tenho a honra de saber em suas veias o meu sangue e o da mulher que nasceu para ser da gente o melhor que alguém pudesse ter.

silvioafonso

terça-feira, 10 de novembro de 2009

AVE DE RAPINA

Rompeu a casca e deu as caras. Diferente das outras aves não sabia sua própria identidade. De corpo amarelo emplumado cresceu pensando que fosse um pinto. Foi levado pela vida e só deu por si quando do alto de u’a montanha foi, por ela, atirado no despenhadeiro num vazio que não tinha fim.
O hoje já é passado e quase tudo acabou ali. A sua história não foi melhor que a de uma galinha, mas teve princípio, não teve meio e fim. Seria, mas felizmente não foi o fim de sua vida.
- Bata as asas! Dizia uma voz no seu interior.
- Isso! Bata com mais força, quem sabe você não voa e, quem afirma que chegou a sua hora, o seu fim?
Antes a ave andava com os olhos pregados no chão em busca do que comer, do que fazer, como todas as outras, do galinheiro onde vivia.
Vivia assim, mas só isto não lhe bastava, ela queria algo mais, queria ser qualquer coisa além de uma galinha pura e simplesmente porque sabia que algumas portas se abrem para quem é audacioso.
Em cada canto tem uma vaga para quem ousa e para este tipo sempre existe alguma coisa a ser feita e para isto a menor recompensa é melhor que nada.
O corpo cai pesado cheio de pensamentos e de sonhos, mas suas asas batem medrosas, mas com ritmo, no espaço o seu corpo toma outra posição e a queda é atenuada.
Esperançosa esvoaça para o alto e corajosa vê que é hora de pousar. Entre tantos alvos o seu objetivo é buscar a “mosca”, o centro negro que poucos se atrevem, mas dos que acertam, poucos recebem mais do que entende a psicologia. Não se voa alto para um pagamento injusto, uma coisa qualquer por qualquer coisa. Agora é diferente porque a águia que se achava pinto vê do alto o que os outros não enxergam de perto e isso vale um salário maior, tão grande como o tamanho de suas asas. Todas as convenções foram deixadas de lado para que pudesse seguir os seus próprios pés, suas asas.
Parabéns aos que tentaram, aos que buscaram na incerteza a sua origem em detrimento do medo e do; deixa prá lá, que a inveja e a indiferença lhes obrigam.
Pinto são todos os covardes. Um filhote de águia criado no galinheiro, necessariamente, não tem que viver catando minhoca e dormindo no poleiro, basta que troque uma parte do seu sono pelos estudos, pela chance de estar com o seu filho e seu marido e tão logo se forme na faculdade voe para o mais alto que puder para, nas montanhas, fazer o seu ninho e viver com os que a amam e admiram.
SILVIOAFONSO

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

HOJE É PRIMAVERA

Hoje é primavera. Vejo em todas as folhas o verde vivo de sua idade.
Vejo no céu um azul limpo de nuvens, de tristeza e de arrependimento e você sabe porquê. Porque hoje é primavera.
A primavera é a estação do ano que surge como um hífen numa oração, um traço de união entre dois extremos; inverno e verão.
A primavera não separa as diferenças, mas comunga em todas as línguas e todos os credos, em todos os hábitos e todas as raças.
Hoje é primavera e talvez por ser diferente e rica de história você tenha nascido.
Há trinta e quatro anos todos riam e só você chorava. Todos festejavam a sua primavera
enquanto você deitado se cobria com o céu.
O céu do nascedouro, do amor dos que o aguardavam, o amor de Deus.
Leandro, Feliz primavera. Feliz nove de novembro de todos os anos. Feliz aniversário.

SILVIOAFONSO

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

TEMPERATURA MÁXIMA.


            Tem  febre que incendeia o corpo para cozinhar os pensamentos, mas também sufoca e maltrata até matar.  Talvez seja a tristeza de quem se dedicou, fez tudo para dar certo, mas sentiu que saiu errado. Sentimento de fracasso inesperado. Guerreiro arrependido de ter matado quando o que queria era ter morrido. Agora, se num futuro próximo, a dor, graças ao medo,  lhe pareça ter ido embora, não rogue mais pela morte se tiver de dar em troca a sua acovardada vida. Matar a sede de um abraço, de um beijo. Matar a saudade de alguém querido, mas distante.  Matar a fome de quem há muito não come, matar o nome, matar, matar, matar. Não queira morrer para ter perdão, mas já que os pecadores vivem em razão do medo, por que matar então? Eu não advogo em causa própria e muito menos em causa alheia. Por isso, por favor entendam; o que eu escrevo não passa de um simples texto e não é um sufocante desabafo, mas o que justificaria a vida se até o sol morre todos os dias a cada entardecer?   Eu precisaria destas respostas para que muitos não se tornem o seu próprio  carrasco, mesmo que cada um viva encarcerado na tristeza do seu próprio corpo. 

terça-feira, 20 de outubro de 2009

DOS ASTROS, UMA ESTRELA NOVA.

É na espiral, entre o sol e a lua, que eu fico zonzo e perco o rumo. São nestas curvas que eu te vejo tonta, de rota torta, sem setas, sem metas.
Busco distante o luar de que tanto falas para saber do teu limite, se ele existe.
Rola rala a brisa que te move e por ti se torna remo fácil no manejo do teu barco.
Barco que remonta universo abaixo pelas corredeiras tortuosas, pedregosas, entre as estrelas, ópio em minhas veias.
Vento brando, brisa rala que espalha a branca nuvem, alcalóide cristalino que nasalo corpo adentro, alma afora.
Esperneies, esbravejes, mas não te gabes se para aspirar o que te adormece, tiveste de apertar os astros entre planetas e satélites.

silvioafonso

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O AMOR DELA E O MEU, PRÓPRIO.

Do suor que regou teu corpo tu lavaste todas as minhas lembranças.
Vejas nestas marcas roxas que fizeste no meu coração com a força dos teus desejos. Elas são de força diferente da força do amor que tu fizeste em mim nascer. E a minha alma, que esfacelada se julgava morta desperta com um grito surdo, intenso, quase mudo, no interior do peito que abrigou teu medo, teu beijo e o amor que me faz vivo?
Se a nudez que descobriu meus sonhos e agora os deixa frios, sós, desprotegidos, descobriu também esse rosto que latente se mostra sorridente em minha mente embaçando os pensamentos obscuros desta dor que me fizeste. Digladio contigo desesperado e já nem sei por quê. Talvez eu busque essas respostas, como buscam as lágrimas furtivas dos meus olhos um canto para morrer e nesta morte eu tento matar o que me causa amor, me afronta com o irônico do seu sorriso, na distância que ele mesmo provocou.
silvioafonso

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

TENHO TODAS AS IDADES, INCLUSIVE A MINHA.

Aceitar a minha idade é o orgulho que eu tenho. Não renego uma parte do tempo que eu tenha vivido, digo isso sem nenhuma hipocrisia e mesmo que hipócrita eu fosse, não seria razoável que eu apagasse alguma fase da minha história para ficar cinco, três ou um ano que fosse, menos velho. Eu não seria justo com os momentos em que eu aprendi não me lembro o que e quando, mas certamente, alguma coisa eu aprendi e por isso eu não cortaria algum período de minha vida, mesmo porque eu não me lembro quando um fato importante aconteceu. Por isso, como eu vou negar o tempo em que eu ambicionava um grande amor? Certamente isso está fora de cogitação porque por este momento eu esperei a minha vida, quase, inteira, ou eu rejeitaria os instantes em que eu subia a serra para conhecer a moça dos olhos cor da mata ou os dois anos em que eu fui feliz com ela ou quem sabe; o tempo que eu continuei menino entre seus braços, seus beijos e abraços, planos e esperanças? Ah, eu não vou mentir... Não quero isso porque não ganho nada e se ganhasse, nada valeria os momentos em que eu sorri de perder o fôlego. Em que eu chorei para aliviar a alma e em que eu busquei a morte pra nascer de novo. Nascer puro, sem passado e sem pecado. Só para ser dela. Absolutamente dela, mais uma vez.
silvioafonso.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

SÉRIA, BONITA E INTELIGENTE.

Poucas são as mulheres que debruçaram na cátedra da vida apregoando sua força e a sua dor, e as que o fizeram se calçaram em rimas ou versos de forma que dissessem o amor sobre todas as coisas. Um amor com o delírio da música, com o cheiro da flor ou um amor que esculturasse o corpo e a mente sem abrir mão dos sonhos e da fantasia. Clarice Lispector, Cassandra Rios e você, que do alto deste morro me cobre os dias com a luz verde do seu olhar, todas deram a cara às fotos e aos fatos, aos ditos cochichados e aos fatos consumados.
Olhos brilhantes, às vezes com riso, sem rancor ou medo. Português da culta norma num labirinto estreito da gramática, pragmática, religião que permitissem a música das cores e das sombras numa liberdade de supremo encantamento, suspense, narrativa da força dos desejos e do amor da bela e audaciosa mulher que ama sem esconder do público o seu sentimento, nas palavras fortes que macula a alma e deixa cicatriz, mora a verdadeira mulher moderna.
silvioafonso

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

UM CÉU PARA VOCÊ...

Com um dos cinco filhos, cinco reais, foi o que ela gastou na formação do mais queridos e menos desejado. Pequeno investimento para uma grande responsabilidade. Dinheiro dividido para multiplicar o homem que aos 20 anos, já formado, atreveu-se pelos jornais e ousou na administração de um dos maiores bancos do País. Casou-se e viu nascer o primeiro filho. Separado teve com outras namoradas os filhos que faltavam. Estudou teologia, mas a ciência subjugou o milagre e fez surgir a fé. Quis educar os mestres e pelos caminhos da psicologia ele caminhou. Estudava para fazer mestrado, mas um amor maior que o de sua própria vida tomou para si o seu destino; não se drogou, não se prostituiu assim como não se frustrou quando jogou a ciência que estuda os fenômenos mentais para o alto e subiu a serra. Subiu o mais alto que podia e foi morar junto as estrelas...
silvioafonso.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O VERDE NOS OLHOS DELA...

Entre todos os meus desejos residia o de ser eternamente apaixonado, não por uma deusa ou princesa e que por mim se arrastasse ou aplaudisse a cada palavra ou gesto que eu fizesse, mas por um ser de alma transparente, singular. Uma pessoa inteligente que soubesse distinguir o choro do pranto e o sorriso, do gracejo. Uma pessoa que discernisse entre o rico de coisas e o pobre de espírito. Que entendesse a misericórdia divina e a misericórdia do golpe. Uma pessoa que não andasse por sobre as águas, mas pelos labirintos da minha alma como andam os mineiros na escuridão dos túneis de carvão aonde vivem e morrem.
Eu queria amar como amam os passarinhos; em bando, cantando para morrer sem saber que a hora lhes é chegada. Eu tenho, entre tantos, o desejo de viver uma vida como esta; esverdeada, como verde é a cor dos olhos dela.

silvioafonso

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

EU, ELE E A SUA SORTE...

Ele sentia, com o acelerar do seu coração, que era chegada a hora. Ele entendia que a felicidade não seria pesada para os seus, já curvados, ombros, desacostumados do amor, mas ao abri a janela do seu quarto, certa feita, viu que fugia da sua vida a felicidade que lhe honrou por pouco tempo, mas o tempo suficiente para faze-lo eternamente feliz.
Tudo começou com o fogo da paixão que lhe queimava todo o corpo.
Foi poeta, vagabundo, cavalheiro e cafajeste. Deu na cara do orgasmo da mulher que ele mais amou e recebeu na própria alma o troco do seu atrevimento. Depois partiu por caminhos desconhecidos e não sabidos, mas não sem antes deixar com ela, num último beijo, mesmo que chorado, o homem feliz que ele foi um dia, para levar consigo o que de si sobrou da guerra que participou, mas que perdeu.
silvioafonso

terça-feira, 8 de setembro de 2009

FICO ASSIM, SEM VOCÊ...

Eriçaram o meu espanto e a minha agonia.
Meus pêlos que, de todo dia, buscam de pé por teu momento de libido, de tesão, ficam em ponto de quebradura tal a rigidez da envergadura.
Dói de duro o meu desejo. Tua boca vermelha, molhada do gozo reprimido se oferta trêmula, viva, como um cordeiro oferecido aos deuses que despencam do Olímpio agarrados às sedas que abastam de Freya, deusa-mãe da dinastia, as pernas, abertas, como um leque de pavão.
Não insista, não belisca, pois se durmo não sinto a vida e se não vivo, não pretendo a lápide fria, mas o teu colo quente com cheiro de gozo ardente onde me esvaí em sumo branco, quente que procria.
silvioafonso

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

VOCÊ EM MIM...

Mais uma vez ela fraquejou das pernas e se deixou cair de costas, subjugou-se ao homem que a comprimia contra a cama e que num selinho apressado acarinhou seus lábios cujo trajeto ela já adivinhava; dos lábios para, pescoço abaixo se deixar perder por entre os seios num demorado e molhado beijo. Mão na mão, no corpo, no rosto e num desmanchar de cabelos o ato se consumaria para num apressado gesto, vestir as roupas e ir embora. Seria bingo se todas as histórias não tivessem desfechos diferentes, tristes ou felizes.A boca que selou num beijo o silêncio dos seus lábios era a mesma com que ela sonhara. Era doce no beijar e no dizer do seu nome. Suave quando sorria e bonita quando deixava transparecer a simetria dos seus dentes. Olhos, de cuja cor já não se esquece, olhavam por entre os seus e, alma à dentro varriam os cantos reprimidos, sofridos e queridos da mulher que sorria, vivia como todas as outras, mas que sofria diferente das que conhecia. Mal, ou bem de amor, não sei. Mas sei que o corpo que prendia o seu naquele instante, não prendia por sexo, paixão ou vaidade, mas por um amor de conto de fadas, de sapo, príncipe encantado, escravo, súdito e senhor. Prendia por um amor maduro que cheira à vida, à saúde, à beleza e à sinceridade. Cheira a outono e a todas as estações do ano, porque só o amor sabe pintar com as cores que pede o coração.

silvioafonso.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

FIM DA PICADA...

Tu chegaste, paraste e te deixaste ficar. Ficaste para conhecer a intimidade do caseiro e te perdestes no doce mel dos seus olhos. Tu estavas entrincheirada nas difíceis possibilidades e por isto lutaste para não ceder à sua graça, mas abriu-se como uma flor no raiar da primavera quando ele jogou sobre ti o seu olhar e o seu sorriso. Insinuou-se. Tirou de tua frente os obstáculos do talvez e do depois e de joelhos viu o teu amor se por aos pés do príncipe de todos os sonhos. Do homem que Van Gogh pintaria em tua tela. De um deus grego brasileiro, de tuas vontades e de ti. Esta lição nos é oferecida a cada instante. De quando nasce o sol, desabrocha a flor ou cantam os passarinhos. Eu, pobre vagabundo, esperançoso em melhorar o mundo trago para os nossos passos esta trilha, que eu mesmo desmatei.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

NO DIA DOS PAIS...

Olha a cara desse cara. E o pior e que se trata de um grande

amigo meu e tudo o que eu digo, nesta narração, não é mais

do que uma homenagem a grande figura que ele é.

silvioafonso.

sábado, 8 de agosto de 2009

E SE ELE CANTOU, TAMBÉM ME ENCANTOU...

Estou preso a todo o tipo de manifestação; de alegrias ou de tristeza. Eu, cara pálida de todas as cores, hoje pai, não vejo grande agonia se um filho perde uma copa, mas o seu irmão ganha a outra. Este é o mundo da compensação, enquanto um entra o outro sai e vice-versa. Felizmente o Homero da minha vida não viveusua tragédia diante dos meus olhos. Eu não conheci meu pai, mas no jogo do perde e ganha eu ganhei com quem o substituiu e ele desenvolveu de tal maneira este papel que, se pai for o que aquele cara foi para mim, o dia dos pais precisará ter uma nova relevância e bem melhor para o segundo domingo de agosto de todos os anos. Meu "pai" foi na minha vida o exemplo que eu dou aos meus filhos e a quem com eles viva. Foi o super herói, o vingador e o criador da máquina do tempo que me trouxe ao futuro promissor. Meu pai é, na minha lembrança, o narrador da história de vida que agora eu começo a escrever. Feliz dia dos pais, não só para os filhos, mas também para os caras que abriram mão dos estudos e do seu futebol para levar o seu rebento a se tornar Zico, Roberto Dinamite, Garrincha, Rivelino ou professor.
silvioafonso

quinta-feira, 23 de julho de 2009

MEDO DA PRÓPRIA VIDA...

Hoje eu quero descansar na inocência, quero ficar, mesmo
que por pouco tempo, em um ninho de passarinhos. Quero
me deixar levar pelo suave balanço das águas de um riacho
que serpenteia por entre casas de chão batido e telhado de
sapê. Eu quero me perder por entre as flores para, mesmo
sem esperança, reencontrar no meu corpo o perfume da
criança alimentada, educada e sem tristeza. Eu não tenho
e não quero a grandezas da indiferença, pois se eu pudesse
com as minhas palavras abalar o mundo, hoje eu não diria
um ai que fizesse os monges calarem a sua prece ou
baixassem do céu o seu olhar. Palavras que tirassem o
fôlego ou fizessem falar os mudos, eu não diria, se pudesse.

Eu não invejo, pelo menos não me vejo assim, a riqueza dos
ambiciosos e de lugares incomuns eu não me permito cobiçar,
da gramática exata da norma culta eu não aspiraria
demonstrar conhecimento, mas não resisto à tortura que
não me deixa dormir nas madrugadas frias e só por isto eu
grito, cobrindo a voz com a vergonha que é a minha
companheira, neste desfiladeiro onde agora, hoje ou, quem
sabe um dia em u’a manhã qualquer de primavera eu imite
os colibris e as borboletas e saia colhendo o mel de cada flor
que viça na mais linda "vista verde" que os meus olhos já
tiveram e assim, somente assim eu vença o medo de viver
a vida que eu tenho.

silvioafonso




sexta-feira, 3 de julho de 2009

PARABÉM PRA VOCÊ...

Hoje está um corre, corre, sem precedentes. Coisa
de louco.
Um sol que nasceu às pressas tentando permanecer
no céu por mais tempo que o natural, enquanto as
estrelas o empurram para o mar de onde veio
enquanto uma garoa abraça a terra tentando a todo
custo lamber, como que sua cria fosse, a bela
menina que se fez mulher no primeiro 3 de julho
de todas as histórias.
Parabéns Kelly! Gritam os rios e as cascatas. Seja
feliz, menina dos olhos da cor do mar! Respondem
todas as plantas num verde de doer os olhos. Nós a
acompanharemos, à nossa moda, por toda a sua
vida, resmungam os animais de todas as espécies e
para mim, que sou o mais tímido dessas
possibilidades, só me resta cair de joelhos e rogar
aos céus que tu sejas feliz, não só hoje que é o dia
do teu aniversário, mas enquanto durarem os
sentidos e enquanto uma luz, por menor que seja
a sua chama, indicar um caminho qualquer nesse
imenso universo que é a tua vida.

silvioafonso.

terça-feira, 30 de junho de 2009

CONSERVATÓRIA DO MEU AMOR....

Aguço, no final de cada tarde, os olhos, buscando adivinhar
a tua direção. Vejo vultos de mulher que escapam ao dia
para entrar na noite escura dos meus turbulentos pesadelos.
Sinto o acelerar desesperado do meu coração expulsando a
minha alma de romeiro para iniciar a busca à silhueta da tua
presença sempre desejada. Embaça mais e mais o meu campo
de visão, mas o corpo alerta, já sem pressa e sem ruído teme
pela solidão da tua ausência.
O tempo não para, pelo menos para os que, como eu,
acreditam que até ao amanhecer qualquer minuto, qualquer
segundo será uma eterna caminhada.
Eu quero dormir pensando em ti, pretender cobrir o frio do
meu corpo com o esmeralda verde do teu olhar e viajar para
qualquer lugar no infinito embalado no bater suave e doce
do teu coração.
silvioafonso

segunda-feira, 1 de junho de 2009

NUA DE AMOR...

DESNUDA no teu blog estavas tu , cuja imagem eu lambi
com olhos de agonia e o que escrevias quando a net saiu
do ar. Então, sem pressa eu li com zelo e cuidado de
exploração. Sonhei nos devaneios de um poeta. Bebi da
poesia e gozei no senso, sem siso, perdi o endereço do juízo
e num corajoso voyeur, eu me tornei. Vi, ali, a paz se dissipar.
Vi o fogo se alastrar queimando dessa mulher os pecados,
acariciando com a mão de fogo os seios e com a língua o rosto
e do corpo, o resto. Senti um forte apego de desejo, destemido
jazi despido e o nervo, mais sensível, do meu corpo eu agredi.
Sem noção ou razão eu lia o que escrevia enquanto a minha
mão friccionava o nervo ótico fazendo jorrar no ar o sumo do
olho de um homem que vive em função do nome e do
sobrenome; silvioafonso, de Kelly e de Rebecca... Despertei com
o retorno da Internet, molhado de suor e de cansaço para viver
o mesmo dia.
silvioafonso.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O TEU SONHO É A MINHA REALIDADE...

Abraçada aos livros como a um filho ela passava linda,
sensual. Tinha no chão os olhos e sobre si os mais
curiosos, desejosos dos que paravam para vê-la
caminhar. Entre tantos os meus acompanhavam o
seu andar; sério e bonito, vagaroso, definido me
lembrando das manhãs na mesma cama em que
dormimos e em que dividimos os nossos sonhos e
pesadelos eu me recordava do seu rosto de beleza
perenal sobre o travesseiro, certamente esvoaçando
como as borboletas por sobre as flores da vida que
eu plantei. Corri pra ela, assustada abriu-se em risos

que morram num beijo demorado e no melhor dos
meus abraços eu senti o cheiro da mulher bonita,
fruta madura, terra carpida, cheiro de chuva em terra
quente, ressequida, forte como quem chega da morte
e nela eu me perdi. Seus olhos fechados e o seu
hálito quente no meu pescoço me fizeram acreditar
que eu a tenho como nos meus sonhos, que ela é
minha como eu acho e que a nossa vida é pequena
para o tamanho do meu sentimento.
silvioafonso

quinta-feira, 21 de maio de 2009

CARA DE PALHAÇO, PINTA DE PALHAÇO...

Quando eu nasci o meu sofrido pai vestiu-me de grandes
colarinhos, um nariz vermelho arredondado e um par de
sapatinhos coloridos como a vida que ele queria para mim.
Hoje, se Ele fosse vivo, choraria com o riso que eu provoco
quando volto tarde do trabalho, macacão velho e surrado
sem trazer na cara as cores da alegria, mas os primeiros
traços do cansaço e da coragem que insiste e permanece
viva me empurrando para a frente enquanto pinta nesta
cara de palhaço a mesma lágrima que curvou o corpo do
meu pai.
Sem pão e sem a esperança de ver as coisas melhorarem

eu esqueço da minha tristeza e rezo por ele...
Saudades de ti, meu pai; que dava os seus carpados duplos,
sem rede e sem pintar a cara. A bonita cara que tão poucas
vezes eu beijei.


silvioafonso


terça-feira, 12 de maio de 2009

O CHEIRO DO AMOR...

Sinto que te deixo calada, cansada e na cama
jogada como um boxer nocauteado.
Parto, como parte o grito nosso em cada noite

acordando a cidade nervosa que se acende como
acesa estavas tu quando eu cheguei e te apossaste
de mim como um faminto no self-service da
paixão.
Antes de fechar atrás de mim, a porta, por sobre

o ombro eu vejo os lençóis de linho em desalinho
perdidos entre a tosca luz e as tuas pernas que
não se deixaram cobrir. Paira, eu sinto, no ar,
ainda o cheiro acre do encontro suado dos
corpos de nós dois.
Arrasto o casaco para as minhas costas e esqueço

perdido na tua lembrança o encontro dos desejos
pelos quais chorei até que o gozo me calasse e em
tua face jazesse este sorriso debochado que
lamberá a tua cara por todo o dia até que eu volte
como volta o sol para morrer no anoitecer.
silvioafonso




quinta-feira, 7 de maio de 2009

ELA FOI EMBORA E, EU CHOREI...

... E ela partiu, foi embora da minha vida sem
dizer nada e olha que vivíamos felizes, sem
brigas, sem cobranças e se um saía o outro
ganhava um beijo e a rota dos seus passos.
Eu vivia criando motivos para presenteá-la com

flores já que as mais cheirosas e as mais belas
eram as suas preferidas. Ela não se importava
se não fossem rosas, mas eu escolhia as maiores
e bem vermelhas. Eu fazia questão de mandar,
com as flores, um cartão com o seu nome
desenhado, assim como desenhada ela foi na tela
da minha vida. Como eu gostava dela... Gostava
e gosto. Todos na minha casa sentiram muito com
a perda e eu não me conformo. Partiu sem deixar
pista, uma palavra com duplo sentido, um bilhete
falando do gato que subiu no telhado ou um
recado que o vizinho mais próximo pudesse me
dar, mas, nada. Ela foi embora da mesma
maneira que chegou; sem dizer uma palavra,
mas me causando risos e agora lágrimas. Eu
não queria fazer público do vazio que me corroi
o corpo e congela a minha alma, mas não tenho
e não sei como calar e é desta forma eu me
despeço dela, com todo o meu carinho e a
grandeza do meu amor. Eu sou, como VOCÊ dizia,
o melhor e o mais fiel de todos os seus NETOS e
por isso a perda ficou desse tamanho.
silvioafonso
(Foto da Internet)

terça-feira, 5 de maio de 2009

UMA GRANDE “PALHAÇADA”.

Na quinta feira passada eu fui ao teatro. Fui para ver o trabalho
dirigido por DANIELA CARMONA, quanto ao nome da peça,
"Clownssicos", não fazia para mim a menor diferença, DANIELA
era a certeza do sucesso.
Busquei a companhia mais exigente e às 18h30m nós já comíamos
pipoca na porta do Nélson Rodrigues, próximo da Lapa, no Rio de
Janeiro.
Frustração...
Fiquei pasmo com o deboche apelativo e descarado dos atores, em
cena.
Não entendo como um grupo que foi capaz de grandes
apresentações chegar às raias do ridículo.
Juro que pagaria para ouvir explicações da diretora.
silvioafonso

terça-feira, 28 de abril de 2009

EU NÃO VOU PIRAR...

Eu tinha muita vontade de terminar os estudos de psicologia e
fazer mestrado para, entendendo o meu aluno, fazer dele, no
mercado, o melhor profissional. Seria um segundo curso
universitário, mas os sonhos pereceram com um tiro que eu
dei no meu próprio pé. Bastava um olhar para que eu analisasse
a pessoa, sem a necessidade, sequer, de uma palavra. Isso me
fazia mal e acabava com a simplicidade, natural, dos meus
costumes. Eu tinha receio de, consertando o mundo, viesse a
ficar sozinho e me visse singular, perdido na imensidão desse
deserto criado por Sigmund Freud, Alfred Adler, Carl Jung,
Jean Piaget e outros que roubaram o meu jeito, humilde, de ver
as pessoas, como antes. Isto posto eu fico sem acreditar que as
moças vejam os rapazes com olhar, cobrador crítico dos
psicólogos que buscam a impureza da pedra em detrimento da
gema valiosa. Nós homens não somos o lado inferior da espécie,
porque uma parte, mesmo que pequena na composição humana
dá ao homem a dimensão exata da metade, tamanho necessário
à perpetuação de sua espécie, pois sem um dos dois, o um seria
zero.
silvioafonso

sábado, 25 de abril de 2009

UM AMOR QUE NÃO MORRE...

Sábado passado eu decidi ir ao teatro. Reservei os convites e levei comigo a mulher mais bonita para sentir a profunda emoção como o fórcipe tira do útero uma criança. “TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA” é uma produção simples como todas as montagens que não contam com o patrocínio ou verbas honestas. É a história de um casal de rapazes; um catedrático da faculdade e o outro um artista plástico. O jovem professor está no estágio terminal de uma doença degenerativa e enfrenta, ao lado do companheiro a decadência do corpo e os preconceitos. A peça atingiu o seu objetivo que era arrancar de dentro de cada um a emoção mais profunda que o ser humano pudesse esconder, de alguém ou de si mesmo. Antes do espetáculo começar o ator, que incorpora o artista plástico, dá abraços apertados em espectadores escolhidos ao acaso, deixando claro o que nos aguardava na plateia. O professor, mais velho, perde o emprego por causa da doença e de sua sexualidade.
O casal se conheceu numa galeria de artes onde o jovem artista que teve a sua infância privada de amor, expõe o seu trabalho. O amor dos dois é praticamente indestrutível. Coisa assim. No telão apareciam frases, como; “NÃO SE LEVE TÃO A SÉRIO”, “A VIDA É MUITO CURTA PARA SER PEQUENA”. Portanto “TODO AMOR...” é um trabalho de, amor. A honestidade dos atores que fizeram da peça, não a melhor que eu e ela já vimos, porém uma das mais emocionantes.
silvioafonso
............................................Foto by Internet

quarta-feira, 15 de abril de 2009

HOJE É O DIA DO SEU ANIVERSÁRIO...

Estão chegando as luzes do outono. Com o fim do verão os dias deixam de ser quentes, mas não são tão frio ainda e é nesta
época que as flores caem dando espaço para o surgimento dos
frutos e os animais se reproduzem na construção dos ninhos.
Os insetos, como as borboletas e as abelhas voam a procura da
flor que não morreu, em busca do néctar. Neste período a
temperatura não é baixa e nem tão alta de forma que o outono
fica sendo uma época muito agradável e é exatamente neste
período que, entre flores, luz e emoção, nasce um dos homens
mais importante da minha vida, depois do meu pai. O seu
nascimento transforma em paz e poesia tudo o que surge na
estação. Nasce chorando para a alegria de todos. Cresce sorrindo
e este sorriso é a luz que ilumina o mundo. O mundo das pessoas
apaixonadas; o meu mundo. Quando homem, toma para si a sua
própria vida e aprende, tropeçando nas dificuldades a caminhar
com os seus próprios pés. O trabalho e o amor aos que o cercam
fazem de sua existência uma história bonita de criança e do outro
lado da vidraça, a festa do seu aniversário bomba para a minha
felicidade. Em nenhum momento em todos os anos de nossas
vidas eu fiquei ausente, mas hoje é diferente porque neste
momento ele se encontra no alto da montanha de onde sairá em
voo solo e por sobre as nossas cabeças e principalmente a minha
sentirá o amor que por ele temos, e eu, que trago no peito a forte
emoção de pai, mesmo tentando, não esconderei a lágrima
teimosa que insiste em molhar as lembranças do seu tempo de
menino. Parabéns meu filho. Que a sua estrada seja longa, como
longa será a sua vida, mas que a sombra fresca da felicidade esteja
a cada passo para confortar, se for preciso, o seu corpo que se
cansará um dia, como o meu, agora.


silvioafonso


quarta-feira, 1 de abril de 2009

CABELOS CASCATEANDO COMO A ONDA, NUA.

Nada é mais bonito que a vista
conquistada ao alto de tua
beleza. Pico moreno cascateante
fios negros face a baixo
debulhando como espuma nos
brancos ombros onde comprimem
as pérolas dum rijo par de seios
engrandecendo o peito que me
guarnece, enriquecendo o porte.
Abdome necessário, cor da aurora,
suportado no quadril apenso num
umbigo, conciso, de boa anca nas
pernas longas, roliças, lisas como a
tez dos anjos ou das flores orvalhadas
na manhã de primavera, quimera vida
tua, tão pura que sucumbe a minha
num único desejo.


silvioafonso



segunda-feira, 23 de março de 2009

A CRISE FINANCEIRA E O MEDO DE RESISTIR.

Quando o exército alemão (CRISE ATUAL) avonçou em todos
os sentidos provocando na França a Grande Debacle (derrota).
André Maurois, um escritor que foi testemunha do desastre e
notificou o mundo mais tarde que de todas as aldeias da Bélgica
e do norte da França, uma imensa coluna humana começou
a se movimentar para o sul, para dentro do território francês,
em busca de abrigo (Principalmente o povo pobre brasileiro).
Homens, mulheres, idosos, crianças e adolescente em fuga,
atravancaram as estradas da região. Os reforços que foram
enviados para tentar conter as linhas de penetração alemã
(O Brasil com sua gente que reclama, mas não se curva diante
do perigo), tiveram que antes enfrentar a massa humano que
não parava de crescer (A fé de nossa gente e a sua vontade
de liberdade). Era uma triste paisagem. Um povo inteiro fugia
perante o invasor (Os gananciosos vendem, barato, as suas
ações e os especuladores compram para se tornarem iguais).
Ninguém parava para resistir, sequer esboçavam um gesto de
defesa (Reclamar sem nada fazer não é pertinente). A França
caminhava com seus próprios pés para o colapso (Os Bancos
da Europa, Ásia e das Américas). No quartel general francês,
conscientes do desastre nacional, os oficiais se abraçaram e
choraram, como choram, agora, os responsáveis pela Crise sem
tamanho que quebram, da planta, a folha nova que nascia.

silvioafoso

quinta-feira, 19 de março de 2009

PONTO DE CRUZ.

CLODOVIL conseguiu, à sua maneira, trazer ao conhecimento
do público brasileiro um jovem cantor americano de voz suave,
aveludada. Fez isso agitando o telespectador no seu programa
"A CASA É SUA" e, quando afirmou que no filme,
"CINEMA PARADISO" o cantor emocionava a qualquer um, fez
o público correr para comprar o CD, que não constava do catálogo
de qualquer loja, assim como espichou as filas nos cinemas.
JOSH GROBAN que eu já ouvia para sonhar teve mais espaço na
minha admiração quando eu comecei a entender o amor. O Josh
que hoje ouvimos com o coração é um trabalho do apresentador.
Clodovil antes dos sessenta anos não havia falado, abertamente,
sobre a sua homossexualidade. Ninguém tinha dúvidas, claro,
inclusive ele seria, na época, o porta-bandeira da militância.
Homem de vida pública, com passaporte à mídia a qualquer tempo,
poderia ter sido um grito em defesa do diálogo aberto com a
sociedade sobre os direitos da “classe”. Não o fez talvez por causa
dos seus fantasmas que arrastavam correntes no assoalho
barulhento de sua alma ou talvez não o tenha feito por vontade
própria, mas por medo da contestação do seu público ou da sua
ignorância, nesta área.
Hoje as revistas e jornais fazem homenagem póstuma ao
apresentador, artista da costura e político que deixa o seu lugar
para outros, mas comigo fica, tão somente, a lembrança do
irreverente mágico da costura.
Descanse em paz, costureiro da fama, apresentador da gama,
político da passarela.

silvioafonso

terça-feira, 17 de março de 2009

A CHAMA DO DESEMPREGO.

Uma empresa para contratar você precisa dispor do valor do
seu salário e a ele somados, obrigações sociais como, Previdência
(INSS) e FGTS, assim como outras despesas; férias, feriados,
aviso prévio e décimo terceiro. Uma empresa para contratá-lo
tem o custo de 102,43% sobre o salário que pagaria a você. Este
cálculo é feito por alguns economistas e contestado por outros
que alegam a soma das férias e descanso semanal ao salário
propriamente dito. Mas se considerarmos apenas as obrigações
sociais que incidem sobre a folha de salários, o custo de cada
contratação é de 35,8%. Isso é maior do que todo o custo da
folha no Japão, que chega a 12%, e nos EUA, de 9%.
A despesa de contratação é tão alta no Brasil que induz o sujeito
a comprar produtos no Paraguai para revenda ou a outros tipos
de informalidade. Induz ao desemprego, como no seu caso, a
automação (dispensa da mão de obra humana) e a sonegação
na área previdenciária, que ainda é muito grande no País. São
absurdos os gastos que as empresas têm e ainda contam com
a burocracia.
A crise desemprega, mas não é desculpa para enfraquecer já
que as negociações temporária, entre todos, podem ser uma
alternativa e por falar nisso; vamos ao circo para não ver
desempregado, como você, o palhaço das cambalhotas precisas
e das histórias tristes que fazem rir e chorar os empregados e
patrões, políticos e vagabundos.

silvioafonso.

sexta-feira, 13 de março de 2009

HOJE,ainda, É O DIA DA MULHER.

A mulher é tudo isso que se tem falado, talvez até um pouco mais.
A mulher tem o privilégio da igualdade; todas são belas,

inteligentes, perfeitas, mas o homem não. Ele se define como novo
ou velho demais. Por um instante um se considera sábio e o outro
muito feio. Um é feliz, mas o outro não tem estudo ou emprego.
Uns derrotam os seus adversários numa competição, mas a maioria
fracassa quando está diante de um simples problema. Só uma coisa
o homem sabe que tem melhor que a mulher; é a humildade de
saber-se inferior, de entender que o raciocínio lógico não é a sua
máxima e por isso oferece flores, perfumes, bombons e jóias para
uma mulher, que nem sempre é a mais inteligente ou a mais bonita,
não é a sua ou não será jamais, porém olha nos seus olhos, se curva
diante dela e lhe beija os pés.

silvioafonso

segunda-feira, 9 de março de 2009

TODOS OS DIAS TÊM A SUA CARA, MAS COM OUTRO JEITO.

Nesta semana foi comemorado o dia da mulher e, até parece que
ela tem direito a um dia dos muitos que tem o ano. A ela
deveriam ser dedicadas todas as horas de todos os dias de todos
os anos, mas não tem sido, aliás, nunca foi assim ou mesmo
parecido. Neste dia em que ela poderia realizar todas as suas
vontades e os seus sonhos, não consegue mais que um almoço,
um beijo ou um sorriso. Hoje, depois de todas as “festas”,
abraços e promessas eu revejo a mulher com o mesmo avental
e o mesmo olhar debruçado na distância enquanto a sua presença
cumpre com o seu legado.
Dia da mulher. Mês da mulher. Vida de mulher.
Mulher que me deu o ventre, generosa terra adubada onde
semeei os meus filhos e esperei que se formassem. Mulher que
não viu o seu dia, os seus meses a sua vida. Mulher que cuidou
da criança de dia e por toda a noite, sem dormir. Que cuidou da
casa, do marido, da comida. Mulher macho, quase capacho, mais
forte que o homem que se fez marido e pai dos filhos que lhe deu.
Mulher de brilho nos olhos, vergonha na cara, que não compra e
não se vende, mas se rende a um simples sorriso por detrás de
uma flor, que seja de quem criou esta data ou, de qualquer outra
pessoa, que for.
silvioafonso


sexta-feira, 6 de março de 2009

Na sala de aula. Outra vez...

Você opta por estudar letras e eu comunicação. Tempos depois
ela deitou os seus olhos, verde água, por sobre a cátedra da
pedagogia e eu escrevi sobre você, sobre a didática em uma
nova concepção, segundo os seus métodos melhorados. Você
recebeu as flores, a beca e a chave em forma de diploma que
lhe abriu todas as portas, mas, aí, quem volta às salas de aula,
sou eu. Eu queria saber mais, queria estudar o comportamento
psicológico das pessoas, eu queria entender a dor sem chagas
e as lágrimas noturnas da alma. Eu precisava saber o porquê
da doença ser a forma da pessoa expressar um sofrimento e
o porquê do corpo ser a via de escape para a sobrecarga
psíquica.
Abraçado ao meu novo tesouro, em forma de livros, eu avancei
sala adentro e escolhi, não o melhor lugar, porque nele está
você, mas um lugar onde, principalmente na classe eu fosse
o primeiro, o primeiro na pretensão e nos desejos. Nós dois,
eu e você outra vez, mas agora juntos, com a luz do
conhecimento somando forças e sacrifícios em busca do
entendimento e da razão, da justiça e dos caminhos por onde,
às cegas, caminha a humanidade.

silvioafonso
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

PALHAÇO, O DEUS DO CIRCO...

O palhaço não veste roupa especial ou necessariamente pinta
de alegria a sua cara. O riso que nem sempre ascende dos
seus lábios, mas cria nos olhos da molecada o espanto do
improviso, não é postiço ou mentiroso. É real, é verdadeiro.
Não é criação do ser humano, da natureza, mas do grafiteiro
eterno que tatua na alma do escolhido a vida que ele leva.
Não dou vivas ao palhaço pelas cambalhotas ou pela graça
que ele faz, mas pela esperança que reflete na vida da criança
e a saudade da juventude na vida do idoso que ele causa.
silvioafonso.



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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

NO BANHEIRO, FEMININO OU MASCULINO?

Ele era alto e forte, bonito, sensual. Bateu atrás de si a
porta do banheiro e se perdeu em um bloco que passava.
Outros rapazes, senhores casados, solteiros, sozinhos e
acompanhados sambavam felizes enquanto o trio
elétrico vazava pela praça da Igreja calando os blocos.
Tambores marcavam o ritmo, mas ela tinha o seu; era
eloquente, suave, inebriante como o voar das gaivotas.
O som parecia distante como um papel de parede ou a
trilha sonora de um carnaval que mexeu com a libido do
seu corpo e entorpeceu a sua alma. Suave como as águas
calmas de um riacho ela seguia o vibrante, mas distante,
som que eletrificava o povo e marcava nela o carnaval
que ainda fervia em suas veias como o aroma do gozo
roubado por quem não tinha cara, e nome muito menos,
mas tinha pegada, altura e beleza, cheiro e sabor como
provam a sua peça de roupas mais íntima deixada nem
banheiro químico e os seu crespos pêlos, ainda, arrepiados
e molhados do amor que ela viveu.

silvioafonso.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

CAPITU, O LIVRO E O FILME...

Senhor crítico de cinema, eu não tenho a pretensão de ser
um ponto final na sua frase, talvez dois pontos ou uma
vírgula já me consolam. Eu sou um leitor inveterado e
acredito que até os piores textos são importantes para
o aprendizado. É lendo que se aprende a escrever.
Quanto ao livro em questão eu diria que Dom Casmurro
foi escrito com base na destruição de um tempo, sem que
se acreditasse em nada para o futuro que viria. Machado
de Assis trabalha sobre escombros e desta forma, o jeito
de contar a história dialoga com um amontoado de sobras
de aparências guardadas em arquivos. A série foi filmada
num prédio velho porque ali também havia ruínas de um
tempo. A trilha sonora traz de volta o som de Jimi Hendrix,
o toque metálico de Iron Man, de Ozzy Osbourne e ainda
uma pitada de bom gosto com Cheek to Cheek na voz de
Fred Astaire. Esta Ópera-rock é a reconciliação entre
Machado de Assis e os jovens. Só isto já contraria a idéia
de que o filme Capitu é só mais um apanhado na obra
literária de um grande escritor. Quero ressaltar que,
na visão de modernidade Capitu surpreenderá os

professores do ensino médio que trabalham para que
Dom Casmurro se transforme numa leitura de prazer.
É, o suposto adultério da protagonista, que prende o aluno
à leitura. Essa polêmica não interessa muito frente ao
ensaio existencial do escritor que explica como a dúvida
atrapalha o ser humano a viver.

silvioafonso.