quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

PELO TELEFONE...


    Escorri as costas parede abaixo e me prostrei no chão frio quando o homem da minha vida girou no calcanhar fechando a porta atrás de si e indo embora. Uma eternidade teria se passado, mas eu ainda estava ali, sentada no mesmo lugar olhando o telefone que teimava mudo sobre o sofá. Tremo, mas me contenho por por achar que o tinha sentido vibrar. Bem que eu queria, mas não posso olhá-lo, tocá-lo, muito menos atendê-lo caso vibrasse porque talvez não fosse quem eu não me permitia acreditar que sem ele eu não sou nada, mas também podia ser alguém querendo me dar a mão. Se fosse ele eu explodiria de felicidade ou me mataria se repetisse o que disse antes. Talvez um olá, tudo bem?, me fizesse a mulher mais feliz do mundo, mas um outro adeus eu certamente não suportaria. Foi assim que ele me prostrou aonde estou e, é claro, que a culpa foi minha, já que eu queria aquele amor só para mim por achar que ninguém divide a própria vida e sem o seu amor eu certamente não via o sentido da vida. Amor eu não divido, pois não dou o que me dão. Talvez eu seja escrava dessa mão grande desfiando meus cabelos, me acariciando em cada sonho quando juntos pisamos a grama proibida da felicidade. Mas, independente do que eu havia pensado o telefone não vibrou como o meu coração. Não tilintou para me erguer, mas caso forças eu tivesse, talvez eu voltasse ao trabalho ou tentasse ler um livro. O que de fato eu não deveria fazer era ficar a mercê de quem sabe muito de si, mas não deixa que eu, por amá-lo do jeito que amo, voltasse a saber de mim.