terça-feira, 18 de novembro de 2008

UMA NOITE DE AMOR OU DE AGONIA?

Meia-noite e todos pareciam dormir. Nada de pio de coruja e nem os grilos se ouvia, tudo era silêncio. Uma lua, atrapalhada, brigava com as ralas nuvens tentando ver o que acontecia naquele quarto. Era amor, com certeza. Era amor de verdade, adivinhava o pequeno astro, um amor impulsivo que prendia, arrebatava e, como o vento nas palmeiras, fazia cantar, gemer, chorar. Um grito matou o silêncio e os gemidos que se seguiram fizeram da noite um teatro a céu aberto. Nenhum riso e muito menos, aplauso. Todos prestavam a atenção ao primeiro e único ato não de frente para o palco, mas espreitando através das janelas que se faziam fechadas separando dos atores a platéia abobalhada. Gritos surdos, Mas não mudos. Choro de medo, mas sem arrependimento e um prazer que não comensurava. Todos de pé e nem uma palavra, parecia que ninguém tinha boca, mas eram todos ouvido. Fantasias, alucinações, céu e inferno, conjeturavam todos olhando para cima, para o quarto do 202. Mais um pouco, um pouco de tempo mais e um grito próprio de fêmea acasalando estremeceu, no terceiro orgasmo, o prédio onde tudo aconteceu. Fim do espetáculo. Fim do mais belo de todos os atos, que começou no romantismo de um casal apaixonado, para encerrar na masturbação de cada um, no sonho dos que, acordados, não dormiram.

silvioafonso.

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