terça-feira, 18 de novembro de 2008

PASSARALHO.

Que venham as rugas, mal queridas. Que cheguem as dores antes da morte, mas não tire do palhaço o direito do sorriso. Chore, sofra, sinta sede e passe fome, mas deixe aberta a porta da graça, do escárnio, dos sonhos e se você não acreditar que a felicidade existe e que os contos de fada são um engodo, mesmo assim não tire do palhaço a expressão dos olhos e o riso dos seus lábios. Não mate a esperança da criança e dos que já passaram como passou o tempo se eles vão ao circo em busca do primeiro instante, quando viajaram nas fábulas os seus sonhos de crianças.

Sentir na boca o gosto, amargo, do que eu não comi. Rever no álbum da retina as imagens que me emudeceram talvez não traga o sabor do mundo que eu presenciei, lambi, gostei, mas não comi para não ter que vomitar os dias em que eu sonhei, gozei e com azia despertei azedo para um outro dia doce da minha vida.

silvioafonso

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