quarta-feira, 19 de novembro de 2008

HUMANO, DEMASIADO HUMANO

Humano, demasiado humano é uma genealogia do pensamento moderno, da razão moderna e marca o rompimento de Nietzsche com o romantismo de Richard Wagner e o pessimismo de Arthur Schopenhauer. Ele, Nietzsche, faz análise dos modismos de sua época procurando estabelecer uma ligação entre o passado bárbaro da humanidade e o estado em que se encontra o pensamento filosófico, científico e religioso do século XIX, procurando hipóteses de um progresso da humanidade pós-moderna. Seu pensamento filosófico sobre temas como metafísica, moral, religião, arte, literatura, amor, política e relações sociais de maneira clara e serena, reflete sobre as primeiras e derradeiras coisas, analisando a história dos sentimentos morais que atravessaram os séculos da história humana, criticando e recriminando a vida religiosa do ser humano, descrevendo os sentimentos e a vivência dos artistas e dos escritores, examinando o seu semelhante, suas atitudes e pensamentos na sociedade e, descrevendo a história e a função do Estado. Nietzsche é filosofia, sem ser preferencialmente filósofo; é vida espiritual, vida intelectual, vida racional, vida presente, vida humana. Nietzsche era um grande pensador que vivia em conflito consigo e com a sociedade e, sem dúvida , demasiado humano. Transcrevo um trecho copiado de Humano, demasiado Humano:
“Nós nos importamos com a boa qualidade dos homens, em primeiro lugar porque ela nos é útil, em seguida porque queremos dar-lhes alegria (os filhos aos pais, os alunos aos professores e em geral as pessoas de benévolas a todas as outras pessoas). É somente quanto a boa opinião dos homens é importante para alguém, abstraindo a vantagem ou seu desejo de agradar que falamos de vaidade. Neste caso, o homem quer dar prazer a si próprio, mas à custa dos outros homens, seja levando-os a ter uma opinião falsa a respeito dele, seja aspirando a um grau de “boa opinião”, em que esta tem de se tornar penosa para todos os outros (provocando inveja). O indivíduo quer geralmente, por meio da opinião dos outros, certificar e fortalecer diante de seus olhos a opinião que tem de si; mas o poderoso respeito pela autoridade – respeito tão antigo quanto o homem – leva muita gente também a apoiar na autoridade sua própria confiança em si, portanto a só aceitar de mão de outrem: acreditam mais no critério dos outros do que no próprio. O interesse por si próprio, o desejo de se satisfazer alcançam no vaidoso um tal nível que ele induz os outros a uma falsa estima de si falsa, demasiado elevada, e depois se fia, não obstante, na autoridade dos outros: desse modo provoca o erro e, contudo, lhe dá crédito. É preciso, portanto, admitir que os vaidosos não querem agradar tanto a outrem quanto a si próprios e que chegam ao ponto de com isso descurar seu proveito; pois, muitas vezes importa-lhes suscitar em seus semelhantes disposições desfavoráveis, hostis, invejosas, em decorrência desvantajosas para eles, apenas para terem satisfação de seu eu, o contentamento de si”.

silvioafonso


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