quarta-feira, 12 de setembro de 2007

A VIDA...


A imensidão do azul do céu tem o seu tamanho. O brilho vivo
da luz que do sol emana tem o seu sorriso.
A paz da noite estrelada tem a cor do seu olhar.
No sorriso da criança pobre que feliz no portão recebe o pai, tem
a esperança e na chance que o ser humano vê em ser eterno
sente a sua compreensão e a sua fé. Você Teresa é o mundo de
Deus e a vida do seu povo.


A MORTE...


Se a morte me é sombria e triste, não há porque viver feliz.
Por sabermos que mais hoje, mais amanhã, com ela pela mão vamos
seguir o caminho dos mortais eu ja me vejo desse jeito, quase chorando.
Talvez por isso o ser humano seja tão melancólico, por ser o único animal
que sabe que vai morrer.
silvioafnso

AMOR DOS TEMPOS DA VOVÓ...





Contra todas as vontades, inclusive a minha, eu moro na
sua vida.
Contrariando a natureza eu não saio da repartição, nas
sextas-feiras, e vou aos bares com os meus amigos e beboa

noite inteira.Não saio no outro dia com desculpas e volto
para o almoço e durmo a tarde o sono reparador do
trabalhador.
Não saio, cedo, nos domingos para com os colegas do
escritório jogar a minha pelada, deixando o resto do domingo
para a minha casa e o meu amor. Não, eu não sei ser assim,
normal. Eu confesso que sou diferente e talvez você não goste
disso. Talvez você já tenha pensado em reclamar, porque as
suas amigas falam a linguagem que, comigo, você desconhece.

Eu venho correndo nos finais de semana para olhar os seus
olhos e sorrir com o seu sorriso. Pego você e a “nossa filha" e
saio para um sorvete onde falamos do nosso dia e de nossas
coisas. No sábado você desperta com um beijo e de joelhos
eu, de banho tomado e penteado aos pés de sua cama sirvo o
seu café.Volto à cozinha para cuidar do almoço enquanto você

olha pela janela e recebe do sol sorriso de bom-dia.Almoçamos
e conversamos, voltamos à rua ao anoitecer e nos esquecemos
por lá entre um convite e uma visita e na madrugada do
domingo, esquecidos do tempo, falamos da gente, dos amigos e
do futuro.
Nada é diferente no domingo. Pela manhã, lá estou eu, novamente
de joelhos aos pés da cama, com o seu café e antes de beijá-la como
um despertador, eu namoro o seu corpo, o sedoso dos seus cabelos
e a serenidade do seu rosto que sem o artificial dos cremes se faz
meigo e bonito. Desculpe meu amor se eu não posso ser tão igual.
Perdão por eu não ver o tempo passar e com ele passar o jeito
comum e igual dos namorados que eu não sou. Perdoe-me por ter
mentido, quando jurei colher estrelas e num lindo buquê fazer o laço
com o arco-íris. Perdoa quando eu menti que o meu amor era maior
que tudo e no entanto não é nada comparado a doçura do seu olhar.

Perdoe-me e aceite esse amor que de tão simples só poderia mesmo
habitar no coração de um vagabundo como eu.


silvioafonso

terça-feira, 11 de setembro de 2007

COZINHANDO COM AMOR.



Entre o calor das panelas que no fogo dourava os temperos
dando nome e sobrenome aos pratos e os olhares curiosos
dos amigos eu ficava das oito horas à uma da tarde
cozinhando.
Por todos os caminhos que poderiam me levar a hospitalidade
e ao desejo de bem servir eu caminhei. Suei, mas não perdi o
sorriso do amor que em meu rosto brilhou quando conheci
você.
Você, tal qual reflexo de um andante nas areias do deserto sob
o sol desse meu Deus, não se afastava ou me confundia. Mesa
posta, arrumada e bonita, almoçamos depois da prece. O sabor,
talvez um dos melhores. A cor, quem sabe sem igual? Mas
ninguém se dispôs a dizer do sacrifício, se é que teve. Dos
momentos perdidos, se é que se perderam ou do sorriso que
me lambuzava a cara, que de fato lambuzou para dizer o porquê
dos "hum" que escapavam entre uma garfada e outra.
Nós, eu e o meu amor, nos entreolhamos e num sorriso de
entendimento cúmplice nos abraçamos e beijamos, pra depois
comer.

silvioafonso

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

COISA DE ESTUDANTE.


Cheguei preocupado não sabia com o quê. Cansado não estava,
mas ansioso com certeza. Lembrei de uma ausência que
convive comigo faz tempo. Sentei-me e recordei do quanto
aquela presença me fazia bem. Olhos grandes como a esperança,
verdes como a grandeza do mar e calmo como um céu de
primavera. Pensando nos momentos bons que com ela eu passava
esqueci do tempo e a saudade ficou forte. Levantei e fui ao banho,
comi alguma coisa e peguei um livro, queria ler as páginas que
faltavam, mas nada, nada adiantou e eu me vi catando as coisas e
correndo para o carro, tocando pra estrada em busca dessa
lembrança que mexe comigo e me faz tão bem, me atiça à vida
como um colegial em busca do crescimento pessoal e da cultura.
Eu não disse nada e ela, atônita, nada falou. Olhares penetrantes e
beijos que se eternizaram no futuro de agora relembrando o
passado que não se fizera, ainda. Nos deixamos ficar abraçados
e sobre o ombro um do outro deixamos os queixos repousarem.
Com os olhos fechados viajamos a mais longa das viagens sem
vontade de voltar, jamais, dos sonhos que sonhamos sem dormir em
meio aos vendedores que apregoavam os seus produtos, as crianças
que voltavam da escola e os passantes, apressados, que iam ou
voltavam do trabalho. Momentos lindos de amor e de loucura,
quando, sem pensar, busco o amor que está em mim, mas que
divido e troco com quem gosta e se deixa gostar tanto assim.

silvioafonso