quarta-feira, 12 de setembro de 2007

AMOR DOS TEMPOS DA VOVÓ...





Contra todas as vontades, inclusive a minha, eu moro na
sua vida.
Contrariando a natureza eu não saio da repartição, nas
sextas-feiras, e vou aos bares com os meus amigos e beboa

noite inteira.Não saio no outro dia com desculpas e volto
para o almoço e durmo a tarde o sono reparador do
trabalhador.
Não saio, cedo, nos domingos para com os colegas do
escritório jogar a minha pelada, deixando o resto do domingo
para a minha casa e o meu amor. Não, eu não sei ser assim,
normal. Eu confesso que sou diferente e talvez você não goste
disso. Talvez você já tenha pensado em reclamar, porque as
suas amigas falam a linguagem que, comigo, você desconhece.

Eu venho correndo nos finais de semana para olhar os seus
olhos e sorrir com o seu sorriso. Pego você e a “nossa filha" e
saio para um sorvete onde falamos do nosso dia e de nossas
coisas. No sábado você desperta com um beijo e de joelhos
eu, de banho tomado e penteado aos pés de sua cama sirvo o
seu café.Volto à cozinha para cuidar do almoço enquanto você

olha pela janela e recebe do sol sorriso de bom-dia.Almoçamos
e conversamos, voltamos à rua ao anoitecer e nos esquecemos
por lá entre um convite e uma visita e na madrugada do
domingo, esquecidos do tempo, falamos da gente, dos amigos e
do futuro.
Nada é diferente no domingo. Pela manhã, lá estou eu, novamente
de joelhos aos pés da cama, com o seu café e antes de beijá-la como
um despertador, eu namoro o seu corpo, o sedoso dos seus cabelos
e a serenidade do seu rosto que sem o artificial dos cremes se faz
meigo e bonito. Desculpe meu amor se eu não posso ser tão igual.
Perdão por eu não ver o tempo passar e com ele passar o jeito
comum e igual dos namorados que eu não sou. Perdoe-me por ter
mentido, quando jurei colher estrelas e num lindo buquê fazer o laço
com o arco-íris. Perdoa quando eu menti que o meu amor era maior
que tudo e no entanto não é nada comparado a doçura do seu olhar.

Perdoe-me e aceite esse amor que de tão simples só poderia mesmo
habitar no coração de um vagabundo como eu.


silvioafonso

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