quarta-feira, 21 de agosto de 2019

COM TODO GÁS.


      Eu sou muito acanhado, mas quando os hormônios bolinam a parte de baixo do meu umbigo eu não peço desculpas ou permissão para arredar as cadeiras, puxar a mesa prum canto e dar, na frente de qualquer um, o espetáculo que nem eu acredito que dou. E coisas assim não são impossíveis de acontecer principalmente com quem lida com gente.   Recentemente uma senhora ligou pra o depósito de gás do meu sobrinho pedindo urgência no atendimento e como eu estava fazendo as entregas pra ele não tinha como deixar a freguesa esperando. Acontece que a dona acabou se esquecendo de mim ou eu não teria mofado do lado de fora com aquele peso nas costas e o sol quente na testa como fiquei.
  – Entre por favor, e desculpe por  te fazer esperar – disse a mulher diante de um cara que mal se mexia com aquilo tudo abrigado num roupão branco e toalha nos cabelos.  Ela não tinha uma cara bonita, mas tinha corpo de passista de escola de samba ou melhor; ela era a própria escola de samba e a cada evolução o roupão me premiava com as pernas de sua dona. Quando cheguei à cozinha e ela se abaixou para abrir o armário, eis que um par de belas e apetitosas mamas me salta aos olhos e eu quase atrapalho o andamento da comissão de frente.  
– Desculpa, na correria vesti qualquer coisa só pra não te deixar esperando naquele calor.  Espere só mais um pouquinho que eu vou me trocar e já volto pra te pagar – disse sorrindo.  A freguesa foi para o quarto e como estava demorando mais do que o necessário eu menti que passava mais tarde pra receber. 
– Espera aí, não vai embora não.  É o zíper do vestido engasgou – disse com jeito de gozação.  Ouvindo tal desculpa eu me prontifiquei a ajudá-la, no que ela aceitou. 
– Meu pai do céu, o que era aquilo nu na minha frente, senhor?! Eu jamais tinha visto corpo mais bonito e sedutor que aquele. A minha educação até me puxava pra fora do quarto pelas orelhas, enquanto a minha libido queria me empurrar pra cima da cama com ela.  
– Que mãos grossa você tem, meu rapaz. Você é todo assim ou é a minha pele que é sedosa de mais?  Antes de terminar o que dizia o vestido pulou pro cabide enquanto ela, na ponta dos pés, enlaçava-me pelo pescoço.  
Até hoje meu sobrinho não fala comigo.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

PRATO FEITO.

  Mulher a gente vê "aos monte" por aí. Algumas sem sal e  outras até bem temperadas, sendo que a maioria, se  fosse comestível, seria comparada ao prato principal.  Infelizmente a destemperada que morou comigo durante tanto tempo me trocou por outro e quase me  tirou o apetite quando falou que ia  embora, não por traição ou falta de amor da minha parte, mas pelo ciúme que tinha dos amigos com quem tomo chope, nas sextas, depois do trampo.  Eu tenho certeza que o motivo não foi outro senão os encantos de um  cafajeste que jurava acabar com a sede, que ele achava que ela sentia, mas agora a faz de pasto em sua cama.  Hoje eu sei que se arrepende de ter trocado um cara que, na cama, dava a ela os carinhos que gostava e, caso o gozo não a matasse, compartilhava comigo  um pouco do que lhe dei.  Mas agora Inês é morta, principalmente quando sua amiga confessou que matava a minha fome, aí ela pirou; foi a todos os lugares que eu frequento pra dizer que sou ruim de cama e que muitas vezes já dei  pinta de gostar de homem.  Também afirmou que sou mau pagador e que a empresa em que trabalho só não me manda embora porque é caro contratar outro melhor. Felizmente não falou que a polícia estava atrás de mim por ter  roubado um banco ou  atirado em alguém.  De qualquer forma arranhou bem a minha imagem. Mas não faz mal não porque o  mundo não vai mudar a rota por causa disso e muito menos por causa de uma mulher  que, se bem não me quis, outra, como sua amiga, bem há de me querer.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

A ÁFRICA É AQUI.

   

    Toda noite é a mesma ladainha e por mais que eu esfregue a orelha na parede não entendo o que dizem se estão brigando. Principalmente a moça que fala e chora ao mesmo tempo ao passo que o homem, este não chora, mas grita muito, e o pior é que usa uma linguagem que ela, mesmo brasileira, parece compreender. Eu não sei por que essa mulher não arruma as tralhas e vai embora.  Ninguém, em sã consciência, aguentaria o que ela vem conseguindo. As vezes esse animal me dá a certeza de que vai derrubar o prédio. Não é fácil dormir com tamanha confusão, aliás, é o que de melhor sabem fazer.  A porradaria tem início meia hora após sua chegada  e assim vai até altas madrugadas.  Depois do quebra quebra o pano cai dando vez ao silêncio sepulcral. Nessas horas eu sempre acho que um matou o outro e fugiu. Eu não sei porque, mas já teve momento de eu pensar que ela, psicologicamente, já tivesse morrido, tais os palavrões com que era tratada. Afinal, qual o marido que chama a esposa de galinha, cachorra, puta e vagabunda, entre outras coisas que o idioma não me favorece compreender?  Em duas ocasiões pensei falar com a polícia, mas me lembrei que os apartamentos do meu condomínio pertencem a Marinha e eu não ficaria nada confortável sendo jogado aos tubarões.  Ontem, no elevador subindo pra minha casa, eu conheci os barulhentos.  Ele, um senegalês desse tamanho. suas mãos estavam mais pra raquete de  tênis de quadra de saibro que pra de ping pongue, enquanto ela, uma loirinha meio metro menor do que ele, porém muito gostosa, tipo; "bem resolvida sexualmente" e que estava  mais pra quem parecia viver um conto de fadas do que pra vítima de torturador. Agora, arranhões, manchas roxas ou vermelhidão no corpo se tinha eu não vi, por mais que esfregasse os meus olhos naquele corpinho gostoso.  No elevador o sujeito não tirava os olhos do indicador luminoso enquanto ela, na ponta dos pés o beija e se esfregava com tamanha avidez que, não ele, mas se eu dissesse qualquer coisa, ufa!,  ninguém me entenderia.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A IRMÃ...



   Fiquei feliz quando Aldeir, um amigo que há muito eu não via, me disse que ia se casar. Porém minha alegria foi desvanecendo a medida que o amigo descrevia a mulher, principalmente quando me contou que tinha estudado no Mosteiro de São Bento, longe dos pais, sem namoro e com acesso restrito à internet. Só faltava dizer que tinha o mesmo nome da mulher do Brad Pitt e como desgraça pouca é bobagem eu fiz questão de  saber qual era. 
– Amor. Eu a trato por amor porque não quero que pensem que estou com ela por causa do nome, por isso a chamo de amor...
Não foi a resposta que me matou porque já sangrava quando fiz a pergunta. 
Naquele momento começou a girar tudo à minha volta e não dar spoiler era quase impossível.  Ainda mais quando lembro que juramos ficar juntos até que a morte nos separasse. Mas, quis o destino que eu a visse, nua, com uma noviça na cama da minha empregada. Na hora  eu não disse nada, até fui pro quarto fingindo nada ter visto, mas saiu correndo, talvez levasse a mocinha com ela e sumiu. Depois disso eu nunca mais tive notícias dela. Foi e não disse nada e nem mesmo ficou sabendo que jamais tive problemas quanto a isso, que não enxergo como traição alguém se relacionar com pessoa do mesmo sexo até sendo casada. Mal sabia que eu jamais a deixaria por conta dessa bobagem a não ser que o fizesse com um homem. Sem esconder sua alegria Aldeir me falava da suposta castidade de quem tantas e tantas vezes me fez urrar de prazer e em outras tantas me desesperei achando que a tinha matado com os múltiplos orgasmos que só eu sabia provocar. E Aldeir gesticulava, falava alto e ria de gargalhar e, não fossem as firulas que fazia e teria percebido a lágrima que eu enxuguei com as costas da mão. Meu Deus, não posso confrontar a felicidade de um amigo, com cara de quem perdeu a mãe num incêndio – pensei –, mas o que faço, senhor,  pra não demonstrar que a noticia matou a esperança tê-la outra vez?
– Eu acredito que adivinhou o que vim fazer por aqui além de falar do meu casamento, não já? – Perguntou abrindo os braços para um abraço. 
– Não, meu amigo. Não adivinhei não – respondi. 
– Eu e a minha noiva decidimos que você será nosso padrinho e não aceitaremos desculpas, quaisquer que sejam. 
A gente chorava abraçado, cada um com o seu próprio motivo.
– Angelina tinha razão te escolhendo entre os outro amigos...


domingo, 4 de agosto de 2019

EU QUERIA UM SIM, SÓ ISSO.


  


    Ficou horas sentada na soleira da porta vendo os patos  se banhando, mas não viu o sol atravessar o lago e ir embora.  Encolheu as pernas, trouxe os joelhos para o queixo e chorou o resto que sobrou daquela tarde.  Não atendeu o telefone, também não comeu e muito menos quis ver ou falar com alguém. Morrer talvez fosse a única coisa em que pensasse.  O engraçado é que há bem pouco tempo essa pessoa fez uma grosseria tão grande com quem passou anos procurando coragem pra se declarar e quando conseguiu quase morreu de vergonha com o passa-fora que levou. Essa é a pessoa chorosa que ora inveja a felicidade dos bichos. Dizem que a partir daquele dia nunca mais o declarante foi o mesmo, pois teria se trancado longe de tudo e de todos e se não fosse a família ameaçá-lo de internação talvez a morte me impedisse de contar essa história. Aos poucos a ideia de sumir foi se perdendo.  Com um amigo que dele  não desistiu, voltou  aos patins e à pedalar.  Algumas vezes  colocava o barco na água e sozinho  remava as mansas águas do lago onde a brisa beijava melhor  que qualquer pessoa.  Não quero afirmar  que do meio do lago  não desse pra ouvir os soluços de alguém chorando, mas  mentiria se negasse que não  a tivesse visto através da folhagem.  E como diz o palhaçopoeta, nada é por acaso, principalmente quando se coloca um barco n'água exatamente quando a mulher que se perfuma, veste a roupa que a gente gosta e é protagonista do filme da nossa vida resolve sentar pra chorar. 
– Ei, moça!,  tá tudo bem com você?, perguntou sabendo de quem se tratava ao passo que ela, dele não se lembrava.  
– Tá, ta tudo bem, sim, obrigado – respondeu enxugando os olhos.  Fingindo não ter ouvido o rapaz sentou-se ao  seu lado. 
– Não, moça. Ninguém chora por nada. Confie em mim e me conte, só quero ajudar. E outra coisa, quando voltar ao meu barco você nunca mais saberá de mim, portanto relaxa...  
– Sabe o que é; é que eu sou desprezível. E pessoas desprezíveis merecem sofrer, principalmente quando se envergonha  aquele que declara seu amor  por você. E o pior é que eu não conhecia a pessoa pra quem fiz essa maldade.   
– Liga não, moça, já passou, e com certeza ele já nem se lembre mais disso e esteja até se relacionando com outra pessoa. Olha, por que não entra, troca de roupa e, quem sabe, chame um amigo pra sair?!  Enquanto a conversa rola a cabeça expurga os pensamentos ruis...
– Você tem razão, vou fazer o que disse. Obrigada – e concluiu – a propósito; caso você não  tenha outro  compromisso além desse;  remar um barco pra ficar me olhando, você pode sair comigo?...

quarta-feira, 31 de julho de 2019

FRUTA MADURA


   

    Não dava pra ver se era fruta o que ela chupava a não ser a certeza de ter raro sabor tais eram as expressões de quem a sorvia. Os movimentos da língua em torno do fruto eram verdadeiras aulas de expressão facial, corporal, de música ou de dança.  Qualquer coisa sensual beirando o erotismo e às vezes passando de uma despretensiosa lambida às indecências da luxúria, pois se contorcia no trato prazeroso que dava ou que recebia com as chupadas cuidadosas, de forma que não machucasse ou  o deixasse fugir de onde estava. Do último cômodo onde passaria à noite não dava pra distinguir se de fato era fruta ou um beija-flor. Sendo fruta não carecia de tamanho cuidado ao passo que um passarinho jamais prestaria pra ser lambido daquele jeito. E aos poucos a coisa fluía... Passou de pequenos sussurros a palavras confusas, sem sentido. Depois vieram os gritinhos e as contorções que lembravam uma cobra cuja espinha fora quebrada.  Com a desculpa de querer ajudá-la avancei até onde se encontrava aquela que poderia estar sendo drogada por um desalmado que às pressas a deixou se refestelando com algo destemperado e sem gosto que só a ele deveria ser prazeroso, mas na verdade, era ela que praticamente morria com agudeza daquele veneno. Depois que cheguei a garota, de cara amarrada, enxugou as lágrimas, arrumou o vestido e na hora de ir embora colocou o sorriso da mulher resolvida nos lábios e saiu batendo a porta na cara da inveja. Partiu sem deixar seu nome ou um simples muito obrigado.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

PRA RIR OU PRA QUÊ?

  
      Muita alegria ainda te fará rir da barriga doer e mais feliz o teu coração ao passo que em outras ocasiões ficarás num quarto trancado amargando teu sofrimento. 
Talvez porque o mundo não é outra coisa senão uma fábrica de contraditórios e loucos sentimentos. Uma vida, uma só eu não acho o bastante para chegar ao equilíbrio entre a lágrima da alegria e a lágrima do sofrimento, já que derramarás um rio delas no nascimento do teu primeiro filho e um oceano quando se forem teus pais. Também ficarás noites em claro por conta do vestibular e outras tantas cuidando de pacientes. Nas manhãs, tão logo a janela do teu quarto e o dia te permitirem, verás um sol desse tamanho se esfregando nas folhas inocentes da vegetação que sorrindo, porém submissa, curvar-se-á diante o rei. É por isso que me nego a pensar que nem todo prato tem sabor de festa, principalmente quando dou conta do quão tênue é a linha entre equilibrista e palhaço no instante em que esse último precisa, com galhofagem, justificar o desequilíbrio do amigo.
E pra não dizer que não falo de flores; há um mês Jesus apareceu aqui na Gávea. Fora contratado com a missão de fazer do meu clube uma esquadra imbatível, pois só com milagre se conseguiria tal feito.   Foi uma festa saber da contratação, mas até agora não sei se a felicidade de tê-lo entre nós  foi mais saborosa  que a salgada tristeza dos milagres concebidos.  Jesus e os  onze apóstolos,  empataram dois jogos, ganharam um e com isso perdemos a chance da disputa do título o que fez  do santo sepulcro  vermelho se cobrir de um preto desconcertante. Talvez por isso Chico tenha comparado bêbado com equilibrista enquanto a moça feia debruçada à janela sorria pensando que a banda tocasse pra ela.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

À CIGANA


     
       Não faz  um mês que me mudei por conta de um marido ciumento e a minha casa já está cheia de gente novamente.  E não são amigos  feitos no decorrer da vida que estão lá, mas  vizinhos que vão chegando, chegando e acabam ficando.  Sempre vinha alguém  me perguntar se estava tudo bem, se  precisava de alguma coisa ou me chamava pra conhecer sua casa.  Foi tipo, se frequentando, que a gente acabou se enturmando. Atualmente eu preciso bocejar  pra ver se alguém se dá conta de que o sol, faz tempo, escorre pelo telhado e eu não dormi. Se deixasse passavam a noite bebendo, comendo  tira gosto e falando de futebol e mulher.  São pessoas que de uma forma ou de outra vêm pra somar.  Uma completando a outra.  Por exemplo; quem  podia comprava as bebidas; chegava cedo, colocava a cerveja no gelo e voltavam pra casa. Os outros levavam as esposas e o tira gosto, que dava no mesmo.  A minha tristeza era  quando tinha de  enxotá-los da minha casa, mas se não o fizesse, quem levantaria no dia seguinte pra trabalhar, alguém sabe? A metade dos que eu vi  bebendo contava bravata e a outra metade falava mentira. Por isso é que dizem que bebida e verdade não dá rima, mas também não ofende, não é mesmo?  O bom disso é que não brigavam quando um bebia  a cerveja que não comprou  ou se conversava com a mulher que não fosse a sua, desde que dessem  boas gargalhadas e não mudassem de assunto com a chegada de alguém. Mas não pensem que a festa  acabava se uma dessas regras fosse quebrada, a não ser pra quem errasse, claro.  No sábado, quando me levantei, vi que a mesa do café estava arrumada. Mas como arrumada se moro sozinho e não tenho empregada?, a não ser que alguém tenha dormido comigo e não me contaram. Tim tim, disse a mulher d’ um polícia, gente boa,  enrolada numa toalha erguendo a xícara.  Jesus amado eu  estava gostando tanto desse lugar e já vou  procurar outro pra me mudar.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

SEM DIREÇÃO.

   
     No pior trecho entre Barreiras e Natividade, na Bahia, um caminhão em alta velocidade escorraçou-me fora da pista. Felizmente alguém me socorreu e ligou pro seguro da moto. Três dias fora do ar sem ninguém das minhas relações saber de mim.  
– Foi um milagre não ter morrido, diziam ao pé do leito. E tanto era verdade que além de Deus eu precisava agradecer a quem tomou pra si a responsabilidade de cuidar de um moribundo.  E era um faxineira, um anjo com mãos de fada e segurança de arremessador de facas. Eram mãos seguras e de uma maciez tal que me deixava de pau duro.    Quando tive alta ela me levou pra casa, pra casa dela, porque a minha estava há horas dali. – Se não fizer fisioterapia uma pernas vai ficar curta e a outra perde os movimentos, como o Dr. falou, mas não se preocupe que amanhã começam as sessões. Deu boa noite, fechou a porta e saiu.
Meu Deus do céu, teria a fisioterapeuta mãos macias quanto as dela?, e se tiver e o meu negócio vai ficar duro pra me envergonhar, como tem feito?
Para a minha felicidade ou tristeza, adivinha quem veio à tardinha me massagear?, ela, a faxineira, que ao puxar meu lençol deu de cara, mas fingiu não ter visto, o que tinha endurecido ao ouvir a voz dela. Tentei explicar, mas confessou que sabia. Transamos o  resto da tarde, aliás, ela transou com quem mal se mexia.   Você transa bem meu amor!, mentiu mordendo  a orelha.  É, mais ou menos, respondi com a orelha babada.   Talvez eu fizesse melhor se essa coisa não gangrenasse, mas foi gostoso deixar a comida perto de quem parecia estar morta de fome.
Fiquei em sua casa o resto daquele mês.  Foram dias maravilhosos que até esquecemos a  perna.  Eu, pelo menos esquecia não ela.  Todos os dias me acordava com beijos, misto quente e suco de fruta.  Depois saia porta afora com o mesmo sorriso que chegava do trabalho pra preparar o lanche, a janta e depois descansar.  Descansar, aliás, era a única coisa que não fazia.  Muitas, senão todas as noites, ela vinha pra minha cama onde tudo acontecia.
Na sexta-feira santa o seguro pagou minha moto e o DPVAT às despesas.  Coloquei o valor das despesas num cheque e o deixei no criado mudo com um bilhete onde se lia que nada pagaria o que ela me fez e não seriam alguns abraços e outro tanto de beijos a mais que o conseguiriam. Por isso me neguei dizer adeus a quem nem "oi" eu disse quando cheguei.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

COM QUALQUER AMOR

  
      Da festa você não deve se lembrar, mas das cervejas depois das vodcas que tomou talvez reste uma boa lembrança.  Foi o que abriu pra você as portas da fantasia, como o sorriso da moça de corpo perfeito com os peitos fugindo da blusa. Ela que olhava fixo nas meninas dos seus olhos num quarto onde  o melhor da  festa rolava. Foi ali que você conheceu os raios brancos da luz, a velocidade do trem de prata e o riso sem fim. Disso você não se esquece porque tudo naquele momento era belo.  O corpo da moça e os cabelos, as pernas e até os pés pareciam obra de Aleijadinho tal a perfeição dos detalhes, mas foi quando a beijou no pescoço e sentiu seu perfume que o bicho pegou. A flagrância tinha um quê de sagrado e profano,  de feitiço e milagre, de anjo e demônio. Não havia como não cheirá-la se o incontrolável prazer proporcionado aguçava outros desejos.  E ele desceu em espiral pra se estatelar entre os seios onde ficou por um tempo, por tanto tempo que  esqueceu-se da música, dos amigos e de voltar para casa.  E você talvez a tivesse comido durante aqueles longos anos, mas não comeu porque ela não se prestaria a esse tipo de tortura, mas abraçar, beijar, deitar-se com ela em seus braços você o fez da adolescência aos 30 anos.  Havia entre vocês uma intimidade atroz, como unha e carne, amigos de todas as horas, marido e mulher.
Normalmente esquecemos das coisas ruins, mas você não se lembra, pelo menos garante não se lembrar de quem tanto representou para si. Quantas vezes o vi rindo de felicidade.  Quantas outras o peguei dando graças por tê-la conhecido, e como dizia, ninguém, além dela o fazia melhor.
Hoje, tantos anos depois do seu último riso o vejo feliz novamente.  Como feliz se jurou de pés juntos  que ao deixá-la sua vida acabou? Eu, silvioafonso, tenho certeza que desta vez acabou de verdade.  Acabou para as tristezas, para o sofrimento e para o tempo que vivia sozinho. Acabou para quem o quis na sarjeta, na roda de amigos sem nome que do seu nem sabia. Enfim, para esse tipo de coisa e de gente você acabou quando na verdade foram eles que morreram enquanto você dá boas e gostosas gargalhadas junto aos que torciam, como eu, por suas conquistas. Da gente, meu caro, você não se esquece.  Da gente você não tem como deixar de lembrar porque somos sua família e seu futuro, mas se eu estiver errado, esforce-se novamente por hoje. Só por hoje. 

terça-feira, 25 de junho de 2019

BAGAÇO DA LARANJA

  

  Não procurava mulher que ficasse aos pés dos seus erros, que não enxergasse os defeitos que tem ou falasse que ser humano sem pecado não existe.  Não procurava pela cara metade porque ninguém vive sem uma das faces e como tinha medo de encontrar  chupada a outra banda de sua laranja, jamais cogitou procurá-la. E dessa maneira se entregou aos prazeres que a mulherada pudesse lhe dar e não eram poucos porque surgiam de muitas e cada uma fazendo por ele o que só se faz por um rei. Por isso acreditasse não ser problemático e até se convencia que fosse possível morar sob o mesmo teto com quem quer que fosse. Quando questionado afirmava ser de trato fácil, porém jamais garantiu não se encrespar se as coisas que gosta não ficassem a seu jeito.   A ideia de alma gêmea é balela, é  mentira porque ninguém é igual a ninguém se cada um é singular, ímpar, único ou fora de série, dizia. Não vou negar que esse cara tenha encontrado a mulher que o completasse e ele a ela, mas as outras não paravam de chegar e a cada vez se mostravam mais encantadoras. Elas eram maravilhosas, cada uma melhor que outra.  Todas fazendo seu tipo, mas confessa que só ele não fazia o delas.  Durante a vida um casal tem momentos de euforia, de risos e de felicidades, mas é na maioria das vezes que se percebe a tristeza no papel principal, certamente pela perda da liberdade que tinha quando solteiro, mas depois ele a escraviza ou se deixa escravizar. Ninguém é feliz o tempo todo, por isso gargalhadas  são proferidas em raros momentos e não quando se quer ou precisa. 

segunda-feira, 10 de junho de 2019

ELE É O CARA...


   
   Já teve mais de vinte namoradas, uma noiva, três esposas e muitas mulheres antes de se casar, mas quando se separava era no colo das outras que supria as carências.  Vergonha não teria se disse que foram muitos os orgasmos que teve, talvez uns mil comparados com sua amiga, a única que o suportou por tanto tempo e que dizia não ter tido nenhum, pelo menos com ele com quem não conversava sobre o assunto.  Os dois sabiam que ninguém acreditaria se dissessem que nunca rolou nada entre eles, por isso não falavam a respeito.  O carinho respeitoso era tanto que sexo não seria elemento de discussão.  Em tempo algum se cogitou da moça estar se autoflagelando com a presença de um cara viril, como ele, ao seu lado, mas ele, em compensação,  tinha certeza de purificar-se com a sua pureza ao lado dela.  
O tempo passou como um raio por suas vidas, enquanto, com passos de cágado, seguiam como se fora o mesmo lado de um ímã.  
Aquela  amiga continuava inteligente, bem falante e bonita, podia ter sido a castidade conspirando a seu favor e a favor do  mundo que ficava mais fácil e melhor, só não sabemos se foi pela castidade da moça ou pelo avanço da ciência. Vendo a coisa com outros olhos eu tenho a impressão de que tudo mudou por conta da turbulência provocada pelos orgasmos em questão.  Com outras palavras; não adianta ficar chupando o dedo durante a noite ou pecando o dia inteiro que nada vai mudar nada.  O importante é fazer o que der vontade, desde que se faça bem feito e com permissão.


domingo, 19 de maio de 2019

EU QUERIA...


Eu queria muito poder torcer pelo meu time, rezar na igreja onde eu me sentisse melhor e votar no partido que fizesse minha cabeça sem que me empurrassem um dedo na cara.  Queria amar a mulher por quem meu coração disparasse e pudesse com ela trilhar o que a mim resta da vida sem inveja e sem porquês, mas infelizmente não me dão esses direitos, pois quando o meu time ganha foi porque o outro era de menor investimento. Quando Deus não me acode se fico triste, é porque não sou cristão o suficiente para receber a graça,  e se o país não dá o passo de acordo com as pernas a culpa é minha porque, certamente, votei com a maioria.  Eu, silvioafonso, queria muito ser dono do meu nariz, responsável por minhas vontades e culpado das coisas que tivesse feito o que não quer dizer que não seja grato a quem bate de frente com as minhas convicções já que sem essas pessoas as minhas decisões não teriam tamanha importância.  Perdoe, se você acredita na humildade de quem pede. Julgue, se você tem o poder dos ponderados e me ame se você é normal como até eu acho que sou.

terça-feira, 14 de maio de 2019

É MELHOR SÓ OU MAL ACOMPANHADO?


     
     Eu reconheço que morar sozinho traz alguns problemas, mas nada que não possa ser contornado.  Por exemplo, quando estou de boa eu pego o carro e vou rodando por ai caso não decida entre o teatro e o cinema e até espojo no sofá diante da tevê, como animal, sem que me digam que ali não é lugar pra se deitar.  Se faz calor eu tomo uma chuveirada ou um banho quente quando o frio me encrespa o pelo. Depois eu visto alguma coisa ou fico assim do jeito que vim ao mundo sem me constranger com a janela escancarada aos olhos cobiçosos das moçoilas do apartamento em frente. Por outro lado se perde um pouco da espontaneidade quanto aos encontros que por ventura se marque.  Não quero dizer que a dor de cabeça que as esposas dizem sentirem naqueles dias, como os menstruados que nos deixam vermelhos de indignação ou mesmo o tempo que levam para depilar as partes mais íntimas nos façam falta. Claro que não, mas confesso que sem tais desculpas o amor nos parece um tempero com pouco sal. Um título inegociável ou coisa de pouco valor.  Já num encontro casual a outra parte jamais diria ter dor de cabeça,  que necessita de um banho, que precisa se depilar ou que não esteja vestida com a lingerie que a gente aprecia.  O melhor disso tudo é a independência.  Ser livre até que se  resolva colocar no próprio pescoço a coleira da fidelidade ao passo que aqueles que já dividem seus leitos encontram maior dificuldade.  Quem me conhece sabe que não advogo em causa própria e mesmo se  o fizesse, quem me apontaria o dedo se os dados ainda rolam?

quarta-feira, 1 de maio de 2019

CARA DE CACHORRO

     Nada me entristece mais do que choro de criança e cachorro maltratado, mas quando ambos estão felizes sou eu quem abana o rabo, e se digo isso é por conta da farra no terraço vizinho que eu assistia da penumbra do quarto.  Duas crianças brincavam com seu cachorrinho enquanto mamãe sorrindo as aplaudia. A imagem me encantava a ponto de mal reparar no shortinho da jovem mamãe e foi receoso de ser mal interpretado que cerrei as cortinas, não os ouvidos ou não teria escutado a criança chorar. A mãe, que talvez não soubesse da minha presença, abaixou-se mostrando os encantos, ocultos até o momento.  
Meu Deus, que imagem! Talvez não fosse aquele o momento mais indicado para externar o que a vista me proporcionava e mesmo que fosse talvez não encontrasse adjetivo para justificar o que  mostravam meus olhos. E se eu fiquei do jeito que fiquei pelos meus exacerbados desejos, pois nem mesmo o calor que fazia lá fora me esquentava mais do que aquele que me queimava aqui dentro, e foi  graças aos hormônios que eu não percebi que o sorriso daquele encanto de mulher tinha sido pra mim. Depois desse fato qualquer barulhinho do outro lado seria motivo para armar o circo e eriçar os pelos do palhaço. Tudo naquele terraço excitava meus sentidos, mas naquele dia bastou o cachorro para instigá-los.   No outro dia procurei por ela através da janela e até fui feliz no intento, só pude lamber-lhe as pernas com os olhos como no dia anterior porque não contava que a estivesse esperando.  Foi o cachorro que pediu para ela sair e pedido de "amigo" é preciso atender.  Por isso deixei de ouvir os latidos para ouvi-la falar. Três dias se passaram sem que eu ouvisse os miados da gata, o latido do cão ou a algazarra da petizada,  até o sol que já não gostava de se recolher nos finais da tarde andava de cara amarrada por não saber dela.  E foi pensando em deixar que caíssem as cortinas que ela surgiu para o último ato.  Roupas eu não sei se vestia.  Criança e cachorro fazendo bagunça também não notei que tivesse, mas se ela estava aonde os meus olhos pudessem alcançá-la já era o suficiente para alavancar cada sonho, cada um daqueles músculos que por ela se punham de pé e mesmo assim me mantinha calado, queimando de desejo sem nada lhe dizer. 


sexta-feira, 12 de abril de 2019

CADA LOUCO COM SUA MALUQUICE

                                   
    A gente dá crédito quando a coisa é divulgada por quem estudou muito ou domina a matéria. Com base nesse princípio ninguém pensa em bater de frente com quem garante que as personagens da bíblia disseram isso ou aquilo.  É o caso dos males que dizem fazer a maconha.  Desde quando eu me entendo por gente que ouço dizer que a maconha vicia e aquele que a usa é capaz de roubar, fazer mal as pessoas e as coisas e até matar ou morrer com o efeito que dá.  Hoje, através deste espaço, eu ponho a cara à tapas e não foi preciso ter coragem para dizer que maconha não vicia, e que, as pessoas que a fumam não tentam contra a integridade dos outros a não ser aquelas que já nascem com o dom de fazer o mal.  Entre os amigos que tenho alguns já fizeram ou fazem uso do fumo, mas nenhum, pelo menos que eu saiba, fez algo de errado ou teria se tornado dependente da coisa.  Um deles, por acaso, fumava desde os tempos de criança.  Fumava quando acordava, fumava depois do café e das principais refeições.  Não saía de casa sem dar "um tapa" e também nos intervalos do que fosse fazer.  Esse elemento fez uso do "entorpecente" por vários e vários anos e nunca, eu disse nunca, se viciou.  Gente, um cara fumando do jeito que esse meu amigo fumou ou fuma e não ficou viciado é sinal de quê? De que a  erva fumada em caráter recreativo não vicia ninguém e para ser mais justo vamos deixar de usar a palavra "entorpecente" para designá-la.  Os tais amigos me disseram que depois dos baseados não sentiam nada.   Eu só não perguntei o que esse "nada" queria dizer já que poderia estar se referindo aos movimentos das pernas, dos braços e do raciocínio, mas nada falei para que não me apontassem  como discriminador.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

RAMSÉS TERCEIRO


    
       Quando a gente foi saltar de paraquedas numa cidadezinha da Índia, meu amigo Mutreta fez questão de cair com a gente dentro do avião que pilotava. Saltamos antes da queda,  só ele não conseguiu.  Morreu fazendo aquilo que mais gostava; pilotar um aparelho que lutou tanto para conseguir.  Da pista até a zona de lançamento ia uma boa distância e a gente se perdeu na nuvem de poeira no deserto do Thar. Mutreta, coitado, jazia na areia escaldante enquanto cada um de nós, a seu jeito, buscava chegar a cidade ali perto.  Caminhei duas horas com o sol na cabeça rachando meus lábios e inchando meus olhos, até que embaixo de uma palmeira notei que alguém esperava por mim.  Infelizmente era um velho andarilho e nada sabia a respeito dos paraquedistas.  E como se fora um velho conhecido começou a dizer que se fala alto, muito alto quando se está brigando.  Também disse que o ódio leva o nosso coração para longe daquele com quem brigamos e quanto mais acirrada for a briga, mais alto se precisa gritar para que o outro coração nos ouça. O contrário também acontece; quanto mais se gosta de uma pessoa mais baixo se fala com ela e quando a amamos falamos muito baixo, tão baixo que se torna necessário adivinhar o que foi dito.  No caso do amor devastador, daqueles que nos leva à loucura, aí não se diz nada, basta se olhar para que tudo seja dito e entendido.
       Tão logo se calou eu disse baixinho o meu nome estendo-lhe a mão pra me despedir, mas  ele ignorou. Fez uma mesura se curvando em minha direção e falou, nem alto e nem baixo; muito prazer,  Ramsés III.

sexta-feira, 29 de março de 2019

O CHATO DA HORA


  
    Caso eu fosse chato como minha mãe me garante que sou, eu diria das qualidades dos meus filhos, não de todas, mas das melhores e mesmo sabendo que a minha vida inteira talvez não fosse o bastante para lembrar os valores de cada um eu deveria tentar se concordasse com ela.  Mas não o farei.  Aliás, eu o farei sim, já que mamãe lhes garantiu disso.  Deste  modo eu escolho a menina, a mais nova dos filhos, para entrar na roda e falar dos motivos que a levam a continuar estudando depois da expressivas notas  do pré-ENEM que daria a ela o direito de fazer medicina nas melhores faculdades ao que ela certamente me responderia; pai, eu não quero um caminho fácil para caminhar de olhos fechados, mas um tão complicado que me cansasse a vista já que a descansaria nas belas paisagens do trajeto.  Por isso continuo me preparando – diria.   Também perguntaria a criança, já que filho não cresce,  o porquê do anseio em melhorar suas notas se estudar não é tudo naquela idade.  Eu só não pergunto porque já sei a resposta ou não seria o pai amantíssimo que eu sinto que sou.  E ela certamente me responderia que deve tentar melhorar  enquanto há tempo ou lapidá-la para quando já não tiver  porque a vida é uma incógnita que nos é apresentada a cada vez que abrimos os olhos pelas manhãs.

sábado, 23 de março de 2019

NÃO PERCA A MAJESTADE

Uma das  cenas de o Rei Leão que mais mexeu
comigo e até me fez chorar na frente do meu filho foi quando Mufasa, o Rei, deparou com um súdito se perguntando; por que não moro lá?, referindo-se a algum lugar maravilhoso na savana, ao que sua majestade teria respondido; 
– Porque lá não existe.  Lá é a continuação do aqui e se não sei viver aqui, nunca saberei viver lá.  É preciso ser otimista, porque otimista é aquele que se vê obrigado a subir numa árvore para fugir de um leão e ainda aprecia a paisagem.  Lembre-se de que, para conseguir o que quer, você deve olhar além do que você vê  concluiu.
Está evidente que não chorei por conta desta cena, mas por me lembrar que estava sendo apresentado a Shakespeare sem o saber.
Quando alguém me diz que viu um filme mais de uma vez eu fico me perguntando; será que não entendeu ou tem tempo sobrando para matá-lo? 
 Pois eu entendi tudo o que a mim foi mostrado, mas tempo, mesmo que o tivesse em abundância jamais o mataria.  Uma coisa no entanto eu confesso, tão logo eu possa quero rever aquilo que teria aberto nos meus olhos a fenda por onde escaparam as lágrimas quando chorei.

sexta-feira, 8 de março de 2019

É A CRISE.

     
      Eu queria dizer aqueles que me dão o privilégio de ler minhas bobagens, que, dos 12,7 milhões de desempregados que temos por aqui, pelo menos a metade já procurou emprego  igual ou muito parecido com aquele que o dispensou e em última análise, um que o remunerasse tão bem quanto.  E, caso não tenha a sorte de encontrá-lo, certamente aguardará a crise passar ou continuará esperando que um empresário lhe bata à porta para empregá-lo, o que não deixa de ser uma bela piada. A outra metade decidirá por escolher um possível tipo de trabalho, mas enquanto não acontece vai ficando em casa até que a vontade de encarar a realidade apareça. 
      Emprego, patrão e os novos colegas, assim como novos hábitos e novos costumes aos quais teria de se adaptar sempre será um árduo trabalho. Mas nem tudo será tão ruim se uma nova oportunidade surgir, a não ser que o candidato resolva escolher um que tenha jornada menor, salário maior, ajuda de custo e todos os tipos de vales, esquecendo-se de que, há muito não recebe nada em troca do que nada faz, a não ser torcer para que as coisas melhorem enquanto mata o tempo assistindo TV. E no instante em que sua carteira for assinada o então funcionário passará a reclamar do INSS pelo tempo a mais que terá de trabalhar para se aposentar. Meu Deus do céu!, antes quando não tinha emprego a pessoa ficava meses e meses reclamando da crise e agora que está empregada quer reclamar dos direitos que tem.  Gente, vamos trabalhar e quando receber seu sagrado dinheirinho, pague suas contas e corra para o abraço porque não é só o Brasil, mas todo o mundo vive em constante transformação.  Por isso as leis do passado já não fazem justiça ao grande número de habitantes que somos, daí a necessidade das mudanças ou tudo por quanto lutamos a vida inteira teria sido em vão.

sábado, 2 de março de 2019

FOI PRECISO REGAR PARA FLORIR.

      Não tenho vergonha de dizer que chorei com o sucesso de alguns amigos e com as palavras ásperas com as quais os brasileiros se digladiaram nessas últimas eleições. Mais nada me doeu mais do que ver um amigo à beira de perder a vida quando já tinha perdido a família, o emprego e os estudos por conta das drogas. Só eu e mais duas ou três pessoas saímos em seu socorro.
Comecei desabafando num espaço de um tabloide destinado aos leitores. Foi lá que eu falei tudo o que achava que a droga tinha que ouvir, mas nem todos se permitiram entender ou não teriam chamado meu amigo de marginal ao invés de doente. Era um cara que tinha tudo para corresponder aos desejos do pai, mas infelizmente desgarrou do bando e foi viver no mundo escuro das drogas onde rastejou pelas calçadas do sofrimento até vislumbrar uma réstia de luz esmaecendo no final de um túnel, e foi comigo e com outros que dele não desistiram que chegou à clínica para enterrar seus fantasmas. Seis meses depois teve alta e voltou a casa, não sem meter a porrada nos desejos que apertavam a sua garganta. Por isso lutou com unhas e dentes contra tais pensamentos, mas foi vencido mais uma vez. Passou aquela noite, do mesmo dia da alta, estirado no beco de uma favela onde se drogara. Mais uma vez o tomamos no colo e o levamos pra casa. Seu pai e alguns poucos amigos, inclusive esse narrador, o aquecemos junto ao peito e foi graças a sua força de vontade e a nossa ajuda que avistou o caminho por onde os puros, os "limpos" de todos os vícios caminham vida afora. Antes era comum pensar nas armadilhas da abstinência, mas hoje, com determinação e os olhos voltados para o futuro ele segue com a família, com o emprego que teve de volta, em busca de uma vida nova.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

VIDA DE CÃO.

     Eu tenho os amigos que fiz por merecer, mas juro que careço de outros, 
talvez daqueles que não adoeçam, que também não choraminguem quando eu ficar triste ou que morram com o mal que talvez possa me matar. Amigos que não sofram por si ou por mim e muito menos pelos que me cercam, já que preciso de amigos que sejam mais fortes do que os que tenho, que possam aguentar firme diante às suas e as minhas mazelas e que jamais precisem levar flores ao pé da minha sepultura e 
muito menos  que me forcem a esse trabalho. 
    Confesso que tenho dois desses que, de certa forma, preenchem boa parte das minhas necessidades, mas que infelizmente têm vida efêmera como efêmero é o tempo que passaremos juntos. Assim pelo menos tem sido a vida que vivem os cães, mas como evitar que chorem quando ficamos tristes, que não comam e não durmam se adoecemos e que morram tão logo nos sepultem?
    Eu preciso de amigos diferentes, pelo menos acho que preciso, mas se não forem melhores que os meus cães eu, certamente, sem ter a intenção de desprezá-los algum dia, me contentarei em mantê-los na minha casa comigo, mesmo que não tenham as minhas manias, preferências e os vícios enjoados que  tenho.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

QUE PENA, ACABOU.



   A gente perdeu Boechat.
Meu Deus, como era importante o trabalho e a generosidade desse cara que se mostrava durão e pra casa não levava desaforo, nem dos políticos.  
Jornalista, não de formação, mas um autodidata que teria começado fazendo pequenos mandados num jornal do Rio já que residia em Niterói de onde nunca havia saído.  Depois, mais familiarizado com as letras e com a máquina de escrever, que dela nada sabia, veio a se tornar um, senão o maior repórter do seu tempo, não só no jornal onde teve o primeiro contato com as coisas do cotidiano como no rádio pelo qual mais tarde se apaixonou.  
Certa vez esse cara tomou um táxi que enguiçou poucos metros à frente e teria ele ouvido o motorista resmungando dizer que precisava trocá-lo já que o seu não dava mais para levar o sustento pra casa. Infelizmente não tinha como, concluiu o taxista. No mesmo dia Boechat comprou um carro novo para ele. 
Agora, vocês lembram do sujeito que deu a ele a primeira oportunidade no jornal? Pois este, mesmo com seu plano em dia, teve todo o tratamento de saúde pago por esse jornalista que ora nos deixa. – Que plano de saúde, que nada. Eu quero pagar o seu tratamento porque acho que não faço mais do que a minha obrigação, disse Boechat ao amigo, recentemente.
   Esse cara para quem choramos nossas pitangas é o Boechat que gastava todo o seu dinheiro com os amigos, com os necessitados e mendigos. Não fosse a sua fiel escudeira-esposa, e a família quem sabe, não passasse necessidade. Esse cara, talvez poucos soubessem ,que tinha casca de jaca e sabor de morango.
Que ele descanse em paz, mesmo que fiquemos cansados de sofrer com a sua falta.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

QUERER É PODER(?)

     Discorrendo sobre a imagem de copo meio cheio ou meio vazio talvez deixasse transparecer que faço parte de um grupo mal amado de pessimistas.  Só que não. De qualquer maneira os livros de autoajuda continuam dando corda aos sonhos das pessoas que acham que qualquer coisa que sonham se torna realidade, quando na verdade não.  Porém não comentam, mas deviam, sobre  os milhares de jovens que são instigados a  continuar correndo atrás de uma bola do raiar do dia ao cair da noite talvez sem saber que poucos ou quase ninguém desponta para o noticiário. O mesmo acontece com quem busca uma chance nos palcos da música, nos do teatro, do cinema e de outros tantos.  Como vemos, são um bando de garotos e garotas que ao invés de se frustrarem diante do sucesso de poucos se sentem fortalecidos enquanto correm na roda dos hamsters.   Eu sou a favor dos meios de comunicação, das escolas, dos pais e dos amigos,  continuarem incentivando seus jovens, mas quem cuidará do futuro dessa criançada que nada sabe da vida senão o que fazemos para que acreditem? Aí eu pergunto; não estaria na hora de criar uma rota de fuga, um plano bê ou quem sabe prepará-las à realidade do mundo?  Estudar, sempre. Engraxar sapatos, fazer pequenos serviços de entrega ou domésticos ajudam bastante, principalmente para quem não teve a sorte de ser bem nascido.  Nada melhor e mais honrado do que no final de um dia de trabalho poder contar as moedas recebidas em troca do que fez.  É nesse momento que a pessoa, sentindo-se útil, vê o horizonte com cores melhores. Ninguém precisa ir à faculdade ou ser alto funcionário para ser honrado. Basta que cumpra com o seu dever, respeite os mais experientes e entenda os desprovidos de inteligência.   Eu não faço parte do grupo que enxerga o lado negativo dos fatos, mas se o jovem não arregaçar as mangas, deixar a bola para os momentos de lazer e fizer qualquer coisa de útil mais cedo ou mais tarde descobrirá que existe mais sonho do que a possibilidade de dormir, e mais copo meio vazio do que copo meio cheio para matar-lhe a sede.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

A PANÇA É DELE.

          
        Eu nunca esquentei com os quilos a mais que a idade me deu, mesmo que já tivesse dito o contrário, mas depois das gozações de um amigo barrigudo que lá uma vez ou outra empurrava aquela pança redonda até minha casa pra compará-la ao pequeno calo na altura da minha cintura que eu tentava esconder, foi que decidi mudar o rumo da minha vida. Primeiro diminuindo a quantidade de comida nas refeições e depois caminhando uma hora todos os dias pela manhã. Essas providências me davam a certeza de que solucionava o problema. Nesse meio tempo fiz uma cirurgia para implantar um dente e antes, é claro, precisei tomar antibiótico e anti-inflamatório, mas, Jesus do céu! Esses remédios me causaram uma baita dor de estômago, e não foi só isso; acabaram com a minha flora intestinal como bem disse o clínico do meu plano de saúde. Felizmente o mal passou e até me deixou magrinho, digo, “magrão”, uma vez que não tenho a mirrada estatura de um certo pançudo. Hoje eu volto ao consultório para retirar os pontos.  Depois é contar com os remédios que vão tentar convencer  o meu organismo de que o "pino" faz parte do meu esqueleto. Aí é correr pro abraço, quiçá para os beijos. 
      Eu sei que vocês estão curiosos quanto ao meu novo sorriso. Acontece que o referido obelisco está longe de ser visto não só por vocês como por outras pessoas, já que, provavelmente, nem caberia gastar tanto dinheiro por algo que pouca ou nenhuma serventia terá. O gostoso de tudo é que não perdi os 80 quilos, só o excesso. Aplausos para mim e gritos de; chupa baixinho! Praquele sacana.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

MANGIA CHE TE FA BENE.

   
    Na minha infância eu comia pouco. Muito pouco, mesmo. Não só eu, mas minhas irmãs e os pais da gente.  Fome não se passava porque dividir era o que mamãe sabia fazer de melhor e foi assim até que eu me tornei rapaz e mudei o rumo das coisas.  Foi a partir desse momento que eu tirei a barriga da miséria. Não só a minha, mas de todos lá em casa. Pela manhã o café era reforçado e no almoço eu comia até dizer chega, mas só depois de degustar as delícias da sobremesa. Os outros eu não sei, mas eu, comia de manhã, à tarde e à noite e como eu era muito magrinho tomava "Sustagem" para ver se "emboçava" os ossos com carne e músculo.  Mesmo assim continuava macérrimo.  Antes era feio ser magro, hoje é fitness.
Mais de 30 anos depois eis que me aparece uma barriguinha que vem tirando o sossego dos meus amigos.  Eu, para ser sincero, nem reparo na protuberância ou ponho defeito no relevo. Mesmo assim eu não me esqueço que até recentemente eu tinha 1,81m de altura e 79 quilos e isso a vida inteira. De repente, do nada, me aparecem 3 quilos para borrar o belo quadro pintado pela natureza. (risos).  Antes desse desastre a minha silhueta era, posso até dizer, bonita.  Eu comia e bebia de tudo a qualquer hora e lugar.  Hoje, entretanto, já não me reconheço; como um terço daquilo que comia antes e não da mesma comida, mas de outros pratos com pouco sal e pouco ou quase nada de gordura. Não bebo nas refeições, não como pães com manteiga e nos doces e bolos eu não me permito pensar para não sofrer. Ah, e caminho durante uma hora todos os dias. Isso há três meses e posso adiantar aos amigos que graças a Deus já perdi 200 gramas.  Não sei se foi de suor ou das lágrimas do meu sofrimento.  Um amigo da praia de Taparica, muito sem graça, me disse que como eu vinha comendo desordenadamente a vida inteira eu precisarei do mesmo tempo para perder tais quilinhos.  Isso se eu não morrer antes.  - Disse-me o fidazunha.  
   Bem, como eu sou muito determinado e não vou parar com o que decidi fazer, eu resolvi comer um pouquinho à mais do que venho fazendo e até voltar com as guloseimas porque vai que o safado acerte e eu não perca esses malditos quilos que a vida me oferta.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

MARIA.

      

       Foi nos seios de Maria que mamei a esperança da sobrevivência. Foi neles que adormeci tão puro de maldade quanto puro era o doce olhar que por inteiro me cobria. Foi junto ao peito, no calor do colo dela que aprendi a primeira prece. Quantas vezes o azul dos olhos dela derreteu lágrimas sobre o meu pequeno corpo?  Poucas não foram as noites em que o soluçar  me  embalou o sono  enquanto a febre que me ardia apiedada disse adeus e foi embora.
Muitas e muitas vezes vi Maria choramingando a ausência do meu pai e, quanto mais falta ele fazia, mais Maria me espremia junto ao rosto jovem e bonito.
Foi ouvindo o palpitar daquele espezinhado coração que eu aprendi a compreender o tempo e principalmente o tempo do cultivo e do plantio, do colher e do armazenar para não faltar. O tempo de agradecer aos que resistiam, como ela, sem perder a fé no trabalho que premente se fazia.
Maria foi uma doce criatura. Não tinha sonhos, talvez nem tivesse vaidade. Era mulher de honra e de trabalho, de coragem e ousadia. Acordava cedo para madrugar na lida. Lavar, passar, cozinhar e cuidar para os filhos não desgarrar para aos perigos da rua, da marginalidade, dos vícios. Cuidava da ninhada como a galinha choca os ovos. Como a leoa da cria, a gata da ninhada e da roça o lavrador.
Café da manhã, uniforme engomado; escola. Almoço, marmita embrulhada; Trabalho. Café da tarde, jantar; Formatura.
- Assim foi a vida sofrida de Maria que amparada e praticamente carregada por causa da artrose, adentrou ao enorme pavilhão de uma universidade pública aonde orgulhosa viu o filho caçula, depois dos irmãos formados, se tornar doutor.  
- Missão cumprida, Maria.
Quantas e quantas noites tu sofrias ao lado dos filhos sem dormir em véspera de provas? Quantas orações ao te deitares tu rezavas sem pensar ti?   Quantas vezes tua barriga reclamou de fome no instante em que um  dos teus chegava do estudo e do trabalho para comer o único pedaço de pão que tu, generosa, deixaste de comer?
Missão cumprida, sim.  Tão cumprida que os teus dias de força e de coragem, de viço e de beleza, como provam as fotos amareladas em cada canto dessa casa,  sucumbiram aos pés do tempo que pintou de rugas a bondade do teu rosto. 
- Maria era o nome dela, que felizmente ainda vive. Nome de valsa e de coragem, de conto de fada e resignação. Nome de santa, de água pura de nascente, de céu azul e noite estrelada. Nome de quero te amar enquanto vida eu tiver.  Nome doce,  nome de mãe, de esposa e de mulher  que se esqueceu de si para servir.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

QUEM É O MAIS IMPORTANTE?


   
    Contam que numa carpintaria, quando todo o trabalho havia acabado, as ferramentas começaram a conversar entre si e criaram uma estranha assembleia. Foi uma reunião de ferramentas para acertar suas diferenças, elas discutiam para saber qual delas era a mais importante para o carpinteiro.
Um martelo logo exerceu a presidência e começou:
– Eu sou eu o mais importante para o carpinteiro. Sem mim os móveis não ficarão em pé, pois sou eu quem martela os pregos!
Mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar.  A causa? Fazia demasiado barulho e além do mais passava todo o tempo golpeando.
O serrote logo quis dar a sua opinião:
– Você martelo?
– Você não pode ser! Seu barulho é horrível! É ensurdecedor ficar ouvindo toc, toc, toc…
– O mais importante sou eu, o serrote! Sem mim, como o carpinteiro serra a madeira? Eu sou o melhor!
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.
– Não, não, não! – Falou a Lixa – Eu sim sou a melhor! Se não fosse eu os móveis não seriam tão lisinhos e perfeitos!
– Eu sou a mais importante!
Mas no final a lixa acatou a ponderação, com a condição de que se expulsasse o metro que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.
– Ah! Não! Que absurdo! Disse o metro.
– Eu sou o mais importante! Sem mim os móveis ficariam tortos! O carpinteiro nem saberia a medida. Eu sou o mais importante!
– Ah! Mas não é mesmo, disse a plaina.
– Sou eu quem deixa tudo retinho e tiro as imperfeições da madeira. Eu sim sou a indispensável…
– Tsc, tsc, tsc… Nada disso, disse a chave de fenda.
– Se não fosse eu, como o carpinteiro iria apertar os parafusos? Eu sim sou a melhor!
As ferramentas ficaram discutindo até o dia amanhecer…
Logo cedo o carpinteiro chegou para trabalhar, colocou sobre a mesa a planta de um móvel, juntou o material e iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, o parafuso, o serrote, a lixa, o metro, a plaina e a chave de fenda.
Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel.
O carpinteiro usou todas as ferramentas. Usou o serrote, o martelo, o esquadro, a lixa, a plaina, os pregos, o martelo, a chave de fenda, a cola e o verniz para deixar o móvel brilhando…
Enfim ele acabou. Chegou o fim do dia o carpinteiro estava cansado, mas feliz com o que tinha feito! Seu trabalho com as ferramentas tinha ficado ótimo!
O carpinteiro foi para casa.
Quando a carpintaria ficou novamente em silêncio as ferramentas retomaram a assembleia reativando a discussão.
Só que agora elas ficaram admirando o que tinham feito todas juntas com o carpinteiro.
Sabe o que elas fizeram? Um altar de igreja! E tinha ficado lindo!
Elas chegaram a uma conclusão: Todas eram importantes aos olhos do carpinteiro. Ele usou todas! Sem exceção de nenhuma! E o móvel tinha ficado lindo!
Elas descobriram que quando todas trabalham juntas tudo anda melhor!
Foi então que o serrote tomou a palavra e disse:  
-“Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos, e concentremo-nos em nossos pontos fortes.”
A assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar asperezas, e o metro era preciso e exato. Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade.
Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos.
Ocorre o mesmo com os seres humanos.
Basta observar e comprovar.
Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa; ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.
É fácil encontrar defeitos, qualquer um pode fazê-lo.
 
Mas encontrar qualidades… Isto é para os sábios!
(Ouvi na Rádio Sulamérica)