segunda-feira, 10 de junho de 2019

ELE É O CARA...


   
   Já teve mais de vinte namoradas, uma noiva, três esposas e muitas mulheres antes de se casar, mas quando se separava era no colo das outras que supria as carências.  Vergonha não teria se disse que foram muitos os orgasmos que teve, talvez uns mil comparados com sua amiga, a única que o suportou por tanto tempo e que dizia não ter tido nenhum, pelo menos com ele com quem não conversava sobre o assunto.  Os dois sabiam que ninguém acreditaria se dissessem que nunca rolou nada entre eles, por isso não falavam a respeito.  O carinho respeitoso era tanto que sexo não seria elemento de discussão.  Em tempo algum se cogitou da moça estar se autoflagelando com a presença de um cara viril, como ele, ao seu lado, mas ele, em compensação,  tinha certeza de purificar-se com a sua pureza ao lado dela.  
O tempo passou como um raio por suas vidas, enquanto, com passos de cágado, seguiam como se fora o mesmo lado de um ímã.  
Aquela  amiga continuava inteligente, bem falante e bonita, podia ter sido a castidade conspirando a seu favor e a favor do  mundo que ficava mais fácil e melhor, só não sabemos se foi pela castidade da moça ou pelo avanço da ciência. Vendo a coisa com outros olhos eu tenho a impressão de que tudo mudou por conta da turbulência provocada pelos orgasmos em questão.  Com outras palavras; não adianta ficar chupando o dedo durante a noite ou pecando o dia inteiro que nada vai mudar nada.  O importante é fazer o que der vontade, desde que se faça bem feito e com permissão.


domingo, 19 de maio de 2019

EU QUERIA...


Eu queria muito poder torcer pelo meu time, rezar na igreja onde eu me sentisse melhor e votar no partido que fizesse minha cabeça sem que me empurrassem um dedo na cara.  Queria amar a mulher por quem meu coração disparasse e pudesse com ela trilhar o que a mim resta da vida sem inveja e sem porquês, mas infelizmente não me dão esses direitos, pois quando o meu time ganha foi porque o outro era de menor investimento. Quando Deus não me acode se fico triste, é porque não sou cristão o suficiente para receber a graça,  e se o país não dá o passo de acordo com as pernas a culpa é minha porque, certamente, votei com a maioria.  Eu, silvioafonso, queria muito ser dono do meu nariz, responsável por minhas vontades e culpado das coisas que tivesse feito o que não quer dizer que não seja grato a quem bate de frente com as minhas convicções já que sem essas pessoas as minhas decisões não teriam tamanha importância.  Perdoe, se você acredita na humildade de quem pede. Julgue, se você tem o poder dos ponderados e me ame se você é normal como até eu acho que sou.

terça-feira, 14 de maio de 2019

É MELHOR SÓ OU MAL ACOMPANHADO?


     
     Eu reconheço que morar sozinho traz alguns problemas, mas nada que não possa ser contornado.  Por exemplo, quando estou de boa eu pego o carro e vou rodando por ai caso não decida entre o teatro e o cinema e até espojo no sofá diante da tevê, como animal, sem que me digam que ali não é lugar pra se deitar.  Se faz calor eu tomo uma chuveirada ou um banho quente quando o frio me encrespa o pelo. Depois eu visto alguma coisa ou fico assim do jeito que vim ao mundo sem me constranger com a janela escancarada aos olhos cobiçosos das moçoilas do apartamento em frente. Por outro lado se perde um pouco da espontaneidade quanto aos encontros que por ventura se marque.  Não quero dizer que a dor de cabeça que as esposas dizem sentirem naqueles dias, como os menstruados que nos deixam vermelhos de indignação ou mesmo o tempo que levam para depilar as partes mais íntimas nos façam falta. Claro que não, mas confesso que sem tais desculpas o amor nos parece um tempero com pouco sal. Um título inegociável ou coisa de pouco valor.  Já num encontro casual a outra parte jamais diria ter dor de cabeça,  que necessita de um banho, que precisa se depilar ou que não esteja vestida com a lingerie que a gente aprecia.  O melhor disso tudo é a independência.  Ser livre até que se  resolva colocar no próprio pescoço a coleira da fidelidade ao passo que aqueles que já dividem seus leitos encontram maior dificuldade.  Quem me conhece sabe que não advogo em causa própria e mesmo se  o fizesse, quem me apontaria o dedo se os dados ainda rolam?

quarta-feira, 1 de maio de 2019

CARA DE CACHORRO

     Nada me entristece mais do que choro de criança e cachorro maltratado, mas quando ambos estão felizes sou eu quem abana o rabo, e se digo isso é por conta da farra no terraço vizinho que eu assistia da penumbra do quarto.  Duas crianças brincavam com seu cachorrinho enquanto mamãe sorrindo as aplaudia. A imagem me encantava a ponto de mal reparar no shortinho da jovem mamãe e foi receoso de ser mal interpretado que cerrei as cortinas, não os ouvidos ou não teria escutado a criança chorar. A mãe, que talvez não soubesse da minha presença, abaixou-se mostrando os encantos, ocultos até o momento.  
Meu Deus, que imagem! Talvez não fosse aquele o momento mais indicado para externar o que a vista me proporcionava e mesmo que fosse talvez não encontrasse adjetivo para justificar o que  mostravam meus olhos. E se eu fiquei do jeito que fiquei pelos meus exacerbados desejos, pois nem mesmo o calor que fazia lá fora me esquentava mais do que aquele que me queimava aqui dentro, e foi  graças aos hormônios que eu não percebi que o sorriso daquele encanto de mulher tinha sido pra mim. Depois desse fato qualquer barulhinho do outro lado seria motivo para armar o circo e eriçar os pelos do palhaço. Tudo naquele terraço excitava meus sentidos, mas naquele dia bastou o cachorro para instigá-los.   No outro dia procurei por ela através da janela e até fui feliz no intento, só pude lamber-lhe as pernas com os olhos como no dia anterior porque não contava que a estivesse esperando.  Foi o cachorro que pediu para ela sair e pedido de "amigo" é preciso atender.  Por isso deixei de ouvir os latidos para ouvi-la falar. Três dias se passaram sem que eu ouvisse os miados da gata, o latido do cão ou a algazarra da petizada,  até o sol que já não gostava de se recolher nos finais da tarde andava de cara amarrada por não saber dela.  E foi pensando em deixar que caíssem as cortinas que ela surgiu para o último ato.  Roupas eu não sei se vestia.  Criança e cachorro fazendo bagunça também não notei que tivesse, mas se ela estava aonde os meus olhos pudessem alcançá-la já era o suficiente para alavancar cada sonho, cada um daqueles músculos que por ela se punham de pé e mesmo assim me mantinha calado, queimando de desejo sem nada lhe dizer. 


sexta-feira, 12 de abril de 2019

CADA LOUCO COM SUA MALUQUICE

                                   
    A gente dá crédito quando a coisa é divulgada por quem estudou muito ou domina a matéria. Com base nesse princípio ninguém pensa em bater de frente com quem garante que as personagens da bíblia disseram isso ou aquilo.  É o caso dos males que dizem fazer a maconha.  Desde quando eu me entendo por gente que ouço dizer que a maconha vicia e aquele que a usa é capaz de roubar, fazer mal as pessoas e as coisas e até matar ou morrer com o efeito que dá.  Hoje, através deste espaço, eu ponho a cara à tapas e não foi preciso ter coragem para dizer que maconha não vicia, e que, as pessoas que a fumam não tentam contra a integridade dos outros a não ser aquelas que já nascem com o dom de fazer o mal.  Entre os amigos que tenho alguns já fizeram ou fazem uso do fumo, mas nenhum, pelo menos que eu saiba, fez algo de errado ou teria se tornado dependente da coisa.  Um deles, por acaso, fumava desde os tempos de criança.  Fumava quando acordava, fumava depois do café e das principais refeições.  Não saía de casa sem dar "um tapa" e também nos intervalos do que fosse fazer.  Esse elemento fez uso do "entorpecente" por vários e vários anos e nunca, eu disse nunca, se viciou.  Gente, um cara fumando do jeito que esse meu amigo fumou ou fuma e não ficou viciado é sinal de quê? De que a  erva fumada em caráter recreativo não vicia ninguém e para ser mais justo vamos deixar de usar a palavra "entorpecente" para designá-la.  Os tais amigos me disseram que depois dos baseados não sentiam nada.   Eu só não perguntei o que esse "nada" queria dizer já que poderia estar se referindo aos movimentos das pernas, dos braços e do raciocínio, mas nada falei para que não me apontassem  como discriminador.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

RAMSÉS TERCEIRO


    
       Quando a gente foi saltar de paraquedas numa cidadezinha da Índia, meu amigo Mutreta fez questão de cair com a gente dentro do avião que pilotava. Saltamos antes da queda,  só ele não conseguiu.  Morreu fazendo aquilo que mais gostava; pilotar um aparelho que lutou tanto para conseguir.  Da pista até a zona de lançamento ia uma boa distância e a gente se perdeu na nuvem de poeira no deserto do Thar. Mutreta, coitado, jazia na areia escaldante enquanto cada um de nós, a seu jeito, buscava chegar a cidade ali perto.  Caminhei duas horas com o sol na cabeça rachando meus lábios e inchando meus olhos, até que embaixo de uma palmeira notei que alguém esperava por mim.  Infelizmente era um velho andarilho e nada sabia a respeito dos paraquedistas.  E como se fora um velho conhecido começou a dizer que se fala alto, muito alto quando se está brigando.  Também disse que o ódio leva o nosso coração para longe daquele com quem brigamos e quanto mais acirrada for a briga, mais alto se precisa gritar para que o outro coração nos ouça. O contrário também acontece; quanto mais se gosta de uma pessoa mais baixo se fala com ela e quando a amamos falamos muito baixo, tão baixo que se torna necessário adivinhar o que foi dito.  No caso do amor devastador, daqueles que nos leva à loucura, aí não se diz nada, basta se olhar para que tudo seja dito e entendido.
       Tão logo se calou eu disse baixinho o meu nome estendo-lhe a mão pra me despedir, mas  ele ignorou. Fez uma mesura se curvando em minha direção e falou, nem alto e nem baixo; muito prazer,  Ramsés III.

sexta-feira, 29 de março de 2019

O CHATO DA HORA


  
    Caso eu fosse chato como minha mãe me garante que sou, eu diria das qualidades dos meus filhos, não de todas, mas das melhores e mesmo sabendo que a minha vida inteira talvez não fosse o bastante para lembrar os valores de cada um eu deveria tentar se concordasse com ela.  Mas não o farei.  Aliás, eu o farei sim, já que mamãe lhes garantiu disso.  Deste  modo eu escolho a menina, a mais nova dos filhos, para entrar na roda e falar dos motivos que a levam a continuar estudando depois da expressivas notas  do pré-ENEM que daria a ela o direito de fazer medicina nas melhores faculdades ao que ela certamente me responderia; pai, eu não quero um caminho fácil para caminhar de olhos fechados, mas um tão complicado que me cansasse a vista já que a descansaria nas belas paisagens do trajeto.  Por isso continuo me preparando – diria.   Também perguntaria a criança, já que filho não cresce,  o porquê do anseio em melhorar suas notas se estudar não é tudo naquela idade.  Eu só não pergunto porque já sei a resposta ou não seria o pai amantíssimo que eu sinto que sou.  E ela certamente me responderia que deve tentar melhorar  enquanto há tempo ou lapidá-la para quando já não tiver  porque a vida é uma incógnita que nos é apresentada a cada vez que abrimos os olhos pelas manhãs.

sábado, 23 de março de 2019

NÃO PERCA A MAJESTADE

Uma das  cenas de o Rei Leão que mais mexeu
comigo e até me fez chorar na frente do meu filho foi quando Mufasa, o Rei, deparou com um súdito se perguntando; por que não moro lá?, referindo-se a algum lugar maravilhoso na savana, ao que sua majestade teria respondido; 
– Porque lá não existe.  Lá é a continuação do aqui e se não sei viver aqui, nunca saberei viver lá.  É preciso ser otimista, porque otimista é aquele que se vê obrigado a subir numa árvore para fugir de um leão e ainda aprecia a paisagem.  Lembre-se de que, para conseguir o que quer, você deve olhar além do que você vê  concluiu.
Está evidente que não chorei por conta desta cena, mas por me lembrar que estava sendo apresentado a Shakespeare sem o saber.
Quando alguém me diz que viu um filme mais de uma vez eu fico me perguntando; será que não entendeu ou tem tempo sobrando para matá-lo? 
 Pois eu entendi tudo o que a mim foi mostrado, mas tempo, mesmo que o tivesse em abundância jamais o mataria.  Uma coisa no entanto eu confesso, tão logo eu possa quero rever aquilo que teria aberto nos meus olhos a fenda por onde escaparam as lágrimas quando chorei.

sexta-feira, 8 de março de 2019

É A CRISE.

     
      Eu queria dizer aqueles que me dão o privilégio de ler minhas bobagens, que, dos 12,7 milhões de desempregados que temos por aqui, pelo menos a metade já procurou emprego  igual ou muito parecido com aquele que o dispensou e em última análise, um que o remunerasse tão bem quanto.  E, caso não tenha a sorte de encontrá-lo, certamente aguardará a crise passar ou continuará esperando que um empresário lhe bata à porta para empregá-lo, o que não deixa de ser uma bela piada. A outra metade decidirá por escolher um possível tipo de trabalho, mas enquanto não acontece vai ficando em casa até que a vontade de encarar a realidade apareça. 
      Emprego, patrão e os novos colegas, assim como novos hábitos e novos costumes aos quais teria de se adaptar sempre será um árduo trabalho. Mas nem tudo será tão ruim se uma nova oportunidade surgir, a não ser que o candidato resolva escolher um que tenha jornada menor, salário maior, ajuda de custo e todos os tipos de vales, esquecendo-se de que, há muito não recebe nada em troca do que nada faz, a não ser torcer para que as coisas melhorem enquanto mata o tempo assistindo TV. E no instante em que sua carteira for assinada o então funcionário passará a reclamar do INSS pelo tempo a mais que terá de trabalhar para se aposentar. Meu Deus do céu!, antes quando não tinha emprego a pessoa ficava meses e meses reclamando da crise e agora que está empregada quer reclamar dos direitos que tem.  Gente, vamos trabalhar e quando receber seu sagrado dinheirinho, pague suas contas e corra para o abraço porque não é só o Brasil, mas todo o mundo vive em constante transformação.  Por isso as leis do passado já não fazem justiça ao grande número de habitantes que somos, daí a necessidade das mudanças ou tudo por quanto lutamos a vida inteira teria sido em vão.

sábado, 2 de março de 2019

FOI PRECISO REGAR PARA FLORIR.

      Não tenho vergonha de dizer que chorei com o sucesso de alguns amigos e com as palavras ásperas com as quais os brasileiros se digladiaram nessas últimas eleições. Mais nada me doeu mais do que ver um amigo à beira de perder a vida quando já tinha perdido a família, o emprego e os estudos por conta das drogas. Só eu e mais duas ou três pessoas saímos em seu socorro.
Comecei desabafando num espaço de um tabloide destinado aos leitores. Foi lá que eu falei tudo o que achava que a droga tinha que ouvir, mas nem todos se permitiram entender ou não teriam chamado meu amigo de marginal ao invés de doente. Era um cara que tinha tudo para corresponder aos desejos do pai, mas infelizmente desgarrou do bando e foi viver no mundo escuro das drogas onde rastejou pelas calçadas do sofrimento até vislumbrar uma réstia de luz esmaecendo no final de um túnel, e foi comigo e com outros que dele não desistiram que chegou à clínica para enterrar seus fantasmas. Seis meses depois teve alta e voltou a casa, não sem meter a porrada nos desejos que apertavam a sua garganta. Por isso lutou com unhas e dentes contra tais pensamentos, mas foi vencido mais uma vez. Passou aquela noite, do mesmo dia da alta, estirado no beco de uma favela onde se drogara. Mais uma vez o tomamos no colo e o levamos pra casa. Seu pai e alguns poucos amigos, inclusive esse narrador, o aquecemos junto ao peito e foi graças a sua força de vontade e a nossa ajuda que avistou o caminho por onde os puros, os "limpos" de todos os vícios caminham vida afora. Antes era comum pensar nas armadilhas da abstinência, mas hoje, com determinação e os olhos voltados para o futuro ele segue com a família, com o emprego que teve de volta, em busca de uma vida nova.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

VIDA DE CÃO.

     Eu tenho os amigos que fiz por merecer, mas juro que careço de outros, 
talvez daqueles que não adoeçam, que também não choraminguem quando eu ficar triste ou que morram com o mal que talvez possa me matar. Amigos que não sofram por si ou por mim e muito menos pelos que me cercam, já que preciso de amigos que sejam mais fortes do que os que tenho, que possam aguentar firme diante às suas e as minhas mazelas e que jamais precisem levar flores ao pé da minha sepultura e 
muito menos  que me forcem a esse trabalho. 
    Confesso que tenho dois desses que, de certa forma, preenchem boa parte das minhas necessidades, mas que infelizmente têm vida efêmera como efêmero é o tempo que passaremos juntos. Assim pelo menos tem sido a vida que vivem os cães, mas como evitar que chorem quando ficamos tristes, que não comam e não durmam se adoecemos e que morram tão logo nos sepultem?
    Eu preciso de amigos diferentes, pelo menos acho que preciso, mas se não forem melhores que os meus cães eu, certamente, sem ter a intenção de desprezá-los algum dia, me contentarei em mantê-los na minha casa comigo, mesmo que não tenham as minhas manias, preferências e os vícios enjoados que  tenho.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

QUE PENA, ACABOU.



   A gente perdeu Boechat.
Meu Deus, como era importante o trabalho e a generosidade desse cara que se mostrava durão e pra casa não levava desaforo, nem dos políticos.  
Jornalista, não de formação, mas um autodidata que teria começado fazendo pequenos mandados num jornal do Rio já que residia em Niterói de onde nunca havia saído.  Depois, mais familiarizado com as letras e com a máquina de escrever, que dela nada sabia, veio a se tornar um, senão o maior repórter do seu tempo, não só no jornal onde teve o primeiro contato com as coisas do cotidiano como no rádio pelo qual mais tarde se apaixonou.  
Certa vez esse cara tomou um táxi que enguiçou poucos metros à frente e teria ele ouvido o motorista resmungando dizer que precisava trocá-lo já que o seu não dava mais para levar o sustento pra casa. Infelizmente não tinha como, concluiu o taxista. No mesmo dia Boechat comprou um carro novo para ele. 
Agora, vocês lembram do sujeito que deu a ele a primeira oportunidade no jornal? Pois este, mesmo com seu plano em dia, teve todo o tratamento de saúde pago por esse jornalista que ora nos deixa. – Que plano de saúde, que nada. Eu quero pagar o seu tratamento porque acho que não faço mais do que a minha obrigação, disse Boechat ao amigo, recentemente.
   Esse cara para quem choramos nossas pitangas é o Boechat que gastava todo o seu dinheiro com os amigos, com os necessitados e mendigos. Não fosse a sua fiel escudeira-esposa, e a família quem sabe, não passasse necessidade. Esse cara, talvez poucos soubessem ,que tinha casca de jaca e sabor de morango.
Que ele descanse em paz, mesmo que fiquemos cansados de sofrer com a sua falta.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

QUERER É PODER(?)

     Discorrendo sobre a imagem de copo meio cheio ou meio vazio talvez deixasse transparecer que faço parte de um grupo mal amado de pessimistas.  Só que não. De qualquer maneira os livros de autoajuda continuam dando corda aos sonhos das pessoas que acham que qualquer coisa que sonham se torna realidade, quando na verdade não.  Porém não comentam, mas deviam, sobre  os milhares de jovens que são instigados a  continuar correndo atrás de uma bola do raiar do dia ao cair da noite talvez sem saber que poucos ou quase ninguém desponta para o noticiário. O mesmo acontece com quem busca uma chance nos palcos da música, nos do teatro, do cinema e de outros tantos.  Como vemos, são um bando de garotos e garotas que ao invés de se frustrarem diante do sucesso de poucos se sentem fortalecidos enquanto correm na roda dos hamsters.   Eu sou a favor dos meios de comunicação, das escolas, dos pais e dos amigos,  continuarem incentivando seus jovens, mas quem cuidará do futuro dessa criançada que nada sabe da vida senão o que fazemos para que acreditem? Aí eu pergunto; não estaria na hora de criar uma rota de fuga, um plano bê ou quem sabe prepará-las à realidade do mundo?  Estudar, sempre. Engraxar sapatos, fazer pequenos serviços de entrega ou domésticos ajudam bastante, principalmente para quem não teve a sorte de ser bem nascido.  Nada melhor e mais honrado do que no final de um dia de trabalho poder contar as moedas recebidas em troca do que fez.  É nesse momento que a pessoa, sentindo-se útil, vê o horizonte com cores melhores. Ninguém precisa ir à faculdade ou ser alto funcionário para ser honrado. Basta que cumpra com o seu dever, respeite os mais experientes e entenda os desprovidos de inteligência.   Eu não faço parte do grupo que enxerga o lado negativo dos fatos, mas se o jovem não arregaçar as mangas, deixar a bola para os momentos de lazer e fizer qualquer coisa de útil mais cedo ou mais tarde descobrirá que existe mais sonho do que a possibilidade de dormir, e mais copo meio vazio do que copo meio cheio para matar-lhe a sede.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

A PANÇA É DELE.

          
        Eu nunca esquentei com os quilos a mais que a idade me deu, mesmo que já tivesse dito o contrário, mas depois das gozações de um amigo barrigudo que lá uma vez ou outra empurrava aquela pança redonda até minha casa pra compará-la ao pequeno calo na altura da minha cintura que eu tentava esconder, foi que decidi mudar o rumo da minha vida. Primeiro diminuindo a quantidade de comida nas refeições e depois caminhando uma hora todos os dias pela manhã. Essas providências me davam a certeza de que solucionava o problema. Nesse meio tempo fiz uma cirurgia para implantar um dente e antes, é claro, precisei tomar antibiótico e anti-inflamatório, mas, Jesus do céu! Esses remédios me causaram uma baita dor de estômago, e não foi só isso; acabaram com a minha flora intestinal como bem disse o clínico do meu plano de saúde. Felizmente o mal passou e até me deixou magrinho, digo, “magrão”, uma vez que não tenho a mirrada estatura de um certo pançudo. Hoje eu volto ao consultório para retirar os pontos.  Depois é contar com os remédios que vão tentar convencer  o meu organismo de que o "pino" faz parte do meu esqueleto. Aí é correr pro abraço, quiçá para os beijos. 
      Eu sei que vocês estão curiosos quanto ao meu novo sorriso. Acontece que o referido obelisco está longe de ser visto não só por vocês como por outras pessoas, já que, provavelmente, nem caberia gastar tanto dinheiro por algo que pouca ou nenhuma serventia terá. O gostoso de tudo é que não perdi os 80 quilos, só o excesso. Aplausos para mim e gritos de; chupa baixinho! Praquele sacana.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

MANGIA CHE TE FA BENE.

   
    Na minha infância eu comia pouco. Muito pouco, mesmo. Não só eu, mas minhas irmãs e os pais da gente.  Fome não se passava porque dividir era o que mamãe sabia fazer de melhor e foi assim até que eu me tornei rapaz e mudei o rumo das coisas.  Foi a partir desse momento que eu tirei a barriga da miséria. Não só a minha, mas de todos lá em casa. Pela manhã o café era reforçado e no almoço eu comia até dizer chega, mas só depois de degustar as delícias da sobremesa. Os outros eu não sei, mas eu, comia de manhã, à tarde e à noite e como eu era muito magrinho tomava "Sustagem" para ver se "emboçava" os ossos com carne e músculo.  Mesmo assim continuava macérrimo.  Antes era feio ser magro, hoje é fitness.
Mais de 30 anos depois eis que me aparece uma barriguinha que vem tirando o sossego dos meus amigos.  Eu, para ser sincero, nem reparo na protuberância ou ponho defeito no relevo. Mesmo assim eu não me esqueço que até recentemente eu tinha 1,81m de altura e 79 quilos e isso a vida inteira. De repente, do nada, me aparecem 3 quilos para borrar o belo quadro pintado pela natureza. (risos).  Antes desse desastre a minha silhueta era, posso até dizer, bonita.  Eu comia e bebia de tudo a qualquer hora e lugar.  Hoje, entretanto, já não me reconheço; como um terço daquilo que comia antes e não da mesma comida, mas de outros pratos com pouco sal e pouco ou quase nada de gordura. Não bebo nas refeições, não como pães com manteiga e nos doces e bolos eu não me permito pensar para não sofrer. Ah, e caminho durante uma hora todos os dias. Isso há três meses e posso adiantar aos amigos que graças a Deus já perdi 200 gramas.  Não sei se foi de suor ou das lágrimas do meu sofrimento.  Um amigo da praia de Taparica, muito sem graça, me disse que como eu vinha comendo desordenadamente a vida inteira eu precisarei do mesmo tempo para perder tais quilinhos.  Isso se eu não morrer antes.  - Disse-me o fidazunha.  
   Bem, como eu sou muito determinado e não vou parar com o que decidi fazer, eu resolvi comer um pouquinho à mais do que venho fazendo e até voltar com as guloseimas porque vai que o safado acerte e eu não perca esses malditos quilos que a vida me oferta.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

MARIA.

      

       Foi nos seios de Maria que mamei a esperança da sobrevivência. Foi neles que adormeci tão puro de maldade quanto puro era o doce olhar que por inteiro me cobria. Foi junto ao peito, no calor do colo dela que aprendi a primeira prece. Quantas vezes o azul dos olhos dela derreteu lágrimas sobre o meu pequeno corpo?  Poucas não foram as noites em que o soluçar  me  embalou o sono  enquanto a febre que me ardia apiedada disse adeus e foi embora.
Muitas e muitas vezes vi Maria choramingando a ausência do meu pai e, quanto mais falta ele fazia, mais Maria me espremia junto ao rosto jovem e bonito.
Foi ouvindo o palpitar daquele espezinhado coração que eu aprendi a compreender o tempo e principalmente o tempo do cultivo e do plantio, do colher e do armazenar para não faltar. O tempo de agradecer aos que resistiam, como ela, sem perder a fé no trabalho que premente se fazia.
Maria foi uma doce criatura. Não tinha sonhos, talvez nem tivesse vaidade. Era mulher de honra e de trabalho, de coragem e ousadia. Acordava cedo para madrugar na lida. Lavar, passar, cozinhar e cuidar para os filhos não desgarrar para aos perigos da rua, da marginalidade, dos vícios. Cuidava da ninhada como a galinha choca os ovos. Como a leoa da cria, a gata da ninhada e da roça o lavrador.
Café da manhã, uniforme engomado; escola. Almoço, marmita embrulhada; Trabalho. Café da tarde, jantar; Formatura.
- Assim foi a vida sofrida de Maria que amparada e praticamente carregada por causa da artrose, adentrou ao enorme pavilhão de uma universidade pública aonde orgulhosa viu o filho caçula, depois dos irmãos formados, se tornar doutor.  
- Missão cumprida, Maria.
Quantas e quantas noites tu sofrias ao lado dos filhos sem dormir em véspera de provas? Quantas orações ao te deitares tu rezavas sem pensar ti?   Quantas vezes tua barriga reclamou de fome no instante em que um  dos teus chegava do estudo e do trabalho para comer o único pedaço de pão que tu, generosa, deixaste de comer?
Missão cumprida, sim.  Tão cumprida que os teus dias de força e de coragem, de viço e de beleza, como provam as fotos amareladas em cada canto dessa casa,  sucumbiram aos pés do tempo que pintou de rugas a bondade do teu rosto. 
- Maria era o nome dela, que felizmente ainda vive. Nome de valsa e de coragem, de conto de fada e resignação. Nome de santa, de água pura de nascente, de céu azul e noite estrelada. Nome de quero te amar enquanto vida eu tiver.  Nome doce,  nome de mãe, de esposa e de mulher  que se esqueceu de si para servir.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

QUEM É O MAIS IMPORTANTE?


   
    Contam que numa carpintaria, quando todo o trabalho havia acabado, as ferramentas começaram a conversar entre si e criaram uma estranha assembleia. Foi uma reunião de ferramentas para acertar suas diferenças, elas discutiam para saber qual delas era a mais importante para o carpinteiro.
Um martelo logo exerceu a presidência e começou:
– Eu sou eu o mais importante para o carpinteiro. Sem mim os móveis não ficarão em pé, pois sou eu quem martela os pregos!
Mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar.  A causa? Fazia demasiado barulho e além do mais passava todo o tempo golpeando.
O serrote logo quis dar a sua opinião:
– Você martelo?
– Você não pode ser! Seu barulho é horrível! É ensurdecedor ficar ouvindo toc, toc, toc…
– O mais importante sou eu, o serrote! Sem mim, como o carpinteiro serra a madeira? Eu sou o melhor!
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.
– Não, não, não! – Falou a Lixa – Eu sim sou a melhor! Se não fosse eu os móveis não seriam tão lisinhos e perfeitos!
– Eu sou a mais importante!
Mas no final a lixa acatou a ponderação, com a condição de que se expulsasse o metro que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.
– Ah! Não! Que absurdo! Disse o metro.
– Eu sou o mais importante! Sem mim os móveis ficariam tortos! O carpinteiro nem saberia a medida. Eu sou o mais importante!
– Ah! Mas não é mesmo, disse a plaina.
– Sou eu quem deixa tudo retinho e tiro as imperfeições da madeira. Eu sim sou a indispensável…
– Tsc, tsc, tsc… Nada disso, disse a chave de fenda.
– Se não fosse eu, como o carpinteiro iria apertar os parafusos? Eu sim sou a melhor!
As ferramentas ficaram discutindo até o dia amanhecer…
Logo cedo o carpinteiro chegou para trabalhar, colocou sobre a mesa a planta de um móvel, juntou o material e iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, o parafuso, o serrote, a lixa, o metro, a plaina e a chave de fenda.
Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel.
O carpinteiro usou todas as ferramentas. Usou o serrote, o martelo, o esquadro, a lixa, a plaina, os pregos, o martelo, a chave de fenda, a cola e o verniz para deixar o móvel brilhando…
Enfim ele acabou. Chegou o fim do dia o carpinteiro estava cansado, mas feliz com o que tinha feito! Seu trabalho com as ferramentas tinha ficado ótimo!
O carpinteiro foi para casa.
Quando a carpintaria ficou novamente em silêncio as ferramentas retomaram a assembleia reativando a discussão.
Só que agora elas ficaram admirando o que tinham feito todas juntas com o carpinteiro.
Sabe o que elas fizeram? Um altar de igreja! E tinha ficado lindo!
Elas chegaram a uma conclusão: Todas eram importantes aos olhos do carpinteiro. Ele usou todas! Sem exceção de nenhuma! E o móvel tinha ficado lindo!
Elas descobriram que quando todas trabalham juntas tudo anda melhor!
Foi então que o serrote tomou a palavra e disse:  
-“Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos, e concentremo-nos em nossos pontos fortes.”
A assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar asperezas, e o metro era preciso e exato. Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade.
Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos.
Ocorre o mesmo com os seres humanos.
Basta observar e comprovar.
Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa; ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.
É fácil encontrar defeitos, qualquer um pode fazê-lo.
 
Mas encontrar qualidades… Isto é para os sábios!
(Ouvi na Rádio Sulamérica)


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

TIRO DE LARGADA.


     
    Sabe quando você completa uma maratona e vê do outro lado da fita que ninguém o aguarda pra comemorar? Pois é. É assim que muitas pessoas se sentem ao concluir essa jornada e olha que todos contornam pântanos, senão os mesmos, pelo menos parecidos. Essa gente teve em suas costas um sol de todos os graus. Pedras e um montão de empecilhos deram as caras, mas nada os deteve, pois perseverara. Essa gente entendeu que nem sempre estar mal acompanhado é melhor que estar sozinho. Infelizmente nem todos contam com um abraço para descansar o corpo e curar as chagas, mesmo sabendo que curadas ou não começa tudo no dia seguinte, e não importa se o cansaço foi embora como foram os cabelos que antes, volumosos e viçosos, já rareiam sem a cor de outras maratonas. Isso me lembra a esperança que sangra e não morre. Não morre, mas sente esmaecer o verde e mesmo assim insiste em bater asas a nossa volta. A ciência e a natureza poderiam se tornar razão dessa insistência combinando as duas pra mudar tal quadro. Enquanto o milagre não acontece vamos entendendo que romper a fita de chegada não nos dá direito ao passaporte da felicidade se não for buscada nos campos trilhados que citei. A felicidade inclusive, nada mais é senão uma festa pela qual suamos a testa, gastamos o que temos e o que não temos só para fazê-la durar algumas horas ou no máximo uns dias. O resto é trabalho, risos, lágrimas e alguns amigos para nos ajudar em certos momentos como os ajudaremos se precisarem. 
Feliz ano novo, já que o tiro da largada foi dado.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

FELIZ NATAL, GENTE! FELIZ NATAL.


    
     Fiz uma lista de bons produtos para as festas de fim de ano. Comprei bons vinhos, uísque confiável, uma ótima cerveja, bacalhau da Islândia e o peru  é claro, além do chester que não deixo faltar.  Acontece que eu não comi ou bebi nada igual na casa de alguns amigos onde fui levar meu abraço.  Nessas casas comi panetone, que eu detesto, diga-se de passagem, avelã, castanha e umas fatia de pão seco parecendo rabanada.  Tentei vazar na primeira oportunidade, mas apareceu a mulher do meu amigo com um garrafão de sangue de boi e um copo que empurrou em minha direção.  Empurrou não, enfiaram, ela e os demais,  minha goela adentro. Essa sacanagem durou até que o garrafão daquela porcaria azulada que chamavam de vinho secou.  Quando me arrastaram pra casa eu pedi que me largassem junto ao vaso sanitário. A intenção era poupar a casa da sujeira que a coisa em reboliço na minha barriga faria lá dentro.  Mas que nada.  Ninguém fez o que eu pedi, pelo contrário.  Enquanto enchiam minha boca com a farofa que eu caí na besteira de mandar fazer, eles deitavam e rolavam no melhor que eu preparei para a minha festa.    Em meia hora acabaram com o vinho, com as três garrafas de uísque e aquele monte de cerveja que eu, pobre inocente, achava que tinha comprado em demasia para as duas festas.  O bacalhau saiu a nado enquanto o peru e o chester voaram na escuridão ou foram devorados pelos trogloditas que passaram o ano jurando amor e fidelidade a esse trapo humano que ainda enjoado consegue ver a mesa, a adega e a geladeira vazias num lindo dia ensolarado de natal.  
 Há essas horas os caras devem estar se preparando para o réveillon, enquanto eu busco em outro Estado, pessoas normais com as quais eu possa romper o ano sossegado.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

FELIZ NATAL, GENTE AMIGA.


                     
     Todo ano é a mesma coisa: dou presente como se o tivesse comprado para mim e no entanto o que recebo, um pequeno embrulho, uma caixa de presente que penso conter um relógio ou algo bonito e de certo valor. De fato o presente, que além de pequeno e bonito, é caro e chama bastante a atenção: um cortador de charutos. O pior é que nem cigarro eu fumo, que dirá charuto. Na outra caixa que recebi uma bomba de encher pneu de bicicleta de corrida. Será que a pessoa que se deu ao trabalho não teria se dado conta de que, nem ergométrica eu tenho na minha casa?
Quanto ao resto, todos já sabem; bebe-se e come-se em dois dias o que não se come o resto do ano na casa da gente. E tome de ingerir antiácido...
Feliz Natal, gente e não se esqueça de atender os pedidos do seu coração, porque, como diz Charlie Chaplin, no teatro da vida não ensaiamos as peças.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

VIRA-LATA com PEDIGREE.


   Esse poodle com cara de anjo é a Babi, nossa filhinha que nos deixou não faz  
tanto tempo, mas para lamber as lágrimas que  sua morte nos faz chorar ela teve o cuidado de  nos enviar a Mel. Uma vira-latas com jeito aristocrático, tipo princesa, se isso não desmerecer  sua soberania. Depois o destino se encarregou de nos levar até um posto de gasolina à quilômetros da minha casa onde uma ninhada e sua mãe desmilinguida por falta de comida, careciam de piedade. Entre todos escolhemos o que mais risco de morte achávamos que corria, a quem demos o nome de Luna.  A casa ficou cheia com a presença ilustre dessas pessoas.  Cheia o bastante para manter suas empregadas e senhoras estáticas para não pisar em suas majestades.  O pior, se é que qualquer coisa de ruim pudesse existir nelas, é que Luna, antes um bichinho de duzentos gramas não para de crescer.  Talvez para nos mostrar o quão pequenos somos diante de sua imponência. Obrigado, Babi, mas não repare se eu, longe de suas donas, não esquecer de você antes da  morte me matar de saudade.

sábado, 1 de dezembro de 2018

SÓ DIGA POR QUÊ.

Mas, se pedires com jeitinho eu volto.  A saudade tá apertando tanto que já não cabe mais em mim.  Parece tão complicado, mas não consigo te esquecer e até acho que nunca vou.  Tu ocupastes  grande parte de mim, me fez tão bem...  E tudo que faz bem não se vai com facilidade.   
Por que disseste isso, Gabriela Barbosa. Por quê?

sábado, 3 de novembro de 2018

OI. LEMBRA DE MIM?

  
      Muito obrigado gente por entender que eu precisava de um tempo, que eu precisava parar de escrever sobre o que não interessa a tantos como eu acreditava, haja vista que tenho falado mais em mim do que naquilo que poderia interessar a maioria. Por isso eu vou, mesmo com o coração apertado por não estar com vocês todos os dias como vinha fazendo, deixá-los por algum tempo. Não por minha vontade, mas pelas circunstâncias.  E desta maneira eu brindo a todos com a minha ausência. 
Um beijo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A COR DA PRIMAVERA


       
       Hoje é dia primeiro de outubro, primavera, e como todas, tem a cor rosa por distinção.  Hoje não é só o primeiro de tantos dias desse mês, mas o momento exato para as pessoas se convencerem de que o câncer existe, mutila, tira a vontade de viver senão nos tira a vida. 
"Através da Internet eu conheci uma pessoa com quem mantive uma grande amizade ou algo tão grande quanto é o amor.  Com ela reconheci o poder da mulher e suas fraquezas.  Com ela eu aprendi a respeitar o choro e a festejar o riso. Com ela eu aprendi o que é ser generoso, haja vista que no leito de morte ao invés de rogar a Deus por sua cura, relacionava os miseráveis a quem fornecia semanalmente o básico para o seu sustento e o de suas famílias, para dividir entre eles os bens que deixava e pelos quais tanto lutou para tê-los.  Eu quero deixar aqui um beijo rosa, mesmo que seja um botão dessa flor, a essas guerreiras  e esses guerreiros que sorrindo, pelo menos na presença da gente, lutam contra essa abominável doença  enquanto rezamos a  Deus para curá-los, mesmo que os médicos, como se estes pudessem sanar este mal, e não o milagre, lhes cobrem os olhos da cara.

domingo, 30 de setembro de 2018

I GOT TIRED


              Quando criança eu trabalhei muito para ajudar meus pais com as despesas, mas no momento em que eu percebi que estudando se ganhava mais e com menos esforço que todo mundo eu resolvi meter a cara nos livros, como fiz anos a fio, até conquistar um emprego que condissesse com o meu sacrifício. Enquanto isso o tempo se arrastava, tal quais as lagartas, em direção do futuro,  ao passo que descobria que metade da minha vida eu passara estudando e o tinha feito duas vezes mais do que a maiorias dos meus amigos. A diferença é que eles gastavam a maior parte  de seus salários com as garotas, com os seus familiares e com os seus outros amigos, enquanto eu, enclausurado no campus como estava, quebrava a cabeça para entender que dois triângulos em perspectiva axial, quer dizer, em perspectiva central, quando estudados no espaço tridimensional, a sua reta de fuga é o eixo de perspectiva. O que isso tem a ver com o trabalho que eu pretendia exercer no futuro? Nada. E o que me interessava saber se para qualquer quadrilátero inscritível, a razão entre as diagonais é igual a razão da soma dos produtos dos lados que concorrem com as respectivas diagonais? Nada também, eu diria. E para não dizer que não acho graça nenhuma, ao contrário dos meus amigos, por ter ficado tantas horas em sala de aula para entender que a hipotenusa de um triângulo retângulo é sempre o lado oposto ao ângulo reto.  Enquanto eu enlouquecia tentando enfiar essas coisas na minha cabeça os amigos gastavam parte dos seus salários com as garotas em lugares dos quais eu nunca tinha ouvido falar, mas babava quando os ouvia contar sobre as aventuras que tiveram. Enfim, a lagarta chegou ao topo da árvore e antes que ela comece a devorar-lhe as folhas eu vou  socorrer a minha. Não a minha lagarta que já não é mais essas coisas, mas a árvore que, pelo que me deixa parecer, ainda viça a olhos distantes. Vou descansar o cateto para não morrer confuso, e depois deixarei que o sol me doure o corpo para depois vê-lo desbotar com as lambidas da lua.
Um beijo, obrigado e até lá.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

UM POUCO DE COVARDIA.


  

    Muitas vezes, senão todas, eu fiz questão de passar perto de onde você morava, mas nada além de uma porta fechada ou uma janela encostada a mim você permitia, pois se guardava trancada por detrás das brancas paredes como quem foge da justiça ou de quem a ama tão desesperadamente que talvez viajasse léguas e léguas para senti-la um pouco mais perto.  Perto de quem sonha com a impossibilidade da conquista, mas longe dos esperançosos e também dos covardes, pois  se resguarda à escusa da própria sorte.  Hoje, há tantas luas distante de sua presença, de sua voz e dos olhares  morteiros que me dava quando nem mesmo o nome a gente sabia eu me vejo sem forças de dizer que o amor persiste.  Não o amor conquistado pelos heróis com suas valentias, mas o amor que os derrotados têm por quem se esconde,  mas não se nega a rogar pela sorte do outro.  E assim o tempo tem passado e com ele o amor, que deveria morrer a cada passo que dela se distancia e, no entanto, cresce como o cacto nas areias quentes do deserto.

domingo, 23 de setembro de 2018

TOQUE DE PELE.


    

     Em ser o primeiro a abarcar esta história talvez eu não ajuizasse, mas a pretensão de ser o último certamente comigo eu não carrego. De qualquer forma comento o episódio, até porque dentre aquelas, tão bonitas, quem sabe não fosse a mais conveniente no momento? E, quanto a vestimenta, um longo solto com renda na barra de um amarelo ocre ou azul limão com verde brancacento tal qual soluços choramingados nas madrugadas por quem se acha ou pensa saber-se resolvida na vida, por que seria? E como eu digo; não se trata de um vestido qualquer, mas daqueles alçados por finas faixas a escorrer-lhe aos ombros, soltas a cada gesto como se os seios volumosos, firmes e gostosos, quisesse mostrá-los a mim, a você, a ninguém. Sandália rasteira de tiras de couro cru como cru e rasteiro são os olhos e o atrevimento dos que dissimulam olhá-la por baixo da fina roupa de algodão branca debruçada sob as vestes de seda pura que apura a pele lisa de finos velos a cobrir o que não devia como se ocultar o que gostaria de mostrar pudesse. Antessinto mais do que ouço a voz macia em tom de arrepio, o hálito de bala – gosto agridoce de hortelã de outra boca na minha –, pernas impendidas, coxas contornadas, e entre as paralelas o aprazível anseio do amor ao invés dos que a mim impingem e que nada se assemelha ao deleite que o amor proibido, tal qual doce bandido,  apresa, oprimido, os desejos mais ocultos de quem, languescida e triste jazerá na enxovia fria dos tabus a sua primeira e última turgescência.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

CASA DE CAMPO

     
    Das cinco vezes que meu carro foi roubado, quer por roubo, com arma na cabeça ou por furto, três foram naquele ano e duas no mesmo mês, por isso decidi mudar para uma cidade qualquer aonde casa não tivesse cerca, o povo dormisse de janela aberta e delegacia fechasse para almoçar. Nenhum lugar talvez me interessasse mais do que aquele aonde o povo se cumprimenta dando a mão e chama o outro pelo nome. Estava decidido, entraria em contato com todas as imobiliárias do interior em busca do que me aprouvesse. E foi em uma dessas buscas que encontrei aquela que seria a minha zona de conforto, de paz e de tranquilidade. A propriedade pertencia a uma viúva que depois da morte do marido foi para a casa da filha em Petrópolis. Dona Celta era baixinha, talvez um pouco fora do peso, mas, para confundir qualquer julgamento, tinha jeito e sorriso de adolescente que me reportava aos tempos de escola quando tentava pegar uma coleguinha com esse nome e não peguei. Dona Celta, pega de surpresa, não declinou da oferta que o prefeito fez a ela pela compra do imóvel onde pretendia construir o primeiro hotel da cidade. Dona Celta justificou-se constrangida, mas depois de um café e muitos pedidos de desculpa me levou até o carro, que, para meu desespero não estava onde o deixei ou achava que o tinha deixado. Essa dúvida era a certeza da caduquice. Será que foi de táxi, de ônibus ou andando que cheguei aqui ou o meu carro foi roubado? Como não se tratasse de fato corriqueiro foi preciso o dia inteiro para resolver o caso. Dona Celta, coitada, aceitou-me por hospede em sua quitinete onde varamos a noite conversando, pois o carro estava assegurado e a cama garantida, só restava tomar banho e me deitar. Isso era o que eu pensava, mas não D. Celta, que saiu do banho embrulhada numa toalha.
– Olha rapaz – disse sorrindo – a água está uma delícia. Vá tomar seu banho que já já levo a toalha.
Jesus do céu! Será o que estou pensando ou fiquei louco e não sabia?
Eu estava nu debaixo d'água quando ela, sem tirar os olhos de onde nem devia ter olhado, entregou-me o prometido, e, como eu achasse que tudo aquilo fosse um sonho, puxei-a para dentro dos meus braços e a beijei na boca. Beijei como talvez beijasse a garotinha que não peguei, como também, fartei-me naqueles seios por conta de nada ter conseguido quando a flor da pequena criatura era botão.
– Celta, eu amei uma menina da escola com seu nome quando era criança, mas não tive os privilégios que ora você me dá – disse mordiscando a orelha dela.
– Eu também quis um garoto naquele tempo, mas quando descobri que vocês são a mesma pessoa tratei de esconder seu carro só para você ficar. Agora eu vou levar você pra minha cama já que antes não me levou pra a sua...

domingo, 16 de setembro de 2018

XÔ INVERNO.

  
   Eu, e alguns dos que me prestigiam lendo minhas bobagens, temos um amigo que há muito desistiu das tentativas de nos engordar com as elaboradíssima receitas publicadas no blog. Acredito que este possa ser o motivo de estar comentando sobre política nesse momento, e hoje, como o dia não está lá essas coisas, até porque o sol não bota a cara na janela há uma semana, a pessoa em questão decide por  discorrer sobre partidos políticos que nada mais são, segundo deixa entender, do que uma fábrica de emprego vitalício aonde os escolhidos se perpetuam sem nem mesmo obterem o mínimo necessário de votos para isso, haja vista que basta um ou mais dos seus dinossauros vencer o pleito com sobras de votos para levá-los na manga para uma possível eventualidade que necessariamente não seria usada a favor do povo. As baterias desse nosso amigo, no entanto, estão todas viradas para uma determinada legenda que, segundo me dizem, recebe aquilo que o governo tira do povo para realizar suas campanhas. Eu também me arrisco nesse tipo de comentário, mas como diz o Faustão; – já estou fora do peso e da idade para correr esse tipo de risco. Ficam aqui, entretanto, os meus votos de sucesso ao amigo e a página, que, certamente, cortarão caminho ou baterão de frente com os pré-históricos animais. E para não dizer que fora da primavera eu não falo de flor, direi que a Céu, amiga de todos nós, acaba de colher um beijo a mais no jardim de sua existência. Quanto a mim, pobre menino – como a própria Céu me tratou uma vez – ainda me vejo adubando o girassol que, se o tempo não conspirar contra, abrir-se-á tão logo o inverno nos tire de cima, os cobertores.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

NÃO SERIA GALO?

 
     Do nome da pessoa não me lembro, mas do apelido; Magé, eu jamais esqueceria, pois que nasceu no triângulo mineiro e foi morar numa cidadezinha no interior do Estado do Rio, que deu origem a alcunha que lhe deram.  Magé era alto e magro, queixo quadrado, cabelo espetado e muito falante.  Talvez fosse falador por conta do pinto que, pelo que falavam,  dizia ser o maior dos que já se tinha visto e do qual se orgulhava mais do que da mulher e dos filhos, pelo menos, pouco se lembrava de falar neles. Talvez Magé fizesse tanta propaganda do seu negócio por achar que o Livro dos Recordes só registrasse o que pudesse ser visto por todas as classes e idade, o que não seria seu caso.
 Cara, se você quiser eu posso lhe mostrar o maior pinto dos que você já teve notícia, e outra coisa; nenhum deles tem cabeça parecida com uma maçã; no formato e no tamanho, senão o meu   dizia olhando dentro dos olhos da gente.
 Saí prá lá, cara!,  respondia quem o ouvisse falar daquele jeito.
Na sexta-feira passada, o caboclo, que é reservista da brigada paraquedista, como eu, desfilava na parada de 7 de setembro, e quando, marchando com o batalhão, passou na frente do palanque do presidente, calhou do povo aplaudi-los naquele momento, ao que Magé, emocionado e achando que suas protuberâncias, enfim, eram reconhecidas, acabou errando o passo e confundindo a tropa.
Algumas pessoas, bastante emocionadas, o abraçaram no final do desfile, não pelo que ele achasse, mas pela grandeza da pátria ali representada.  Mesmo sem ter certeza de coisa nenhuma,  Magé agradeceu a todos e cheio de pompas tentou falar sobre o pinto, mas foi persuadido a não fazê-lo. A mulher do ex paraquedista, no entanto, chamou a esposa de um dos amigos do marido à parte e disse;  se Magé ficar falando no tamanho do seu negócio diga-lhe que tamanho não é documento, até porque o pinto dele não canta como canta o galo dos seus amigos. Pelo menos suas mulheres riem de felicidade, têm olhos brilhantes, pele macia e viçosa, e até provem o contrário, são muito bem resolvidas sexualmente, enquanto eu, dona da ave em questão, fico na seca, chorando pelos cantos as minhas mazelas.  
Eu não faria isso porque não me caberia, mas alguém deve ter falado com ele, haja vista que, desde aquele dia ninguém, inclusive a sua família, teve notícias do sujeito que, envergonhado, fugiu na calada da noite.