Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

PARABÉM PRA VOCÊ...

Hoje está um corre, corre, sem precedentes. Coisa
de louco.
Um sol que nasceu às pressas tentando permanecer
no céu por mais tempo que o natural, enquanto as
estrelas o empurram para o mar de onde veio
enquanto uma garoa abraça a terra tentando a todo
custo lamber, como que sua cria fosse, a bela menina
que se fez mulher no primeiro 3 de julho de todas as
histórias.
Parabéns Kelly! Gritam os rios e as cascatas. Seja
feliz, menina dos olhos da cor do mar! Respondem
todas as plantas num verde de doer os olhos. Nós a
acompanharemos, à nossa moda, por toda a sua
vida, resmungam os animais de todas as espécies e
para mim, que sou o mais tímido dessas
possibilidades, só me resta cair de joelhos e rogar
aos céus que tu sejas feliz, não só hoje que é o dia
do teu aniversário, mas enquanto durarem os
sentidos e enquanto uma luz, por menor que seja
a sua chama, indicar um caminho qualquer nesse
imenso universo que é a tua vida.

silvioafonso.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

CONSERVATÓRIA DO MEU AMOR....

Aguço, no final de cada tarde, os olhos, buscando adivinhar
a tua direção. Vejo vultos de mulher que escapam ao dia
para entrar na noite escura dos meus turbulentos pesadelos.
Sinto o acelerar desesperado do meu coração expulsando a
minha alma de romeiro para iniciar a busca à silhueta da tua
presença sempre desejada. Embaça mais e mais o meu campo
de visão, mas o corpo alerta, já sem pressa e sem ruído teme
pela solidão da tua ausência.
O tempo não para, pelo menos para os que, como eu,
acreditam que até ao amanhecer qualquer minuto, qualquer
segundo será uma eterna caminhada.
Eu quero dormir pensando em ti, pretender cobrir o frio do
meu corpo com o esmeralda verde do teu olhar e viajar para
qualquer lugar no infinito embalado no bater suave e doce
do teu coração.
silvioafonso

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

DESNUDA no teu blog estavas tu , cuja imagem eu lambi
com olhos de agonia e o que escrevias quando a net saiu
do do ar. Então, sem pressa eu li com zelo e cuidado de
exploração. Sonhei nos devaneios de um poeta. Bebi da
poesia e gozei no senso, sem siso, perdi o endereço do juízo
e num corajoso voyeur, eu me tornei. Vi, ali, a paz se dissipar.
Vi o fogo se alastrar queimando dessa mulher os pecados,
acariciando com a mão de fogo os seios e com a língua o rosto
e do corpo, o resto. Senti um forte apego de desejo, destemido
jazi despido e o nervo, mais sensível, do meu corpo eu agredi.
Sem noção ou razão eu lia o que escrevia enquanto a minha
mão friccionava o nervo ótico fazendo jorrar no ar o sumo do
olho de um homem que vive em função do nome e do
sobrenome; silvioafonso, de Kelly e de Rebecca... Despertei com
o retorno da Internet, molhado de suor e de cansaço para viver
o mesmo dia.
silvioafonso.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

O TEU SONHO É A MINHA REALIDADE...

Abraçada aos livros como a um filho ela passava linda,
sensual. Tinha no chão os olhos e sobre si os mais
curiosos, desejosos dos que paravam para vê-la
caminhar. Entre tantos os meus acompanhavam o
seu andar; sério e bonito, vagaroso, definido me
lembrando das manhãs na mesma cama em que
dormimos e em que dividimos os nossos sonhos e
pesadelos eu me recordava do seu rosto de beleza
perenal sobre o travesseiro, certamente esvoaçando
como as borboletas por sobre as flores da vida que
eu plantei. Corri pra ela, assustada abriu-se em risos

que morram num beijo demorado e no melhor dos
meus abraços eu senti o cheiro da mulher bonita,
fruta madura, terra carpida, cheiro de chuva em terra
quente, ressequida, forte como quem chega da morte
e nela eu me perdi. Seus olhos fechados e o seu
hálito quente no meu pescoço me fizeram acreditar
que eu a tenho como nos meus sonhos, que ela é
minha como eu acho e que a nossa vida é pequena
para o tamanho do meu sentimento.
silvioafonso

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

CARA DE PALHAÇO, PINTA DE PALHAÇO...

Quando eu nasci o meu sofrido pai vestiu-me de grandes
colarinhos, um nariz vermelho arredondado e um par de
sapatinhos coloridos como a vida que ele queria para mim.
Hoje, se Ele fosse vivo, choraria com o riso que eu provoco
quando volto tarde do trabalho, macacão velho e surrado
sem trazer na cara as cores da alegria, mas os primeiros
traços do cansaço e da coragem que insiste e permanece
viva me empurrando para a frente enquanto pinta nesta
cara de palhaço a mesma lágrima que curvou o corpo do
meu pai.
Sem pão e sem a esperança de ver as coisas melhorarem

eu esqueço da minha tristeza e rezo por ele...
Saudades de ti, meu pai; que dava os seus carpados duplos,
sem rede e sem pintar a cara. A bonita cara que tão poucas
vezes eu beijei.


silvioafonso


Terça-feira, 12 de Maio de 2009

O CHEIRO DO AMOR...

Sinto que te deixo calada, cansada e na cama
jogada como um boxer nocauteado.
Parto, como parte o grito nosso em cada noite

acordando a cidade nervosa que se acende como
acesa estavas tu quando eu cheguei e te apossaste
de mim como um faminto no self-service da
paixão.
Antes de fechar atrás de mim, a porta, por sobre

o ombro eu vejo os lençóis de linho em desalinho
perdidos entre a tosca luz e as tuas pernas que
não se deixaram cobrir. Paira, eu sinto, no ar,
ainda o cheiro acre do encontro suado dos
corpos de nós dois.
Arrasto o casaco para as minhas costas e esqueço

perdido na tua lembrança o encontro dos desejos
pelos quais chorei até que o gozo me calasse e em
tua face jazesse este sorriso debochado que
lamberá a tua cara por todo o dia até que eu volte
como volta o sol para morrer no anoitecer.
silvioafonso




Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

ELA FOI EMBORA E, EU CHOREI...

... E ela partiu, foi embora da minha vida sem
dizer nada e olha que vivíamos felizes, sem
brigas, sem cobranças e se um saía o outro
ganhava um beijo e a rota dos seus passos.
Eu vivia criando motivos para presenteá-la com

flores já que as mais cheirosas e as mais belas
eram as suas preferidas. Ela não se importava
se não fossem rosas, mas eu escolhia as maiores
e bem vermelhas. Eu fazia questão de mandar,
com as flores, um cartão com o seu nome
desenhado, assim como desenhada ela foi na tela
da minha vida. Como eu gostava dela... Gostava
e gosto. Todos na minha casa sentiram muito com
a perda e eu não me conformo. Partiu sem deixar
pista, uma palavra com duplo sentido, um bilhete
falando do gato que subiu no telhado ou um
recado que o vizinho mais próximo pudesse me
dar, mas, nada. Ela foi embora da mesma
maneira que chegou; sem dizer uma palavra,
mas me causando risos e agora lágrimas. Eu
não queria fazer público do vazio que me corroi
o corpo e congela a minha alma, mas não tenho
e não sei como calar e é desta forma eu me
despeço dela, com todo o meu carinho e a
grandeza do meu amor. Eu sou, como VOCÊ dizia,
o melhor e o mais fiel de todos os seus NETOS e
por isso a perda ficou desse tamanho.
silvioafonso
(Foto da Internet)

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

UMA GRANDE “PALHAÇADA”.

Na quinta feira passada eu fui ao teatro. Fui para ver o trabalho
dirigido por DANIELA CARMONA, quanto ao nome da peça,
"Clownssicos", não fazia para mim a menor diferença, DANIELA
era a certeza do sucesso.
Busquei a companhia mais exigente e às 18h30m nós já comíamos
pipoca na porta do Nélson Rodrigues, próximo da Lapa, no Rio de
Janeiro.
Frustração...
Fiquei pasmo com o deboche apelativo e descarado dos atores, em
cena.
Não entendo como um grupo que foi capaz de grandes
apresentações chegar às raias do ridículo.
Juro que pagaria para ouvir explicações da diretora.
silvioafonso

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

EU NÃO VOU PIRAR...

Eu tinha muita vontade de terminar os estudos de psicologia e
fazer mestrado para, entendendo o meu aluno, fazer dele, no
mercado, o melhor profissional. Seria um segundo curso
universitário, mas os sonhos pereceram com um tiro que eu
dei no meu próprio pé. Bastava um olhar para que eu analisasse
a pessoa, sem a necessidade, sequer, de uma palavra. Isso me
fazia mal e acabava com a simplicidade, natural, dos meus
costumes. Eu tinha receio de, consertando o mundo, viesse a
ficar sozinho e me visse singular, perdido na imensidão desse
deserto criado por Sigmund Freud, Alfred Adler, Carl Jung,
Jean Piaget e outros que roubaram o meu jeito, humilde, de ver
as pessoas, como antes. Isto posto eu fico sem acreditar que as
moças vejam os rapazes com olhar, cobrador crítico dos
psicólogos que buscam a impureza da pedra em detrimento da
gema valiosa. Nós homens não somos o lado inferior da espécie,
porque uma parte, mesmo que pequena na composição humana
dá ao homem a dimensão exata da metade, tamanho necessário
à perpetuação de sua espécie, pois sem um dos dois, o um seria
zero.
silvioafonso

Sábado, 25 de Abril de 2009

UM AMOR QUE NÃO MORRE...


Sábado passado eu decidi ir ao teatro. Reservei os convites e
me vesti da mulher mais bonita para sentir a emoção profunda
como o fórcipe tira do útero uma criança. “TODO AMOR QUE
HOUVER NESSA VIDA” é uma produção simples como todas as
montagens que não contam com o patrocínio ou verbas honestas.
É a história de um casal de rapazes; um catedrático da faculdade
e o outro um artista plástico. O jovem professor está no estágio
terminal de uma doença degenerativa e enfrenta, ao lado do
companheiro a decadência do corpo e os preconceitos. A peça
atingiu o seu objetivo que era arrancar de dentro de cada um a
emoção mais profunda que o ser humano pudesse esconder, de
alguém ou de si mesmo. Antes do espetáculo começar o ator, que
incorpora o artista plástico, dá abraços apertados em espectadores
escolhidos ao acaso, deixando claro o que nos aguardava na plateia.
O professor, mais velho, perde o emprego por causa da doença e de
sua sexualidade.
O casal se conheceu numa galeria de artes onde o jovem artista que
teve a sua infância privada de amor, expõe o seu trabalho. O amor
dos dois é praticamente indestrutível. Coisa assim. No telão
apareciam frases, como; “NÃO SE LEVE TÃO A SÉRIO”, “A VIDA
É MUITO CURTA PARA SER PEQUENA”. Portanto “TODO AMOR...”
é um trabalho de, amor. A honestidade dos atores que fizeram da
peça, não a melhor que eu e ela já vimos, porém uma das mais
emocionantes.

silvioafonso