quarta-feira, 11 de novembro de 2009

APLAUSO DE ENSURDECER.

Foi em festa que você chegou e mesmo que nem todos torcessem por sua vinda, hoje o amam e respeitam.
Você que parecia ter as mãos vazias, trazia no semblante as feições dos anjos, no corpo o porte dos atletas e no coração a meiguice dos monges. Seu sorriso era o prenúncio da primavera e a inteligência digna dos sábios.
Quanto tempo mais eu terei de vida para deslumbrar a mais bela metamorfose? Quanto tempo o destino terá guardado para mim e seria ele o suficiente para ver o meu filho encaminhado, a minha neta formada e educada naquilo que ela pretende?
Pai e filha. Vocês são o melhor que eu recebi de Deus. Em vocês eu não aposto tudo, mas serei àquela pessoa na arquibancada da vida a aplaudir, de pé, o grande espetáculo que vocês têm para mostrar.

Tenho a honra de saber em suas veias o meu sangue, assim como o da mulher que nasceu para ser da gente o melhor que alguém pudesse ter.

silvioafonso

terça-feira, 10 de novembro de 2009

AVE DE RAPINA

Rompeu a casca e deu as caras. Diferente das outras aves não sabia sua própria identidade. De corpo amarelo emplumado cresceu pensando que fosse um pinto. Foi levado pela vida e só deu por si quando do alto de u’a montanha foi, por ela, atirado no despenhadeiro num vazio que não tinha fim.
O hoje já é passado e quase tudo acabou ali. A sua história não foi melhor que a de uma galinha, mas teve princípio, não teve meio e fim. Seria, mas felizmente não foi o fim de sua vida.
- Bata as asas! Dizia uma voz no seu interior.
- Isso! Bata com mais força, quem sabe você não voa e, quem afirma que chegou a sua hora, o seu fim?
Antes a ave andava com os olhos pregados no chão em busca do que comer, do que fazer, como todas as outras, do galinheiro onde vivia.
Vivia assim, mas só isto não lhe bastava, ela queria algo mais, queria ser qualquer coisa além de uma galinha pura e simplesmente porque sabia que algumas portas se abrem para quem é audacioso.
Em cada canto tem uma vaga para quem ousa e para este tipo sempre existe alguma coisa a ser feita e para isto a menor recompensa é melhor que nada.
O corpo cai pesado cheio de pensamentos e de sonhos, mas suas asas batem medrosas, mas com ritmo, no espaço o seu corpo toma outra posição e a queda é atenuada.
Esperançosa esvoaça para o alto e corajosa vê que é hora de pousar. Entre tantos alvos o seu objetivo é buscar a “mosca”, o centro negro que poucos se atrevem, mas dos que acertam, poucos recebem mais do que entende a psicologia. Não se voa alto para um pagamento injusto, uma coisa qualquer por qualquer coisa. Agora é diferente porque a águia que se achava pinto vê do alto o que os outros não enxergam de perto e isso vale um salário maior, tão grande como o tamanho de suas asas. Todas as convenções foram deixadas de lado para que pudesse seguir os seus próprios pés, suas asas.
Parabéns aos que tentaram, aos que buscaram na incerteza a sua origem em detrimento do medo e do; deixa prá lá, que a inveja e a indiferença lhes obrigam.
Pinto são todos os covardes. Um filhote de águia criado no galinheiro, necessariamente, não tem que viver catando minhoca e dormindo no poleiro, basta que troque uma parte do seu sono pelos estudos, pela chance de estar com o seu filho e seu marido e tão logo se forme na faculdade voe para o mais alto que puder para, nas montanhas, fazer o seu ninho e viver com os que a amam e admiram.
SILVIOAFONSO

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

HOJE É PRIMAVERA

Hoje é primavera. Vejo em todas as folhas o verde vivo de sua idade.
Vejo no céu um azul limpo de nuvens, de tristeza e de arrependimento e você sabe porquê. Porque hoje é primavera.
A primavera é a estação do ano que surge como um hífen numa oração, um traço de união entre dois extremos; inverno e verão.
A primavera não separa as diferenças, mas comunga em todas as línguas e todos os credos, em todos os hábitos e todas as raças.
Hoje é primavera e talvez por ser diferente e rica de história você tenha nascido.
Há trinta e quatro anos todos riam e só você chorava. Todos festejavam a sua primavera
enquanto você deitado se cobria com o céu.
O céu do nascedouro, do amor dos que o aguardavam, o amor de Deus.
Leandro, Feliz primavera. Feliz nove de novembro de todos os anos. Feliz aniversário.

SILVIOAFONSO

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

TEMPERATURA MÁXIMA.

Esta febre que incendeia o corpo cozinhando os pensamentos. Calor que sufoca, maltrata ou mata. Angústia de ter feito certo, mas saiu errado. Sentimento de fracasso atormentado. Guerreiro arrependido de ter matado quando queria ter morrido e agora roga a morte em detrimento de sua vida acovardada. Matar a sede de um abraço, de um beijo. Matar a saudade de alguém querido, distante. Matar a fome, matar o nome, matar, matar, matar. Não se quer morrer só por não ter razão, mas já que se vive a razão dos outros, por que matar então? Eu não advogo em causa própria, por favor entendam! (isto é só um texto) Mas por que viver se até o sol morre em todo entardecer para despertar bonito e sem culpa em cada aurora? Não quero ser o meu próprio carcereiro, assim como não quero ser o réu dos seus doces devaneios.
silvioafonso.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

DOS ASTROS, UMA ESTRELA NOVA.

É na espiral, entre o sol e a lua, que eu fico zonzo e perco o rumo. São nestas curvas que eu te vejo tonta, de rota torta, sem setas, sem metas.
Busco distante o luar de que tanto falas para saber do teu limite, se ele existe.
Rola rala a brisa que te move e por ti se torna remo fácil no manejo do teu barco.
Barco que remonta universo abaixo pelas corredeiras tortuosas, pedregosas, entre as estrelas, ópio em minhas veias.
Vento brando, brisa rala que espalha a branca nuvem, alcalóide cristalino que nasalo corpo adentro, alma afora.
Esperneies, esbravejes, mas não te gabes se para aspirar o que te adormece, tiveste de apertar os astros entre planetas e satélites.

silvioafonso

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O AMOR DELA E O MEU, PRÓPRIO.

Do suor que regou teu corpo tu lavaste todas as minhas lembranças.
Vejas nestas marcas roxas que fizeste no meu coração com a força dos teus desejos. Elas são de força diferente da força do amor que tu fizeste em mim nascer. E a minha alma, que esfacelada se julgava morta desperta com um grito surdo, intenso, quase mudo, no interior do peito que abrigou teu medo, teu beijo e o amor que me faz vivo?
Se a nudez que descobriu meus sonhos e agora os deixa frios, sós, desprotegidos, descobriu também esse rosto que latente se mostra sorridente em minha mente embaçando os pensamentos obscuros desta dor que me fizeste. Digladio contigo desesperado e já nem sei por quê. Talvez eu busque essas respostas, como buscam as lágrimas furtivas dos meus olhos um canto para morrer e nesta morte eu tento matar o que me causa amor, me afronta com o irônico do seu sorriso, na distância que ele mesmo provocou.
silvioafonso

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

TENHO TODAS AS IDADES, INCLUSIVE A MINHAS.

Aceitar a minha idade é o orgulho que eu tenho. Não renego uma parte do tempo que eu tenha vivido, digo isso sem nenhuma hipocrisia e mesmo que hipócrita eu fosse, não seria razoável que eu apagasse alguma fase da minha história para ficar cinco, três ou um ano que fosse, menos velho. Eu não seria justo com os momentos em que eu aprendi não me lembro o que e quando, mas certamente, alguma coisa eu aprendi e por isso eu não cortaria algum período de minha vida, mesmo porque eu não me lembro quando um fato importante aconteceu. Por isso, como eu vou negar o tempo em que eu ambicionava um grande amor? Certamente isso está fora de cogitação porque por este momento eu esperei a minha vida, quase, inteira, ou eu rejeitaria os instantes em que eu subia a serra para conhecer a moça dos olhos cor da mata ou os dois anos em que eu fui feliz com ela ou quem sabe; o tempo que eu continuei menino entre seus braços, seus beijos e abraços, planos e esperanças? Ah, eu não vou mentir... Não quero isso porque não ganho nada e se ganhasse, nada valeria os momentos em que eu sorri de perder o fôlego. Em que eu chorei para aliviar a alma e em que eu busquei a morte pra nascer de novo. Nascer puro, sem passado e sem pecado. Só para ser dela. Absolutamente dela, mais uma vez.
silvioafonso.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

SÉRIA, BONITA E INTELIGENTE.

Poucas são as mulheres que debruçaram na cátedra da vida apregoando sua força e a sua dor, e as que o fizeram se calçaram em rimas ou versos de forma que dissessem o amor sobre todas as coisas. Um amor com o delírio da música, com o cheiro da flor ou um amor que esculturasse o corpo e a mente sem abrir mão dos sonhos e da fantasia. Clarice Lispector, Cassandra Rios e você, que do alto deste morro me cobre os dias com a luz verde do seu olhar, todas deram a cara às fotos e aos fatos, aos ditos cochichados e aos fatos consumados.
Olhos brilhantes, às vezes com riso, sem rancor ou medo. Português da culta norma num labirinto estreito da gramática, pragmática, religião que permitissem a música das cores e das sombras numa liberdade de supremo encantamento, suspense, narrativa da força dos desejos e do amor da bela e audaciosa mulher que ama sem esconder do público o seu sentimento, nas palavras fortes que macula a alma e deixa cicatriz, mora a verdadeira mulher moderna.
silvioafonso

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

UM CÉU PARA VOCÊ...

Com um dos cinco filhos, cinco reais, foi o que ela gastou na formação do mais queridos e menos desejado. Pequeno investimento para uma grande responsabilidade. Dinheiro dividido para multiplicar o homem que aos 20 anos, já formado, atreveu-se pelos jornais e ousou na administração de um dos maiores bancos do País. Casou-se e viu nascer o primeiro filho. Separado teve com outras namoradas os filhos que faltavam. Estudou teologia, mas a ciência subjugou o milagre e fez surgir a fé. Quis educar os mestres e pelos caminhos da psicologia ele caminhou. Estudava para fazer mestrado, mas um amor maior que o de sua própria vida tomou para si o seu destino; não se drogou, não se prostituiu assim como não se frustrou quando jogou a ciência que estuda os fenômenos mentais para o alto e subiu a serra. Subiu o mais alto que podia e foi morar junto as estrelas...
silvioafonso.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O VERDE NOS OLHOS DELA...

Entre todos os meus desejos residia o de ser eternamente apaixonado, não por uma deusa ou princesa e que por mim se arrastasse ou aplaudisse a cada palavra ou gesto que eu fizesse, mas por um ser de alma transparente, singular. Uma pessoa inteligente que soubesse distinguir o choro do pranto e o sorriso da gargalhada. Uma pessoa que discernisse entre o rico de coisas e o pobre de espírito. Que entendesse a misericórdia divina e a misericórdia do golpe. Uma pessoa que não andasse por sobre as águas, mas pelos labirintos da minha alma como andam os mineiros na escuridão dos túneis de carvão aonde vivem e morrem.
Eu queria amar como amam os passarinhos, em bando. Viver cantando e morrer sem saber que a hora lhes é chegada. Eu tenho, entre tantos, este desejo, de viver uma vida diferente, como esta, esverdeada, que Deus me deu.

silvioafonso

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

EU, ELE E A SUA SORTE...

Ele sentia, com o acelerar do seu coração, que era chegada a hora. Ele entendia que a felicidade não seria pesada para os seus, já curvados, ombros, desacostumados do amor, mas ao abri a janela do seu quarto, certa feita, viu que fugia da sua vida a felicidade que lhe honrou por pouco tempo, mas o tempo suficiente para faze-lo eternamente feliz.
Tudo começou com o fogo da paixão que lhe queimava todo o corpo.
Foi poeta, vagabundo, cavalheiro e cafajeste. Deu na cara do orgasmo da mulher que ele mais amou e recebeu na própria alma o troco do seu atrevimento. Depois partiu por caminhos desconhecidos e não sabidos, mas não sem antes deixar com ela, num último beijo, mesmo que chorado, o homem feliz que ele foi um dia, para levar consigo o que de si sobrou da guerra que participou, mas que perdeu.
silvioafonso

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

VOCÊS NA MINHA VIDA...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

FICO ASSIM, SEM VOCÊ...

Eriçaram o meu espanto e a minha agonia.
Meus pêlos que, de todo dia, buscam de pé por teu momento de libido, de tesão, ficam em ponto de quebradura tal a rigidez da envergadura.
Dói de duro o meu desejo. Tua boca vermelha, molhada do gozo reprimido se oferta trêmula, viva, como um cordeiro oferecido aos deuses que despencam do Olímpio agarrados às sedas que abastam de Freya, deusa-mãe da dinastia, as pernas, abertas, como um leque de pavão.
Não insista, não belisca, pois se durmo não sinto a vida e se não vivo, não pretendo a lápide fria, mas o teu colo quente com cheiro de gozo ardente onde me esvaí em sumo branco, quente que procria.
silvioafonso

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

VOCÊ EM MIM...

Mais uma vez ela fraquejou das pernas e se deixou cair de costas, subjugou-se ao homem que a comprimia contra a cama e que num selinho apressado acarinhou seus lábios cujo trajeto ela já adivinhava; dos lábios para, pescoço a baixo se deixar perder por entre os seios num demorado e molhado beijo. Mão na mão, no corpo, no rosto e num desmanchar de cabelos o ato se consumaria para num apressado gesto, vestir as roupas e ir embora. Seria bingo se todas as histórias não tivessem desfechos diferentes, tristes ou felizes.
A boca que selou num beijo o silêncio dos seus lábios era a mesma com que ela sonhara. Era doce no beijar e no dizer do seu nome. Suave quando sorria e bonita quando deixava transparecer a simetria dos seus dentes.
Olhos, de cuja cor já não se esquece, olhavam por entre os seus e, alma à dentro varriam os cantos reprimidos, sofridos e queridos da mulher que sorria, vivia como todas as outras, mas que sofria diferente das que conhecia.
Mal, ou bem de amor, não sei. Mas sei que o corpo que prendia o seu naquele instante, não prendia por sexo, paixão ou vaidade, mas por um amor de conto de fadas, de sapo, príncipe encantado, escravo, súdito e senhor. Prendia por um amor maduro que cheira à vida, à saúde, à beleza e à sinceridade. Cheira a outono e a todas as estações do ano, porque só o amor sabe pintar com as cores que pede o coração.
silvioafonso.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

FIM DA PICADA...

Tu chegaste, paraste e te deixaste ficar. Ficaste para conheceres a intimidade do caseiro e te perdestes no doce mel dos seus olhos. Tu estavas entrincheirada nas difíceis possibilidades e por isto lutaste para não ceder à sua graça, mas abriu-se como uma flor no raiar da primavera quando ele jogou sobre ti o seu olhar e o seu sorriso. Insinuou-se. Tirou de tua frente os obstáculos do talvez e do depois e de joelhos viu o teu amor se por aos pés do príncipe de todos os sonhos. Do homem que Van Gogh pintaria em tua tela. De um deus grego brasileiro, de tuas vontades e de ti.
Esta lição nos é oferecida a cada instante. De quando nasce o sol, desabrocha a flor ou cantam os passarinhos. Eu, pobre vagabundo, esperançoso em melhorar o mundo trago para os nossos passos esta trilha, que eu mesmo desmatei.

SILVIOAFONSO

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

NO DIA DOS PAIS...

video

Olha a cara desse cara. E o pior e que se trata de um grande

amigo meu e tudo o que eu digo, nesta narração, não é mais

do que uma homenagem a grande figura que ele é.

silvioafonso.

sábado, 8 de agosto de 2009

E SE ELE CANTOU, TAMBÉM ME ENCANTOU...

Estou preso a todo o tipo de manifestação; de alegrias ou de tristeza. Eu, cara pálida de todas as cores, hoje pai, não vejo grande agonia se um filho perde uma copa, mas o seu irmão ganha a outra. Este é o mundo da compensação, enquanto um entra o outro sai e vice-versa. Felizmente o Homero da minha vida não viveusua tragédia diante dos meus olhos. Eu não conheci meu pai, mas no jogo do perde e ganha eu ganhei com quem o substituiu e ele desenvolveu de tal maneira este papel que, se pai for o que aquele cara foi para mim, o dia dos pais precisará ter uma nova relevância e bem melhor para o segundo domingo de agosto de todos os anos. Meu "pai" foi na minha vida o exemplo que eu dou aos meus filhos e a quem com eles viva. Foi o super herói, o vingador e o criador da máquina do tempo que me trouxe ao futuro promissor. Meu pai é, na minha lembrança, o narrador da história de vida que agora eu começo a escrever. Feliz dia dos pais, não só para os filhos, mas também para os caras que abriram mão dos estudos e do seu futebol para levar o seu rebento a se tornar Zico, Roberto Dinamite, Garrincha, Rivelino ou professor.
silvioafonso

quinta-feira, 23 de julho de 2009

MEDO DA PRÓPRIA VIDA...

Hoje eu quero descansar na inocência, quero ficar, mesmo
que por pouco tempo, em um ninho de passarinhos. Quero
me deixar levar pelo suave balanço das águas de um riacho
que serpenteia por entre casas de chão batido e telhado de
sapê. Eu quero me perder por entre as flores para, mesmo
sem esperança, reencontrar no meu corpo o perfume da
criança alimentada, educada e sem tristeza. Eu não tenho
e não quero a grandezas da indiferença, pois se eu pudesse
com as minhas palavras abalar o mundo, hoje eu não diria
um ai que fizesse os monges calarem a sua prece ou
baixassem do céu o seu olhar. Palavras que tirassem o
fôlego ou fizessem falar os mudos, eu não diria, se pudesse.

Eu não invejo, pelo menos não me vejo assim, a riqueza dos
ambiciosos e de lugares incomuns eu não me permito cobiçar,
da gramática exata da norma culta eu não aspiraria
demonstrar conhecimento, mas não resisto à tortura que
não me deixa dormir nas madrugadas frias e só por isto eu
grito, cobrindo a voz com a vergonha que é a minha
companheira, neste desfiladeiro onde agora, hoje ou, quem
sabe um dia em u’a manhã qualquer de primavera eu imite
os colibris e as borboletas e saia colhendo o mel de cada flor
que viça na mais linda "vista verde" que os meus olhos já
tiveram e assim, somente assim eu vença o medo de viver
a vida que eu tenho.

silvioafonso




sexta-feira, 3 de julho de 2009

PARABÉM PRA VOCÊ...

Hoje está um corre, corre, sem precedentes. Coisa
de louco.
Um sol que nasceu às pressas tentando permanecer
no céu por mais tempo que o natural, enquanto as
estrelas o empurram para o mar de onde veio
enquanto uma garoa abraça a terra tentando a todo
custo lamber, como que sua cria fosse, a bela
menina que se fez mulher no primeiro 3 de julho
de todas as histórias.
Parabéns Kelly! Gritam os rios e as cascatas. Seja
feliz, menina dos olhos da cor do mar! Respondem
todas as plantas num verde de doer os olhos. Nós a
acompanharemos, à nossa moda, por toda a sua
vida, resmungam os animais de todas as espécies e
para mim, que sou o mais tímido dessas
possibilidades, só me resta cair de joelhos e rogar
aos céus que tu sejas feliz, não só hoje que é o dia
do teu aniversário, mas enquanto durarem os
sentidos e enquanto uma luz, por menor que seja
a sua chama, indicar um caminho qualquer nesse
imenso universo que é a tua vida.

silvioafonso.

terça-feira, 30 de junho de 2009

CONSERVATÓRIA DO MEU AMOR....

Aguço, no final de cada tarde, os olhos, buscando adivinhar
a tua direção. Vejo vultos de mulher que escapam ao dia
para entrar na noite escura dos meus turbulentos pesadelos.
Sinto o acelerar desesperado do meu coração expulsando a
minha alma de romeiro para iniciar a busca à silhueta da tua
presença sempre desejada. Embaça mais e mais o meu campo
de visão, mas o corpo alerta, já sem pressa e sem ruído teme
pela solidão da tua ausência.
O tempo não para, pelo menos para os que, como eu,
acreditam que até ao amanhecer qualquer minuto, qualquer
segundo será uma eterna caminhada.
Eu quero dormir pensando em ti, pretender cobrir o frio do
meu corpo com o esmeralda verde do teu olhar e viajar para
qualquer lugar no infinito embalado no bater suave e doce
do teu coração.
silvioafonso